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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Espiando (e criando) à vontade - BBB, Amor à Vida e o fenômeno cross-media

Por Maíra Masiero

As estratégias de comunicação que envolvem não apenas um, mas vários meios e formatos de comunicação, estão cada vez mais presentes na rotina das empresas e auxiliam na divulgação de um novo produto ou serviço. Uma das mais comuns é a chamada cross-media.

Segundo o Manual de Comunicação da Secs (Secretaria de Comunicação Social do Senado), o termo cross-media significa, dentre outras virtudes, a "distribuição de serviços, produtos e experiências por meio das diversas mídias e plataformas de comunicação existentes no mundo digital e off-line.". Ou seja, para que esse conceito seja validado na prática, é necessário que se tenha mais de uma mídia e que a mensagem/produto/objetivo seja distribuído pelas plataformas e tenha um suporte para a interação.

Como esse conceito não é tão novo assim (data da década de 1990), são vários os exemplos nacionais e internacionais de sua utilização, tanto para divulgar marcas e serviços, quanto para promover projetos e programas de televisão. Um exemplo foi o Ger@l.com, exibido em duas temporadas entre 2009 e 2010 pela Rede Globo, que fazia uma ponte entre o capítulo apresentado na televisão com conteúdos exclusivos na Internet, por meio de uma senha disponibilizada ao final do episódio televisivo.

Também se pode destacar, como exemplo de cross-media na dramaturgia, as inserções de programas de televisão em novelas, para inserir um personagem no posto de celebridade. Porém, isso acontecia de modo fictício: ou seja, não acontecia em edições reais dos programas (que vão efetivamente ao ar), o que diferencia essas ações do primeiro case comunicacional envolvendo a edição de 2014 do muito falado (amado e odiado) Big Brother Brasil.

Dentre os participantes, está uma personagem de novela, a Valdirene (interpretada pela Tatá Werneck), que quer fazer de tudo para conquistar facilmente a riqueza e, como uma das saídas, se inscreve no programa. As convergências entre o reallty show e a novela começam quando a personagem grava um vídeo de inscrição para participar do programa, assim como é feito por milhares de aspirantes à "brothers".



Após esse momento, Valdirene tenta invadir várias vezes o Projac, o centro de produções da Globo, para garantir um lugar no BBB. Ela consegue ficar na casa de vidro, elemento utilizado em outras edições do reallty e que, desta vez, ficou somente na esfera ficcional, sendo vigiada 24 horas pela Internet na página BBB em Amor à Vida, hospedada no GShow, novo portal da empresa.

Por fim, o apresentador Pedro Bial anuncia o resultado da casa de vidro (no capítulo mostrado no dia 14 de janeiro, antes da estreia do reallty), mandando Valdirene para o programa. Mas não será numa casa fictícia, com alguns figurantes disfarçados de participantes: será durante a competição real do programa. Até mesmo a chamada de participante ela conseguiu gravar e notícias sobre o perfil da candidata-personagem surgiram na mídia, mesmo que já se tenha previsto um "prazo de validade" para a candidata no programa: no dia seguinte à sua entrada (dia 15 de janeiro), ela é desclassificada.

Resta saber se esta estratégia de cross-media conseguirá atrair as atenções do público para os dois programas, que se apresentam sequencialmente na programação da Globo, ou se somará às tentativas fracassadas de adaptar a linguagem global a um público também global, só que mais globalizada e digitalmente interligada.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

RPrestigiando - Comunicação Integrada é destaque em evento da Aberje

Por Maíra Masiero

Atendendo ao pedido de Kelly Feltrin, da Retoque Comunicação, divulgamos o release deste evento, e todos os dados disponibilizados são de responsabilidade de seus autores. Lembramos que este blog não possui nenhum vínculo de organização com o evento apresentado.

Profissionais de comunicação de grandes empresas vão apresentar seus cases de sucesso

A Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje) vai realizar o 4º Seminário Aberje de Comunicação Integrada, em São Paulo, nos próximos dias 26 e 27 de novembro. O objetivo do evento é incentivar o debate e a troca de experiências entre os participantes, refletindo sobre os projetos inovadores que foram implementados e geraram bons resultados para as organizações.

