O futebol é considerado a grande paixão nacional por muitos brasileiros, e a maioria deles tem um time pelo qual se demonstra maior afeto e predileção. E quando um jornalista, que precisa ser ético e imparcial, possui uma paixão declarada por certo clube? E quando este time ganha ou perde um jogo importante na temporada? Como lidar com o ser torcedor, sem perder a lisura, se isso for possível? Para entender o fanatismo dos jornalistas esportivos em algumas coberturas e os seus distintos comportamentos, o blog mostra um caso recente.
No último dia 14 de dezembro, o time do Internacional/RS estreava no Mundial de Clubes organizado pela FIFA e sedidado nos Emirados Árabes Unidos. Os gaúchos tinham, como primeiro adversário, o desconhecido Mazembe, campeão africano vindo do Congo e que, para surpresa de muitos torcedores e especialistas, já tinha eliminado o mexicano Pachuca na fase anterior por 1 a 0.
O que quase nenhum amante sul-americano e europeu do futebol esperava aconteceu: o representante africano, pela primeira vez na história dos Mundiais, conseguiu chegar a uma decisão de título, derrotando a equipe brasileira por 2 a 0. A derrota repercutiu nos jornais do mundo todo e foi o assunto mais comentado no Twitter por vários dias.
Quando se fala em transmissões radiofônicas de partidas do Internacional, um dos nomes lembrados é o de Pedro Ernesto Denardin, narrador titular da Rádio Gaúcha desde 1995 e conhecido nacionalmente por suas locuções polêmicas e incomuns.
O caso mais falado ocorreu na Libertadores de 2006, no primeiro jogo da final entre Internacional e São Paulo, em que Denardin narra o 2º gol do time gaúcho, afirmando que o "Inter humilhou o campeão do mundo [São Paulo ganhou o título mundial em 2005 diante do Liverpool]" e pisou em cima da camisa tricolor. Esta narração também foi lembrada em 2010, quando o Inter venceu novamente o São Paulo nas semifinais e garantiu sua vaga ao Mundial, pois o outro finalista era o mexicano Pachuca, da Concacaf.
Porém, as narrações mais desesperadoras do locutor ocorreram no jogo do Mundial de Clubes de 2010, em que Denardin não acreditava na derrota do Internacional para o Mazembe. No Youtube, podem ser vistos as locuções de dois momentos dessa histórica vitória do time africano: os dois gols do time e os últimos minutos da partida. É necessário reparar que o locutor não ressalta as qualidades do Mazembe, mas, de certa forma, o humilha, dizendo, entre outras frases, que o time gaúcho não poderia perder para o time do Congo.
Passando para a televisão, no dia seguinte à eliminação do time gaúcho, a apresentadora do programa Jogo Aberto (BAND), Renata Fan, declaradamente colorada, decide apresentar o jornal neste dia e acaba quase que chorando ao vivo, pela própria situação de derrota e, indiretamente, por artifícios executados pela equipe - no caso, a música de fundo executada quando Renata tentava falar era a marcha fúnebre e alguns comentários infelizes do ex-jogador e comentarista Neto.
Renata, numa de suas falas no vídeo, afirma que não sabia se conseguiria falar como jornalista naquele dia, por alimentar uma expectativa grande sobre o time. A apresentadora ainda discorda do posicionamento do Internacional em abandonar o Campeonato Brasileiro para disputar o Mundial e ressalta o sacrifício que muitos torcedores fizeram para viajar à Abu Dabi, além de valorizar o bom futebol jogado pelo mazembe, ao contrário de Pedro Ernesto.
Seja pelo lado da histeria e do descontrole, seja pelo choro contido e pela tristeza, o fato é que misturar jornalismo esportivo com paixão declarada a um time específico pode, em algumas situações, ser prejudicial. Talvez muita gente se perguntou o porquê de a Renata não se poupar, e ter apresentado o Jogo Aberto naquele dia. Talvez muitos questionem até hoje as peculiares narrações de Pedro Ernesto. O que se pode dizer é que ter um time de coração não é de todo ruim; o problema é como incorporar esta paixão a um trabalho que preza, quase sempre, pela imparcialidade.
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Gestão de crises empresariais - Operadora Oi e o incêndio que interrompeu comunicações
Uma das grandes responsabilidades que os profissionais de Comunicação, principalmente os Relações Públicas, assumem quando atuam nas empresas ou para pessoas físicas (celebridades, políticos, entre outros) é a chamada gestão de crises. Mas, afinal, o que seria uma crise? É o que tenta responder o artigo A importância do plano de gerenciamento de crises em empresas prestadoras de serviços: Estudo de caso, de Maurício Silveira (fev. 2010, p. 1):
"As crises não são meramente problemas, nem conflitos que acontecem diariamente nas organizações. Crise é um acontecimento que envolve falhas, que gera aflição geral, situações de desgaste de relacionamentos, fato que acontece subitamente, ameaçando a imagem organizacional, os negócios e podendo acarretar grandes perdas financeiras."
Para impedir ou, ao menos, amenizar as consequências negativas que decorrem destas crises, o profissional de Relações Públicas tem uma grande responsabilidade, que é a de identificar os fatores responsáveis pelos acontecimentos, indicar soluções para estes e administrar os relacionamentos que permeiam o dia-a-dia de uma organização. Vários estudos de casos sobre gerenciamento de crises já foram analisados em artigos acadêmicos e monografias e, hoje, será visto um exemplo de como pode ser feita uma boa administração de um súbito acidente, que poderia ser a mola propulsora de uma crise
Na manhã do último dia 21 de dezembro, um incêndio atingiu o prédio central da operadora Oi, na Avenida Antônio Carlos Magalhães, região nobre de Salvador. O fogo começou às 10h, na sala de baterias localizada no 2º andar e a laje do edifício desabou parcialmente. Felizmente, não houve vítimas: apenas alguns bombeiros tiveram que ser socorridos por inalarem fumaça tóxica ou por exaustão.
