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sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Exercício da cidadania e consciência política - O trabalho dos Brasileiros Anônimos

Por Maíra Masiero

No próximo domingo, dia 07 de outubro, serão realizadas as eleições municipais, que definirão os prefeitos e os vereadores que irão conduzir as cidades pelos próximos quatro anos. E como escolher o melhor projeto, o melhor candidato para a cidade? Às vezes, isto se torna uma missão complicada para os eleitores porque, principalmente nos tempos atuais, a grande maioria das pessoas não acredita na política como viés de transformação, mas sim de corrupção e de pessoas mal intencionadas.

Logicamente, é necessário ressaltar que não existem somente políticos com intenções duvidosas, porém a valorização do voto consciente tomou proporções maiores em relação a denúncias de corrupção e outros crimes cometidos por políticos nas esferas regionais e nacionais.

Uma das maneiras mais fortes para demonstrar o espírito de cidadania e a preocupação com o voto consciente é a utilização das mídias sociais, que se tornam cenários para uma maior mobilização política, como mostram Karla de Lourdes Ferreira e Maria do Socorro F. Veloso no artigo Mídias Sociais Digitais, Mobilização e Participação Política: Um Estudo de Caso nas Eleições Municipais 2012 (2012, p. 4):

"Observa-se que as mídias digitais Facebook e Twitter detêm um potencial informacional plural. Mídias sociais são os meios pelos quais as redes de sujeitos são construídas e compartilhadas. São meios de propagação de conteúdo textual, imagético, audiovisual produzidos pelos participantes nas redes sociais. Estas últimas são nodos, redes de relacionamento, grupos de pessoas, comunidades com interesses mútuos, que compartilham e conversam sobre temas similares. Nesse sentido, a internet, assim como as mídias sociais digitais, constituem lugares onde cidadãos se informam das atividades de seus representantes políticos, ao mesmo tempo que estes passam a ter um termômetro do que essa audiência anseia."

Nas redes sociais, existem várias páginas que reforçam o apelo a um voto livre de outras influências, que não sejam a da consciência limpa. Hoje, o RPitacos vai mostrar alguns destes grupos e o teor do discurso de cada um deles, e o foco será o Facebook.


A primeira é a Lembraremos de você na eleição, página criada em 20 de julho de 2011 que traz, em sua descrição, a seguinte mensagem: "Curtam e Fiquem Tranquillos, vamos te Lembrar tudo de errado que os Políticos vem Fazendo ao decorrer do seu mandato e na época das Eleições vamos refrescar sua memória para saber em quem votar.". Com quase 25 mil seguidores, a página traz figuras que denunciam a atuação de alguns políticos, orientações sobre como votar de modo consciente e outras imagens que trazem uma simpatia do grupo ao anarquismo.

Já a página Eleições Conscientes, com mais de 6 mil usuários, foi criada em fevereiro de 2012 e segue as mesmas condições do caso anterior, porém sem críticas diretas alguma relação aparente com o anarquismo. Nesta sexta-feira, dia 05, o administrador da página colocou seu último post do ano, se despedindo e prometendo voltar em 2014: "Bem pessoal... Aqui me despeço, até 2014, com um balanço muito positivo... Descobri que existem muitas pessoas conscientes e acho que fiz outras pelo menos pensar sobre o assunto... Hoje estou com aquela sensação maravilhosa de dever cumprido!!!"

Se confirmar o teor desta postagem, será um erro do administrador interromper as atividades por um tempo, por conta da falta de informações que a maioria dos eleitores enfrenta - isso, inclusive, foi comentado na postagem de "despedida" da página. Um dos pontos fortes da página são as "opções Curtir", que mostram outras páginas interessantes sobre variados assuntos, como trânsito, saúde, cidadania e até a página do Programa do Jô (Rede Globo).

Um dos mais conhecidos movimentos apartidários que incentivam a população a votar com consciência é o Brasileiro Anônimo, formado por pessoas (mais precisamente, jovens) que se cansaram de sua própria inércia em relação à política e, assim, desejam disseminar as ideias de cidadania e da importância do voto para todos os brasileiros. Muitos famosos também aderiram à campanha, como o humorista e apresentador do CQC (Custe o que Custar - Band) Marco Luque. Porém, nenhum político faz parte desta campanha, e a página do Facebook ainda alerta que, se algum candidato se utilizar disso para se promover, é uma mentira e esse não merece a confiança do eleitor.