Os profissionais estarão distribuídos em sete painéis com os temas de Sustentabilidade, Gestão de Marca, Mídia Impressa, Comunicação Integrada, Comunicação Interna e Mídias Digitais e Sociais. Confira, a seguir, algumas das empresas participantes:

· Marcelo Coutinho, diretor de Inteligência de Mercado do Terra;
· Mônica Ferreira, gerente de Relacionamento com a Imprensa e Mídias Digitais da Vale;
· Chiara Bueno Martini, gerente de Mídias Digitais da Heineken Brasil.
· Claudia Bocciardi, diretora de Marketing Braskem.
· Luciana Coelho, gerente de Comunicação Corporativa do Grupo Pão de Açúcar;
· Silvio Uchima, gerente de Planejamento de Comunicação Interna da GM;
· Rozália Del Gaudio, gerente de Comunicação Corporativa da C&A Brasil;
· Jasmin Eymery, gerente de Desenvolvimento Sustentável da GE América Latina;
· Gabriela Onofre, diretora de Marketing e Comunicação da P&G Brasil;

Mais informações sobre o evento neste link.

Serviço:

Data: 26 e 27/11
Horário: 9h às 18h
Local: Av. Angélica, 1761 - 2º andar
Cidade: São Paulo
Contato: Bárbara Cury no telefone (11) 3662-3990 - Ramal 4 ou por e-mail: barbara@aberje.com.br
Inscrições: http://www.aberje.com.br/eventos/2013/comunicacaointegrada/inscricao.asp

Sobre a Aberje

Criada em 1967, a Aberje é uma organização profissional e científica, sem fins lucrativos, que tem como principal propósito a discussão e promoção da comunicação organizacional. Seu âmbito de atuação está centrado na informação, na comunicação e no relacionamento. Os principais campos de trabalho são oadvocacy, a educação, a economia criativa, a gestão do conhecimento, a inteligência da comunicação, o networking e o reconhecimento.

Para mais informações, favor contatar:

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Publicidade e Infância: combinação perfeita?

O ato de comprar produtos faz parte da vida de todos os indivíduos. Mesmo alguns dos mais simples objetos e, dependendo do caso, alguns serviços possuem um custo, irrisório, mas um gasto como, por exemplo, imprimir uma página de trabalhos acadêmicos em casas especializadas ou consumir um chiclete numa lanchonete.

E este mecanismo de compra se manifesta desde a mais tenra idade do ser humano, ou seja, a infância também é marcada, muitas vezes, pelos brinquedos eletrônicos, pelas bonecas, por produtos que remetem a uma banda admirada pela criança. A publicidade é uma grande ferramenta para que estes valores possam ser incutidos desde cedo na vida das pessoas.

É necessário ressaltar, porém, que muitos comerciais voltados ao público infantil divulgam valores e conceitos inadequados para a faixa etária atingida, como a ingestão excessiva de calorias, o consumo de objetos e acessórios que estão em desacordo com a forma de transição considerada natural das fases da vida (de criança para adolescente, por exemplo), como mostra Inês Silvia Vitorino Sampaio no artigo Publicidade e infância: uma relação perigosa (2009, p. 12) pertencente ao livro Infância & Consumo: estudos no campo da comunicação, organizado pela Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI).

"É preciso lembrar, contudo, que o acesso da criança às mídias não se explica apenas pelo aspecto tecnológico ou pela linguagem, mas há aspectos histórico-sociais e culturais importantes que particularizam esta forma de acesso. No plano econômico, o poder aquisitivo das famílias pode implicar o acesso mais ou menos limitado às várias mídias e interferir, sensivelmente, em suas possibilidades de lazer. [...] O tipo de acompanhamento doméstico efetuado (ou não) por pais ou parentes – a restrição do tempo de exposição às mídias, a limitação do acesso a determinados conteúdos e/ou o diálogo sobre cenas e acontecimentos – também é um elemento demarcador. No plano institucional, finalmente, não podemos deixar de considerar o papel desempenhado pelas políticas de regulação dos conteúdos audiovisuais, que visam proteger a criança e o adolescente da exposição a conteúdos inadequados."

Em matéria publicada no Portal Exame no dia 12 de maio, pode-se ver a retomada desta discussão através do retorno à pauta da Câmara dos Deputados de um projeto de lei regulamentando a publicidade dirigida ao público infantil. No mesmo portal, no dia 18 do mesmo mês, surge uma notícia que repercutiu no mundo inteiro, levando seu protagonista aos Trending Topics mundiais do Twitter: médicos americanos participaram de uma campanha para proibir a rede McDonald's de promover seus produtos entre as crianças, e forçar a extinção de sua mascote, o palhaço Ronald McDonald. Além disso, a carta aberta pede a interrupção da distribuição de brindes nos Mc Lanches Felizes, refeições com sanduíches de grande quantidade calórica.