Porém, o pior dano causado por este incêndio ocorreu nos serviços da operadora: 6 estados brasileiros (Bahia, Alagoas, Pernambuco, Maranhão, Sergipe e Piauí) tiveram problemas na telefonia e nos acessos à Internet e à serviços bancários. Pela ocasião em que ocorreu a fatalidade - às vésperas do Natal e do Ano Novo -, temia-se a possibilidade de muitas pessoas ficarem sem ter acesso a meios de comunicação importantes para a reunião familiar, ainda que a distância separe muitas pessoas de seus parentes e amigos.
Além desta crise no lado emocional e subjetivo, referente aos consumidores, o aspecto econômico começou também a esmorecer: no dia seguinte ao incêndio, as ações da empresa na Bolsa de Valores de São Paulo caíram 1,82%, enquanto a Bovespa tinha uma alta de 0,12%. Era necessário agir rápido para que a situação não piorasse, ou seja, para que não fosse manchada a imagem da Oi, tanto no quesito financeiro, quanto na confiabilidade dos clientes que residem naqueles locais.
As ações foram quase imediatas: no próprio dia 22, o canal oficial da operadora no Youtube postou um comunicado oficial sobre o caso, apresentado pelo presidente da empresa Luiz Eduardo Falco. Nesse vídeo, ele agradece às autoridades da Bahia (principalmente ao Corpo de Bombeiros) pela rapidez no trabalho de controlar o incêndio, não esconde as consequências do acidente e anunciou algumas medidas emergenciais para que o acesso não seja prejudicado: distribuição de mini-modens de 3G para os clientes do Oi Velox que tiveram seu serviço de banda-larga prejudicado, e de aparelhos emergenciais para os clientes do serviço de telefonia fixo.
A maioria dos comentários deste vídeo parabeniza a empresa por prestar esclarecimentos à população e pela transparência ao comentar os fatos ocorridos. Apenas um comentário lamenta o fato deste comunicado não ser veiculado na televisão. Além do vídeo, há, no site da operadora, uma lista dos números afetados e dois comunicados (de 22/12 e de 23/12), sendo este último para informar, dentre outras medidas, que "os serviços de banda larga para os clientes afetados pelo incêndio na central telefônica de Itaigara, em Salvador, deverão estar totalmente restabelecidos até o próximo dia 20 de janeiro."
Como se pode ver nesse caso, é fundamental que o trabalho de gerir uma crise seja bem feito, e o setor de Comunicação da Oi conseguiu ser rápido, honesto (não escondendo os problemas decorrentes do incêndio) e eficiente, atingindo a quase todos os públicos e reconquistando a confiança dos públicos.
Para impedir ou, ao menos, amenizar as consequências negativas que decorrem destas crises, o profissional de Relações Públicas tem uma grande responsabilidade, que é a de identificar os fatores responsáveis pelos acontecimentos, indicar soluções para estes e administrar os relacionamentos que permeiam o dia-a-dia de uma organização. Vários estudos de casos sobre gerenciamento de crises já foram analisados em artigos acadêmicos e monografias e, hoje, será visto um exemplo de como pode ser feita uma boa administração de um súbito acidente, que poderia ser a mola propulsora de uma crise
Na manhã do último dia 21 de dezembro, um incêndio atingiu o prédio central da operadora Oi, na Avenida Antônio Carlos Magalhães, região nobre de Salvador. O fogo começou às 10h, na sala de baterias localizada no 2º andar e a laje do edifício desabou parcialmente. Felizmente, não houve vítimas: apenas alguns bombeiros tiveram que ser socorridos por inalarem fumaça tóxica ou por exaustão.
Porém, o pior dano causado por este incêndio ocorreu nos serviços da operadora: 6 estados brasileiros (Bahia, Alagoas, Pernambuco, Maranhão, Sergipe e Piauí) tiveram problemas na telefonia e nos acessos à Internet e à serviços bancários. Pela ocasião em que ocorreu a fatalidade - às vésperas do Natal e do Ano Novo -, temia-se a possibilidade de muitas pessoas ficarem sem ter acesso a meios de comunicação importantes para a reunião familiar, ainda que a distância separe muitas pessoas de seus parentes e amigos.
Além desta crise no lado emocional e subjetivo, referente aos consumidores, o aspecto econômico começou também a esmorecer: no dia seguinte ao incêndio, as ações da empresa na Bolsa de Valores de São Paulo caíram 1,82%, enquanto a Bovespa tinha uma alta de 0,12%. Era necessário agir rápido para que a situação não piorasse, ou seja, para que não fosse manchada a imagem da Oi, tanto no quesito financeiro, quanto na confiabilidade dos clientes que residem naqueles locais.
As ações foram quase imediatas: no próprio dia 22, o canal oficial da operadora no Youtube postou um comunicado oficial sobre o caso, apresentado pelo presidente da empresa Luiz Eduardo Falco. Nesse vídeo, ele agradece às autoridades da Bahia (principalmente ao Corpo de Bombeiros) pela rapidez no trabalho de controlar o incêndio, não esconde as consequências do acidente e anunciou algumas medidas emergenciais para que o acesso não seja prejudicado: distribuição de mini-modens de 3G para os clientes do Oi Velox que tiveram seu serviço de banda-larga prejudicado, e de aparelhos emergenciais para os clientes do serviço de telefonia fixo.
A maioria dos comentários deste vídeo parabeniza a empresa por prestar esclarecimentos à população e pela transparência ao comentar os fatos ocorridos. Apenas um comentário lamenta o fato deste comunicado não ser veiculado na televisão. Além do vídeo, há, no site da operadora, uma lista dos números afetados e dois comunicados (de 22/12 e de 23/12), sendo este último para informar, dentre outras medidas, que "os serviços de banda larga para os clientes afetados pelo incêndio na central telefônica de Itaigara, em Salvador, deverão estar totalmente restabelecidos até o próximo dia 20 de janeiro."
