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sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Dez dias na vida de um RP internauta...

Por Manoel Marcondes Neto

Dia 1: "Rolezinho" é só uma denominação do fenômeno da hora. O Brasil carece – demais – de uma discussão séria sobre direitos civis. A "civilização" brasileira, parece, parou no direito do consumidor, e inverteu uma ordem básica. Fez isto sem consolidar a cidadania. Adaptando Canclini: jovens brasileiros, dos “rolezinhos”, são considerados consumidores, inteiramente. Resta saber se também são considerados cidadãos.

Dia 2: "Pelos critérios da Secretaria de Assuntos Estratégicos, fazem parte da ‘nova’ classe média as famílias com renda per capita de R$ 291 a R$ 1.019". O nivelamento por baixo - aqui, agora - vem de todos os lados: da política "profissional", da mídia e, até, da própria escola. Estamos condenados a ser "nova classe média" e tudo bem! Afinal, há "crédito para negativados", "imóveis financiados sem comprovação de renda" e "tudo a prazo – inclusive sua consciência". E o prazo é bem longo, tipo 180 meses, a perder de vista. Os irresponsáveis que querem alterar a percepção do que seja classe média para engabelar o povo – que continua desprovido de saneamento e de saúde –, deviam ser enquadrados em algum crime de lesa-informação. E há, junto, uma 'ideologia' de que ''está consumindo, viajando, indo ao shopping - então 'tá bom'', reduzindo a experiência da cidadania (próxima de zero %) à do consumo (perto de cem %), e esquecendo que, um dia, o conceito de classe média foi construído considerando TAMBÉM acesso e fruição de bens culturais e educacionais.

Dia 3: O PMDB não sai do poder central desde 1985, e no estado do Rio de Janeiro - com o interregno de Brizola, do PDT - desde 1975! Os cariocas verdadeiramente AMAM o Rio de Janeiro. Senão, vejamos: fazem "gatos" de esgoto na rede de águas pluviais, a companhia de água e esgoto joga o esgoto doméstico nas praias oceânicas. O lixo industrial? Na Baía da Guanabara. Não fazem rodízio no trânsito porque "não vai pegar" e ocupam as encostas de suas ex-belas colinas com "aglomerações urbanas sub-normais".

Dia 4: Pressão! O Conselho é dos profissionais!
Na Administração, a sede do C.R.A. não tem essa sigla na fachada, mas "Casa do Administrador". Se não está bom, pressionem. Se não continuar bom, candidatem-se! E mudem o rumo da autarquia na Região. Assim foi feito na 2ª Região. Fizemos o mesmo no Rio de Janeiro, 1ª Região. Sugestão de campanha: focar na formação, mais que na profissão. O que a sociedade precisa conhecer é a nossa formação, a qual nos habilita a ocupar "n" funções em empresas, governos e ONGs. A profissão, alguns até conhecem... errado, achando que somos porteiros de 'boite', organizadores de festinhas e distribuidores de brindes. Só não somos mais conhecidos – e badalados – porque o grosso da imprensa foi formado sob o pensamento "velho" de querer ocupar todo e qualquer espaço onde esteja escrito na porta a palavra "comunicação". O Brasil globaliza-se cada vez mais, inexoravelmente, e alinhar-nos-emos com o mundo, onde quem faz Jornalismo atua em veículo, e quem atua em empresa é P. R. E ponto final! E não pode exercer as duas coisas, pois além de ser imoral, é ilegal (nos Estados Unidos e em Portugal temos exemplos bem demarcados). E isso não tem nada a ver só com lei e reserva de mercado (o que existe e a que, até, temos direito), mas com formação para fazer o trabalho que precisa ser feito – o de gestão, boa gestão, da comunicação institucional, FORA da imprensa! Passou o tempo das contemporizações. O Sistema Conferp-Conrerp está já em uma segunda gestão de renovação das lideranças. Nesse contexto positivo, em nossas mãos - e só nelas - está o futuro da área.

Está ocupando meu lugar? Sai! Até o MEC - em outubro último - já nos libertou do grilhão "comunicação social". Somos, agora, independentes e autônomos. Estamos, no Observatório da Comunicação Institucional, junto com o Conrerp1 - planejando "n" atividades comemorativas do centenário este ano, mas todas estão programadas entre 26 de setembro (dia interamericano de RP) e 02 de dezembro (dia nacional de RP). O departamento pioneiro de RP do Brasil foi criado na Light em 30 de janeiro de 1914. Ocorre que o líder deste departamento – Eduardo Pinheiro Lobo – teve sua data de nascimento estabelecida por lei como o nosso dia e por isso ficamos fixados no 02 de dezembro.

Antes de mais nada, quem escolheu estudar RP – seja na graduação ou na especialização – deve propagar a sua opção de formação, pois é isto que o diferencia como profissional. O Brasil, pouco desenvolvido institucionalmente, não entende bem sobre o quê tratamos. Nossas atividades – ligadas a reputação, reconhecimento e transparência - se aplicam, infelizmente, à menor parte das organizações. Avançamos muito, mas temos que caminhar bastante ainda.

A área de Relações Públicas ultrapassou a multidisciplinaridade há muito. Somos, nós que a escolhemos, transdisciplinares. Isto porque não existe ainda, nas Instituições de Ensino Superior brasileiras, cursos verdadeiramente transdisciplinares. "Trans" são pessoas (e não departamentos, por definição). "Trans" são pessoas. E as que – bem – escolhem RP para formação, por vocação, e nelas "se encontram", profissionalmente, o são - transdisciplinares -, inteiramente. Não se propõe qualquer "troca" de "área-mãe", uma vez que Relações Públicas tornaram-se, elas próprias, área-mãe, independente e autônoma depois das novas diretrizes curriculares nacionais. O que se propõe é uma maior aproximação. Ou seja, nossa tese é que os novos cursos de RP surgirão em Escolas de Negócios ("Business" é um conceito genérico e não apenas Gestão, Administração), e não mais em Escolas de Comunicação – onde sempre fomos patinhos-feios e a primeira habilitação a descontinuar em períodos de crise – econômica, nas particulares; ou de identidade, nas públicas.

Colegas errepês: fiscalizar não é como uma moda, é lei. Precisamos estar do lado das pessoas que acreditam que o Brasil pode ser um país onde, além das modas, leis "pegam" e são cumpridas. Precisamos deixar para trás o "país do me-engana-que-eu-gosto", "só p'ra inglês ver" e sempre "em construção. Uma nação é feita de pessoas e pessoas precisam de causas para beneficiarem-se de seus efeitos. Se nossa causa é a - boa - comunicação institucional, precisamos ser partícipes da construção de melhores instituições. E se temos uma profissão com todo o aparato legal da regulamentação, a "moda" tem que ser fiscalizar e cumpri-la, e não duvidar de sua razão de ser e pertinência. Fora dessa "filosofia", caríssimos, a escolha pela formação em RP terá sido um equívoco. E quando vier a sanha desregulamentadora estaremos com um diploma meio "fake" nas mãos, algo parecido com a sensação de quem optou por Jornalismo e viu o Brasil dizer não à necessidade de curso superior para o seu exercício profissional.

Dia 5: A estatística de vez em quando ajuda o lado de cá: o protesto contra 1% mais rico é mais que justificado: OCCUPY SHOPPING CENTER! Pelo menos um sociólogo de peso (minha memória me trai), afirmou (sobre as manifestações de junho e a reação do Estado a elas), em entrevista ao jornal O Globo, que o atual ambiente no Brasil apontava para uma revolução popular.

Dia 6: Se o Conselho de Comunicação Social criado pela Constituição de 1988 não fosse "fake", teríamos um número para ligar.

Acho, particularmente, que a PUC-Rio bem podia sediar uma iniciativa (grupo de estudo, núcleo ativista, movimento pela causa, campanha cívica, grito da cidadania) no sentido de discutir o nosso marco regulatório da comunicação - que vai para 52 anos! As universidades federais e estaduais não o farão, pois são dominadas por partidos viciados em poder e com membros proprietários (embora ilegalmente) de veículos de comunicação. E as particulares estão mal das pernas e necessitadas de todo tipo de crédito e favores intermediados pelos mesmos políticos.

Uma universidade confessional, com a credibilidade e a reputação da PUC-Rio, somadas a um papado que quer colocar o dedo nas feridas do status quo, é "o" privilegiado “locus” para isso. Quem sabe? Tenho colegas que topariam participar, com certeza. E disponho-me a trabalhar de graça se houver amparo institucional à ideia.

Sobre o escândalo da Escola BASE - Este é um "case" digno de estudo, porque é exemplar de como a mídia pode ter efeitos nefastos e definitivos. Sob o ponto de vista de três vidas profissionais - e pessoais, potencialmente, também - destruídas há 18 anos, a indenização chega a ser risível. Lembremos que o direito de reposta não existe mais. O STF eliminou-o junto com a Lei de Imprensa, num caso (também típico, digno de estudo) de "jogar a criança fora junto com a água suja do banho". Conclusão: é barato, no Brasil – e com ótimo prazo para “pagamento” – destruir alguém de quem os barões da mídia não gostem.

Se o público para o "jornalismo" de William Bonner é constituído de Simpsons, a "cultura" da TV aberta é feita para Palhaço e Palhaça. E a Globo teve a coragem de transmitir em rede nacional um "show da virada" com "playback" do princípio ao fim!

