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terça-feira, 9 de abril de 2013

Mais impacto em menos tempo - Uso do Vine na publicidade

Por Maíra Masiero

A tecnologia vem, dia após dia, trazendo ferramentas para otimizar a comunicação entre as pessoas e, consequentemente, mostra novos caminhos para o mundo publicitário, com formas inovadoras, a fim de auxiliar na promoção de marcas e de iniciativas globais.

Créditos: Droid-Life
Um exemplo dessa inovação é o Vine, ferramenta lançada em janeiro de 2013, pertencente ao Twitter e acessível em dispositivos móveis (Android, iPhone e iPad). Segundo reportagem do UOL, o aplicativo é considerado um Instagram em movimento, pois realiza a captação vídeos de até seis segundos (para inspirar criatividade, segundo seus criadores), como se fossem "gifs animados", com o diferencial na captação de áudio das imagens. O programa ainda permite compartilhar os vídeos no Facebook e poderá funcionar como uma espécie de rede social.

Com todas essas facilidades, as empresas já começaram a utilizar o Vine para fins comerciais, mercadológicos e até para processos seletivos. Uma das marcas brasileiras que já utilizou o aplicativo é a Guaraná Antárctica, que realizou uma série de comerciais curtos, de até seis segundos, para promover a marca no seu perfil oficial do Twitter. Truques rápidos de mágica (em comemoração ao Dia do Circo e repetido para celebrar o Dia da Mentira) e uma homenagem ao aniversário do microblog foram as temáticas escolhidas com o objetivo de experimentar o Vine como parte integrante de uma estratégia de publicidade.

Por outro lado, o que um profissional faria em seis segundos para mostrar suas capacidades e ser contratado por uma agência de publicidade? Foi o que a DDB de Bruxelas (Bélgica) está fazendo: para entrar na empresa, é necessário enviar o vídeo, via Vine, no Twitter, e adicionar a hashtag #DDBExpress até o dia 31 de maio. Dentre os dez melhores trabalhos, apenas dois irão estagiar na agência e ainda irão para Cannes. A fanpage da DDB belga mostra um pouco dos trabalhos já destinados para a seleção, como este que vem a seguir.



Este apllicativo também pode ser útil para divulgar lançamento de filmes, de forma personalizada e inovadora. Foi o que ocorreu no último mês de março com "The Wolverine" (Intitulado “Wolverine: Imortal”, em Português), filme que só estreará no Brasil em julho. O diretor James Mangold usou a rede social para publicar um teaser do trailer (?!) do filme, que seria revelado, na íntegra, no dia seguinte.

Portanto, com esses exemplos, fica evidente que o Vine pode ser utilizado pelos comunicólogos para ativar conteúdos relevantes e valorizar o diferencial de cada marca (por exemplo, a alegria e a descontração, no caso da Antárctica), contribuindo para uma presença mais constante no mundo virtual.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Eu acho que vi um Cabrito... - Boatos nas redes sociais II

Por Maíra Masiero

Com a exigência cada vez maior de uma agilidade no processamento e divulgação de informações pela mídia e pelas empresas, boatos, notícias falsas e brincadeiras internas podem se transformar em fatos considerados verdadeiros, graças à facilidade de se obter e se transmitir informações, principalmente pelas mídias sociais.

O artigo Do boato à notícia: considerações sobre a circulação de informações entre Twitter e mídia online de referência, de Gabriela da Silva Zago (2010, p. 182) - que integra os anais do Intercom Sul 2010 - mostra a dinâmica dos boatos virtuais e sua inesperada amplitude, com base nos boatos sobre a morte do cantor Dinho Ouro Preto, vocalista do Capital Inicial, ocorridos em novembro de 2009. Numa de suas declarações, a autora justifica a circulação tão rápida de boatos nas redes, o que pode também ser identificado no breve estudo de caso que o RPitacos trará a seguir.

"A facilidade e velocidade para a circulação de informações no Twitter também gera discussão quanto à credibilidade das informações. Em geral a credibilidade no Twitter está associada à credibilidade construída junto a outros meios (como no caso de celebridades e jornalistas tradicionais), mas também pode ser construída no próprio Twitter, a partir das interações que os indivíduos desenvolvem na rede social."

No começo do mês de fevereiro de 2013, alguns internautas "contrataram", pelo Twitter, um novo jogador de futebol para o Grêmio, o lateral esquerdo argentino (ou uruguaio) Enrico Cabrito. Na realidade, foi uma brincadeira interna entre três perfis de torcedores gremistas no Twitter, amigos que queriam ironizar com o nome de um outro amigo, segundo o perfil de Fabiano Estrela, um dos criadores de Enrico:

"A brincadeira era interna, jamais foi feito propositalmente para denegrir a imagem de quem quer q seja. Um jornalista leu um tuite meu totalmente fora de contexto e anunciou a negociação com enrico cabrito. O resto nós já sabemos o q aconteceu. Aliás, o q torna o fato inacreditável e extremamente engraçado é a falta de premeditação. Foi totalmente involuntário. Brincadeira interna."

Porém, isso extrapolou a esfera da gozação e se tornou notícia verídica em perfis de jornalistas gaúchos no Twitter. Segundo matéria publicada no portal UOL, o jornalista da Rádio GreNal Farid Germano Filho usou sua página para anunciar a notícia e, posteriormente, afirmou que sua conta foi invadida por hackers e que ele iria tomar providências sobre esse caso.

A "nova contratação" do time comandado por Wanderley Luxemburgo virou notícia até mesmo no Jornal do Almoço, telejornal da RBS TV, afiliada da TV Globo no Sul do Brasil, no dia 05 de fevereiro, apresentado por Paulo Brito, depois de passar a madrugada entre os assuntos mais comentados do país no microblog. Ao contrário do colega de profissão, o jornalista global assumiu o erro cometido, desculpando-se em seu perfil na rede social e, publicamente, na edição de hoje (06 de fevereiro) no mesmo Jornal do Almoço.



No vídeo, Paulo Brito parabenizou os que fizeram a brincadeira e ressaltou outros "furos de reportagem" - só que verdadeiros - que ele anunciou no programa, como a vinda de Dunga e de Rafael Moura para o futebol do Rio Grande do Sul. De acordo com pesquisas feitas no Twitter, pode-se dizer que Brito teve a sua imagem fortalecida, uma vez que assumiu publicamente o erro de informação cometido.

Portanto, é necessário ter cuidado e, na medida do possível, calma para checar informações importantes, vindas de fontes online, a fim de que muitos erros não sejam cometidos.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Saber falar nas mídias sociais - O Serra não foi para o Canadá...

Nesta quinta-feira, dia 19 de janeiro, em meio a grande repercussão do comercial de lançamento de um prédio residencial na Paraíba - com a já histórica frase: "Luíza, que está no Canadá", mais recente hit da internet**, o perfil oficial da Secretária de Imprensa da Presidência da República no Twitter trouxe um link de um texto da seção humorística da Revista Piauí que falava de uma "suposta viagem do ex-governador José Serra ao Canadá".

O resultado desta postagem, inadequada a um perfil oficial de um órgão público, foi imediato: o assunto Twitter da Presidência foi um dos mais comentados do dia na rede social, o post foi deletado do sistema e, algum tempo depois, o perfil mostrou um pedido de desculpas pelo erro cometido:


Pode-se dizer que, tanto neste caso da última quinta-feira como em outras situações nas quais apareceram postagens diferentes do habitual em perfis oficiais de instituições ou secretarias no Twitter, a justificativa é a mesma na maioria dos casos: o autor do post equivocado confundiu o perfil pessoal com o oficial, cometendo, assim, esse erro que também, por muitas vezes, leva o culpado a ser demitido ou, no caso da piada com o ex-governador de São Paulo, a pedir exoneração do cargo.

Na mesma noite, por volta das 21h30, Serra se pronunciou acerca do caso em seu perfil no Twitter: "Aceito a desculpa pelo que aconteceu com o twitter do Planalto. O autor reconheceu o erro e não há motivo para demiti-lo. Assunto encerrado. / Ah, sim, queria avisar o Planalto que não fui ao Canadá, até porque a Luiza voltou."

O mais interessante em analisar este caso é a necessidade de uma conscientização maior sobre os cuidados com o cibercomportamento das pessoas, principalmente com a tão falada separação entre assuntos/opinões/desabafos pessoais e temas profissionais. Muitas vezes, na esfera offline, fazer esta divisão é complicado (muitos reclamam que parentes, namorados(as), noivos(as) e esposos(as) trazem pendências e reclamações do serviço para casa, não aproveitando o tempo livre de maneira proveitosa); porém, na rede mundial de computadores, é regra não misturar assuntos/posts pessoais em perfis utilizados para trabalho.

