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sexta-feira, 8 de março de 2013

Propaganda frágil, sexo forte - Cuidados do marketing no Dia Internacional da Mulher

Por Maíra Masiero

Neste dia 08 de março, comemora-se o Dia Internacional da Mulher, e muitas empresas e agências homenageiam suas colaboradoras e clientes com ações das mais variadas, simples ou complexas. Ainda assim, muitos ainda desconhecem o porquê desta comemoração nos primeiros dias do mês de março, e - mais ainda - não suspeitam que sua origem seja relacionada com lutas, e não com ideais festivos. Desde o começo do século XX, houve várias lutas feministas para protestar contra as jornadas de trabalho de 15 horas diárias, os baixos salários e o trabalho infantil. Uma matéria no site da Revista Nova Escola, escrita por Paula Nadal, mostra como a data foi definitivamente implantada em todo o mundo:

"Com a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) eclodiram ainda mais protestos em todo o mundo. Mas foi em 8 de março de 1917 (23 de fevereiro no calendário Juliano, adotado pela Rússia até então), quando aproximadamente 90 mil operárias manifestaram-se contra o Czar Nicolau II, as más condições de trabalho, a fome e a participação russa na guerra - em um protesto conhecido como "Pão e Paz" - que a data consagrou-se, embora tenha sido oficializada como Dia Internacional da Mulher, apenas em 1921.
Somente mais de 20 anos depois, em 1945, a Organização das Nações Unidas (ONU) assinou o primeiro acordo internacional que afirmava princípios de igualdade entre homens e mulheres. Nos anos 1960, o movimento feminista ganhou corpo, em 1975 comemorou-se oficialmente o Ano Internacional da Mulher e em 1977 o "8 de março" foi reconhecido oficialmente pelas Nações Unidas."

Existem propagandas muito bem feitas e sensíveis para se comemorar esse dia. Um exemplo é o da Caixa Econômica em 2010, que ilustra um poema de Adélia Prado com fotos de mulheres, de várias localidades brasileiras, com ocupações consideradas comuns (professora, estudante, enfermeira e rendeira) e outras conquistadas (ou reconhecidas) recentemente, como policial pacificadora e ladrilhadora. O objetivo é mostrar as diversas facetas da mulher, confirmando alguns dos versos escritos por Adélia: "Vai ser coxo na vida é maldição pra homem. / Mulher é desdobrável."


Porém, nem todas as campanhas para o Dia Internacional da Mulher são cobertas de elogios. Segundo uma breve análise na fanpage Analista de Mídias Sociais da Depressão, que mostra a rotina desse profissional (de uma forma bem humorada) e algumas postagens polêmicas (positivas ou negativas) de outras páginas de empresas e agências, foram constatadas, até o fechamento desse post, oito figuras que causaram polêmica dentre os seguidores das fanpages mencionadas.

Talvez a que teve uma maior repercussão foi a ilustrada pela loja de tecidos alagoana Costurella Tecidos E Avivamentos, que carregou na sua página do Facebook uma figura em homenagem ao dia 8 de março, com a seguinte frase:  "As mulheres dizem que Cristiano Ronaldo e Kaká são lindos de morrer, elas precisam conhecer o goleiro Bruno: ele é de matar.". 

Em meio ao julgamento do ex-jogador de futebol, condenado a mais de 22 anos de prisão, na madrugada do dia 08 de março, por participar do assassinato de Eliza Samúdio, o anúncio foi totalmente repudiado pelos seguidores, e isso fez com que a loja publicasse um pedido de desculpas na página. Contudo, algum tempo depois, a Costurella retirou a página do Facebook, mantendo apenas o perfil.

Fonte: Vila Mulher
Relacionado com esse crime de violência contra a mulher, são vários os anúncios que aproveitam a oportunidade da data para conscientizar as pessoas sobre a importância e gravidade desse assunto. 

Nestes primeiros meses de 2013, o Banco Mundial Brasil está fazendo a campanha "Homem de Verdade não Bate em Mulher", com o apoio de anônimos e pessoas famosas, como os atores Cauã Reymond e Gabriel Braga Nunes (foto), além de Maria da Penha, uma biofarmacêutica que ficou paraplégica após seguidos ataques do marido e serviu de inspiração (e de nome) para a mais importante lei contra a violência doméstica brasileira que, mesmo em vigor, ainda não conseguiu acabar com os crimes. 