Ou seja, reelencando os aspectos discutidos por Sampaio, é necessário entender que a mídia possui uma grande responsabilidade pela sua fácil disseminação e assimilação perante o público infantil que, geralmente, ainda não formou totalmente sua consciência, e que precisa refletir sobre como repassar as mensagens publicitárias para as crianças, se elas forem realmente necessárias.

Porém, o acompanhamento dos responsáveis acerca do que as crianças assistem e das influências que elas sofrem do exterior (amigos, família, entre outros) e um rigor menos simbólico e mais efetivo por parte dos órgãos de regulação das propagandas é também importante para a formação de pessoas mais conscientes em relação aos hábitos de consumo.

Para encerrar este post, mas não a discussão, é apresentado uma animação produzida pela Revista Galileu sobre a publicidade infantil, mostrando estatísticas alarmantes acerca deste assunto. Afinal de contas, a publicidade infantil é de toda vilã nesta História ou outros fatores contribuem diretamente para o consumo exarcebado?

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Comunicação Integrada versão Hot Pocket - Olhar interdisciplinar em Relações Públicas II

Como visto no primeiro post desta série, o Relações Públicas necessita de um olhar interdisciplinar para se diferenciar num mercado de trabalho tão acirrado como se apresenta nos dias atuais. Para isso, dar valor a outras áreas do conhecimento e, principalmente, se integrar às outras facetas da Comunicação é importante para graduandos e graduados. Por falar em integração, existe um ramo do estudo comunicacional denominado Comunicação Integrada que, segundo Kunsch (1997, p. 115), citada por Adriana Machado Casali em seu artigo Comunicação Integrada e novas tecnologias de informação, representa uma união entre as áreas:
"(...) pressupõe uma junção da comunicação institucional, da comunicação mercadológica e da comunicação interna, que formam o composto da comunicação organizacional. Este deve formar um conjunto harmonioso, apesar das diferenças e das especificidades de cada setor e dos respectivos sobre setores. A soma de todas as atividades redundará na eficácia da comunicação nas organizações."

Partindo deste pensamento, pode-se refletir acerca de uma junção entre quatro áreas importantes do conhecimento (Marketing, Psicologia, Publicidade e Relações Públicas), a partir de um estudo de caso específico: o comercial da Campanha HotPocket Pizza, da Sadia.


No quesito de Marketing, pode-se dizer que esta propaganda atinge, sob os aspectos da Pirâmide de Maslow, ao mesmo tempo, a base e o topo desta, ou seja, as necessidades do corpo (em relação à alimentação; no casso, o alimento consumido é a pizza) e as de segurança (em relação à rapidez com que o HotPocket é preparado e consumido). Além disso, em combinação com o fator psicológico explicitado a seguir, há, segundo Fred Tavares (2007) no artigo Marketing: Conceitos, Tipos, Objetivos e Análise de Desempenho, o chamado Marketing de Criação de Necessidades (o lançamento de uma pizza "pré-pronta", atrelado às várias situações do cotidiano que não possuem, necessariamente, uma relação com desejos de gula, mas que, através do estímulo sonoro, passam a recriar no personagem a imagem da pizza e, em consequência, a vontade de comê-la).

Em relação à Psicologia, a repetição do "provável som" do microondas remete ao estudo do Behaviorismo, mais precisamente ao comportamento operante, que inclui os movimentos de um organismo que operam sobre o mundo. Nele, segundo BOCK* (2002, p. 49), "o que propicia a aprendizagem dos comportamento é a ação do organismo sobre o meio e o efeito dela resultante - a satisfação de alguma necessidade (...)". É o conhecido R (resposta) --> S (estímulo reforçador): a resposta seria o consumo de HotPocket e o reforço, o som do apito do microondas repetido em outros contextos do cotidiano do personagem.

No âmbito publicitário, é possível perceber um planejamento de mídia específico para este produto, com inserções do comercial em horários estratégicos nas redes de televisão aberta, e um trabalho de criação muito criterioso, que tenta recriar algumas situações de um dia-a-dia corrido, todas marcadas com o som reforçador de estímulo ao consumo da pizza, como os três primeiros momentos em que o personagem está em casa (em horários diferentes, devido à luminosidade da cozinha), no saguão de um hotel, numa loja de conveniência e num treino de boxe.