E ainda concluindo este raciocínio, nestas horas de crise de imagem, o profissional de Relações Públicas não pode fugir para o Canadá, nem para lugares mais distantes ou inacessíveis, mas sim se portar como líder, propondo soluções que sejam, ao mesmo tempo, rápidas, funcionais e convincentes para o público. 

** Para quem ainda não sabe quem é Luíza e o porquê deste sucesso tão fulminante, vale a pena ler um pouco da história deste viral.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Saber falar e saber ouvir (IV) - Kassab e o astral dos moradores de rua

Nunca é demais lembrar que as redes sociais, geralmente, não são ninhos restritos ou privativos: o que se faz e fala na Internet pode acarretar em consequências, positivas ou negativas, para a imagem de uma marca ou de uma pessoa, seja ela uma celebridade internacional, um político ou um colaborador que critica a empresa em seus perfis nas redes sociais.

Muitas vezes, algumas marcas ou indivíduos constroem seus perfis nas redes sociais sem constar uma finalidade de interação com o público e, quando tentam construir, o fazem, em certos momentos, de forma impensada e infeliz, como mostram os autores Carolina Presotti Almeida e Leonardo Magno Lopes da Silva no artigo Comunicação corporativa nas mídias sociais: o Twitter como ferramenta de relacionamento entre organizações e seus públicos (2011, p. 03):

"É possível que algumas empresas entraram nas mídias sociais para afirmar a imagem de “antenadas” ou modernas para o mercado. Entretanto, os consumidores passaram a exigir mais do que a presença nas mídias. Eles reivindicavam informações mais detalhadas, além de cobrar um atendimento mais adequado nesses ambientes, como interatividade ou agilidade. (...)"

Este atendimento adequado, quando consideramos o aspecto comunicacional, pode se referir também a como uma frase ou notícia é repassada ao público, desprovida de estereótipos, preconceitos e de expressões inadequadas. Um dos mais recentes casos de declarações polêmicas nas redes sociais foi a frase dita no microblog Twitter, no dia 25 de julho de 2011, pelo prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, durante uma visita a um albergue da Zona Leste da capital paulista. O político escreveu: "O astral dos moradores de rua está muito bom, acho que é porque o frio deu uma trégua hoje" .

Muitos perfis no Twitter se indignaram com o post do prefeito, uns alegando que este não teve sensibilidade na hora de elaborar a frase e outros atribuindo até slogans e perguntas consagradas, como "@gilbertokassab_ por que no te callás (sic)?", dentre outras postagens criticando a forma de se expressar do político. Segundo o portal de notícias G1, Kassab não acreditou que sua frase foi mal interpretada, mas que a polêmica teve um "componente político". A resposta dele aos comentários sobre a frase foi:

“Vocês sabem que essa guerra no Twitter tem uma guerrinha política também. Eu vejo com a maior humildade qualquer manifestação. Acreditem em mim, é um trabalho extraordinário [feito no albergue Arsenal da Esperança]”. (...)
“É uma polêmica positiva até porque dá visibilidade para que as pessoas possam acompanhar o excelente trabalho que existe na cidade de São Paulo com relação aos albergues” 

Além disso, a Assessoria de Imprensa da Prefeitura explicou que Kassab estava se referindo ao astral dos moradores de rua que se encontravam no albergue, e não aos que continuavam nas ruas (informações retiradas do site da Band). Mesmo com este esclarecimento, não se pode negar que a maneira com que o político colocou a sua frase foi ambígua e provocou esta confusão e, provavelmente, uma modificação negativa em sua imagem. Nas "passarelas públicas" nas quais as redes de relacionamento se tornaram ao longo dos anos, qualquer passo fora da linha é sinônimo de queda, mesmo que seja leve.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Boca a Boca 2.0 - Mudanças de comportamento do consumidor na Era Digital

Acredita-se que muitas pessoas já ouviram falar da chamada comunicação boca-a-boca, em que a informação é compartilhada de um para um: o amigo fala para outro amigo, que comenta com a mãe, que repercute com o colega de trabalho... Enfim, é uma prática realizada através de canais interpessoais (pessoalmente - face a face - ou por uma tecnologia de comunicação, como o telefone) que, com o advento das mídias sociais, tomou um novo rumo, como relatam André Petris Gollner e Carlos Machado no artigo Sites consumeristas, redes sociais virtuais e comportamento do consumidor publicado na revista Comtempo, Revista Eletrônica do Programa de Pós-graduação da Faculdade Cásper Líbero, volume nº 2, ano 2, em dezembro de 2010 (p. 06):

"As redes sociais passaram a representar o antigo “boca a boca” no que se refere à transmissão de informações. Neste aspecto, Recuero (2009:25) expõe que estas estruturas sociais virtuais expandiram as possibilidades de interligação entre grupos de pessoas, assim como seus poderes de difundir informações. No espaço real a conversa pessoal é um veículo de difusão limitado, enquanto que no espaço digital as redes amplificam, multiplicam e repassam as informações."

Ou seja, nestas estruturas sociais virtuais, o boca a boca se amplifica, como se utilizasse um megafone, e acaba se multiplicando, de maneira quase que instantânea, por toda a rede mundial de computadores. Inserindo mais um exemplo, na noite da última terça-feira, dia 15 de fevereiro, ocorreu mais uma edição de um evento on-line denominado Papos na Rede, que tem a função de compartilhar conhecimentos através de discussões sobre assuntos pertinentes do cenário comunicacional. Com a condução de Márcia Ceschini e o apoio da plataforma Treina TOM, mais de 100 pessoas puderam acompanhar mais esse grande exemplo de crowdsourcing.

Nesta noite, a palestrante foi Martha Gabriel, diretora de tecnologia da NMD New Media Developers, consultora de tecnologia, design e marketing e professora dos cusos de MBA e pós graduação das Universidades Anhembi Morumbi, Belas Artes e SENAC e dos cursos de graduação de Design Digital e Games da Universidade Anhembi Morumbi.

O tema do evento foi Marketing na Era Digital (mesmo nome de um de seus três livros publicados) e, em sua apresentação, Martha ressaltou que o publico-alvo das empresas não é mais somente alvo, mas também é mídia e gerador de conteúdo. Ainda em sua fala, a palestrante exemplificou esta "nova função" do consumidor com o uso do botão RT (Retweet) na rede de microblogs Twitter: "Quando você dá um RT, você é mídia. Você está determinando que caminhos essa mensagem vai tomar".

Com essa afirmação, uma das primeiras perguntas que podem ser feitas é: por que dar um retweet num assunto específico? São vários os motivos: para promover empresas, artigos, notícias e indivíduos, não só por atitudes positivas, mas por infelicidades cometidas por um certo perfil nesta rede. Um exemplo ocorreu na úlima terça-feira, dia 15 de fevereiro, quando um funcionário postou no perfil oficial do Supremo Tribunal Federal (STF) no Twitter a frase alusiva a José Sarney: "Ouvi por aí: Agora que o Ronaldo se aposentou, quando será que o Sarney vai resolver pendurar as chuteiras?" 

Este erro gerou repercussão imediata e mais de 100 pessoas fizeram o retweet desta frase, talvez pelos motivos mais diversos (para mostrar o erro do perfil oficial de uma instituição e/ou para concordar com a afirmação). O certo é que o boca a boca 2.0 foi eficaz, porque a infeliz afirmação do funcionário se espalhou pela rede e chegou aos portais de notícias, obrigando o autor da frase a se desculpar publicamente pelo erro cometido. Mesmo com o pedido do próprio presidente do Senado de não afastar a funcionária tercerizada responsável, ela acabou sendo dispensada de suas atividades.

Além de um simples RT determinar os caminhos de uma mensagem, ele pode interferir na imagem de uma empresa ou de uma pessoa. Um exemplo disso é a reclamação feita à Brastemp, caso que já foi discutido neste blog, que levou o nome da empresa aos Trending Topics mundiais. Porém, se não fosse a divulgação do vídeo pelos RT's dados pelo Twitter, seria apenas mais uma reclamação dentre tantas outras.