Celebridades e pessoas comuns posaram para fotos com o slogan da campanha, acrescentado com a hashtag #souhomemdeverdade, e publicaram em seus perfis no Twitter e no Instagram. Ao lado desta divulgação maciça, houve um concurso de documentários com 22 candidatos, sendo cinco os finalistas, premiados no valor de R$ 10 mil e reconhecidos por deputados e senadores brasileiros que ajudaram a compor a Lei Maria da Penha. 

Os trabalhos ficarão disponíveis em três idiomas (inglês, francês e espanhol) e poderão ser vistos online, gratuitamente, no site e nas redes sociais do Banco Mundial. Os filmes também serão exibidos na TV Câmara, bem como no canal fechado GNT. Para encerrar este post, a seguir está o depoimento de Maria da Penha que incentiva a campanha do Banco Mundial.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Dia Internacional da Mulher - Estereótipos e avanços da imagem feminina na publicidade

O dia 08 de março tornou-se uma data especial, marcado pelo Dia Internacional da Mulher. Muitas pessoas ainda não conhecem o porquê desta comemoração, e a marcação desta para o dia 08 de março. Desde o começo do século XX, houve várias lutas feministas para protestar contra as jornadas de trabalho de 15 horas diárias, os baixos salários e o trabalho infantil. Uma matéria no site da Revista Nova Escola, escrita por Paula Nadal, mostra como a data foi definitivamente implantada em todo o mundo:

"Com a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) eclodiram ainda mais protestos em todo o mundo. Mas foi em 8 de março de 1917 (23 de fevereiro no calendário Juliano, adotado pela Rússia até então), quando aproximadamente 90 mil operárias manifestaram-se contra o Czar Nicolau II, as más condições de trabalho, a fome e a participação russa na guerra - em um protesto conhecido como "Pão e Paz" - que a data consagrou-se, embora tenha sido oficializada como Dia Internacional da Mulher, apenas em 1921.
Somente mais de 20 anos depois, em 1945, a Organização das Nações Unidas (ONU) assinou o primeiro acordo internacional que afirmava princípios de igualdade entre homens e mulheres. Nos anos 1960, o movimento feminista ganhou corpo, em 1975 comemorou-se oficialmente o Ano Internacional da Mulher e em 1977 o "8 de março" foi reconhecido oficialmente pelas Nações Unidas."


Como não poderia deixar de ser, a publicidade aproveita-se desta data para realizar ações e comerciais exaltando a figura feminina e mostrando os avanços em relação à igualdade entre homens e mulheres em vários aspectos, como no trabalho, na política, nas ciências e nas artes. Porém, os estereótipos atrelados às mulheres ainda soam fortes nas propagandas.

Um exemplo disso está na campanha "Mulheres Evoluídas", produzida pela marca BomBril em 2011, em que humoristas como Marisa Orth (Rede Globo), Dani Calabresa (MTV) e Monica Iozzi (TV Bandeirantes) discutem o comportamento masculino e tentam valorizar o papel das mulheres que, de certa maneira, são responsáveis pela consolidação da empresa.



Apesar de todo o comercial mostrado anteriormente ser desenvolvido como uma forma de se valorizar a parcela feminina do público da empresa, há algumas ressalvas a serem feitas:
- no diálogo, não é dito que as mulheres resolvem os problemas domésticos, e sim o produto BomBril é que lava louças (daí a humanização do objeto);
- os trajes das protagonistas podem ser interpretados de duas formas: ou sendo uma homenagem a Carlos Moreno, considerado um ícone da marca pelos muitos anos de atuação nos comerciais, ou ainda como uma maneira de "masculinizar" a mulher, para se colocar superior ao homem.

Uma outra iniciativa feita no começo do mês de março foi idealizada pela empresa Wilson: lançar uma bola de basquete num modelo rosa, para ser usada somente nas quartas-de-final, semifinal e final da Liga de Basquete Feminino (LBF), a partir do dia 10 de março. Mais uma vez, mesmo com uma intenção positiva, o estereótipo da coloração rosa para o universo feminino se manteve.