Como se pode ver nesse caso, é fundamental que o trabalho de gerir uma crise seja bem feito, e o setor de Comunicação da Oi conseguiu ser rápido, honesto (não escondendo os problemas decorrentes do incêndio) e eficiente, atingindo a quase todos os públicos e reconquistando a confiança dos públicos.
domingo, 26 de dezembro de 2010
Qual é o limite do infotenimento? - A versão dourada e musicada do Globo Esporte
O mês de dezembro chega, os principais eventos esportivos estão se encerrando e o grande desafio dos noticiários especializados é preparar especiais de fim de ano e encontrar notícias para preencher os horários atribuídos pelas televisões. Uma das saídas encontradas pelos redatores é o uso do infotenimento, como já foi destacado neste blog. Mas uma pergunta é válida: qual o limite de se utilizar esta técnica num telejornal ancorado pela credibilidade? Uma resposta possível é tratada por Leonel Azevedo de Aguiar no artigo Entretenimento: valor-notícia fundamental, inserido na Revista Estudos em Jornalismo e Mídia (2008, p. 21):
O programa musical original foi exibido entre 1972 e 1990 em periodicidade variada (quartas-feiras - mensal e semanal; sextas-feiras - mensal; domingos - semanal e mensal) e com uma rotatividade de apresentadores e diretores durante o período em que ficou no ar.
Segundo o site Memória Globo, "O programa, inicialmente dirigido por Arnaldo Artilheiro e Mário Lúcio Vaz, estreou em dezembro de 1972 com o nome Globo de Ouro – A Super Parada Mensal e sua proposta era levar ao telespectador os maiores sucessos musicais do momento. A “parada” em questão era um ranking das dez músicas mais tocadas nas estações de rádio naquele mês."
No caso da homenagem feita pelo Globo Esporte, houve uma modernização da vinheta de abertura em relação à original e paródias a apresentadores da casa, como Faustão, Xuxa, Luciano Huck, de outras emissoras, como no bordão "Olha a hora!", dito por Luciano Facciolli, da Rede Bandeirantes, e a lembrança do bordão "Simplesmente um luxo", criado pelo saudoso apresentador e colunista social Ataíde Patrezi.
Foram oito atrações musicais, sendo que, ao final do bloco, foi divulgado o artista vencedor do ano que talvez receberá, como na versão original, um disco de ouro. O grande campeão foi o volante Richarlyson, atualmente no Atlético Mineiro, que atacou de cantor juntamente com outros artistas.
Como se pode ver, alicerçado no artigo de Aguiar, essas próprias apresentações musicais de esportistas talvez não teriam tanta importância em outras ocasiões, mas, pelo fato de terem um grande potencial para o infotenimento, são aproveitadas em determinados períodos do ano em que não se têm grandes notícias esportivas. Pode-se dizer com isso que o limite do infotenimento está na própria natureza do assunto, de sua relevância para determinado fim e do período em que se apresenta.
"Os acontecimentos avaliados como importantes são, obrigatoriamente, selecionados para se tornarem notícias, enquanto que o interesse está vinculado à representação que os jornalistas fazem de seu leitor e também ao valor-notícia definido como capacidade de entretenimento. As notícias interessantes são as que procuram narrar um acontecimento com base na perspectiva do “interesse humano”, das curiosidades que atraem a atenção e do insólito. É esse critério de relevância – notícia interessante com potencialidade de entretenimento – que se coloca em contradição com o critério da importância própria dos acontecimentos."
Na tarde do dia 25 de dezembro, em pleno Natal, houve o fechamento da retrospectiva do ano de 2010 no Globo Esporte. Na ocasião, o apresentador Tiago Leifert comandava o jornal para todo o Brasil, por conta do plantão de Natal proposto pela emissora e mostrava, naquela semana, os principais fatos do ano, tendo, muitas vezes, a ótica do infotenimento como predominante. Naquele sábado, o último assunto a ser tratado no programa e na série de reportagens sobre 2010 foi uma seleção do "repertório musical" e dos "cantores-jogadores/dançarinos-jogadores" que marcaram o esporte neste ano. Então veio a ideia de homenagear, por conta da semelhança nos nomes, o programa Globo de Ouro.O programa musical original foi exibido entre 1972 e 1990 em periodicidade variada (quartas-feiras - mensal e semanal; sextas-feiras - mensal; domingos - semanal e mensal) e com uma rotatividade de apresentadores e diretores durante o período em que ficou no ar.
Segundo o site Memória Globo, "O programa, inicialmente dirigido por Arnaldo Artilheiro e Mário Lúcio Vaz, estreou em dezembro de 1972 com o nome Globo de Ouro – A Super Parada Mensal e sua proposta era levar ao telespectador os maiores sucessos musicais do momento. A “parada” em questão era um ranking das dez músicas mais tocadas nas estações de rádio naquele mês."
No caso da homenagem feita pelo Globo Esporte, houve uma modernização da vinheta de abertura em relação à original e paródias a apresentadores da casa, como Faustão, Xuxa, Luciano Huck, de outras emissoras, como no bordão "Olha a hora!", dito por Luciano Facciolli, da Rede Bandeirantes, e a lembrança do bordão "Simplesmente um luxo", criado pelo saudoso apresentador e colunista social Ataíde Patrezi.
Foram oito atrações musicais, sendo que, ao final do bloco, foi divulgado o artista vencedor do ano que talvez receberá, como na versão original, um disco de ouro. O grande campeão foi o volante Richarlyson, atualmente no Atlético Mineiro, que atacou de cantor juntamente com outros artistas.
Como se pode ver, alicerçado no artigo de Aguiar, essas próprias apresentações musicais de esportistas talvez não teriam tanta importância em outras ocasiões, mas, pelo fato de terem um grande potencial para o infotenimento, são aproveitadas em determinados períodos do ano em que não se têm grandes notícias esportivas. Pode-se dizer com isso que o limite do infotenimento está na própria natureza do assunto, de sua relevância para determinado fim e do período em que se apresenta.