Sobre merchandising de picolé numa cena de drama pessoal da mulher que não pode engravidar - Pagou-se bem caro por essa verdadeira ofensa a qualquer inteligência ao menos mediana. Pior é que ensinam por aí que "merchandising" é isso que a Globo faz. Tosco. Isso é, sim, "merdanchising". Padrão "global" de "patrocínico".

Dia 7: Sobre as novas “fontes” da imprensa - Claro que o Facebook é "lido" nas redações atuais. O problema é que é a única leitura "de profundidade". Já a leitura “generalista” é feita em Google News e Yahoo News. E a "rápida", no Twitter. Gilmar Mendes ‘et caterva’ devem ter acertado: para ''isso'' não é necessário o diploma de nível superior.

Dia 8: Sobre a “morte” do Marketing - O marketing “morreu” devido ao sucesso de sua formulação. Hoje, as subdisciplinas do marketing tornaram-se disciplinas autônomas e ganham cada vez mais espaço próprio. Mas eu não dispensaria os conhecimentos acumulados por aqueles que se dedicaram a formulá-lo.

Dia 9: "Caso Hollande" - Servidores públicos concursados – por definição – perdem parte de sua privacidade. Quando eleitos, então - por força da escolha popular - perdem-na totalmente. E devem administrar a vida privada com a ajuda de especialistas. Foi justamente o que NÃO aconteceu neste caso. O governo francês "perdeu a mão". Das relações públicas e da segurança (mantendo UM SÓ guarda-costas nos passeios à rue Cirque), falhas gravíssimas em se tratando de uma pessoa-em-cargo que é do interesse de TODOS os cidadãos franceses (e não só daqueles que gostam ou votam nele). Dessa vez, foram os "paparazzi" a apontar suas ferramentas de trabalho para Hollande em sua "escapade"... mas... e se fossem terroristas? A impressão é de que o Eliseu até quer muito que o presidente caia da lambreta e, num repente, deixe o mundo dos vivos...

Dia 10: Sobre um ‘post’ – que bombou na web – de alguém que mudou-se da Austrália para o Brasil - Donna Panda tem um poder de síntese invejável. Em curto espaço conseguiu resumir uma tese, ou pelo a questão em torno da qual às vezes nos pegamos circulando. O fato é que todo o caldo cultural formado por índios estuprados, negros estuprados e portugueses/europeus estuprados/estupradores + império e república que investiram/investem na manutenção de uma educação de massa de péssimo nível + estupro de políticos ladrões + estupro diuturno de uma mídia irresponsável conivente com anunciantes e agências comprometidas com elites residentes no milésimo andar dá no que converto em hipótese, aqui: há um discurso "no ar", tanto na academia, quanto no senso comum, de que existe "um outro modo", "um outro jeito", "um outro caminho" para o desenvolvimento econômico e humano que não aquele trilhado pelos países desenvolvidos.

Se quando eu estava na educação básica (em escola pública de boa qualidade), as nossas aspirações num país subdesenvolvido (depois, "em desenvolvimento" e agora "emergente" - ou seja, em processo eterno, sempre em construção, nunca pronto) eram estudar, trabalhar, ascender culturalmente e prosperar; hoje, o discurso subliminar da propaganda comercial (e também a eleitoral), e dos governos - em todas as esferas - é de "compre seu carro popular", "candidate-se ao minha casa, minha vida", "adquira seu smartphone com internet e uma TV de tela plana de 'centas' polegadas" e "tome uma Skol bem redonda" que está tudo bem. Formou! Parou por aí! Desenrolou! Desenvolveu! 

O nivelamento por baixo, com um discurso publicitário - e jornalístico - cada vez mais afeito às "novas classes médias", D, E, F, G, H, parece, dominou todo o porvir do Brasil. Nossos velhos querem morrer, nossos adultos ficam velhos cada vez mais cedo e nossos jovens querem ir embora do país. O desencanto instalou-se na política desde sempre. Nasci sob JK e depois só... plano inclinado - ladeira abaixo. Parafraseando Decio Pignatari, "Podbre Brasil".

Para uma conclusão, acesse: Sobre BBB, MMA e cidadania classe CCC

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

As duas faces da moeda - Propaganda mais online e vivência mais offline

Por Maíra Masiero

Corre o período de férias, e muitos aproveitam para permanecer horas e horas em frente aos computadores e dispositivos móveis, atualizando seus contatos nas redes sociais, assistindo a vídeos, ouvindo músicas ou simplesmente passando o tempo na rede mundial de computadores. E não é pouco tempo.

Para se ter uma ideia, já em 2009, segundo dados do Ibope Nielsen Online, divulgados pelo portal G1, o tempo médio de navegação por usuário, no trabalho e em domicílio, foi de 48 horas e 26 minutos, em julho de 2009, sendo, assim, o país líder em tempo de navegação virtual. Considerando também o uso de diversos aplicativos, o tempo chega a 71 horas e 30 minutos. Isso equivale a quase 3 dias inteiros conectados a cada 30 (ou 31) dias de um mês.

Em outro link, de setembro de 2012, pode-se ver que o brasileiro consumia, em média, 8 horas por mês somente na rede social Facebook, que possui, até aquele momento, 54 milhões de brasileiros registrados. Desses, 20 milhões acessam  a rede por meio de um smartphone e 15% dizem usar um tablet para conectar-se à rede social, juntamente com o computador.

O fato é que, analisando esses dados, vê-se a crescente (e inevitável) força da comunicação online no Brasil e, para os profissionais em comunicação, investir em ações digitais, para a promoção de marcas e fidelização dos clientes, se tornou uma necessidade que, às vezes, não é valorizada como deveria. Por isso, este post tem duas vertentes: ao mesmo tempo que mostra a valorização dessa face da comunicação, também quer demonstrar que a vivência offline é importante para a comunicação interpessoal.

Com relação ao (ainda) tímido investimento das empresas em comunicação digital, houve, no ano de 2012, uma campanha viral que ativou a discussão sobre o desprezo da propaganda online. Uma "nova" agência chamada Komodo publicou anúncios em jornais e revistas especializadas defendendo a face 100% offline, com vários argumentos, como “Rede Social, viral, aplicativo e todas essas geringonças modernosas têm muita tecnologia, mas nenhuma eficácia”.

Estes anúncios ainda traziam um número de telefone para contato e a foto do CEO da agência. Porém, foi descoberto que era uma campanha viral da IAB Brasil, especializada em desenvolver o mercado de mídia interativa no Brasil. A seguir, o vídeo que esclarece a ação.



Em declaração ao portal Meio & Mensagem, o diretor executivo do IAB, Ari Meneghini explica os motivos para se fazer esta campanha:

“Como temos uma verba pequena, precisávamos de algo impactante. A campanha é bem caricata. Não era para enganar o mercado, mas para gerar buzz por alguns dias. [...] Há ali frases que de fato já ouvimos de agências e clientes."

Direcionando o foco para além de analisar a campanha viral, é necessário ressaltar a importância dada pela publicidade ao campo online, a ponto de uma agência digital criar outra totalmente offline para verificar a reação dos clientes e das outras agências. Até porque, como visto anteriormente, o período de tempo em que as pessoas ficam na Internet aumenta a cada ano e isso pode favorecer as ações digitais das agências, ao mesmo tempo em que desfavorece a vivência interpessoal entre os  indivíduos.

Um exemplo de incentivo à vivência offline está na Holanda: no começo de 2013, a marca de chocolates Kit Kat espalhou na cidade de Amsterdam, pontos de Não Wi-Fi, em que as pessoas se sentariam para conversar de modo intimista, direto, sem a interferência de aparelhos móveis. Nesses lugares, o acesso ao sistema Wi-Fi é bloqueado nos aparelhos, justamente para propiciar um diálogo mais real e próximo com as pessoas, ou também para conduzir à leitura de um livro ou de um jornal.

Outra campanha interessante para promover a comunicação fora do ambiente digital foi feita em 2011, pelo site de marketing de experiência O Melhor da Vida. Intitulada "Um dia sem internet", o objetivo da ação é valorizar a qualidade de vida e alertar sobre o estresse da população. No dia 23 de outubro de 2011, as pessoas ficariam um dia inteiro sem acessar a Internet, compartilhando momentos com amigos e familiares.

O vídeo tailandês que inspirou esta proposta brasileira e que mostra o que as pessoas perdem ao ficarem muito tempo conectadas ao computador encerra este post.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Minha marca é um gênio - Personalização do atendimento ao consumidor

Por Maíra Masiero

No imaginário infantil concebido a partir, principalmente, do século XX, existe a história de um gênio que, em alguns casos, está preso num recipiente e que, se libertado por alguma pessoa, ele realiza três desejos, de qualquer natureza. Um artigo publicado no site Guia dos Curiosos traz algumas curiosidades sobre os chamados "gênios da lâmpada":

"- No folclore árabe os gênios são, em sua maioria, maus e podem assumir formas e tamanhos variados. Também podem aparecer em versões masculinas e femininas.
- Moram em lugares afastados ou em cemitérios e, normalmente, vão parar na lâmpada quando são aprisionados por terem cometido algum pecado contra a fé religiosa.
- Só podem ser destruídos pela ira divina, que lança raios e os transformam em pó. Diz a tradição muçulmana que o rei Salomão é o único capaz de controlar os gênios.
- Nas edições árabes de As Mil e Uma Noites, não existe a lenda de "Aladim e a Lâmpada Mágica". O conto aparece pela primeira vez em uma versão francesa do livro de Antonie Galland, no início do século XVIII. O autor afirma que a história foi contada por um árabe cristão chamado Hanna Diap.
- Nos contos de As Mil e Uma Noites publicados fora do mundo árabe, somente o gênio de Aladim e o do primeiro conto, "O Pescador e o Gênio", estão aprisionados e concedem desejos."