 
Com isso, pode-se concluir que estas mudanças de comportamento do consumidor e do indivíduo como tal são quase que irreversíveis e, se não forem tratadas com a importância devida, podem gerar crises na imagem das organizações, porque o consumidor consegue ter uma voz, uma mídia, uma oportunidade de gerar conteúdo que, antes da mundialização dos computadores, não era tão possível e tão acessível à maioria da população.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Quantos lados tem a notícia? - Foco jornalístico na cobertura de Ronaldo na Twitcam

No ramo da comunicação e mesmo em situações pessoais, uma notícia pode ser passada de várias formas, porém sem ludibriar os receptores da informação com falsas verdades. Mas o que seria um conteúdo verídico na visão jornalísitca? É o que Iluska Coutinho explica no artigo O conceito de verdade e sua utilização no jornalismo (2004, p. 09):

"(...) o conteúdo oferecido pelo jornal em suas páginas não seria a “verdade absoluta”, em um paralelo com o conceito filosófico, mas a expressão da verdade, um relato verdadeiro de uma situação delimitada. Uma vez que como produto as matérias jornalísticas se referem a fatos isolados, muitas vezes descontextualizados, segundo críticas freqüentes, elas se afastariam da verdade filosófica, que não aceita visões atômicas."

Tendo esta citação como norte, uma simples matéria jornalística disseminou um desentendimento entre um jogador e alguns jornalistas. Na última terça-feira, dia 25 de janeiro, o atacante do Corinthians Ronaldo decidiu realizar uma Twitcam para seus seguidores no Twitter, juntamente com o lateral Roberto Carlos e os atacantes Dentinho e Jorge Henrique e as vésperas da estreia do time na Copa Libertadores da América contra o colombiano Tolima. O resultado da popularidade do atacante nas mídias sociais foi o acesso de 18 mil internautas ao bate-papo que, antes marcado para depois do Big Brother Brasil, foi adiantado pois, segundo o site de esportes do UOL, ele não saberia dizer se conseguiria ficar acordado até o horário estipulado.

Seguindo uma linha mais provocativa, Ronaldo leu (e, talvez, consentiu) um comentário dizendo que o Palmeiras, time arquirrival, não conseguiu trazer uma média de 18 mil pessoas aos seus jogos no ano passado causando risos dos colegas. Além disso, brincou com o nome do adversário da fase de Pré-Libertadores e, numa conversa por telefone com o atacante santista Neymar (no dia, concentrado com a Seleção Brasileira sub-20 que disputa o Sul Americano da categoria no Peru), fez uma espécie de 'lobby',  tentando convencê-lo a jogar no Corinthians, deixando Neymar sem graça.

O vídeo já serviria de polêmica por provocar a torcida do Palmeiras e a do Tolima, porém as diferentes interpretações jornalísticas, dadas no dia seguinte, para esta sessão de Twitcam causaram ainda mais repercussão. Como exemplos, serão discutidas as reportagens exibidas pelo Jogo Aberto (Band) e pelo Globo Esporte Paulista (apresentado por Tiago Leifert).

No primeiro programa, foi apresentada uma matéria mais crítica a respeito do bate-papo, com comentários do ex-jogador Neto, do narrador Ulisses Costa, do jornalista Leandro Quesada e do Dr. Osmar de Oliveira tendo, como foco das críticas, a provocação feita pelo Ronaldo à torcida palmeirense e ainda definiu que os jogadores falam muito e jogam pouco (vendo os últimos dois empates que a equipe conseguiu no Campeonato Paulista contra times de menor expressão).

Já no Globo Esporte, Tiago Leifert conduziu a polêmica de modo mais descontraído, não mostrando as provocações feitas para Palmeiras e Tolima, nem o 'lobby' a Neymar. Ele preferiu dar espaço a brincadeiras feitas por Ronaldo aos colegas de elenco e ainda brincou com a famigerada polêmica dos Meninos da Vila (vulgo Meninos do Twitter) do ano passado, pois um internauta chamou Roberto Carlos de "pé de alface" e ele só sorriu com a declaração.



Essa diferenciação no tratamento dado à conversa na Twitcam chamou a atenção do jogador, que, através do Twitter, elogiou Tiago Leifert e criticou de forma áspera o jornalismo esportivo da Rede Bandeirantes, chamando-a de "resto". (Um detalhe importante é que, na matéria do site do Globo Esporte aparece somente o elogio feito ao programa, tampando a crítica à outra emissora).

As declarações feitas ao jornalismo da Band tiveram uma repercussão quase de instantânea na emissora. O apresentador José Luiz Datena, o narrador Ulisses Costa e o ex-jogador Neto receberam a notícia de que estavam sendo citados negativamente pelo jogador durante o programa São Paulo Acontece. veiculado em São Paulo e pelas TV's a cabo.

Foi então que a discussão começou, com a acusação de que Ronaldo era "puxa saco" da Rede Globo, que não estava jogando bola e que não tinha responsabilidade com o que fala. Neto ainda insinuou sobre a maneira como o atacante chega para treinar, como se pode ver no vídeo a seguir, que traz também a matéria da Band sobre a Twitcam.



Ronaldo, postagens depois, se retratou, falando que tinha criticado só os profissionais, e não a emissora como um todo. Em tempo: o primeiro jogo da fase pré-Libertadores, ocorrido no Pacembu, ficou no empate em 0 a 0, decepcionante para a torcida do Corinthians (o time, na teoria, é mais forte do que o Tolima), e a torcida meio que "contrariou" as palavras de Ronaldo, pois na quarta-feira tinha menos espectadores no Pacembu do que quando o Palmeiras decidiu a seminifinal da Copa Sul-Americana contra o Goiás no Parque Antártica.

Este incidente mostra a junção de três erros: um estratégico (a provocação desnecessária de Ronaldo) e dois jornalísticos: o exagero no uso do infotenimento na reportagem da Globo (Leifert, por exemplo, não citou as piadas feitas ao Tolima e à torcida do Palmeiras, informações que muitos veículos de comunicação destacaram) e o desabafo descontrolado de Datena e Neto no programa da Band. Dois lados de um foco jornalístico que precisam se equilibrar para que polêmicas assim não aconteçam.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Comunicação e intertextualidade - Posse de Dilma Rousseff sob a ótica de #galvaonaposse

A inserção de cases de comunicação não possui restrição de dia, nem de contexto. Basta somente que se tenha nas mãos um texto passível de análise para que algum estudo se inicie, seja visando o lado sociológico, cultural, midiático ou linguístico. Mas será que um texto é apenas um único texto somente?

É esta uma das perguntas que Koch, Bentes e Cavalcante (2007, p. 14)* tentam responder, baseando-se em renomados teóricos da Linguística. Para citar um exemplo, os autores descrevem o postulado dialógico de Bakhtin (1929): "um texto (enunciado) não existe nem pode ser avaliado e/ou compreendido isoladamente: ele está sempre em diálogo com outros textos." Ou seja, todo texto é um intertexto, possui outros textos dentro dele, causando, assim, a tão falada intertextualidade.

Neste mesmo livro, há a descrição de vários tipos de intertextualidade, que são importantes para os profissionais de comunicação, pois conseguem fazer com que seu produto ou ideia seja reconhecida rapidamente e lembrada por muito mais tempo. No caso a seguir, o fenômeno visto é a intertextualidade estilística (2007, p. 19), em que "o produtor do texto, com objetivos variados, repete, imita, parodia certos estilos ou variedades linguísticas (...)". No caso, o estilo copiado é de um famoso narrador esportivo da Rede Globo.

No primeiro dia do ano de 2011, figurava nos Trending Topics do microblog Twitter a hastag #galvaonaposse, que foi criada por Reinaldo Andrade e com o apoio do comentarista da ESPN Leonardo Bertozzi. A expressão retratava frases tipicamente usadas pelo locutor Galvão Bueno, só que adaptadas a tudo que ocorria na posse de Dilma Rousseff como Presidenta da República. Este novo fenômeno ocorrido no Twitter chegou rapidamente aos jornais eletrônicos, como no caderno on-line de Esportes da Folha de São Paulo e na página de Esportes do portal UOL.

E até mesmo repórteres da Rede Globo aderiram ao movimento de frases que o Galvão falaria neste momento especial para a democracia brasileira, criando ou dando retweet nas sentenças, como pode-se ver na figura abaixo, retirada do Twitter do jornalista esportivo da emissora Bruno Laurence.