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Porque já é dezembro... (IV) - Comunicação e foco emocional às vésperas de mais um Natal
Finalizando esta série de postagens sobre a comunicação e o Natal, um dos focos mais explorados nas ações publicitárias é o emocional. Como já dito numa das últimas análises discorridas neste blog, o ser humano, em datas especiais individuais (aniversário) ou coletivas (Natal, Ano Novo), intensifica seus sentimentos e os seus corações se sensibilizam com maior facilidade e, consequentemente, envolvendo-se em ações solidárias, como visto na segunda postagem.
Além destas ações típicas de final de ano, um aspecto importante a ser tratado quando se justifica a importância do foco emocional em propagandas ou em outras ações é a chamada humanização, ou seja, ter, como mote principal da campanha, o ser humano, seus desejos, valores e necessidades. Esta valorização, porém, precisa ser desenhada primeiramente na comunicação interna, como afirmam os autores Vergara e Branco (2001: 20), citados por Wellington Soares da Costa no artigo Humanização, Relacionamento Interpessoal e Ética (2003, p. 2), quando descrevem as características de uma empresa humanizada:
"[...] aquela que [...] agrega outros valores que não somente a maximização do retorno para os acionistas. Nesse sentido, são mencionadas empresas que, no âmbito interno, promovem a melhoria na qualidade de vida e de trabalho, visando à construção de relações mais democráticas e justas, mitigam as desigualdades e diferenças de raça, sexo ou credo [e não apenas em tais aspectos], além de contribuírem para o desenvolvimento e crescimento das pessoas."
Dentre os vários exemplos de planos de comunicação com ênfase nesta humanização da marca, um bastante conhecido é a propaganda Uma vez mais Lado a Lado, integrante da campanha de fim de ano do banco Bradesco. Segundo reportagem feita pelo portal Exame.com, os personagens principais, clientes do Banco, não são atores, mas sim pessoas vivendo suas próprias histórias de encontros e reencontros, ambientadas numa das plataformas da Estação Júlio Prestes, em São Paulo. Esta campanha é composta por ações nas mídias sociais, filmes de TV, depoimentos postados no canal da empresa no Youtube e anúncios impressos, entre outras ferramentas.
O banco ainda criou um hotsite dessa campanha em que, além de visualizar os depoimentos, as pessoas ainda podem mandar suas mensagens de fim de ano a parentes e amigos. Um detalhe é que o limite de caracteres destas postagens é igual a de um recado no Twitter, ou seja, de 140 caracteres. Há, nessa ação, a humanização da marca, por estar mais próxima ao cotidiano das pessoas. E este anseio, não só do Bradesco mas de outros bancos, não veio somente nos primeiros anos do terceiro milênio, como afirma Maria Eduarda da Mota Rocha, no artigo A nova retórica do grande capital: a publicidade brasileira entre o neoliberalismo e a democratização (2004, p. 20-21):
"[...] quando, ainda em 1998, adotou o slogan “sempre à frente”, o Bradesco deu-lhe um sentido diferente do culto à concorrência e ao status. Um casal mirando o pôr-do-sol era a imagem que dava suporte ao texto: “Para o Bradesco, estar sempre à frente só faz sentido se for para servir você. Nós sabemos que é preciso ter coragem para enfrentar o novo (...). É pensando assim que o Bradesco ajuda a promover o crescimento das comunidades onde atua.” (Veja, 23/09/1998). [...].
A “humanização” também passou a ser a tônica da publicidade do Itaú, a partir de 1998. Naquele ano, a campanha “bem-vindo ao ano 2000” deu um novo sentido para a pretensão de estar à frente de seu tempo, manifesta na comemoração antecipada da entrada do milênio [...]. [Com isso,] a tecnologia aparecia como meio de economia de tempo para ser gasto com a 'vida plena', representada por relações afetivas intensas e descontraídas, de preferência, ao ar livre."
Portanto, não só bancos, mas todas as empresas precisam ter os seus olhares fixos, não só nos cifrões das ações na Bolsa de Valores, mas nos valores e sonhos de cada cliente, de cada funcionário, de cada cidadão, incentivando a humanidade a ser melhor a cada ano que passa. Encerra-se esta série de postagens com um vídeo inspirador feito ao Banco Itaú na virada do milênio, valorizando o trabalho do ser humano e descrevendo os sonhos para o terceiro milênio da humanidade, contados no tempo passado, ou seja, como se o locutor estivesse no ano 3000.
O blog não terá postagens nos dias 24 e 31 de dezembro. Porém, o RPitacos não terá férias, voltando ao rítmo normal nos dias 26 de dezembro e 01 de janeiro. Sim, nestes dois dias, teremos postagens novas, pois o mundo gira em todos os segundos e precisamos RePensá-lo constantemente. Este é o novo lema deste blog! FELIZ NATAL a todos!
Além destas ações típicas de final de ano, um aspecto importante a ser tratado quando se justifica a importância do foco emocional em propagandas ou em outras ações é a chamada humanização, ou seja, ter, como mote principal da campanha, o ser humano, seus desejos, valores e necessidades. Esta valorização, porém, precisa ser desenhada primeiramente na comunicação interna, como afirmam os autores Vergara e Branco (2001: 20), citados por Wellington Soares da Costa no artigo Humanização, Relacionamento Interpessoal e Ética (2003, p. 2), quando descrevem as características de uma empresa humanizada:
"[...] aquela que [...] agrega outros valores que não somente a maximização do retorno para os acionistas. Nesse sentido, são mencionadas empresas que, no âmbito interno, promovem a melhoria na qualidade de vida e de trabalho, visando à construção de relações mais democráticas e justas, mitigam as desigualdades e diferenças de raça, sexo ou credo [e não apenas em tais aspectos], além de contribuírem para o desenvolvimento e crescimento das pessoas."