Uma das formas encontradas pelo movimento para chamar a atenção das pessoas foi a inserção de urnas falsas nas cidades, em locais estratégicos. Segundo o site do movimento, esta ideia surgiu para resgatar um assunto que se evita dizer: a descaracterização de grande parte do horário eleitoral (encerrado ontem no rádio e na televisão), com a presença de cavaletes, propostas, bandeiras, sorrisos forçados, obras concluídas em período eleitoral e candidatos engraçados.

Com esta atitude, estes jovens contribuem para que a comunicação exerça seu papel primordial, de educar e orientar as pessoas para a vida em sociedade. Para encerrar o post, o vídeo do Movimento Brasileiro Anônimo.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Comunicação governamental e as novas mídias na construção da cidadania

*Com este post, encerra-se o primeiro RPrestigiando, um projeto do RPitacos que visa valorizar os eventos de Comunicação em geral, principalmente os de Relações Públicas.

Na última quinta feira, dia 9 de junho, aconteceu a terceira noite de palestras da X Semana de Relações Públicas da UNESP Bauru, e teve como norte das discussões o tema Comunicação Governamental. Os palestrantes da noite foram o jornalista Eduardo Pugnali, coordenador de imprensa da Secretaria da Casa Civil – Subsecretaria de Comunicação do Governo do Estado de São Paulo e o jornalista e sociólogo Danilo Rothberg, docente do Departamento de Ciências Humanas da Unesp-Bauru.

Em sua palestra, Pugnali discorreu sobre a importância da utilização das novas mídias para a divulgação de serviços públicos, principalmente a veiculação de vídeos de serviço na Internet. De fato, a comunicação governamental vem sofrendo mudanças importantes no que diz respeito ao relacionamento com o cidadão, principalmente no "como comunicar" e no "como se comunicar", como mostra Rosana Eduardo S. Leal no artigo Um estudo sobre a inserção de elementos da cultura popular na divulgação turística governamental na web: o caso do site oficial do estado da Bahia, publicado na revista Diálogos Possíveis (2005, p. 57):


"A comunicação governamental vem sofrendo várias mudanças nos últimos anos. Isso vem ocorrendo, sobretudo, pela necessidade identificada pelos governos em se adequar à nova realidade social, política, econômica e tecnológica. Para isso, as instituições governamentais vêm utilizando modernos processos comunicativos, através de técnicas de marketing e de publicidade que servem para planejar o formato e o conteúdo das informações que serão apresentadas aos cidadãos."
No caso do Governo do Estado, há um canal oficial de vídeos no Youtube com mais de 346 mil visualizações dos conteúdos apresentados e 392 inscritos. Dentre os vídeos mais vistos, estão uma explicação de como funciona a Nota Fiscal Paulista, mostrando ao cidadão um serviço que, ao mesmo tempo em que tenta combater a evasão fiscal, oferece prêmios aos contribuintes - a cada R$ 100 em notas fiscais, o consumidor ganha um cupom eletrônico.




Outros órgãos governamentais também se utilizam das mídias sociais para prestar serviços de utilidade pública aos seus concidadãos. É o caso do governo norte-americano que começou, em abril deste ano, a utilizar o Facebook e o Twitter para alertas de ataques terroristas. Segundo matéria publicada no portal UOL, os avisos via redes sociais seriam aplicados somente depois das notificações de líderes federais, estaduais e locais.

Também na área da segurança pública, o Governo do Rio de Janeiro, em novembro do ano passado, usou o Twitter para tentar acalmar a população diante dos boatos que se espalharam desde o início da onda de ataques criminosos ocorridos naquela época. A matéria publicada no site da revista Veja mostra um exemplo de como as mídias sociais, se bem utilizadas pelos órgãos públicos, podem esclarecer as dúvidas dos internautas (mais ainda, dos cidadãos fluminenses e cariocas) e até desmentir informações dadas pela imprensa.