Este fenômeno também ocorre, há muito tempo, com o ator Chuck Norris e, recentemente, com o jogador Brasão, na época jogador do Santa Cruz. A diferença entre estes fenômenos e o de Galvão é que, enquanto os primeiros reforçavam as "qualidades" dos personagens com frases de efeito, o que se viu em #galvaonaposse foi justamente o contrário: as características de narração que o Galvão possui, como as frases de efeito dele, reforçaram o que acontecia na posse, seja pelo lado humorístico ou crítico.

Outras frases interessantes retiradas de perfis aleatórios no Twitter durante a tarde do dia 1º de janeiro sobre a possível narração de uma posse presidencial, feita por Galvão Bueno:
- "assistir a #possedilma é teeste pra cardíaco amiiigo!! #galvaonaposse" (via @MrJuniorAzer);
- "Aponta o centro da mesa o ministro, Sr. Cesar Peluzzo. Final do discurso da presidente Dilma Roussef" #galvaonaposse (via @gabriel_imortal);
- "- Reginaldo, seu palpite. - Dilma. - Burti, você. - Dilma. - Mariana, o seu. - Dilma. - Eu vou de Vettel. VEM A LUZ VERMELHA!  #galvaonaposse" (via @SUILSC);
- "Sai que é suuua Dilma!!! #galvaonaposse" (via @wilsondealmeida).
 


É interessante perceber a identificação das frases com dois esportes populares no Brasil: o futebol (mais especificamente na frase repostada por Laurence e na 2ª  e 4ª frases retiradas da busca) e a Fórmula 1 (na 3ª frase, em que Dilma, implicitamente, é comparada a uma Ferrari). Além disso, perguntas para o comentarista de arbitragem Arnaldo César Coelho foram frequentes, como esta frase.

Com isso, pode-se ver a importância do entendimento da intertextualidade existente entre estas duas "vozes" diferentes (uma locução esportiva "falando", "interferindo", nem que seja de modo ficcional, com uma cerimônia de posse da primeira mulher presidenta do Brasil) para que a comunicação e o entendimento das expressões sejam eficazes. E isso, com certeza, ocorreu, basta ver a repercussão obtida da tag #galvaonaposse num dia em que o acesso ao Twitter é muito baixo em alguns horários. O ano de 2011 começou muito bem para a rede de microblogs e para os twitteiros criativos.

* KOCH, Ingendore G. Villaça; BENTES Anna Christina; CAVALCANTE,. Mônica Magalhães. Intertextualidade: diálogos possíveis. São Paulo: Cortez, 2007.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Twitter à serviço da participação na comunicação - Projeto Voz da Comunidade

Não é novidade que a Internet se tornou uma grande ferramenta para que a informação possa ser distribuída de forma mais rápida e por outros personagens, além dos jornalistas e formadores de opinião. Essa oportunidade de participar de uma comunicação, até então, mais restrita aos profissionais, pode ser exemplificada através da rede de microblog Twitter que, por sua rapidez em divulgar os acontecimentos, tornou-se fonte de informação para os meios tradicionais, como para jornais, revistas, televisão e portais de notícias.

Como exemplo de uma participação "leiga" no processo jornalístico e na composição de informações, no último domingo, dia 28 de novembro, durante a ocupação do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, pela Força de Segurança Nacional, a tag #vozdacomunidade assumiu um lugar nos Trendings Topics Brasil do Twitter, como um dos assuntos mais falados nesta rede.

Esta tag surgiu graças à divulgação de informações sobre os confrontos entre a Polícia e os bandidos através do perfil no Twitter do jornal A Voz da Comunidade, de circulação local, formado por 16 páginas e com tiragens de cinco mil exemplares impressos. Segundo reportagem feita no Portal IMPRENSA, um dos moderadores do veículo relata o boom sofrido pelo perfil: de 180 seguidores, antes dos confrontos,  para mais de 30 mil em poucas semanas. As informações dadas pelo perfil são traduzidas para o inglês e são postadas em tempo real, mostrando um dos grandes triunfos da Internet e, especificamente, do Twitter: passar informações com instantaniedade.

O interessante é que estas informações são passadas por crianças e adolescentes do próprio bairro, e eles evitam falar sobre a violência, mesmo não sofrendo ameaças de bandidos. Uma das histórias mais impressionantes dentre os fundadores da Voz é de Rene Silva, um jovem de 17 anos que sonha em cursar Jornalismo e é um dos idealizadores do jornal, como é contado numa matéria veiculada no site do Programa da Redução da Violência Letal contra Adolescentes e Jovens no início de 2010:

"Aos 11 anos, Rene Silva, morador da Vila Cruzeiro, Zona Norte do Rio de Janeiro, foi estudar na Escola Municipal Alcide de Gasperi, onde teve seu primeiro contato com o jornalismo. “Pedi à diretora da escola para participar do jornal, ela autorizou e lá eu aprendi a usar o computador e diagramar”, conta o estudante que logo depois pediu para que a diretora o ajudasse a criar um jornal para a comunidade. Assim nasceu o jornal A Voz da Comunidade, com 100 exemplares por mês feitos na copiadora da escola.
Hoje, mais de quatro anos depois, Renê distribui mensalmente 3 mil exemplares do jornal pelo conjunto de favelas do Alemão. “Escrevo o jornal sozinho e às vezes meus primos me ajudam”, revela Rene que está cursando o primeiro ano do ensino médio e pretende cursar a faculdade de Comunicação e se formar em jornalismo. O estudante diz que os assuntos tratados no jornal são os que despertam o interesse dos moradores da comunidade, como saneamento básico, as obras do governo na comunidade, falta de energia e água, por exemplo."

Como se percebe pelo depoimento de Rene, o jornal tem uma abordagem variada, não só falando de notícias ruins. Assim também acontece no perfil do A Voz da Comunidade no Twitter, que mostra o cotidiano das pessoas e alguns outros fatos, como a visita do apresentador da Rede Globo Luciano Huck no Complexo do Alemão, no último dia 02 de dezembro, e que foi exibida no programa no último sábado, dia 11 de dezembro. Além de conhecer a realidade dos meninos, Huck levou-os à Central Globo de Jornalismo e presenteou-os com uma grande e equipada sala de redação, além de bolsas integrais para que eles cursem a Faculdade de Jornalismo.

Realmente, graças a estes meninos e meninas, muitas pessoas puderam se informar, através do Twitter, sobre os confrontos ocorridos no Rio e, mais do que isso, puderam conhecer uma realidade que era, muitas vezes, estereotipada pela mídia e que, com este perfil, passa a despertar novos e reais olhares.

Para encerrar este post e mostrar como o Twitter é importante para o compartilhamento de informações e para a participação da comunidade nas várias mídias, segue um vídeo de uma matéria veiculada sobre o @vozdacomunidade no Jornal da Cultura do dia 30 de novembro.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Fronteira entre liberdade de expressão e preconceito - Exploração da tag #coisadecrente no Twitter

Um dos grandes males que atingem a sociedade mundial ainda não foi totalmente expelido da face da Terra, que se chama preconceito. Em suas mais variadas vertentes, seja social, racial, religioso, econômico, cultural ou em relação à opção sexual de cada um, esta lamentável prática ainda causa danos a uma sociedade que se diz "civilizada".

Especificando este post, é necessário aprofundar-se no preconceito religioso, lembrando que a diversidade de culto e a liberdade de expressão religiosa são direitos garantidos pela Constituição Federal, como lembra Priscila Formigheri Feldens em seu artigo Preconceito Religioso: um desafio à liberdade religiosa, inclusive expressiva (2008, p. 5):

"No artigo 5º, inciso VI, da atual Carta Magna, declara-se ser “inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida na forma da lei, proteção aos locais de culto e suas liturgias”. Tal artigo mostra-se de alta relevância e foi um dos modos de consagração dentro da Constituição Brasileira do respeito aos valores individuais de cada cidadão."

Um dos grandes estereótipos que se conferem aos cristãos, principalmente aos evangélicos/protestantes, é a alcunha de crentes, como algo pejorativo. Na realidade, uma pessoa crente é aquela que crê em alguma coisa, que acredita em algo - nesse caso, em Deus - não especificamente a pessoa que frequenta alguma igreja de denominação protestante.

Parecendo desconsiderar este aspecto, na tarde da última quinta, dia 09 de dezembro, a tag #coisadecrente atingiu o topo dos Trending Topics Brasil, sendo um dos assuntos mais falados no microblog Twitter. Muitas dessas mensagens continham afirmações preconceituosas e estereotipadas a respeito dos protestantes, fazendo brincadeiras com nomes de bandas evangélicas, como a Diante do Trono, e cometendo outras gafes.