Comparando estes dois últimos gênios que concedem desejos, as marcas também se deparam com pedidos inusitados de clientes e admiradores. Explicar que não se pode atender a todos é algo padrão, mas trabalhoso para convencer as pessoas. Porém, para mostrar um atendimento personalizado por conta da marca e promover uma interação maior com o público, algumas empresas, nos último tempos, realizam alguns desses sonhos.

Em maio de 2012, a empresa Samsung recebeu um pedido inusitado: um menino canadense queria um smartphone Galaxy S III (recém-lançado na época) e, para fazer com que sua mensagem chamasse a atenção, anexou o desenho de um dragão verde.

Prontamente, o responsável pelas comunidades online da marca respondeu educadamente ao menino, dizendo que, se a empresa fosse conceder produtos de graça a todos que pedem, estaria na falência. Para retribuir o desenho feito pelo garoto, foi enviado um canguru em um monociclo. Pouco tempo depois desse diálogo, a repercussão era grande entre os amigos e conhecidos

Em agosto, porém, o garoto recebeu uma grande surpresa, digna de um "gênio da lâmpada":  foi mandado para sua casa um Galaxy S III, personalizado com o desenho do dragão verde que havia mandado pelo Facebook, além de uma carta da Samsung agradecendo ao jovem pela viralização das mensagens e pela repercussão positiva - e espontânea - que teve.

Um fato mais recente (e que seguiu quase que a mesma linha de atuação da Samsung) aconteceu com a marca PepsiCo. Uma menina de 17 anos pediu a volta do sabor Costelinha da batata Ruffles de um jeito diferente: enviou para a página da empresa no Facebook, juntamente com seu apelo, um desenho de dois seres  chamados “duocórnios”.

Com esse pedido especial, a agência digital da marca atendeu ao pedido da garota, mandando quatro pacotes de Ruffles Costelinha e materializando o desenho dos dois duocórnios, em parceria com a empresa Ateliê de Brinquedos. Inclusive, no site da empresa, há uma pequena descrição sobre estes seres, que são "mitológicos, cavalos normalmente brancos com um chifre [e] associados à força e à pureza". O vídeo a seguir mostra o resultado dessa ação.



Essa personalização do atendimento é importante para a humanização das marcas, mas é necessário que esse procedimento seja feito de forma paulatina (sem se tornar um "gênio da lâmpada", atendendo a todos os pedidos feitos), a fim de valorizar igualmente a todos os consumidores, o que é uma tarefa quase que utópica.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Em pleno século XXI, Carrefour abandona e-commerce

Por Manoel Marcondes Neto



Um informe de 1/4 de página de jornal intitulado "Grupo Carrefour comunica" deu conta de que o Carrefour "suspendeu, em 7 de dezembro, suas atividades de e-commerce".

Um espanto!

Alegando que a medida seria consequência de um plano de reestruturação adotado dois anos antes, o informe acrescentava o seguinte bla'-bla'-bla': "o posicionamento estratégico do Carrefour perante o crescimento da nova classe média; além do desenvolvimento de novos formatos para atender o mercado local...", para encerrar, melancolicamente, prometendo que honraria "todas as entregas de produtos referentes às compras realizadas no site, bem como demais suportes que seus clientes venham a precisar".

Bem, eu estou mesmo precisando de um suporte para TV de plasma de 70 polegadas...

Como é que é?

Então, segundo o Carrefour, a "crescente" nova classe média não usa internet para comprar. Entendi certo? E "novos formatos", nesse caso, são quais? Caderneta de anotações como as da velha mercearia de bairro? Fio do bigode? Tambores para "atender o mercado local"? Sinais de fumaça? Come on, Carrefour, conta outra!

De volta para o... passado.

Abandonar a plataforma digital de vendas em pleno século XXI, quando crianças de 2 anos manipulam tablets, a padaria da esquina tem call center e compra-se flores - vivas - para entrega noutro continente, parece - e é - uma derrota.

E parece também, até, que a operação brasileira do Carrefour confiou nos planos de fusão com o rival Casino via proposta amalucada do ex-controlador do Pão de Açucar. Deu nisso.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Ação e comportamento do consumidor - O caso Seu Jorge

Por Maíra Masiero

Recentemente, o cantor Seu Jorge postou um vídeo no seu perfil oficial justificando o cancelamento de uma apresentação que ele faria no Rio de Janeiro no dia 27 de novembro. Em menos de 2 minutos, o cantor culpou a empresa TAM Linhas Aéreas pelos problemas causados e pelo descaso no tratamento neste caso. De acordo com o Portal Exame, o avião do voo JJ3960 teve problemas e riscos de cair, e teria que pousar de forma emergencial. Mesmo com esse imprevisto, o comandante teve que voltar para São Paulo, por conta de não haver espaço no solo no Rio de Janeiro, e, assim, o show na capital carioca foi cancelado.



A grande insatisfação do cantor é pelo fato de, segundo ele, nunca ter atrasado ou cancelado uma apresentação em sua carreira e, ao fim do vídeo, é visível a sua indignação com a companhia, isentando o comandante e a tripulação, impecáveis na opinião do cantor: “Infelizmente a TAM é uma companhia de quinta, de péssima qualidade. E eu infelizmente tenho que trazer essa notícia triste pra vocês”. Dos 52 comentários do vídeo (dado atualizado até às 13h00 do dia 29/11/2012), 23 elogiaram a atitude de Seu Jorge em esclarecer o público (e ainda confirmam erros da TAM em outros vôos)

Talvez seja mais evidente esta reclamação contra uma empresa/organização (no caso, a TAM) porque partiu de uma pessoa célebre, porém o comportamento do consumidor passou por modificações importantes nos últimos anos, principalmente após a popularização das mídias sociais, e isto relaciona-se com o Marketing 3.0, explicada por Kotler (2010), citado por Mirelle Monique de Oliveira Fernandes, Paulo Roberto Alves e William Roberto Dondas no artigo Marketing e o conceito de ética: principais implicações no ambiente empresarial (2012, p. 93):

"A nova fase do Marketing, a qual Kotler chamou de Marketing 3.0, surge em decorrência dos grandes avanços tecnológicos recentes, que chamamos de 'nova onda de tecnologia'. Essa tecnologia permite que indivíduos criem e consumam suas próprias notícias. Dessa forma, os consumidores tornam–se participativos, tendo poder de exercer influência sobre outros consumidores (KOTLER, 2010).
Um bom exemplo dessa nova tecnologia são as mídias sociais (Blogs, Facebook, Twitter, etc.). A maioria dos Blogs, ou comentários no Twitter é pessoal. As pessoas compartilham suas ideias e opiniões umas com as outras, sobre qualquer tipo de assunto.
Se por acaso uma pessoa faz um comentário ruim sobre um produto ou serviço, ela pode influenciar seus leitores a pensar da mesma maneira. À medida que as mídias sociais se tornarem mais expressivas - um maior número de consumidores poderá influenciar outros consumidores com suas opiniões (KOTLER, 2010)."

Nesse caso de Seu Jorge, podem ser aplicados esses conceitos, pois houve a "produção" de uma notícia, pelo perfil do cantor na rede, e outras pessoas se manifestaram sobre problemas semelhantes ocorridos com a companhia aérea. Além disso, o perfil relevante do cantor pode, numa visão hipotética, contribuir para que  outras pessoas não viajem de avião pela TAM.

O Portal G1 divulgou um esclarecimento da empresa acerca do voo em que estava Seu Jorge: as pessoas que  permaneceram no avião seguiram para o destino final da viagem por volta da 0h30 e o desembarque se realizou no aeroporto do Galeão, pois o Santos Dumont já estava fechado. Ainda segundo a TAM, “A companhia lamenta os transtornos experimentados pelos clientes e ressalta que em nenhum momento houve risco à segurança do voo”.

O que pode-se tirar como reflexão e ensinamento desse episódio é que, famoso ou não, o consumidor se utiliza a cada dia mais dos meios digitais para fazer valer suas reclamações e seus direitos, e é necessário tomar o maior cuidado possível para preservar a imagem da empresa de maneira igualitária, seja em relação a celebridades ou a desconhecidos.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Presença Competente na Internet, além dos outros “media” – uma questão para relações-públicas

por Manoel Marcondes Neto
Acabei de avaliar um trabalho de fim de curso de estudantes de administração. É marcante o interesse desse pessoal pela nossa área de atuação – a comunicação organizacional. A eles ainda surpreende que eu não seja um jornalista ou publicitário e, nisso, são amostra fiel do universo em que nos encontramos: para o senso comum, somente esses dois perfis profissionais são reconhecidos como “da comunicação”.