Dentre os vários exemplos de planos de comunicação com ênfase nesta humanização da marca, um bastante conhecido é a propaganda Uma vez mais Lado a Lado, integrante da campanha de fim de ano do banco Bradesco. Segundo reportagem feita pelo portal Exame.com, os personagens principais, clientes do Banco, não são atores, mas sim pessoas vivendo suas próprias histórias de encontros e reencontros, ambientadas numa das plataformas da Estação Júlio Prestes, em São Paulo. Esta campanha é composta por ações nas mídias sociais, filmes de TV, depoimentos postados no canal da empresa no Youtube e anúncios impressos, entre outras ferramentas.
O banco ainda criou um hotsite dessa campanha em que, além de visualizar os depoimentos, as pessoas ainda podem mandar suas mensagens de fim de ano a parentes e amigos. Um detalhe é que o limite de caracteres destas postagens é igual a de um recado no Twitter, ou seja, de 140 caracteres. Há, nessa ação, a humanização da marca, por estar mais próxima ao cotidiano das pessoas. E este anseio, não só do Bradesco mas de outros bancos, não veio somente nos primeiros anos do terceiro milênio, como afirma Maria Eduarda da Mota Rocha, no artigo A nova retórica do grande capital: a publicidade brasileira entre o neoliberalismo e a democratização (2004, p. 20-21):
"[...] quando, ainda em 1998, adotou o slogan “sempre à frente”, o Bradesco deu-lhe um sentido diferente do culto à concorrência e ao status. Um casal mirando o pôr-do-sol era a imagem que dava suporte ao texto: “Para o Bradesco, estar sempre à frente só faz sentido se for para servir você. Nós sabemos que é preciso ter coragem para enfrentar o novo (...). É pensando assim que o Bradesco ajuda a promover o crescimento das comunidades onde atua.” (Veja, 23/09/1998). [...].
A “humanização” também passou a ser a tônica da publicidade do Itaú, a partir de 1998. Naquele ano, a campanha “bem-vindo ao ano 2000” deu um novo sentido para a pretensão de estar à frente de seu tempo, manifesta na comemoração antecipada da entrada do milênio [...]. [Com isso,] a tecnologia aparecia como meio de economia de tempo para ser gasto com a 'vida plena', representada por relações afetivas intensas e descontraídas, de preferência, ao ar livre."
Portanto, não só bancos, mas todas as empresas precisam ter os seus olhares fixos, não só nos cifrões das ações na Bolsa de Valores, mas nos valores e sonhos de cada cliente, de cada funcionário, de cada cidadão, incentivando a humanidade a ser melhor a cada ano que passa. Encerra-se esta série de postagens com um vídeo inspirador feito ao Banco Itaú na virada do milênio, valorizando o trabalho do ser humano e descrevendo os sonhos para o terceiro milênio da humanidade, contados no tempo passado, ou seja, como se o locutor estivesse no ano 3000.
O blog não terá postagens nos dias 24 e 31 de dezembro. Porém, o RPitacos não terá férias, voltando ao rítmo normal nos dias 26 de dezembro e 01 de janeiro. Sim, nestes dois dias, teremos postagens novas, pois o mundo gira em todos os segundos e precisamos RePensá-lo constantemente. Este é o novo lema deste blog! FELIZ NATAL a todos!
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Porque já é dezembro... (III) - Comunicação e divulgação da religiosidade em volta do Natal
Continuando nossa série de postagens sobre as relações feitas entre a comunicação e o período do Natal, é necessário resgatar uma faceta esquecida, muitas vezes, pelos comerciais e pela própria mídia: o significado religioso que envolve o dia 25 de dezembro. É de conhecimento quase que geral que se comemora neste dia o nascimento de Jesus Cristo. Mas esta data é realmente o nascimento de Cristo? Segundo o site da revista Mundo Estranho, pertencente à Editora Abril e "filho" da Superinteressante, a data não possui muita relação com este nascimento:
"Parece incrível, mas a escolha da data não tem nada a ver com o nascimento de Jesus. Os romanos aproveitaram uma importante festa pagã realizada por volta do dia 25 de dezembro e "cristianizaram" a data, comemorando o nascimento de Jesus pela primeira vez no ano 354. A tal festa pagã, chamada de Natalis Solis Invicti ("nascimento do sol invencível"), era uma homenagem ao deus persa Mitra, popular em Roma. As comemorações aconteciam durante o solstício de inverno, o dia mais curto do ano. No hemisfério norte, o solstício não tem data fixa - ele costuma ser próximo de 22 de dezembro, mas pode cair até no dia 25."
Para o doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e pelo ITA e especialista em doutrina católica Pprofessor Felipe Aquino, em post escrito em seu blog há exatamente um ano (dia 20 de dezembro de 2009), a Igreja escolheu esta data para se comemorar o nascimento de Cristo exaltando-o como o Verdadeiro Sol, que traz a salvação em seus raios. Independente da religião praticada, todas concordam num aspecto: o período natalino tem, como objetivo, aproximar a criatura de seu Criador, como se vê nesta reportagem feita pelo Jornal do Commercio (Pernambuco) em dezembro de 2008.
Um vídeo que chamou a atenção do mundo nos últimos dias foi postado pela agência portuguesa Excentric e visto por mais de 180 mil vezes, contando somente as visualizções em seu canal oficial no Youtube. De uma maneira original, a agência mostra como seria o nascimento de Jesus nos tempos de hoje, em meio às mídias sociais.
O vídeo começa com uma busca no Google sobre a história da natividade e, a partir da localização da cidade de Nazaré, o enredo começa a se desenrolar, incluindo várias ações de comunicação modernas, como mensagens de celular, pesquisas na Wikipédia, uso de e-mails, serviço de aluguel de veículos on-line (no caso, o "carro" utilizado foi um burro), a ágil comunicação do Twitter, localização via Foursquare, interação pelo Facebook, compra de presentes pelo site Amazon e postagem de vídeos pelo Youtube.