Outras pessoas, evangélicas ou não, atribuem aspectos positivos para completar a insinuação, a fim de responder aos preconceituosos, e há alguns comentários sobre a injúria enraizada nessa tag.

Esse caso relembra outro episódio de preconceito ocorrido após as eleições presidenciais do ano de 2010, em que vários perfis no Twitter começam a postar ofensas contra os nordestinos, por conta de expressiva votação da presidente eleita Dilma Rousseff na região. Resultado: uma usuária foi processada na Justiça por conta das injúrias proferidas.

Já bem dizia Albert Einstein: "é mais fácil quebrar um átomo do que um preconceito". É necessário, portanto, se utilizar da comunicação para disseminar o respeito e a igualdade entre as pessoas, e não o contrário. Para encerrar, aqui está um vídeo do programa Via Legal, exibido na TV Cultura em 2009, discutindo sobre preconceito religioso.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Modismo, saudade ou saudosismo? - Voltando a ser criança no Twitter

Ontem, dia 12 de outubro, foi comemorado em todo o Brasil o Dia da Criança, que, pelos dados do site Mundo Estranho teve sua origem em 1924 graças ao deputado Galdino do Valle Filho, que escolheu este dia por conta de ser a mesma data da descoberta da América, o "Continente-Criança" na visão européia. Porém, este dia só começou a chamar a atenção do público nos anos 60, através de uma ação promocional da fábrica de brinquedos Estrela, culmnando num aumento da venda destes produtos no mês de outubro, o que consolidou a comemoração deste dia no calendário.

Enquanto muitas crianças aproveitam a data para ganhar muitos presentes e se divertir (há de se falar que outras sofrem por não ter condições de receber um brinquedo), os adultos aproveitam o dia para tentar, ao menos por algum tempo, voltar a ser criança e recordar momentos especiais desta fase da vida, mesmo que seja na esfera online.

Nas primeiras semanas de outubro, o que se viu na rede de microblogs Twitter foi, além da já esperada menção da hastag #diadacriança (ou variantes) nos Trending Topics do dia, uma "invasão" de fotos de crianças nos perfis, como alguns famosos fizeram; até mesmo os presidenciáveis aderiram à moda, mudando suas fotografias no perfil e postando momentos com as crianças.

Vendo a grande adesão dos usuários à troca das fotos do perfil pelas do tempo de criança, é necessário fazer uma reflexão e tentar achar os motivos para esta atitude, o porquê de mostrar recordações dos tempos da infância. Seria apenas modismo, divulgação de fotos "engraçadas" ou "fofas", saudade ou saudosimo deste período da vida que não volta mais?

Pode-se dizer que cada indivíduo teve o seu motivo para participar deste "movimento"; o que é interessante discutir, além da enumeração de hipóteses para isto, é a mudança da visão do sujeito-criança na sociedade atual. Como explica Marta Regina Furlan, no artigo A construção do "ser" criança na sociedade capitalista, pertencente à revista eletrônica Terra e Cultura (2004, p. 5), a identidade e o comportamento dos pequenos mudou com a ebulição da Revolução Industrial:

"Desde a revolução industrial, a sociedade tem-se deixado seduzir pelas idéias de utilidade, produtividade e lucro, passando a identificar como fundamentais o tempo e o dinheiro. Vive-se definitivamente regulado pelo incessante “tic-tac” do relógio. (...).
A criança no mundo moderno se depara também com a pressa, a rotina, a tensão, com colegas vivendo na rua, com o trabalho infantil, a erotização, a prostituição; sendo objeto de consumo, convive também com o apressamento da infância, empurrada e seduzida cada vez mais para o futuro – o mundo adulto."

Com essa sensação de que o tempo está passando mais rápido, agravada muitas vezes pelos meios de comunicação, o mundo adulto se apresenta às crianças mais rapidamente do que o natural, podendo não dar tempo de se resolver complexos e de se completar fases provenientes desta fase da vida (como o Complexo de Édipo ou as outras fases de desenvolvimento descritas por Freud, para citar a área psicológica). E é aí que pode entrar o saudosismo da infância, ou seja, o discorrer de elogios somente a esta etapa da vida, e então se aproveita a data do dia 12 de outubro para relembrar algumas brincadeiras e atitudes feitas quando as pessoas eram crianças.
 
Para encerrar, um vídeo que mostra esta comemoração do Dia da Criança pelos adultos, através de uma reportagem da GazetaOnline, postado no dia 06 de outubro:
 

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

O grande voo da amiguinha (Parte II) - Palmirinha e sua saída da Rede Gazeta

* Este post é uma continuação do da última segunda feira (13/09), que pode ser visto aqui.

Como dito na primeira parte deste post, a culinarista e apresentadora Palmirinha Onofre se desligou da Rede Gazeta no fim do mês de agosto último, alegando estar com projetos e motivos pessoais para isto, desmentindo uma suposta vontade de se aposentar. Esta saída estava sendo planejada já há alguns anos, tendo como referência a realização da Ceia de Natal no programa, conforme palavras dela.

"Recém-saída da TV Gazeta, onde gravou o último programa na semana passada, Palmirinha se lança para novidades de chinelinho de dedo e meia de seda. Não foi demitida, como se propagou. Pediu as contas, algo que já vinha ensaiando havia uns três anos. "Eu falava para mim mesma: ‘Este ano não faço a ceia de Natal da tevê’. E fazia." "

Porém, a emissora paulista, que a acolheu desde 1999, não teve o cuidado (ou a obrigação) de prestar uma homenagem à culinarista pelos serviços prestados à casa e pelos grandes números de audiência que ela dava ao canal, em proporção aos outros programas; não teve a sorte de ser valorizada como, por exemplo, o goleiro Rogério Ceni, do São Paulo (assunto que já teve seu pitaco aqui no blog). Segundo a polêmica colunista Fabíola Reipert, do portal R7, Palmirinha tinha preparado toda uma despedida, falando que não ia se aposentar, porém o programa de despedida foi gravado previamente, com rápidas despedidas aos colegas de trabalho e, logo no dia seguinte, a substituta Vivane Romanelli assumiu o comando do programa. Há boatos que o programa vespertino Mulheres, apresentado por Cátia Fonseca, irá homenagear Palmirinha nas próximas semanas, mas o estrago na imagem da emissora, no ãmbito de valorização de seus funcionários, já está feito.

Outra atitude infeliz disseminada na rede de microblogs Twitter foi realizada pelo diretor da Rede Globo Boninho, conhecido no ramo virtual por suas declarações ásperas, que não pouparam nem mesmo a culinarista. Respondendo a perguntas sobre uma possível contratação de Palmirinha para o programa Mais Você, revivendo a parceria com Ana Maria Braga, o diretor não teve dúvidas em soltar estas declarações:


As declarações foram rapidamente repercutidas em sites e blogs, com a quase totalidade de comentários repudiando as palavras infelizes de Boninho (aqui e aqui também são alguns exemplos) e cobrando maior humildade da parte do diretor. Até pessoas famosas e colegas de emissora discordam da afirmação e questionam a Gazeta pela não-valorização de sua profissional, como o autor de novelas Aguinaldo Silva. É o que sempre se diz aqui no blog: é necessário saber falar, saber ouvir e saber valorizar as pessoas também. Para encerrar o post, o vídeo de um dos vários momentos engraçados e de autencidade de Palmirinha na Gazeta.

 

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Não contavam com minha astúcia! - Como usar o Twitter segundo Chapolin Colorado

Nos últimos dias, no microblog Twitter, viu-se a invasão do termo Chapolin Colorado nos Trending Topics Brasil, a lista dos assuntos mais comentados na rede. Entre os resultados da busca, há poucas frases interessantes retuitadas muitas vezes e outros comentários a respeito desta ilustre presença na lista.

Para começar esta análise, é preciso se fazer um breve histórico da série, segundo o site Turma do Chaves. O personagem Chapolin (interpretado por Roberto Goméz Bolaños, mesmo intérprete do Chaves) foi criado em 1970, um ano antes do humorístico Chaves ("El Chavo del Ocho" era o nome original mexicano), e seu nome era proveniente de uma espécie de gafanhoto. O programa de Chapolin foi gravado de 1973 a 1979 na TV Televisa (México), voltando a ativa na década de 1980, dentro do programa "Chesperito", permanecendo em atividades de gravação até 1993. Sua exibição no Brasil começou em 1984, no SBT. Quando o seriado saiu do ar por conta do Horário Político, em 2000, os fãs fizeram um movimento na Internet intitulado: "Volta, Chapolin", que surtiu efeito. Entre 2001 e 2008, Chapolin alternava momentos de baixa e alta audiência (derrotando o Jornal Hoje em algumas oportunidades), até que saiu definitivamente do ar em maio de 2009.