Mas, depois que tomam contato com o nosso campo, de RP, essas pessoas de outras áreas entendem que as finalidades precípuas daquelas funções tradicionais mais conhecidas; informar e persuadir, respectivamente, não dão conta do planejamento estratégico que preside a comunicação de uma organização, sobretudo as de grande porte. Ou as do terceiro setor, por exemplo, desprovidas da função marketing. É preciso mais. E aí compreendem a amplitude de ação que o exercício que denomino “pleno” de Relações Públicas traz para empresas, órgãos governamentais e organizações da sociedade civil.


Manoel Maria de Vasconcellos defendia a tese de que Relações Públicas são sinônimo do conceito de comunicação social. Ou seja, todo o esforço que uma organização ou indivíduo fazem com o objetivo de divulgar-se no seio da sociedade em que vivem e atuam seria uma questão de Relações Públicas. Pronto: está aí uma bela tese – que passei a adotar –, a qual justifica a abrangência dos nossos saberes e a utilidade dos nossos múltiplos fazeres. (Podem adotá-la quando tiverem que responder pela enésima vez à pergunta “o que é mesmo isso que você escolheu?”).

Pois bem, voltemos ao trabalho que acabei de corrigir. Como não poderia ser diferente, esses futuros administradores, fazendo planos de negócios e pesquisando por aí, chegaram a sugestões que, quando tratam de comunicação, incluem a mídia televisiva, o rádio, os jornais, outdoors e patrocínios, entre outras. Surpreendentemente não mencionaram a Internet. Nem como meio, nem como veículo. É uma limitação. Uma miopia. A internet simplesmente revolucionou a mídia nos últimos anos.


Vamos aos dados: se em 2008 a web ainda andava atrás da mídia rádio em termos de fatia do “bolo publicitário” (4% para a primeira e 5% para a última), agora ela é o meio que vem em segundo lugar, perdendo apenas para o meio televisão aberta. De acordo com o levantamento da Internet Advertising Brasil (IAB Brasil), o faturamento anualizado dos sites e mecanismos de busca atingiu 11,5% do bolo publicitário (contra 10,5% do período anterior – o que revela um aumento de 10% ao ano – maior crescimento do setor). A TV aberta ainda mantém – inalterados – 59,5% do bolo total, seguida pelo meio jornal, com 10,5% das verbas, e das revistas, com 6,5%. O meio rádio ainda detém 4% do faturamento publicitário, em patamar semelhante ao da TV por assinatura (com 3,5%). As demais alternativas de mídia comercial ficam assim: mídia exterior (outdoors e afins) com 3%, listas e guias com 1%, e o cinema com 0,5% do faturamento total do mercado. O mercado publicitário brasileiro movimenta um total de R$ 28,5 bilhões em termos só de veiculação (sem contar os custos de produção).


Não se pode deixar de levar em conta que todos os media convergem para a internet. São novos meios e veículos ainda não considerados nos levantamentos publicitários: webtvs, webradios, weblogs – mas que cada vez mais brigarão por audiência e, por conseqüência, entrarão também na briga por anunciantes. Por isso, na demanda por relevância, quem anuncia tem que olhar para a web. E quem não anuncia? Bem, quem não anuncia tem que ter, pelo menos, o que resumo como “presença competente na internet”, ou seja, pelo menos um bom website institucional. Não dá mais para improvisar, ter um “sitezinho”, um “blogzinho”, um “youtubinho”, desenvolvidos por um amador amigo “muito criativo”. Há que se ter um bom design (pelo menos instigante, belo e claro), muita informação “doada” ao internauta, funcionalidades, facilidade de navegação e alguma interação (norma da web 2.0 – algo que até já está ficando para trás). Nem pensar em uma homepage estática, com cara de 1.0, de “bolha do ano 2.000”.


Considere, pois, a sua presença – ou de seu negócio – na Internet como uma importante via para a decantada transparência, resultado do composto dos 4 Rs das Relações Públicas: uma ferramenta de Relacionamento – (já mencionamos a também desejável Relevância) –, do necessário Reconhecimento e, quem sabe, também, como um dos alicerces da uma (boa) Reputação.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Marcas e webcelebridades - O preço de um viral para atuar nas marcas comerciais

Ouve-se falar muito, atualmente, em vídeos disponibilizados na rede mundial de computadores que alcançam uma certa projeção no cenário on-line (muitas vezes, também atravessando a "correnteza" e chegando à esfera das mídias tradicionais, como a televisão). Há, em muitas pessoas, este desejo de buscar a fama repentina, o reconhecimento e a diferenciação para com o outro, como relatam Heloisa Prates Pereira e Lígia Isis Pinto Bernar no artigo A superexposição de si como tendência no ciberespaço (2011, p. 04):

"Essa forma de destaque é o desejo de se diferenciar, de chamar a atenção no ciberespaço, porém a recorrência pela diferenciação pode redundar em um comportamento modelizado, padronizado que tem como prerrogativa a exposição cada vez maior da sua própria intimidade (feita por grande parte dos usuários da rede) em busca do foco mediático.
A sociedade do espetáculo (DEBORD, 1997) se expande e intensifica nos contextos interativos, com cada pluridivíduo produzindo o espetáculo de si mesmo, extrapolando a relação entre privado e público que se construiu na modernidade. Há uma dissolução, uma hibridação, que se faz ver na voracidade com que experiências íntimas são publicadas e consumidas na web. As relações sociais no ciberespaço tornam indivíduos desconhecidos em reconhecidos (...)"


Ultimamente, as marcas de diversos segmentos começam a reparar nestes virais como uma forma de se aproximar do público jovem, da geração Y. É muito difícil encontrar uma pessoa que não tenha assistido ao vídeo de uma família cantando a música Galhos Secos, de Paulo Cesar Baruk, que ficou mais conhecida como a canção do "Para nossa alegria". Com mais de 15 milhões de visualizações e muitas paródias espalhadas pela Internet, o vídeo se tornou um grande viral, tornando-se lucrativo graças a uma atuação que envolveu mídias sociais com a perpetuação de um emissor de viral, o que geralmente não acontece.

A Pepsi fez uma parceria com o trio de protagonistas do viral "Para nossa alegria" para que eles pudessem divulgar uma nova música na rede mundial de computadores. A única condição para que isto aconteça é que a marca consiga alcançar 500 mil fãs no Facebook. Uma das formas para divulgar a ação foi a veiculação de um vídeo na página oficial da Pepsi nessa rede social.



O fato é que muitos vídeos que tornam-se conhecidos pela Internet, de forma (muitas vezes) inesperada, costumam oferecer aos seus autores os chamados "15 minutos/segundos de fama" e ainda algum retorno financeiro (ou imagético).

Um outro caso que envolve, especificamente, webcelebridades já consagradas com marcas que também atuam no universo off-line, é o banco Itaú, que teve como protagonista de um de seus comerciais uma criança chamada Micah, que ficou conhecida mundialmente porque se divertia ao ver papeis sendo rasgados (eis o vídeo original).

O banco, por sua vez, pegou o vídeo e o transformou em um comercial para incentivar os clientes a cancelaram o recebimento dos extratos via correio. Sem contar as polêmicas envolvendo o lençol que cobria a almofada da sala, o Itaú conseguiu seu objetivo de conscientizar os consumidores da importância de se economizar o uso de papeis.


Como se pode ver, a utilização de webcelebridades para alavancar a imagem e as vendas da marca será algo mais comum nos próximos anos, e os 15 segundos de fama podem se tornar um pouco mais eternos para estes emissores/receptores.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Magazine Você e o e-consumidor brasileiro

Para algumas pessoas, o corre-corre e o empurra-empurra das lojas físicas foram trocados, em certos momentos, pela comodidade de se sentar em frente a um computador para escolher, calmamente, um produto dentre uma variedade de opções para comprá-lo em cerca de poucos minutos.

Não menosprezando os problemas que, muitas vezes, ocorrem em compras via Internet - como o vazamento de dados pessoais ou o atraso na entrega das mercadorias -, as facilidades que o comércio eletrônico traz ainda conquistam muitos consumidores ao redor do mundo.

Um estudo da consultoria McKinsey, citado por Rafael Moraes do Nascimento na dissertação E-commerce no Brasil: Perfil do Mercado e do Consumidor Brasileiro (2001, p. 47-48), mostra que podem existir seis tipos de compradores online:

"Simplificadores – Representam as pessoas que gostam de informações sobre serviços confiáveis e que têm um feedback positivo ao estímulo que indique ser mais fácil fazer negócios online que offline.(...)
Surfadores – Usam a Internet para diversos fins, movem-se muito rápido entre os sites disponíveis na rede. Respondem por 32% de todo o tempo consumido na rede e são atraídos por novidades e conteúdos diversos e atualizados.
Negociadores – Os que valorizam um bom negócio. São os maiores visitadores de leilões pela Internet, por exemplo. Para atrair esse tipo de público, os autores sugerem que o site trabalhe o lado emocional do consumidor, oferecendo serviços como newsletter, salas de bate-papo e livrarias.
Conectadores – Utilizam a Internet basicamente para se relacionarem com outras pessoas, através de emails e recentemente de redes sociais. São iniciantes na Internet e poucos já finalizaram alguma compra na rede.
Rotineiros – Usam a rede principalmente pelo conteúdo oferecido e gastam mais de 80% do seu tempo online, em seus dez sites preferidos.
Esportistas – Possuem o mesmo comportamento dos rotineiros, mas costumam freqüentar sites de esporte e entretenimento."