No final do vídeo, há uma frase: Os tempos mudam, o sentimento continua o mesmo. Pode-se até discordar um pouco desta expressão numa visão mais global, visto que, em alguns países, o lado de espiritualidade do Natal não pode ser expressado ou simplesmente não existe. Porém, como Portugal possui um expressivo número de cristãos, o vídeo se mostrou eficaz e transcendeu a abordagem padrão que se faria nesta data, tanto que ganhou notoriedade em vários blogs e sites brasileiros, como no diário virtual do colunista Ricardo Noblat (Jornal O Globo) e num blog integrante do portal da InfoExame.
Não se pode desarticular desta ação o objetivo empresarial da agência de ser divulgada em todas as partes do mundo, porém conseguiu expressar o sentido do Natal e a religiosidade que envolve esta data de uma maneira criativa, alegre, inovadora e sem ferir quaisquer crenças, mas sim promovendo a união entre as pessoas de boa vontade.
"Parece incrível, mas a escolha da data não tem nada a ver com o nascimento de Jesus. Os romanos aproveitaram uma importante festa pagã realizada por volta do dia 25 de dezembro e "cristianizaram" a data, comemorando o nascimento de Jesus pela primeira vez no ano 354. A tal festa pagã, chamada de Natalis Solis Invicti ("nascimento do sol invencível"), era uma homenagem ao deus persa Mitra, popular em Roma. As comemorações aconteciam durante o solstício de inverno, o dia mais curto do ano. No hemisfério norte, o solstício não tem data fixa - ele costuma ser próximo de 22 de dezembro, mas pode cair até no dia 25."
Para o doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e pelo ITA e especialista em doutrina católica Pprofessor Felipe Aquino, em post escrito em seu blog há exatamente um ano (dia 20 de dezembro de 2009), a Igreja escolheu esta data para se comemorar o nascimento de Cristo exaltando-o como o Verdadeiro Sol, que traz a salvação em seus raios. Independente da religião praticada, todas concordam num aspecto: o período natalino tem, como objetivo, aproximar a criatura de seu Criador, como se vê nesta reportagem feita pelo Jornal do Commercio (Pernambuco) em dezembro de 2008.
Um vídeo que chamou a atenção do mundo nos últimos dias foi postado pela agência portuguesa Excentric e visto por mais de 180 mil vezes, contando somente as visualizções em seu canal oficial no Youtube. De uma maneira original, a agência mostra como seria o nascimento de Jesus nos tempos de hoje, em meio às mídias sociais.
O vídeo começa com uma busca no Google sobre a história da natividade e, a partir da localização da cidade de Nazaré, o enredo começa a se desenrolar, incluindo várias ações de comunicação modernas, como mensagens de celular, pesquisas na Wikipédia, uso de e-mails, serviço de aluguel de veículos on-line (no caso, o "carro" utilizado foi um burro), a ágil comunicação do Twitter, localização via Foursquare, interação pelo Facebook, compra de presentes pelo site Amazon e postagem de vídeos pelo Youtube.
No final do vídeo, há uma frase: Os tempos mudam, o sentimento continua o mesmo. Pode-se até discordar um pouco desta expressão numa visão mais global, visto que, em alguns países, o lado de espiritualidade do Natal não pode ser expressado ou simplesmente não existe. Porém, como Portugal possui um expressivo número de cristãos, o vídeo se mostrou eficaz e transcendeu a abordagem padrão que se faria nesta data, tanto que ganhou notoriedade em vários blogs e sites brasileiros, como no diário virtual do colunista Ricardo Noblat (Jornal O Globo) e num blog integrante do portal da InfoExame.
Não se pode desarticular desta ação o objetivo empresarial da agência de ser divulgada em todas as partes do mundo, porém conseguiu expressar o sentido do Natal e a religiosidade que envolve esta data de uma maneira criativa, alegre, inovadora e sem ferir quaisquer crenças, mas sim promovendo a união entre as pessoas de boa vontade.
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Porque já é dezembro... (II) - Comunicação e solidariedade às vésperas do Natal
Em continuação à série de posts especiais sobre o Natal, iniciada ontem, é necessário refletir sobre as ações solidárias e comunitárias presentes durante este período de final de ano. É até clichê falar que o ser humano, quando se aproxima o Natal, começa a ficar mais sensibilizado com certas situações e está mais propenso a ajudar os seus semelhantes a celebrar dignamente os festejos natalinos.
Tendo em vista esta observação, o blog traz, hoje, dois exemplos de ações solidárias, uma mais pontual e até mesmo inédita, e outra mais tradicional e duradoura. Os casos analisados serão a vinheta de fim de ano da Rede Globo do ano de 2010-2011, com o mote "Realizar sonhos é mais simples do que você imagina", e a campanha Natal sem Fome dos Sonhos.
Primeiramente, vendo a tradicional vinheta de fim de ano da emissora carioca, ela traz uma interação direta com o telespectador, assim como no ano de 2008, em que vídeos de pessoas anônimas cantando a música tema foram utilizados pela emissora. Segundo o release divulgado pela emissora em vários sites e blogs, foram pedidas cartas com “sonhos de Natal” em Espaços Criança Esperança, comunidades e hospitais pelo país, sem que se contasse que era uma iniciativa da Globo. A escolha foi feita de forma aleatória e os escolhidos só descobriram do que se tratava com a chegada de surpresa das equipes.
São 10 vídeos ao todo, com a presença de duplas de atores e apresentadores da Globo, escolhidos talvez por sua empatia com as crianças (como Renato Aragão e Xuxa; Marcius Melhem e Leandro Hassum), por estarem em grande fase no jornalismo esportivo (Glenda Kozlowski e Tiago Leifert) ou como uma estratégia para mostrar simpatia com o público a fim de recuperar a audiência do Fantástico (Patrícia Poeta e Zeca Camargo), mas sempre mostrando o lado de Papais e Mamães Noéis presente nos artistas e nos cidadãos, principalmente diante do Natal, como no vídeo a seguir, com a participação do casal Tarcísio Meira e Glória Menezes entregando uma câmera digital à Pâmela, uma menina residente na capital paulista.