Mas o que este personagem mexicano tem a ver com a utilização do microblog por pessoas e empresas? Para isto, é necessário analisar alguns bordões do Chapolin (retirados do blog Chapolin World) e contrastá-los com a gestão que é feita nas mídias sociais:

Sigam-me os bons! É necessário ter muito cuidado para "atrair" bons seguidores de suas ideias e propostas e para discernir a intenção das pessoas que seguem estes perfis (se ela é uma concorrente disfarçada, como um exemplo disso no âmbito empresarial).

Era exatamente (isso) o que eu iria dizer! (quando alguém tem uma idéia melhor que a dele ou quando ele simplesmente não pensaria nada muito útil) O recurso RT do Twitter expressa exatamente isto e, por este motivo, ele deve ser utilizado com cuidado, não em demasia, e só quando for necessário. Afinal, quem vive por causa de cópias é a Xerox.

"Suspeitei desde o princípio.", quando faz algo errado e se envergonha de admitir o erro, ou simplesmente quando alguém lhe indica um detalhe óbvio que ele não tenha percebido. Essa sarcasidade mostrada por Chapolin neste caso é algo que as empresas NÃO podem fazer. Deve-se fazer o possível para que não haja erros e, se houver, pedir desculpas o mais rápido e eficiente possível.

"Já diz o velho e conhecido ditado popular/provérbio/refrão…", e assim ele cita algum provérbio popular de forma totalmente errada, geralmnete misturando dois ou mais ditados e após se enrolar ele completa dizendo tortamente "Bom, a idéia é essa!" ou "É por aí, assim!". Já é do conhecimento de muitas pessoas que quem confunde ditados populares (ou até mesmo letras de canções) pode ter sua imagem arranhada (vide o exemplo da cantora Vanusa, discutido aqui mesmo neste blog).

Enfim, Chapolin, além de ser um personagem engraçado, pode ensinar muito a respeito de como se comportar nas redes sociais, principalmente no Twitter.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Pegue seu banquinho e entre de mansinho - Raul Gil e as mídias sociais (1ª Parte / Twitter)

* Este post será dividido em duas partes por conta da profundidade da análise. A segunda parte será postada na quarta-feira (04/08), falando sobre o blog do Programa Raul Gil e as polêmicas decorrentes dos comentários.

Há muitos casos de instituições e pessoas que passaram por uma mudança de imagem para poderem se adaptar às novas tecnologias e ao novo contexto comunicacional do início do século XXI. Estas modificações podem causar estranheza aos mais tradicionalistas ou euforia aos mais modernos; uma situação, porém, é irremediável: a repercussão acontece.

Um exemplo interessante acontece com o apresentador Raul Gil, que está há quase 45 anos trabalhando em diversas emissoras de televisão, como o Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), a Rede Record, Bandeirantes e, atualmente, está de volta ao canal de Sílvio Santos. O programa homônimo possui grande tradição no cenário brasileiro, principalmente pelos quadros do Banquinho (gincana de adivinhação de palavras em que, se o artista não souber, é desclassificado e canta o versinho que abre este post, mas saindo de mansinho...), o Pra quem você tira o Chapéu? (artistas criticando ou elogiando pessoas, coisas e situações distribuídas entre 10 chapéus), as aparições de crianças mostrando seus talentos e as apresentações dos calouros (entre adultos e os chamados Jovens Talentos, com jovens até 18 anos). Mesmo sendo um sucesso de audiência nas emissoras por onde passou (travando batalhas épicas pelo primeiro lugar na audiência, por exemplo, com Luciano Huck), um problema a ser resolvido era a não-identificação com o público jovem.

A partir do ano de 2010, ainda na Bandeirantes, o cenário do programa foi totalmente repaginado, assim como o figurino de Raul, passando uma aparência mais jovem. Além disso, o repertório de muitos participantes começou a atender às tendências do mercado mundial e o corpo de jurados foi totalmente modificado, trazendo a cantora Syang, o instrumentista Caio Mesquita, o cantor Maurício Gasperini (ex-integrante do Rádio Taxi e o mais experiente do júri), o cantor D´Black (substituído pelo também cantor Túlio Dek) e, já no SBT, a entrada do cantor Hudson (que fazia dupla com o Edson).

Esta nova roupagem do programa causou, a princípio, muita estranheza e dúvidas, como o fato de, na Band, não ter uma banda de apoio ao calouro, gerando suspeitas de uso do playback nas audições, além da preferência de muitos cantores em interpretar canções de artistas internacionais, deixando de lado as músicas nacionais (algo comum no Brasil). Com a vinda do apresentador, cansado de ver seu programa cortado pelas transmissões esportivas, ao SBT, as apresentações ganharam maior qualidade e credibilidade, com a presença de uma banda no palco.

Esta tentativa de agradar ao público jovem surtiu efeito. Com a criação do perfil do Programa Raul Gil no Twitter, ainda no ano passado, não demorou muito para que o sucesso de audiência da televisão (ficando em alguns minutos na liderança das concorridas tardes de sábado) se transferisse para o microblog. O perfil é bem estruturado, com 6510 seguidores e 20 perfis seguidos, além de 3 listas: sites e revistas, espectadores e artistas. O único ponto negativo é que o perfil não é atualizado desde 23 de julho, mesmo com a repercussão do programa na mídia.

Outro fato surpreendente é o fato de, em vários sábados, os nomes Raul Gil e/ou Jovens Talentos ficaram na cobiçada lista dos Trending Topics mundiais, agregando posts de pessoas perguntando o porquê do fato, de pessoas elogiando o talento dos calouros (para alguns, melhores do que os do Ídolos, programa da concorrente Record), alguns reclamando da falta de músicas nacionais e outros falando do fato de o apresentador ter falado em público sobre o primeiro lugar nos TT's.

O próprio apresentador possui um Twitter, criado em 20 de julho de 2009, com 6927 seguidores e 23 perfis seguidos por Raul. O grande problema do perfil pessoal é a falta de atualizações frequentes: em mais de um ano de Twitter, Raul Gil tem apenas 18 tweets e, de 18 de outubro de 2009 a 28 de julho de 2010, ele, por motivos desconhecidos, não postou no microblog, voltando a ativa na última quarta-feira.


Este post continua na quarta-feira! Até lá!

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Twitter na vitória ou na derrota - Vibração espanhola e decepção holandesa

Continuando na mesma tônica do post anterior, ontem foi conhecida a grande seleção campeã da Copa do Mundo de futebol, disputada na África do Sul. Num jogo sofrido, decidido apenas no 2º tempo da prorrogação, os espanhóis venceram a Holanda por 1 a 0, gol marcado por Iniesta, e conquistaram a taça de maneira inédita, enquanto a Laranja Mecânica teve que se contentar, pela terceira vez, com o vice-campeonato. Como os jogadores destas duas seleções que se utilizam do microblog Twitter repassaram seus sentimentos aos seguidores?

Como já fora noticiado aqui neste link, os jogadores espanhóis foram proibidos de acessar as redes sociais, como Twitter e Facebook, durante o período de concentração e a realização do torneio. Os jogadores espanhóis que mais se utilizam do microblog são: o goleiro Iker Casillas, o zagueiro / lateral Sergio Ramos, os zagueiros Puyol e Arbeloa, além do meia Andres Iniesta.

Já a Holanda também proibiu seus jogadores de utilizarem o Twitter por conta de confusões referentes a acusações de racismo, como pode-se ver nesta matéria. Esta seleção possui quatro jogadores de sua seleção integrados ao Twitter: o lateral Gregory van der Wiel, o meia Sneijder e os atacantes Klaas-Jan Huntelaar e Ryan Babel.

Do lado perdedor da decisão, o atacante Klass continua sem postar no Twitter desde 8 de maio. Já Sneijder postou em 1º de julho (abrindo parênteses: como foi que ele conseguiu postar pelo fato da proibição estar em vigor ao time?), véspera da vitória sobre o Brasil nas quartas-de-final:

"Não temos nenhum problema dentro da equipe. Estamos prontos para lutar pela semi-final!"