Com o aumento do uso das mídias sociais pelos brasileiros, as empresas começaram a desenvolver de forma mais acentuada mecanismos para estimular as compras online e a uma interação maior entre consumidores e empresas. Um exemplo recente destas iniciativas foi a consolidação do projeto Magazine Você, idealizado pela rede de varejo Magazine Luíza. Inicialmente, foi criado em agosto de 2011 apenas para familiares de funcionários, mas foi aberto ao público geral a partir do final de janeiro de 2012 - com antecedência de dois meses - e pretende atingir a meta de 10 mil lojas nas redes sociais até o final do ano.

Segundo informações publicadas no Portal Exame, a iniciativa permite ao usuário ter uma loja da Magazine no Orkut e/ou Facebook com até 60 produtos da loja virtual da empresa. Com a venda, a pessoa ganha uma comissão de 2,5% ou 4,5% por cada produto vendido e a operação de compra, incluindo o pagamento e a entrega, é de responsabilidade da rede. O projeto tem, como "garota-propaganda" e uma proprietária de loja, a paraibana Luiza Rabello, aquela garota que estava no Canadá.


Analisando este tipo de loja segundo os seis tipos de consumidores descritos no começo deste post, pode-se dizer que, quando o aplicativo funciona em plenas condições, ele pode se relacionar facilmente com os consumidores simplificadores, pelo fato de se confiar no sistema (se ele merecer esta confiança), surfadores, pelo fato de se manterem em menos tempo num site específico (focando-se mais nas redes sociais), negociadores (atraindo o lado emocional dos clientes pelas cores fortes, como azul-escuro) e conectadores (pelo fato de utilizarem as redes sociais e tentarem explicar, de maneira prática, o funcionamento de uma loja online).

Se este projeto for consistente, ele poderá, posteriormente, abranger o consumidor rotineiro, ou seja, que usará o aplicativo e permanecerá nele pelo conteúdo obtido. Como pode ser visto, conhecer o perfil do consumidor online e descobrir quem ele é e o que ele procura é muito importante para o desenvolvimento destas plataformas.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Da Internet para a televisão - Webcelebridades e seus (mais de) 15 minutos de fama

Nos últimos anos, o predomínio da televisão no quesito audiência foi, de uma certa maneira, reduzido, dando lugar a um maior tempo de conectividade a Internet. Para evitar um possível "êxodo televisivo" e desenvolver uma nova maneira de interligar estas duas mídias, sem detrimento de nenhuma dessas, processos de convergência são idealizados, como mostra o artigo A convergência de mídias potencializada pela mobilidade e um novo processo de pensamento, escrito por Eduardo Campos Pellanda (2003, p. 05):

"Torna-se importante ressaltar que embora a mídia que trasmita o vídeo não seja a TV e o áudio não seja o rádio, a linguagem destes meios estará presente nos ambientes convergentes. Foram estes meios que esgotaram as possibilidades de uso de suas formas de transmissão. Para se transmitir um evento em rádio os profissionais deste meio sempre souberam usar artifícios e desenvolveram formas de o ouvinte imaginar o que esta acontecendo. Em um ambiente de convergência digital cada uma das linguagens desenvolvidas ao longo dos últimos anos pela TV, rádio e jornal estão presentes para proporcionar ao receptor uma experiência rica em detalhes e interações. Seguindo um caminho natural é possível vislumbrar o nascimento de uma nova linguagem resultante desta fusão de mídias tradicionais."

Um exemplo desta convergência cada vez mais frequente entre a Internet e outros meios de comunicação, mais especificamente a televisão, é o quadro Famosos da Internet, pertencente ao programa Eliana, veiculado pelo SBT. O objetivo da atração é mostrar, no palco do programa, os protagonistas (pode-se chamar de webcelebridades) dos vídeos mais acessados no canal Youtube explicando como aconteceram as gravações e como reagiram à repercussão obtida na Web.

Por falar na repercussão, pode-se dizer, numa primeira vertente, que existem gravações colocadas despretenciosamente na Internet, apenas para serem vistas, na teoria, por amigos e familiares; porém, em algumas situações, o número de acessos e o resultado final da "webexposição" daquelas cenas extrapolam todas as intenções dos autores dos vídeos em questão. Como exemplo, retirado do quadro do programa exibido no dia 22 de maio de 2011, tem-se o video intitulado "Tá Lokona", gravado na cidade de Jaú/SP; um susto idealizado por Danielle que vitimou seu namorado Rogério, e que obteve mais de 3 milhões de acessos, um resultado inesperado na visão do casal.



Outros vídeos são, mesmo que de maneira não estratégica, postados com a intenção de contabilizar milhares de acessos. Este caso que será retratado a seguir é especialmente interessante porque realiza dois caminhos de ida e volta entre televisão e Internet. Em outubro de 2010, o programa Comédia MTV mostrou a música Forró do Twitter, interpretada pelo humorista Marcelo Adnet, que obteve grande sucesso devido à criativa utilização de inferências desta rede social destacadas num gênero musical tipicamente brasileiro, que é o forró.

No Carnaval de 2011, o cearense Bruno Costta se utilizou desta música para gravar um clipe menos profissional mas, na visão de mais de 18000 visualizações, sem perder tanto a criatividade. E o segundo caminho entre Internet e televisão se cumpriu com a aparição do internauta no encerramento do programa Eliana, também do dia 22 de maio.



Pode-se concluir, através deste case, que a convergência entre Internet e televisão é uma grande alternativa para que nenhuma das partes, principalmente a televisão, seja prejudicada em se tratando de audiência. As duas mídias saem ganhando: a Internet, por conta da repercussão maior de seus conteúdos pela televisão a muitas pessoas que ainda não possuem acesso a ela, e a televisão, que se utiliza da Web como aliada, não como adversária.

segunda-feira, 28 de março de 2011

A fama repentina das Webcelebridades - Caso Rebecca Black e a sexta que não terminou

"Se tiver 15 minutos viro capa de revista / Money no bolso, é tudo que eu quero / Money no bolso, saúde e sucesso (...)" Esta música interpretada por Beth Lamas mostra claramente que a condição de célebre ainda é muito requisitada no século XXI. Muitas pessoas gostariam de ter seu nome, seu perfil de beleza, suas ideias, suas músicas, seus escritos; enfim, seus talentos reconhecidos e repercutidos pelas pessoas.

Com a expansão do uso da Internet, o chamado "caminho para o estrelato" se tornou um pouco menos tortuoso, no que se refere à divulgação, e mais complicado, no sentido de captação de audiência. A cada dia, muitos vídeos e posts amadores ou profissionais, de pessoas já famosas ou por completamente anônimos, são lançados na rede mundial de computadores e expostos ao julgamento do público. Alguns destes conteúdos tornam-se fenômenos tão (ou mais) rapidamente do que o tempo dedicado á sua produção e os seus autores transformam-se em web-celebridades.

Ainda em respeito à maior facilidade de divulgação, é necessário entender que, quando se disponibiliza algo na Internet, este conteúdo está exposto a vários comentários e, por mais que o conteúdo seja simples e "inútil", há uma oportunidade de este se destacar em meio a milhões de vídeos e fotos, como afirma o artigo Celebridade para Todos: um antídoto contra a solidão?, escrito por Paula Sibilia para a revista Ciência e Cultura (2010, p. 54)

"(...) agora "qualquer um" pode ser famoso, levando em conta o fluxo incessante de celebridades que nascem e morrem sem nada ter feito de extraordinário, mas apenas por ter conquistado alguma vitrine mais ou menos abrangente. Porque cabe às telas, ou à mera visibilidade, essa capacidade de conceder um brilho extraordinário à banalidade exposta no rutilante espaço midiático. São as lentes da câmera e os holofotes que criam e dão consistência ao real, por mais anódino que seja o referente para o qual os flashes apontam. A parafernália técnica da visibilidade é capaz de conceder sua aura a qualquer coisa (ou a qualquer um) e, nesse gesto, de algum modo o realizam: dão-lhe existência, confirmam que está vivo."

O caso mais recente deste fenômeno ocorreu com a cantora Rebecca Black. Durante algumas semanas, desde o dia 15 de março, seu nome permaneceu entre os tópicos mais comentados no mundo, da rede de microblogs Twitter, agregando críticas (atribuídas, por muitos, como um cyber bullying) e elogios (vindos da cantora Lady Gaga e do jurado americano Simon Cowell) quanto à sua afinação, à edição de imagem feita e à letra da música.

Considerada por muitos como a "pior música de todos os tempos", a canção Friday alçou 60 milhões de visualizações de seu clipe oficial no Youtube, arrecadando, na primeira semana de vendas pela Internet, US$ 25 mil para a jovem cantora de apenas 13 anos. Segundo Rebecca, estes lucros serão doados para as vítimas dos recentes terremotos ocorridos no Japão. A cantora ainda poderá visitar o Brasil em breve, segundo entrevista concedida ao programa Fantástico, da Rede Globo.