"O Twitter foi a principal plataforma escolhida pela Secretaria de Segurança. 'Contem com esse canal para tirar dúvidas e obter dados oficiais', foi uma das mensagens. Diante da informação, divulgada pela TV Globo, de que a próxima Unidade de Polícia Pacificadora seria instalada no Complexo do Alemão, a secretaria reagiu imediatamente: 'Não há previsão de instalação de UPP no Complexo do Alemão e na Vila Cruzeiro, por causa da grande demanda de efetivo necessária para ocupar estas áreas'.".


Com estes dois exemplos, - de certa forma, positivos - pode-se entender a importância de uma comunicação pública de qualidade no âmbito governamental, e as mídias sociais podem contribuir, e muito, para que a cidadania possa estar sempre em evidência.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Comunicação para a cidadania - Incentivo à reintegração de ex-presidiários no convívio social

Muito se fala em relação à cidadania como forma de integração dos indivíduos em diferentes esferas, sociais, econômicas ou políticas, apenas para citar alguns exemplos. Mas o que significa, de fato, ser cidadão, e como pode-se observar o termo "cidadania" nestas esferas? Dentre vários olhares existentes sobre este tema, foca-se, para este post, a perspectiva rousseauriana, descrita por Cicilia M. Krohling Peruzzo no artigo Comunicação comunitária e educação para a cidadania (2002):

"(...) a cidadania é vista como um direito coletivo, que, favorecendo o desenvolvimento da individualidade, pressupõe a ação política e sua socialização. Tendo como suporte uma legislação que procura levar em conta os princípios de igualdade e de liberdade, ela implica não só direitos do indivíduo, mas também seus deveres na sociedade."

Um dos exemplos, ainda tratado com polêmica, de como promover a socialização das ações, não só políticas, mas também sociais, foi divulgada no último sábado, dia 14 de maio. O programa "Caldeirão do Huck" da Rede Globo destacou o "Desafio da Paz", uma corrida de 4km e 850m que seria realizada no dia seguinte ao programa, no conjunto de favelas do Alemão, no Rio de Janeiro, e cujo trajeto é o mesmo utilizado por bandidos e traficantes que tentaram fugir da polícia no final do ano passado. 

No meio desta pauta, Luciano Huck descobre a história de vários policiais, ex-traficantes e ex-presidiários que participariam desta corrida e ainda mostra Lulinha, um ex-detento que hoje trabalha num estacionamento de carros, graças a um projeto do grupo AfroReggae no Rio de Janeiro, chamado Empregabilidade, iniciado em fevereiro de 2008 e que já ajudou 1695 pessoas a terem sua carteira assinada e seus direitos assegurados, segundo matéria publicada no site oficial do grupo. Destas, 853 tiveram alguma ligação com a criminalidade, incluindo o próprio gestor do projeto, Norton Guimarães.

Lulinha participou das provas do quadro Agora ou Nunca 5 Estrelas e ganhou 50 mil reais para ajudar a sua família neste recomeço de vida. Além desse programa de alcance nacional e internacional ceder um grande espaço para esta discussão (segundo declarações do apresentador durante a veiculação do quadro, já se tinha uma vontade antiga, por parte dele mesmo, de mostrar esta questão delicada para o grande público), a Globo ainda lançou uma campanha sobre este projeto com depoimentos do próprio ex-detento, de Norton e de outros indivíduos que saíram do sistema penitenciário e não voltaram para o mundo do crime.

O interessante é que os filmes começam mostrando as pessoas como se não pudessem/quisessem ser identificadas (voz modificada, imagem distorcida) e, à medida em que contam as suas histórias de superação e abandono do crime, o rosto e a voz são mostradas com nitidez.



Outro exemplo de como este tema foi tratado, só que agora por um órgão público, é o projeto Começar de Novo, promovido pelo Conselho Nacional de Justiça e que visa sensibilizar as pessoas físicas e os órgãos públicos para incentivar cursos e oficinas para presos e egressos dos presídios. Além da criação do Portal de Oportunidades, com vagas de trabalho disponíveis para este público, foram veiculadas campanhas de conscientização no rádio e na televisão nos anos de 2008 e 2009. As peças comparam, de forma metafórica, a situação de ex-detentos e a visão de pessoas externas a este contexto com a versão imagética de expressões, como "Quem não tem pecado, que atire a primeira pedra", e com situações específicas, como a tradicional "Malhação do Judas".