Outro projeto solidário que completa seus 18 anos em 2010 é a Ação da Cidadania, fundada em 24 de abril de 1993 pelo sociológo Hebert de Souza, o Betinho e a justificativa para a implantação deste comitê e da campanha Natal Sem Fome, a mais famosa ação do grupo e que foi lançada naquele mesmo ano, é explicada pelo próprio fundador: "a motivação fundamental da Ação da Cidadania era a certeza de que democracia e miséria eram incompatíveis. A indigência havia alcançado níveis alarmantes, agravando ainda mais o quadro de pobreza que sempre caracterizou a realidade brasileira".
Em 2006, houve uma mudança de foco na campanha, que passou a ser chamada de Natal Sem Fome dos Sonhos e a arrecadar brinquedos e livros infanto-juvenis, alertando a sociedade para as mazelas ainda existentes na educação brasileira. Simbolizando esta nova etapa, a nova logomarca da campanha foi criada pelo cartunista Ziraldo, autor, dentre outras obras, de O Menino Maluquinho. Como o próprio site relata, a campanha saiu do emergencial (recolhimento de alimentos) e passou a tratar o estrutural (combate ao analfabetismo e incentivo a uma educação de qualidade).
Neste ano, a arrecadação de brinquedos no Rio de Janeiro foi menor do que em 2009: apenas 59 mil brinquedos foram recebidos pela equipe, quase um terço do total arrecadado no ano passado e, na última quarta-feira, ocorreu uma vígilia para a montagem das cestas que serão entregues às famílias carentes. Abaixo, uma matéria do Jornal Nacional sobre a arrecadação de brinquedos em plena Rua 25 de Março, em São Paulo.
Com esses exemplos, podemos entender que as ações solidárias durante a época natalina são importantes, mas precisam ser desenroladas também durante o resto do ano, e nisso entra o profissional de Relações Públicas, no planejamento de ações de curto, médio ou longo prazo, para que a solidariedade esteja presente nos 365 dias do ano.
Tendo em vista esta observação, o blog traz, hoje, dois exemplos de ações solidárias, uma mais pontual e até mesmo inédita, e outra mais tradicional e duradoura. Os casos analisados serão a vinheta de fim de ano da Rede Globo do ano de 2010-2011, com o mote "Realizar sonhos é mais simples do que você imagina", e a campanha Natal sem Fome dos Sonhos.
Primeiramente, vendo a tradicional vinheta de fim de ano da emissora carioca, ela traz uma interação direta com o telespectador, assim como no ano de 2008, em que vídeos de pessoas anônimas cantando a música tema foram utilizados pela emissora. Segundo o release divulgado pela emissora em vários sites e blogs, foram pedidas cartas com “sonhos de Natal” em Espaços Criança Esperança, comunidades e hospitais pelo país, sem que se contasse que era uma iniciativa da Globo. A escolha foi feita de forma aleatória e os escolhidos só descobriram do que se tratava com a chegada de surpresa das equipes.
São 10 vídeos ao todo, com a presença de duplas de atores e apresentadores da Globo, escolhidos talvez por sua empatia com as crianças (como Renato Aragão e Xuxa; Marcius Melhem e Leandro Hassum), por estarem em grande fase no jornalismo esportivo (Glenda Kozlowski e Tiago Leifert) ou como uma estratégia para mostrar simpatia com o público a fim de recuperar a audiência do Fantástico (Patrícia Poeta e Zeca Camargo), mas sempre mostrando o lado de Papais e Mamães Noéis presente nos artistas e nos cidadãos, principalmente diante do Natal, como no vídeo a seguir, com a participação do casal Tarcísio Meira e Glória Menezes entregando uma câmera digital à Pâmela, uma menina residente na capital paulista.
Outro projeto solidário que completa seus 18 anos em 2010 é a Ação da Cidadania, fundada em 24 de abril de 1993 pelo sociológo Hebert de Souza, o Betinho e a justificativa para a implantação deste comitê e da campanha Natal Sem Fome, a mais famosa ação do grupo e que foi lançada naquele mesmo ano, é explicada pelo próprio fundador: "a motivação fundamental da Ação da Cidadania era a certeza de que democracia e miséria eram incompatíveis. A indigência havia alcançado níveis alarmantes, agravando ainda mais o quadro de pobreza que sempre caracterizou a realidade brasileira".
Em 2006, houve uma mudança de foco na campanha, que passou a ser chamada de Natal Sem Fome dos Sonhos e a arrecadar brinquedos e livros infanto-juvenis, alertando a sociedade para as mazelas ainda existentes na educação brasileira. Simbolizando esta nova etapa, a nova logomarca da campanha foi criada pelo cartunista Ziraldo, autor, dentre outras obras, de O Menino Maluquinho. Como o próprio site relata, a campanha saiu do emergencial (recolhimento de alimentos) e passou a tratar o estrutural (combate ao analfabetismo e incentivo a uma educação de qualidade).
Neste ano, a arrecadação de brinquedos no Rio de Janeiro foi menor do que em 2009: apenas 59 mil brinquedos foram recebidos pela equipe, quase um terço do total arrecadado no ano passado e, na última quarta-feira, ocorreu uma vígilia para a montagem das cestas que serão entregues às famílias carentes. Abaixo, uma matéria do Jornal Nacional sobre a arrecadação de brinquedos em plena Rua 25 de Março, em São Paulo.
Com esses exemplos, podemos entender que as ações solidárias durante a época natalina são importantes, mas precisam ser desenroladas também durante o resto do ano, e nisso entra o profissional de Relações Públicas, no planejamento de ações de curto, médio ou longo prazo, para que a solidariedade esteja presente nos 365 dias do ano.