Já o lateral Gregory repassou uma mensagem dita há 17 horas atrás pelo seu companheiro de seleção, o atacante Ryan (como na sexta, a mensagem será posta na ordem do discurso!):

First of all I wanna thank EVERYBODY who supported me & the team ... !!!
Second: It was a great experience to have the World Cup in South Africa .. I think SA did a great job !!!!
"Primeiro de tudo quero agradecer a todos que me apoiaram e à equipe ... !
Segundo: Foi uma grande experiência de ter a Copa do Mundo na África do Sul. .. Acho que o país fez um ótimo trabalho!!"


Já Ryan aproveita o espaço no Twitter para falar sobre o jogador brasileiro Kaká e a alegria de encontrá-lo depois de um ano de 'seguimento" no microblog, inclusive trocando camisas depois do jogo.

Do lado vencedor e campeão do mundo, o zagueiro Arbeloa teve seu único post anotado no dia 22 de junho, provavelmente por sua assessoria por conta da proibição. Sergio Ramos teve seu último post registrado em 6 de maio e Iniesta, o jogador que decidiu o jogo e o destino da taça, ainda não postou desde 26 de maio, quando falou acerca da proibição do acesso a redes sociais. O goleiro Casillas postou há 10 horas atrás a foto em que ele levanta a taça de campeão do mundo. Até agora, 382 pessoas comentaram, a maioria parabenizando a Espanha pela conquista do título.

Já o zagueiro Puyol já escreveu duas vezes depois da Copa. Há 21 horas atrás, o jogador demonstrou sua alegria com o título e uma foto dele com a taça, que gerou até agora 747 comentários:

"Campeões do Mundo! Obrigado a todos por suas mensagens de incentivo durante este tempo!"

Há 1 hora atrás, Puyol postou outra foto, mostrando a festa armada em Madri para a comemoração do título e demonstrou orgulho em ver tanta gente feliz com a vitória de sua seleção. Com isso, podemos ver a importância do Twitter, não só no âmbito profissional, mas para visualizarmos o comportamento das pessoas em meio a situações opostas: para que todo o mundo possa saber e sentir com os jogadores o que é ser campeão e o que é perder com dignidade, sem precisar ser rude com a imprensa e, principalmente, com a torcida.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Novas mídias: janelas abertas para o futuro das empresas

Este foi o artigo que escrevi para a Revista A Bordo da Comunicação, edição nº 2, publicada em junho deste ano! Espero que vocês gostem e agradeço a equipe do site pela confiança e por divulgar cada vez mais o trabalho e os escritos acadêmicos e críticos dos profissionais de Comunicação, especialmente os de Relações Públicas!

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Passou-se o tempo em que analisar o grau de aceitação de um produto ou de um evento passava apenas por um simples questionário. Tornou-se ultrapassado utilizar
somente os indicativos de pesquisa para examinar como anda a popularidade de um candidato à Presidência, por exemplo.

O advento e a popularização do uso dos computadores e de seus aplicativos torna possível aos profissionais de comunicação, especialmente aos Relações Públicas,
conferir a aceitação das imagens atribuídas a um determinado objeto de estudo e monitorar a opinião do público-alvo a seu respeito. Resumindo: a Internet se tornou uma “janela” aberta para o crescimento (ou decadência) da imagem de um produto ou a da própria empresa.

Um tipo de ferramenta utilizado com frequência pelos internautas são as chamadas redes sociais. O Brasil possui uma grande participação porcentual de usuários no Orkut, Facebook, Twitter (aproximadamente 20 milhões de pessoas), e muitos usufruem destes instrumentos quase que todos os dias. Estes sites que, a princípio
seriam usados apenas para fins de entretenimento, transformaram-se em uma “carta na manga” estratégica para empresas – 17% das existentes no Brasil já têm áreas para perfis em mídias sociais - poderem divulgar seus produtos e, em contrapartida, observarem como seus possíveis usuários os “anunciam” para o mundo inteiro.

Em matéria veiculada no telejornal Jornal das Dez, da GloboNews, no dia 14 de abril de 2010, foram mostrados dados referentes a uma pesquisa feita por uma consultoria que monitora as mídias digitais. Eles mostraram a influência das mídias para a mediação das relações entre empresas e consumidores: 90,1% dos entrevistados utilizam as mídias sociais para pesquisar sobre um produto ou serviço antes de comprar; já 42,9% recomendam empresas ou serviços, e 28% fazem reclamações. Pode-se, então, destacar uma importância das redes sociais para o campo empresarial: estas novas estratégias de mercado aumentam a influência do consumidor no desenvolvimento dos produtos (desde o pré-lançamento até o consumo em si) e das empresas (desde o lançamento até uma possível crise ou falência). Segundo o especialista em marketing Miguel Feyo, na mesma matéria citada acima, com o avanço das redes de relacionamento, as empresas deixaram de fazer monólogos para poderem dialogar com seus consumidores, ouvindo suas reclamações, sugestões, elogios e críticas.

Outro detalhe primordial nestas novas ferramentas sociais é o fato da transmissão, quase que instantânea, das informações veiculadas. Um exemplo recente aconteceu no dia 29 de abril de 2010, quando o editor-chefe e apresentador do Jornal Nacional (Rede Globo) William Bonner decidiu se retirar da esfera de microblogs Twitter, por conta da
demanda gerada pela ferramenta, que lhe resultava dores terríveis nas costas. A partir disto, milhares de “sobrinhos”, como Bonner gostava de chamar seus seguidores, mandavam mensagens mencionando o nome do jornalista e lamentando seu “twittercídio”, ou seja, a sua saída da rede social. Além disto, muitos sites e blogs relacionados à comunicação registraram o fato e o analisaram. Assim como no caso deste jornalista, muitas empresas acabam repercutindo sua imagem, de modo positivo ou não, nas mídias sociais e necessitam ter um cuidado maior na hora de responder “o que você está fazendo?” (pergunta originária do Twitter), ou de inserir algum texto no site de relacionamentos Orkut, por exemplo.

Portanto, o profissional de Relações Públicas precisa se atentar para que a imagem da organização seja transparente e sólida, principalmente nesta primeira década do século XX, pois as mídias sociais garantem a liberdade de opinião por parte dos consumidores/clientes, de certa maneira superior àquela dada pela comunicação midiática (“de massa”).

Enfim, atentar-se para que a “nova janela” aberta pela rede mundial de computadores não se quebre e se, de algum modo, “quebrar” que não se coloquem os cacos debaixo de um tapete, mas que se reconstrua a imagem empresarial o mais rápido e seguro possível.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

A mentira tem perna curta? - Boatos nas redes sociais

A maioria das pessoas já ouviu falar na história de Pinóquio e sua "honorável fama" que se espalhou pelo mundo. Para quem não se lembra, aqui vai um resumo deste conto, com fonte do site Contando História:

Certa vez um velho carpinteiro chamado Gepeto fez um boneco de madeira. Deu-lhe o nome de Pinóquio. De repente aparece a fada madrinha de Pinóquio e o transforma em um menino de verdade, o boneco criou vida. Gepeto ficou muito feliz, agora tinha um filho.
Gepeto queria fazer de Pinóquio um menino educado. Colocou-o na escola. Mas Pinóquio fugiu e foi divertir-se no teatro de bonecos. O dono do teatro queria ficar com Pinóquio. Mas ele chorou tanto que o homem deu-lhe umas moedas e o deixou partir.
Na volta para casa encontrou dois ladrões. Apesar dos conselhos do grilo falante, eleito sua consciência pela fada madrinha, seguiu com eles e foi roubado. Pinóquio, triste, resolveu voltar para casa e obedecer Gepeto.
No caminho, um passarinho avisou que Gepeto foi procurá-lo no mar. Ele ia ao encontro de Gepeto, quando viu umas crianças que se dirigiam ao país da alegria. Pinóquio foi com eles. Estava brincando quando percebeu que estava se transformando em um burro. E o nariz de Pinóquio começou a crescer...crescer....e...crescer!
Chorou arrependido. Uma fada apareceu e desfez o encanto. Mas avisou: - Toda a vez que mentir, seu nariz vai crescer.
Pinóquio então foi ao encontro de Gepeto. Chegando no mar, Pinóquio e o Grilo foram procurar Gepeto. Apareceu uma baleia e os engoliu. Lá dentro encontraram Gepeto. Quando a baleia abriu a boca de novo, eles fugiram.
Chegando em casa, a fada recompensou a coragem de Pinóquio, transformando-o num menino de verdade. Pinóquio e Gepeto foram muito felizes.