Assuntos referentes às questões carceárias no Brasil são polêmicos, pois ainda são envolvidos de pré-julgamentos, preconceitos, opiniões controversas e estereótipos em relação ao sistema penitenciário brasileiro e aos próprios detentos, como pode-se ver nos comentários dos vídeos da campanha do CNJ. De fato, é difícil generalizar uma concepção a respeito desta situação, porque existem pessoas e pessoas, detentos e detentos, cada um com seus valores e  traumas, com suas ideologias e histórias de vida. A discussão está em aberto.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Comunicação como multiplicadora da cidadania - Projeto A Corrente do Bem

Muitos meios de comunicação desenvolvem projetos voltados não somente para o seu bel-prazer ou para um lucro imediato, mas que visam melhorar a vida das comunidades em que atuam, gerando ferramentas de solidariedade e de bem-estar, ainda que, algumas vezes, de forma provisória e pouco eficiente na prática a longo prazo. Enfim, é o exercício da cidadania que se apresenta em muitos cases desse tipo. Mas, afinal de contas, o que é cidadania de fato?

Dentre várias possíveis observações sobre este termo, Alessandra Possebon e Silas Nogueira utilizam-se das ideias de Marshall (1967) para definir o que é cidadania no artigo Comunicação e Cidadania: Diálogo Necessário, apresentado no X Encontro dos Grupos de Pesquisas em Comunicação, evento componente do XXXIII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (2010, p. 10): "(...) a cidadania é colocada como a participação integral do individuo na comunidade política e o reconhecimento dos direitos dos cidadãos para com o Estado, em que cidadão seria aquele que detém os três direitos: civis (liberdade individual), políticos (participação política ampla) e sociais (bem estar)."

Para exemplificar a atuação das estratégias comunicacionais a fim de promover a cidadania (no caso que se segue, o reconhecimento dos direitos sociais, do bem estar), o post de hoje do RPitacos apresenta uma corrente que, ao invés de aprisionar pessoas, faz com que estas sejam conscientizadas da importância de pequenos gestos cotidianos que podem mudar a vida de muitos.

O projeto A Corrente do Bem foi criado a partir de uma inspiração do australiano Blake Beattie em 2007, que leu um livro chamado Pay It Forward, de Catherine Ryan Hyde (há também um filme, lançado em 2000, inspirado neste livro). Nessas produções, o protagonista ensina que se forem feitas boas ações para três pessoas e essas replicarem para outras três, é possível gerar um grande impacto de acordo com uma escala matemática. Algumas pessoas duvidavam dessa teoria, mas Beattie decidiu desafiar os críticos e lançou o chamado Dia Mundial da Boa Ação, comemorado no próximo dia 28 de abril em 30 países, inclusive no Brasil.

Segundo entrevista concedida ao site do Prêmio Empreendedor Social, Leonardo Eloi, um dos idealizadores no Brasil define, numa única frase, o significado deste dia para o mundo: "Transformar a cultura das pessoas em relação ao altruísmo, à solidariedade e à irmandade de uma forma simples, cool e geradora de resultado". E como as pessoas podem contribuir nesta última quinta-feira de abril para que este projeto seja visto por muitos? O site oficial da Corrente no Brasil - já citado - explica como:  "Faça entre uma e três boas ações para pessoas diferentes, sem esperar ou pedir nada em troca. Incentive a pessoa ajudada a continuar a Corrente do Bem, também ajudando outras três pessoas."


Vários parceiros já aderiram ao projeto e contribuem para que as pequenas atitudes de cidadania e solidariedade se espalhem por todo o mundo. Na mesma reportagem, é mostrado o exemplo da Primavera Editorial, que doará um lote de 60 exemplares da obra "Um Chef Sem Segredos", de Luiz Cintra, à ONG Banco de Alimentos.

A Corrente do Bem também tem materiais específicos para escolas, empresas e parceiros, além de pedir a ajuda dos internautas para disseminar o projeto através de ideias como jingles, campanhas publicitárias, entre outros. O projeto possui perfis em várias redes sociais, como no Twitter e no Facebook, além de um canal de vídeos no Youtube. Este video a seguir, como encerramento do post, mostra a iniciativa do jovem Trevor no filme homônimo ao projeto e mostra o quanto é possível ajudar o mundo a ser melhor através de pequenos gestos, e isso também vale para as atitudes no âmbito comunicacional.