Diante deste repetino sucesso, só resta saber como Black e seus pais irão lidar com a fama da nova web-celebridade e se a cantora, considerada por muitos uma versão feminina de Justin Bieber (já que os dois jovens começaram suas carreiras utilizando a mesma plataforma midiática) será mais uma que possui apenas uma música de sucesso ou se conseguirá ultrapassar de vez as fronteiras da mídia online.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Conexão humana 24 Horas online: é viável? - Comercial Claro

Nesta primeira década do Século XXI, uma das mudanças mais significativas em relação à comunicação foi o aumento exponencial da velocidade de compartilhamento das informações, principalmente com a popularização do uso da rede mundial de computadores (Internet) e das mídias e redes sociais, como Orkut, Facebook, Twitter, entre outras.

As atualizações de programas, notícias, sites e até mesmo do status das pessoas, muitas vezes, obrigam os indivíduos a se conectar em tempo quase que integral às mídias para não ser "passado para trás", principalmente quando se trata da Internet, como expressa Ildemar Egger Júnior, em seu artigo Da necessidade da utilização da Internet no mundo moderno:

"Ou você é alguém@algum_lugar.com ou você não é ninguém. Não nos cansamos de repetir esta afirmação feita pelo executivo da Novell para expressar a real e notória necessidade das pessoas estarem conectadas com este mundo virtual, aparentemente complicado, porém com um enorme potencial que nos parece difícil ser explicado."

Sabe-se que a Internet é muito importante para o desenvolvimento de indivíduos e grupos durante estas últimas décadas. Mas até que ponto se faz necessária a conexão ininterrupta (que pode se tornar viciante) em sites e plataformas online, em detrimento, na maioria das vezes, dos relacionamentos interpessoais e da comunicação offline? Qual é o verdadeiro grau de importância destas duas vertentes?

Um comercial a ser discutido, baseado nas discussões acima, se chama Backgrounds, criado pela agência Ogilvy&Mather para a operadora de telefonia celular Claro, que estreou no último dia 30 de setembro.



Neste comercial, o produto a ser vendido é um pacote de acesso a Internet que daria acesso grátis e ilimitado pelo prazo de um ano às redes sociais e mostra as vantagens em estar conectado em tempo integral através dos personagens Paulo, Camila e Ana: saber que certa pessoa vai jantar (no caso da Camila sobre Paulo), ter uma repercussão e respostas sobre quem vai a este encontro, utilizando o Twitter (como Paulo, que recebeu "um monte de reply"), receber um aviso do chefe para comparecer a uma reunão na mesma hora do encontro (como Ana) e postar em tempo real as fotos do jantar.

O objetivo deste comercial é mostrar as vantagens em se estar conectado em tempo integral às mídias. Porém, esta comunicação é feita de maneira solitária em quase todo o vídeo, à exceção do encerramento, em que os amigos estão juntos no jantar; mesmo assim, a personagem segura o celular e, ao mesmo tempo em que interage com as pessoas, continua conectada ao mundo exterior. Esta busca pela perpétua conexão é discutida no artigo Internet e Cultura: um novo olhar, veloz e voraz, escrito por Wilson de Oliveira Souza:

" (...) a informação pode provocar dependência. Essa busca desesperada pode estar gerando uma crise desencadeada por excesso de informação. (...). É a saturação comunicacional, que é tão perigoso quanto a carência de informação. Nos Estados Unidos já estão surgindo estudos par tratar do caso, que já fez nascer o profissional do conhecimento, cuja tarefa é ajudar no manuseio e tratamento da enxurrada de dados disponíveis (...)."

Com isso, pode-se refletir acerca de como se pode balancear os relacionamentos on e off, que estão e estarão sempre presentes na vida de muitos indivíduos, para que não haja uma dependência crônica em relação ao tempo gasto com as mídias, principalmente com o computador. Para ilustrar este encerramento, um vídeo feito por alunos da IESB falando sobre os efeitos positivos e negativos da Internet.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

O grande voo da amiguinha (Parte II) - Palmirinha e sua saída da Rede Gazeta

* Este post é uma continuação do da última segunda feira (13/09), que pode ser visto aqui.

Como dito na primeira parte deste post, a culinarista e apresentadora Palmirinha Onofre se desligou da Rede Gazeta no fim do mês de agosto último, alegando estar com projetos e motivos pessoais para isto, desmentindo uma suposta vontade de se aposentar. Esta saída estava sendo planejada já há alguns anos, tendo como referência a realização da Ceia de Natal no programa, conforme palavras dela.

"Recém-saída da TV Gazeta, onde gravou o último programa na semana passada, Palmirinha se lança para novidades de chinelinho de dedo e meia de seda. Não foi demitida, como se propagou. Pediu as contas, algo que já vinha ensaiando havia uns três anos. "Eu falava para mim mesma: ‘Este ano não faço a ceia de Natal da tevê’. E fazia." "

Porém, a emissora paulista, que a acolheu desde 1999, não teve o cuidado (ou a obrigação) de prestar uma homenagem à culinarista pelos serviços prestados à casa e pelos grandes números de audiência que ela dava ao canal, em proporção aos outros programas; não teve a sorte de ser valorizada como, por exemplo, o goleiro Rogério Ceni, do São Paulo (assunto que já teve seu pitaco aqui no blog). Segundo a polêmica colunista Fabíola Reipert, do portal R7, Palmirinha tinha preparado toda uma despedida, falando que não ia se aposentar, porém o programa de despedida foi gravado previamente, com rápidas despedidas aos colegas de trabalho e, logo no dia seguinte, a substituta Vivane Romanelli assumiu o comando do programa. Há boatos que o programa vespertino Mulheres, apresentado por Cátia Fonseca, irá homenagear Palmirinha nas próximas semanas, mas o estrago na imagem da emissora, no ãmbito de valorização de seus funcionários, já está feito.

Outra atitude infeliz disseminada na rede de microblogs Twitter foi realizada pelo diretor da Rede Globo Boninho, conhecido no ramo virtual por suas declarações ásperas, que não pouparam nem mesmo a culinarista. Respondendo a perguntas sobre uma possível contratação de Palmirinha para o programa Mais Você, revivendo a parceria com Ana Maria Braga, o diretor não teve dúvidas em soltar estas declarações:


As declarações foram rapidamente repercutidas em sites e blogs, com a quase totalidade de comentários repudiando as palavras infelizes de Boninho (aqui e aqui também são alguns exemplos) e cobrando maior humildade da parte do diretor. Até pessoas famosas e colegas de emissora discordam da afirmação e questionam a Gazeta pela não-valorização de sua profissional, como o autor de novelas Aguinaldo Silva. É o que sempre se diz aqui no blog: é necessário saber falar, saber ouvir e saber valorizar as pessoas também. Para encerrar o post, o vídeo de um dos vários momentos engraçados e de autencidade de Palmirinha na Gazeta.

 

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Saber falar e saber ouvir (II) - Caso Rita Lee x Fantástico

Dando uma certa continuidade no post da empresa "Velha Surda", é necessário ao ser humano (seja ele célebre ou não) discernir sobre o momento exato de exprimir uma opinião acerca de um assunto específico e/ou chamar outro indíviduo para comentá-la (causando, assim, a tendenciosidade). Em algumas vezes, esta atitude, quando se completa com um comentário ou expressão infeliz, se transforma num mal-entendido ou até mesmo numa polêmica desnecessária.

Foi o que aconteceu na noite do último domingo (dia 05 de setembro) durante o programa jornalístico Fantástico, da Rede Globo. Neste programa, há o quadro Repórter por um Dia, em que famosos comandam matérias sobre assuntos variados, e o convidado do dia era o atacante do Corinthians Dentinho, que mostrou a região de Itaquera em que, futuramente, será construído o estádio do Corinthians, candidato a sediar a abertura da Copa do Mundo de 2014.

Na segunda-feira anterior (dia 30 de agosto), dia do anúncio do estádio, a cantora Rita Lee brincou a respeito do fato em seu Twitter, famoso por expressar o que a cantora pensa e sente com originalidade e sinceridade, sem muitos filtros, como se pode ver nas reportagens da Blitz e da Veja Online. Em uma postagem, define o estádio como um "presente de grego" e depreciando a imagem de Itaquera como um lugar por onde saem as fezes do cavalo (para ver a postagem dela em tons menos suaves, é só clicar aqui, aqui ou aqui).

Na matéria veiculada no programa dominical, Dentinho mostrou a região e "cutucou" a cantora por suas declarações e, após a sua fala, houve uma declaração de uma moradora falando que era "dor de cotovelo".