Vimos muitas brincadeiras e mentiras (mais sérias do que as do Pinóquio) circulando pela Internet, principalmente pelas mídias sociais como Orkut e Twitter. Assim como o personagem, quando não se "obedece" a normas sociais da Internet, quando se inventa qualquer história num site de relacionamentos, ela pode se disseminar por todo o mundo, fazendo o nariz crescer e se alongar por toda a rede.

A "fada" da Internet fez com que as redes sociais ganhassem vida e força. As redes sociais e seus conteúdos deveriam ser como aquele menino educado do começo da historinha, mas acabam, por algumas vezes, fugindo e tomando proporções quase que incontroláveis, como a fuga de Pinóquio do seu criador Gepeto. E os profissionais de Relações Públicas são as "fadas madrinhas" responsáveis por gerir esta suposta crise, por desfazer este encanto.

Um exemplo destes boatos ocorreu no sábado, em que um post infeliz no Twitter de um diretor de agência de relações públicas acabou crescendo e virando um boato sério de que o jogador inglês David Beckham estaria pondo fim ao seu casamento, como se pode ver nesta reportagem. O boato correu o mundo, e a "fada madrinha" do jogador (seu assessor pessoal Simon Oliveira), pelo mesmo Twitter, teve que desfazer o (des)encanto, atribuindo ao rumor a palavra "nonsense".

Que a "fada" da Internet possa recompensar a cada pessoa que dissemina verdades nas redes sociais e que a baleia (não só a da história, mas também a do Twitter - por que não?) não engula os defensores de causas mais nobres do que um CALA BOCA GALVAO, por exemplo.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

CALA BOCA GALVÃO - Tudo o que não mata, fortalece?

Recentemente, vimos um novo fenômeno na Internet brasileira, principalmente no microblog Twitter: a tag CALA BOCA GALVÃO (homenagem "carinhosa" ao locutor da Globo por falar, digamos, acima do que a paciência de muitos brasileiros) alcançou a cobiçada lista dos Trendings Topics mundiais não só pela motivação inicial, mas também por uma causa "nobre": Cara tweet com o “CALA BOCA GALVAO” geraria uma doação de US$ 0,10 para ajudar na preservação de um fictício pássaro brasileiro ameaçado de extinção. Além disso, muitos blogs internacionais justificam o uso da tag a uma nova música da Lady Gaga.

O fato é que Galvão Bueno virou hit no Twitter e pode, por incrível que pareça, ter a sua imagem fortalecida. Fortalecida? Depende de um fato primordial: a resposta que o sujeito da situação (ou o grande algoz ou vítima) dará aos seus apoiadores ou carrascos.

Numa entrevista feita em maio ao Meio & Mensagem, que pode ser vista aqui, ali e aqui também, Galvão se sente lisonjeado pelas homenagens feitas pelo humor brasileiro, citando os programas Casseta e Planeta (Globo) e Pânico (RedeTV!). Além disso, o locutor comenta que não possui perfis nas redes sociais como Orkut, Facebook e Twitter. Porém, se ele mudou de ideia e decidiu abrir esta conta no microblog, está respondendo tudo na esportiva e até retwittando algumas definições para a sua tag mais famosa.

Repetindo: não se tem total certeza de que este perfil é oficial do Galvão, ou se alguém escreve para ele ou ainda se é um fake. Mesmo assim, para o bem da imagem do locutor, que as respostas dele em relação ao pedido educado da torcida continuem sendo educadas também! Talvez, assim, Galvão ganhe uma simpatia maior dos torcedores e, criando um perfil oficial de verdade, possa ter a oportunidade de compartilhar mais de seu inegável conhecimento esportivo e da sua rotina com seus admiradores e não-admiradores.

Adendo (16/06): o Globoesporte.com, através da coluna de humor Bola nas Costas, lançou o vídeo interativo "Fala, Galvão", que junta balões com todas as frases de efeito que o locutor usa nas narrações de jogos. Ao clicar em um deles, o internauta escuta Bueno narrando. Sem dúvida, uma "homenagem" ao protagonista da hastag mais comentada da Copa do Mundo.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Zoológico dos Twitteiros - As várias "espécies" de pássaro azul

Nunca se falou tanto do Twitter, bem como da sua "necessidade" nos meios corporativos, profissionais e, até mesmo, acadêmicos.
Desde a primeira concepção de Twitter, há aproximadamente 4 anos e meio, já se via muitas possibilidades para a sua utilização, como a simples troca de mensagens entre funcionários de uma empresa de informática que sofria forte concorrência da Apple. Hoje, a terra do pássaro azul oferece mais do que isso: várias "espécies" de pássaros surgem com o passar do tempo nesta rede de microblogs.

Pássaro Azul Acadêmico
Vi uma postagem num perfil amigo que dizia: "Às vezes o twitter parece que me ensina mais sobre RP que a própria faculdade, sério. 0o". Não quero, de forma alguma, menosprezar a importância de se ter uma graduação, ela é a "porta de entrada" para se conseguir qualquer emprego ou estágio na área e para se inserir na comunidade acadêmica; porém, as vivências e a experiência dos twitteiros, expressadas em postagens ou através de links para os blogs especializados em Relações Públicas, contribuem para que os futuros profissionais possam se acostumar com o ritmo de trabalho e com a pressão inerente em estar constantemente se atualizando e descobrindo novas teorias e cases para se inspirar e para praticar nos setores públicos, privados e não-governamentais.
Existem vários sites e blogs da esfera comunicacional que possuem perfis próprios no Twitter, promovendo, não só seus posts, mas com um espaço para que alunos de graduação em Relações Públicas possam compartilhar seus conhecimentos.

Pássaro Azul Comercial
Pequenas e médias empresas se aproveitam dos serviços do microblog, aparentemente "gratuitos" (vide o caso da marca de chocolates Twix, que terá que pagar uma indenização de R$ 10 mil por conta da estratégia #chuvadetwix, que acabou virando garoa de chocolates e uma tempestade de críticas), para alavancar as vendas e o reconhecimento de seus produtos e/ou serviços, além de conquistar mais clientes e fidelizar os que já estão unidos à empresa. Um cuidado primordial que deve ser tomado está em "não prometer aquilo que não se pode cumprir", algo que a empresa Twix não notou.

Pássaro Azul Profissional
Muitos querem esticar a utilização do Twitter para além dos contatos pessoais, dos "Bom dia!" ou do "Partiu almoçar". O perfil dos profissionais de qualquer área pode ser a via de contratação ou de demissão para as empresas. Vide o caso do executivo da Locaweb Alex Grikas que "deslizou" no uso dos termos no microblog e acabou saindo da empresa.

Pássaro Azul Piadista
Muitos humoristas surgiram no cenário virtual e fazem sucesso também nas mídias tradicionais, como o integrante do CQC e apresentador do A Liga (ambos da TV Bandeirantes) Rafinha Bastos, que começou sua carreira através do site Página do Rafinha. No Twitter, existem vários perfis com nomes fictícios que servem para divertir os seus seguidores e conquistar novos fãs, além de usar o serviço para ganhar notoriedade nacional, ou não. No site da revista Época tem uma matéria muito interessante à respeito desta espécie de pássaro azul.

Pássaro Azul Comportamental
Vários perfis no Twitter se assemelham muito a comunidades de Orkut, postando frases que complementam seu título, que são repassadas (famoso RT) por seus seguidores. Um exemplo é o perfil @VouConfessarQue, que serve para que as pessoas se identifiquem com a confissão proposta pelos dois autores do perfil: @erick_kuhn e @RicckLopes. Assim, com o RT de uma confissão, os seguidores da pessoa podem presumir o comportamento ou a atitude da pessoa no dia.

Pássaro Azul Pessoal
A grande maioria dos usuários do Twitter tem, como objetivo, mostrar o seu dia-a-dia, divulgar links interessantes, abastecer as velhas amizades e fazer novos contatos. Às vezes, esta revelação tão explícita do cotidiano de uma pessoa pode gerar problemas, como a falta de privacidade e a ameaça de um assalto ou algo pior, visto que os ladrões podem vasculhar o perfil para descobir aonde a suposta vítima está. Mesmo com o artifício que permite não liberar os posts para desconhecidos, o risco de alguém desconhecido o seguir é grande.

Seja qual for a sua "espécie" no Twitter, prudência, atitudes, palavras e comportamentos corretos fazem a diferença e podem modificar seu futuro numa empresa ou num grupo de amizades.