Por estes exemplos, pode-se ver que, mesmo demonstrando avanços em relação à valorização das mulheres nos mais diversos cenários, alguns estereótipos continuam vigorando, positiva e/ou negativamente. Mesmo assim, é necessário comemorar este dia especial para todos os Homens (homens e mulheres), não somente com presentes e flores, mas também com amor, respeito e verdadeira valorização das mulheres, não como superiores, mas como companheiras lado a lado com os homens. Feliz Dia Internacional das Mulheres!

quarta-feira, 9 de março de 2011

Sexo frágil? Que nada! - A importância das mulheres na comunicação

Na última terça feira, dia 08 de março, o mundo inteiro comemorou o Dia Internacional da Mulher que, mesmo coincidindo no Brasil com uma terça feira marcada pelo feriado de Carnaval, foi amplamente valorizada pelos meios de comunicação. Porém, muitas pessoas ainda não sabem o porquê do surgimento desta data comemorativa e, ao mesmo tempo, reflexiva.

Em 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos nos Estados Unidos fizeram uma grande greve, reivindicando redução na carga diária de trabalho para dez horas, equiparação de salários com os homens e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho. A manifestação foi reprimida com violência, com as mulheres sendo trancafiadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas. 

Em 1910, mais de 50 anos depois, durante uma conferência na Dinamarca, decidiu-se que o 8 de março passaria a ser o "Dia Internacional da Mulher", em homenagem às mulheres que morreram naquela fábrica. Mas somente no ano de 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela Organização das Nações Unidas. Ou seja, este foi o 35º ano em que se comemora oficialmente o Dia Internacional da Mulher e o centésimo ano em que a data foi instituída.

E o que seria de várias áreas da humanidade sem a presença feminina? Talvez perderiam muito em relação à competência, ao talento, à disposição e, por que não, à beleza quase sempre inoxidável das mulheres. Isto não é diferente quanto à área das Relações Públicas, considerada por muitos como uma área predominantemente feminina (embora muitos homens tenham escolhido esta profissão para seguir em suas carreiras profissionais). E várias mulheres fizeram, fazem e ainda farão parte da história das Relações Públicas. Embora muitas pessoas possam ser lembradas, alguns nomes são primordiais para a concretização da profissão no Brasil e no mundo.

Um exemplo desta dedicação está na saudosa Vera Giangrande (1931-2000), primeira mulher a ser gerente de uma multinacional no Brasil (no laboratório farmacêutico, Squibb em 1967) e a se tornar rotariana em 3 de julho de 1989, tornando-se também uma das primeiras mulheres a ser presidente do Rotary (1993-1994); uma das primeiras profissionais de ombudsman no Brasil (assumiu a função, em 1993 na rede de supermercados Pão de Açúcar, aos 63 anos) e uma referência profissional para outras empresas, órgãos públicos e instituições, além de ser a responsável pelo lançamento da campanha "McDia Feliz", que ajuda entidades que disponibilizam tratamento contra o câncer infantil. 

Sua conduta era sempre marcada pela ética e pela paixão por seu trabalho e, por conta disso, Giangrande recebe muitas homenagens e nomeia algumas premiações na área de Relações Públicas, como o Prêmio Vera Giangrande de Iniciação Científica, destinado a estudantes de graduação que participam da Intercom Júnior – Jornada de Iniciação Científica em Comunicação, evento que integra a programação dos Congressos da Intercom.

Para que se possa entender ainda mais a importância de Giangrande, não só para a profissão de Relações Públicas, mas para a cidadania brasileira, Maria Cristina Gobbi, Aparecida Ribeiro dos Santos e Lana Nascimento Santos escreveram um artigo chamado Vera Giangrande: uma história de encantamento, texto apresentado no VI Celacom - Colóquio Internacional sobre a Escola Latinoamericana de Comunicação e publicado na Revista Brasileira de Ciências da Comunicação (jul/dez 2002, p. 115):

O consumidor, hoje, faz parte dessa polifonia, pois passou a ter voz e direitos. Isso ocorreu em grande parte graças ao trabalho de Vera Giangrande como Relações Públicas e Ombudsman, a partir do momento que atuou com uma habilidade comunicacional polifônica: a comunicação bidirecional em detrimento da unidirecional, fazendo com que as relações entre empresa, instituição e consumidor nunca mais fossem as mesmas.

Nada mais justo, portanto, mostrar a história desta grande profissional e, assim, homenagear todas as mulheres do mundo, especialmente as que escolheram as Relações Públicas como a sua profissão. Para encerrar o post, uma música que retrata muito bem a alma feminina através da visão de um homem, do compositor Erasmo Carlos.