Segundo a reportagem do UOL, Rita Lee, que tinha recusado a gravar este mesmo quadro, com o mesmo tema, foi ameaçada por torcedores do Corinthians, impulsionados pela fala de autoridade do jogador famoso do time, acreditou ser vitima de "má-fé" e desabafou no microblog:

Mais uma vez a produção do 'cansástico' age d má fé comigo. da primeira vez q dei uma entrevista fui processada pelos organizadores d barretos. ganhei nas duas instancias. agora botaram gasolina no fogo sobre uma declaração q dei no tuitz sobre as roubalheiras do novo estádio do corinthians q será p/ a abertura da copa 2014 e q deu muito tititi. me convidaram p/ gravar "reporter p/ um dia" e eu recusei. ninguém recusa nada da globo, ela tem o poder d um cesar q decide jogar escravos numa arena c/ leões. diante das ameaças sérias q tenho recebido. digo ao povo q me retiro do tuíter após 2 meses d divertimento. meu amor a todos vcs q entenderam minhas loucuras e pau no cu dos babacas. (sic)

Depois desta declaração, o nome da cantora alcançou a lista dos Trending Topics Brazil, com a maioria dos posts elogiando-a pela coragem e pedindo para que ela volte a ativa no microblog. Não querendo opinar sobre quem estaria mais errado nesta história, o importante é observar o desrespeito à liberdade de expressão que está ocorrendo nesta ocasião (tanto em relação ao Dentinho, que "defende" o novo estádio do time, quanto à Rita Lee, que advoga contra, através de uma edição infeliz da Rede Globo) e a falta de cuidado no saber falar (declarações feitas pela cantora e pelo jogador) e no saber ouvir (caso dos torcedores que a ameaçaram), o que culminou neste mal-entendido que confronta Rita Lee e Rede Globo e que precisará de intervenções de Relações Públicas para que tudo possa ser resolvido da melhor maneira possível para os dois lados.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Não contavam com minha astúcia! - Como usar o Twitter segundo Chapolin Colorado

Nos últimos dias, no microblog Twitter, viu-se a invasão do termo Chapolin Colorado nos Trending Topics Brasil, a lista dos assuntos mais comentados na rede. Entre os resultados da busca, há poucas frases interessantes retuitadas muitas vezes e outros comentários a respeito desta ilustre presença na lista.

Para começar esta análise, é preciso se fazer um breve histórico da série, segundo o site Turma do Chaves. O personagem Chapolin (interpretado por Roberto Goméz Bolaños, mesmo intérprete do Chaves) foi criado em 1970, um ano antes do humorístico Chaves ("El Chavo del Ocho" era o nome original mexicano), e seu nome era proveniente de uma espécie de gafanhoto. O programa de Chapolin foi gravado de 1973 a 1979 na TV Televisa (México), voltando a ativa na década de 1980, dentro do programa "Chesperito", permanecendo em atividades de gravação até 1993. Sua exibição no Brasil começou em 1984, no SBT. Quando o seriado saiu do ar por conta do Horário Político, em 2000, os fãs fizeram um movimento na Internet intitulado: "Volta, Chapolin", que surtiu efeito. Entre 2001 e 2008, Chapolin alternava momentos de baixa e alta audiência (derrotando o Jornal Hoje em algumas oportunidades), até que saiu definitivamente do ar em maio de 2009.


Mas o que este personagem mexicano tem a ver com a utilização do microblog por pessoas e empresas? Para isto, é necessário analisar alguns bordões do Chapolin (retirados do blog Chapolin World) e contrastá-los com a gestão que é feita nas mídias sociais:

Sigam-me os bons! É necessário ter muito cuidado para "atrair" bons seguidores de suas ideias e propostas e para discernir a intenção das pessoas que seguem estes perfis (se ela é uma concorrente disfarçada, como um exemplo disso no âmbito empresarial).

Era exatamente (isso) o que eu iria dizer! (quando alguém tem uma idéia melhor que a dele ou quando ele simplesmente não pensaria nada muito útil) O recurso RT do Twitter expressa exatamente isto e, por este motivo, ele deve ser utilizado com cuidado, não em demasia, e só quando for necessário. Afinal, quem vive por causa de cópias é a Xerox.

"Suspeitei desde o princípio.", quando faz algo errado e se envergonha de admitir o erro, ou simplesmente quando alguém lhe indica um detalhe óbvio que ele não tenha percebido. Essa sarcasidade mostrada por Chapolin neste caso é algo que as empresas NÃO podem fazer. Deve-se fazer o possível para que não haja erros e, se houver, pedir desculpas o mais rápido e eficiente possível.

"Já diz o velho e conhecido ditado popular/provérbio/refrão…", e assim ele cita algum provérbio popular de forma totalmente errada, geralmnete misturando dois ou mais ditados e após se enrolar ele completa dizendo tortamente "Bom, a idéia é essa!" ou "É por aí, assim!". Já é do conhecimento de muitas pessoas que quem confunde ditados populares (ou até mesmo letras de canções) pode ter sua imagem arranhada (vide o exemplo da cantora Vanusa, discutido aqui mesmo neste blog).

Enfim, Chapolin, além de ser um personagem engraçado, pode ensinar muito a respeito de como se comportar nas redes sociais, principalmente no Twitter.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Pegue seu banquinho e entre de mansinho - Raul Gil e as mídias sociais (2ª Parte - Blog)

* A primeira parte deste post foi divulgada na segunda-feira (02/08) falando sobre a repercussão do Raul Gil e de seu programa no Twitter. Você pode vê-la clicando aqui.

Com a recente mudança de emissora do apresentador Raul Gil, da Band para o SBT, foi necessário um novo site para o programa. O layout em si é simples e prático, agrupando vários conteúdos, como a história do programa e do apresentador, a descrição de cada um dos quadros, espaço para inscrições (atualmente, para Calouros Adultos e para crianças), notícias, galeria de fotos e vídeos do programa, além de links para o Twitter do programa e para o blog, objeto principal de análise deste post. O link para o blog é interessante, pois o chamativo deste é: Solte o verbo no blog do programa! Como será visto, isto é seguido quase que à risca.

O blog possui apenas uma postagem, feita no dia 27 de julho de 2010, falando sobre a estreia do site e prometendo um acompanhamento das gravações dos programas pelo blog, o que ainda não ocorreu efetivamente. No entanto, a repercussão do diário eletrônico é grande: até a manhã de quarta-feira, havia 1200 comentários e os assuntos mais tratados nestes são (números aproximados):

Calouros cantando em Inglês - 43 comentários acerca do fato de quase todos os calouros cantarem músicas internacionais, dando menos prioridade às canções nacionais.

Críticas do Blog - 4 comentários reclamaram das poucas postagens do blog e exigiram uma atualização dos conteúdos.

Diversos - 130 comentários diversos, entre pedidos de atrações musicais e comentários diversos sobre outros temas. O destaque está num comentário criticando o Raul Gil quando ele compara a audiência de seu programa ao da Rede Globo. O autor até muda de cana quando esta conversa começa.

Elogios - 247 comentários elogiando os calouros (em especial, Higor Rocha e Renato Viana), os jurados, a volta de Raul ao SBT depois de quase 20 anos e o tratamento que o apresentador faz às coisas de Deus.

Homenagem ao Artista - 122 comentários sugerindo artistas para serem homenageados no programa. Entre vários citados, se destacam as cantoras Wanessa, Cristina Mel e Fernanda Brum e o cantor Mattos Nascimento (há a predominância de cantores gospel nos pedidos).

Jurados - 124 comentários criticando a nova formação do júri do programa. Destaques feitos ao movimento que deseja a volta de José Messias e Marly Marley ao corpo e as críticas mais pesadas ao instrumentista Caio Mesquita, por sua arrogância e falta de critérios.

Pedidos para Cantar - 29 pedidos para se apresentar no Programa, seja como calouros, seja como atrações (bandas profissionais).

Sonhos de Fãs - 29 comentários de fãs querendo conhecer seus ídolos, com destaque para o cantor Luan Santana, com um "movimento" para que uma fã conheça o fenômeno sertanejo.

Sugestões de Músicas - 28 comentários com sugestões de músicas para que os calouros cantem.

Igreja - Talvez neste ponto esteja o grande erro de um programa comprometido com os seus telespectadores. Só neste item foram feitos 426 comentários acerca de uma declaração infeliz de Raul Gil a uma caloura. Perguntada sobre a sua religião, Amanda Neves declarou que é católica e, a partir daí, Raul começou a fazer brincadeiras com o sacerdócio e com a Eucaristia, causando revolta neste segmento cristão e gerando grandes discussões no blog e em comunidades católicas no Orkut. O vídeo deste momento pode ser visto aqui.

Tirando um pouco o quesito religioso, quando se há uma "crise" como esta, é necessário vir a público e se desculpar com aqueles que foram ofendidos, como o também apresentador Faustão fez uma semana depois de chamar um funcionário de "imbecil" no ar em seu programa. Mesmo com toda esta repercussão, o apresentador ainda não se retratou, nem se justificou sobre o fato em qualquer mídia.

Raul Gil talvez não se lembre que a população católica é ainda a predominante no Brasil e que isto pode ocasionar uma queda na audiência ou, pelo menos, na credibilidade do apresentador. Seria a hora de se utilizar das mídias tradicionais e digitais para se retratar e pedir desculpas a quem se ofendeu para, assim, tentar reconstruir a sua imagem.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Novas mídias: janelas abertas para o futuro das empresas

Este foi o artigo que escrevi para a Revista A Bordo da Comunicação, edição nº 2, publicada em junho deste ano! Espero que vocês gostem e agradeço a equipe do site pela confiança e por divulgar cada vez mais o trabalho e os escritos acadêmicos e críticos dos profissionais de Comunicação, especialmente os de Relações Públicas!

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Passou-se o tempo em que analisar o grau de aceitação de um produto ou de um evento passava apenas por um simples questionário. Tornou-se ultrapassado utilizar
somente os indicativos de pesquisa para examinar como anda a popularidade de um candidato à Presidência, por exemplo.

O advento e a popularização do uso dos computadores e de seus aplicativos torna possível aos profissionais de comunicação, especialmente aos Relações Públicas,
conferir a aceitação das imagens atribuídas a um determinado objeto de estudo e monitorar a opinião do público-alvo a seu respeito. Resumindo: a Internet se tornou uma “janela” aberta para o crescimento (ou decadência) da imagem de um produto ou a da própria empresa.