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Porque já é dezembro... (I) - Comunicação e ações mercadológicas em volta do Natal
O mês de dezembro já se encaminha para a sua metade e faltam poucos dias para o Natal. Que papel a comunicação exerce nesta data comemorativa? Quais aspectos são mais realçados nas campanhas, promoções e propagandas? Como o Relações Públicas pode ajudar nestas ações? Pra responder a estas perguntas, o blog RPitacos abre uma série de quatro posts relacionando o Natal a alguma ação específica, seja espiritual, mercadológica, emocional ou comunitária.
Porém, é sempre necessário lembrar que estas ações, em muitas oportunidades, não aparecem isoladas, mas se completam e se complementam, para que o objetivo específico de cada comercial/propaganda possa ser atingido com êxito.
Hoje, será discutido o significado do Natal sob a ótica das ações mercadológicas. Nesta época do ano, há várias iniciativas para que, dentre outros objetivos, se aumente a compra de mercadorias, seja para proveito dos próprios compradores ou para presentear os parentes/amigos queridos, e, assim, a economia dos países se aquece, como a instituição do 13º salário e um aumento considerável no número de propagandas com o intuito de motivar as pessoas às compras.
Um dos públicos mais atingidos por esta "magia do consumo" é o infantil, que possui uma capacidade de se encantar com as luzes acesas neste período com maior facilidade do que muitos adultos, além de assistir a programas de televisão por um tempo mais significativo, como relata Luísa Peixoto de Magalhães no artigo “Este ano, no Natal, eu gostaria muito de receber…” Estudo empírico sobre a relação crianças-publicidade televisiva de brinquedos (2005, p. 242):
"A exposição das crianças à televisão é inegável. Dados estudados por Manuel Pinto indicam que, 'em termos globais, pode concluir-se que a média diária de consumo ronda as 3 horas nos dias de aulas e as 4 horas no fim-de-semana' (2000:225). Ao longo destas horas, o espaço publicitário vai apresentando repetidamente spots relativos a objectos que facilmente se tornam alvos a conseguir. É o caso dos brinquedos e outros objectos do agrado infantil que se encontram registados em alguns pedidos expressos (ou não) na época do Natal (ou em outras épocas festivas)."
Esta importância do público infantil pode ser dividida em duas frentes de comerciais: os que querem atingir diretamente às crianças e os que se utilizam delas para comover outros públicos (como se verá nos próximos posts). Usando a primeira divisão, o vídeo abaixo mostra o comercial de 2010 da empresa Ri Happy, especializada em brinquedos. A agência responsável pelo comercial se utilizou de uma figura moderna do Papai Noel, que já não utiliza o tradicional trenó com renas, mas sim um foguete, além da música incidental ser uma versão mais pop rock de Jingle Bells.
As cores fortes utilizadas neste comercial, mais a figura símbolo da loja em destaque, contribuem para que a mensagem do consumo, mesmo sem veiculação de ofertas, possa ser passada com sucesso e, assim, gerar nas crianças um fetiche da mercadoria, impulsionando-as a pedir brinquedos da Ri Happy aos pais. Nesta visão consumista, há o risco de que sejam minimizadas os significados mais importantes do Natal, por esta pressão de se comprar mais e mais.
Porém, é sempre necessário lembrar que estas ações, em muitas oportunidades, não aparecem isoladas, mas se completam e se complementam, para que o objetivo específico de cada comercial/propaganda possa ser atingido com êxito.
Hoje, será discutido o significado do Natal sob a ótica das ações mercadológicas. Nesta época do ano, há várias iniciativas para que, dentre outros objetivos, se aumente a compra de mercadorias, seja para proveito dos próprios compradores ou para presentear os parentes/amigos queridos, e, assim, a economia dos países se aquece, como a instituição do 13º salário e um aumento considerável no número de propagandas com o intuito de motivar as pessoas às compras.
Um dos públicos mais atingidos por esta "magia do consumo" é o infantil, que possui uma capacidade de se encantar com as luzes acesas neste período com maior facilidade do que muitos adultos, além de assistir a programas de televisão por um tempo mais significativo, como relata Luísa Peixoto de Magalhães no artigo “Este ano, no Natal, eu gostaria muito de receber…” Estudo empírico sobre a relação crianças-publicidade televisiva de brinquedos (2005, p. 242):
"A exposição das crianças à televisão é inegável. Dados estudados por Manuel Pinto indicam que, 'em termos globais, pode concluir-se que a média diária de consumo ronda as 3 horas nos dias de aulas e as 4 horas no fim-de-semana' (2000:225). Ao longo destas horas, o espaço publicitário vai apresentando repetidamente spots relativos a objectos que facilmente se tornam alvos a conseguir. É o caso dos brinquedos e outros objectos do agrado infantil que se encontram registados em alguns pedidos expressos (ou não) na época do Natal (ou em outras épocas festivas)."
Esta importância do público infantil pode ser dividida em duas frentes de comerciais: os que querem atingir diretamente às crianças e os que se utilizam delas para comover outros públicos (como se verá nos próximos posts). Usando a primeira divisão, o vídeo abaixo mostra o comercial de 2010 da empresa Ri Happy, especializada em brinquedos. A agência responsável pelo comercial se utilizou de uma figura moderna do Papai Noel, que já não utiliza o tradicional trenó com renas, mas sim um foguete, além da música incidental ser uma versão mais pop rock de Jingle Bells.
As cores fortes utilizadas neste comercial, mais a figura símbolo da loja em destaque, contribuem para que a mensagem do consumo, mesmo sem veiculação de ofertas, possa ser passada com sucesso e, assim, gerar nas crianças um fetiche da mercadoria, impulsionando-as a pedir brinquedos da Ri Happy aos pais. Nesta visão consumista, há o risco de que sejam minimizadas os significados mais importantes do Natal, por esta pressão de se comprar mais e mais.
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