Um tipo de ferramenta utilizado com frequência pelos internautas são as chamadas redes sociais. O Brasil possui uma grande participação porcentual de usuários no Orkut, Facebook, Twitter (aproximadamente 20 milhões de pessoas), e muitos usufruem destes instrumentos quase que todos os dias. Estes sites que, a princípio
seriam usados apenas para fins de entretenimento, transformaram-se em uma “carta na manga” estratégica para empresas – 17% das existentes no Brasil já têm áreas para perfis em mídias sociais - poderem divulgar seus produtos e, em contrapartida, observarem como seus possíveis usuários os “anunciam” para o mundo inteiro.

Em matéria veiculada no telejornal Jornal das Dez, da GloboNews, no dia 14 de abril de 2010, foram mostrados dados referentes a uma pesquisa feita por uma consultoria que monitora as mídias digitais. Eles mostraram a influência das mídias para a mediação das relações entre empresas e consumidores: 90,1% dos entrevistados utilizam as mídias sociais para pesquisar sobre um produto ou serviço antes de comprar; já 42,9% recomendam empresas ou serviços, e 28% fazem reclamações. Pode-se, então, destacar uma importância das redes sociais para o campo empresarial: estas novas estratégias de mercado aumentam a influência do consumidor no desenvolvimento dos produtos (desde o pré-lançamento até o consumo em si) e das empresas (desde o lançamento até uma possível crise ou falência). Segundo o especialista em marketing Miguel Feyo, na mesma matéria citada acima, com o avanço das redes de relacionamento, as empresas deixaram de fazer monólogos para poderem dialogar com seus consumidores, ouvindo suas reclamações, sugestões, elogios e críticas.

Outro detalhe primordial nestas novas ferramentas sociais é o fato da transmissão, quase que instantânea, das informações veiculadas. Um exemplo recente aconteceu no dia 29 de abril de 2010, quando o editor-chefe e apresentador do Jornal Nacional (Rede Globo) William Bonner decidiu se retirar da esfera de microblogs Twitter, por conta da
demanda gerada pela ferramenta, que lhe resultava dores terríveis nas costas. A partir disto, milhares de “sobrinhos”, como Bonner gostava de chamar seus seguidores, mandavam mensagens mencionando o nome do jornalista e lamentando seu “twittercídio”, ou seja, a sua saída da rede social. Além disto, muitos sites e blogs relacionados à comunicação registraram o fato e o analisaram. Assim como no caso deste jornalista, muitas empresas acabam repercutindo sua imagem, de modo positivo ou não, nas mídias sociais e necessitam ter um cuidado maior na hora de responder “o que você está fazendo?” (pergunta originária do Twitter), ou de inserir algum texto no site de relacionamentos Orkut, por exemplo.

Portanto, o profissional de Relações Públicas precisa se atentar para que a imagem da organização seja transparente e sólida, principalmente nesta primeira década do século XX, pois as mídias sociais garantem a liberdade de opinião por parte dos consumidores/clientes, de certa maneira superior àquela dada pela comunicação midiática (“de massa”).

Enfim, atentar-se para que a “nova janela” aberta pela rede mundial de computadores não se quebre e se, de algum modo, “quebrar” que não se coloquem os cacos debaixo de um tapete, mas que se reconstrua a imagem empresarial o mais rápido e seguro possível.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

A mentira tem perna curta? - Boatos nas redes sociais

A maioria das pessoas já ouviu falar na história de Pinóquio e sua "honorável fama" que se espalhou pelo mundo. Para quem não se lembra, aqui vai um resumo deste conto, com fonte do site Contando História:

Certa vez um velho carpinteiro chamado Gepeto fez um boneco de madeira. Deu-lhe o nome de Pinóquio. De repente aparece a fada madrinha de Pinóquio e o transforma em um menino de verdade, o boneco criou vida. Gepeto ficou muito feliz, agora tinha um filho.
Gepeto queria fazer de Pinóquio um menino educado. Colocou-o na escola. Mas Pinóquio fugiu e foi divertir-se no teatro de bonecos. O dono do teatro queria ficar com Pinóquio. Mas ele chorou tanto que o homem deu-lhe umas moedas e o deixou partir.
Na volta para casa encontrou dois ladrões. Apesar dos conselhos do grilo falante, eleito sua consciência pela fada madrinha, seguiu com eles e foi roubado. Pinóquio, triste, resolveu voltar para casa e obedecer Gepeto.
No caminho, um passarinho avisou que Gepeto foi procurá-lo no mar. Ele ia ao encontro de Gepeto, quando viu umas crianças que se dirigiam ao país da alegria. Pinóquio foi com eles. Estava brincando quando percebeu que estava se transformando em um burro. E o nariz de Pinóquio começou a crescer...crescer....e...crescer!
Chorou arrependido. Uma fada apareceu e desfez o encanto. Mas avisou: - Toda a vez que mentir, seu nariz vai crescer.
Pinóquio então foi ao encontro de Gepeto. Chegando no mar, Pinóquio e o Grilo foram procurar Gepeto. Apareceu uma baleia e os engoliu. Lá dentro encontraram Gepeto. Quando a baleia abriu a boca de novo, eles fugiram.
Chegando em casa, a fada recompensou a coragem de Pinóquio, transformando-o num menino de verdade. Pinóquio e Gepeto foram muito felizes.



Vimos muitas brincadeiras e mentiras (mais sérias do que as do Pinóquio) circulando pela Internet, principalmente pelas mídias sociais como Orkut e Twitter. Assim como o personagem, quando não se "obedece" a normas sociais da Internet, quando se inventa qualquer história num site de relacionamentos, ela pode se disseminar por todo o mundo, fazendo o nariz crescer e se alongar por toda a rede.

A "fada" da Internet fez com que as redes sociais ganhassem vida e força. As redes sociais e seus conteúdos deveriam ser como aquele menino educado do começo da historinha, mas acabam, por algumas vezes, fugindo e tomando proporções quase que incontroláveis, como a fuga de Pinóquio do seu criador Gepeto. E os profissionais de Relações Públicas são as "fadas madrinhas" responsáveis por gerir esta suposta crise, por desfazer este encanto.

Um exemplo destes boatos ocorreu no sábado, em que um post infeliz no Twitter de um diretor de agência de relações públicas acabou crescendo e virando um boato sério de que o jogador inglês David Beckham estaria pondo fim ao seu casamento, como se pode ver nesta reportagem. O boato correu o mundo, e a "fada madrinha" do jogador (seu assessor pessoal Simon Oliveira), pelo mesmo Twitter, teve que desfazer o (des)encanto, atribuindo ao rumor a palavra "nonsense".

Que a "fada" da Internet possa recompensar a cada pessoa que dissemina verdades nas redes sociais e que a baleia (não só a da história, mas também a do Twitter - por que não?) não engula os defensores de causas mais nobres do que um CALA BOCA GALVAO, por exemplo.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

O mundo virou cidade pequena!

Ontem numa conversa com a @marciaceschini, uma amiga do Twitter, falávamos sobre a proximidade da minha cidade (Bocaina) com a dela (Araraquara), e do fato da minha cidade ser minúscula (só 10 mil habitantes) e de quase todos conhecerem, mesmo sem querer, a vida, a família e a história de quase todos.

E o que isso tem a ver com comunicação? TUDO! Antigamente, para se comunicar acerca de um assunto, demorava-se dias indo pessoalmente ao local (dependendo da distância) ou se utilizando do telégrafo ou telegrama; horas, quando, por exemplo, passava o jornal na televisão ou o próprio meio impresso chegava até as casas ou era vendido nas bancas especializadas. Para se fazer uma análise detalhada de um certo assunto, esperava-se uma semana (no caso das revistas brasileiras Veja e Istoé, por exemplo) para que isso acontecesse.

Agora, com a consolidação e a democratização do acesso ao computador e à Internet, juntamente com a explosão de mídias e redes sociais, as informações são passadas em tempo real. Mais do que isso: as repercussões e as consequências de uma informação passada são também em tempo real! E, nesta afirmação, está aquilo que se vê no título deste post: o mundo virou cidade pequena!

Para se conhecer uma pessoa, ou para perceber quais são as suas ideias, os seus valores (a construção de uma suposta identidade), muitos olham as comunidades adicionadas no Orkut, as pessoas que o indivíduo segue no Twitter e o que ele posta por lá (não estou, de forma alguma, reprimindo a comunicação interpessoal - tu a tu -, a mais eficiente na minha visão!). E o que se escreve nestas redes, o que se fala na televisão ou rádio, não tem volta, mesmo que se apage depois de um tempo.

Um caso bem recente foi uma pergunta feita pela apresentadora Ana Maria Braga a respeito do porquê o técnico da África do Sul, o também brasileiro Carlos Alberto Parreira, não convocar jogadores brasileiros. Não adiantava mais corrigir; os twitteiros já colocaram a cena entre os tópicos mais comentados da Internet. É como se uma fofoca sobre um vizinho, por exemplo, fosse se propagando por um cidadezinha e, logo, todos estariam sabendo e comentando.

Por isso a importância de se ter um profissional de Relações Públicas no monitoramento, não só das redes e mídias sociais, mas também da maior ferramenta de comunicação já vista no mundo: o próprio ser humano.