E o que o Relações Públicas pode fazer nesta parte de Publicidade, atrelada ao Marketing e à Publicidade? Estes profissionais são responsáveis por manter a imagem da empresa sempre coerente e resolver possíveis crises decorrentes da propaganda ou da utilização do produto, além de promover pesquisas de opinião pública (antes, durante e depois da veiculação das propagandas) para verificar a aceitabilidade do comercial e da pizza em si, no caso, além de promover o relacionamento da marca com a imprensa (a polêmica função de assessoria de imprensa).

Por isso, é válido investir na integração entre as grandes áreas do conhecimento para que uma empresa, uma organização pública e até mesmo a própria sociedade possam ter ganhos significativos. E que nenhum ramo do conhecimento brigue com o outro para saber quem pode mais certa função, mas que cada área valorize a sua parte na construção do conhecimento, sem querer invadir a especificidade da outra.

*BOCK, A. M. Psicologias. São Paulo: Saraiva, 2002. (p. 43-58).

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Juntos somos mais - Integrações entre TV e mídias sociais

Em tempos não tão distantes dos dias de hoje, era comum a maioria das pessoas chegarem do trabalho ou da escola e irem quase que sem escalas para a frente da televisão e assistirem, por exemplo ao Passa ou Repassa (hoje extinto) no SBT, a algum jornal sensacionalista na Record ou na Bandeirantes ou ainda a novela teen Malhação (Rede Globo) que ainda existe (ou tenta sobreviver). Com o advento dos computadores, da Internet e, mais recentemente, com o boom das mídias e redes sociais on-line, grande parcela da população incluída no universo digital possui uma maior diversidade de opções para passar o seu tempo livre em casa (não se pode esquecer também do grande crescimento do número de assinantes das TV's pagas).

E isto já se reflete nos números da audiência das emissoras de TV aberta. Segundo o colunista Marcelo Minutti, do canal Tecnozilla pertencente ao portal Ig, num texto escrito no fim do ano passado, houve uma queda na quantidade de televisores ligados entre 2008 e 2009. Segundo o autor, "no primeiro semestre de 2008 era de 44,6% (26,7 milhões de domicílios) e caiu para 42,5% (25,5 milhões de domicílios) em 2009. Isso indica uma queda de 2,1% de televisores ligados na comparação entre 2008 e 2009." Além disso, vários programas das Redes Globo e Record obtiveram queda em suas audiências graças, muitas vezes, aos pássaros azuis e aos círculos rosa.

Como diz uma velha frase, "se não se pode derrotar o inimigo, junte-se a ele". Há várias maneiras de integrar televisão com Internet e suas novas ferramentas. Um caso internacional divulgado hoje em vários portais de notícias como O Globo, G1, UOL, Terra, entre outros, é a criação de uma série de televisão americana a partir de uma conta de Twitter. Segundo a reportagem, "#*! My Dad Says" estreia na CBS em 23 de setembro e é inspirada numa conta do microblog ativada pelo escritor cômico Justin Halpern em 2003, que capturou a linguagem hostil de seu pai e suas observações. Basta saber agora se esta interação entre TV e Internet ficará ou não apenas na concepção da série.

Outro exemplo, desta vez brasileiro, mostra o engatinhar da integração entre a Rede Globo e as mídias sociais. Depois dos incidentes que "balançaram a relação" entre a emissora e os usuários do Twitter (como o histórico CALA BOCA GALVAO e um boato de intervenção da Globo no andamento dos Trending Topics, lista com os assuntos mais falados no microblog), a paz e o trabalho em conjunto começam a aparecer.

Nos últimos dias do bem-sucedido "Central da Copa", programa apresentado pelo jornalista Tiago Leifert e com comentários do ex-jogador Caio Ribeiro, foi lançado o concurso cultural #queroopufedocaio. Segundo a matéria veiculada no site da Rede Globo, os candidatos deveriam seguir o perfil da Rede Globo no microblog e postar no twitter, após a hashtag #queroopufedocaio, por que gostariam de ganhar o pufe em que Caio ficou sentado durante a Copa. O pufe foi autografado pelo comentarista, por Tiago Leifert e pelo casseta Hélio de La Peña, idealizador da campanha "Libertem o Caio!", feita pelo fato de o ex-jogador ficar mais tempo no estúdio do que no hotel em que ele ficou hospedado durante as semanas de Copa.

No dia 20 de julho, Leifert anunciou via Twitter e, posteriormente, no Globo Esporte, o nome da vencedora do concurso: a internauta @glendalaranjo, de Belo Horizonte (MG), com a frase abaixo. A emissora mostrou agilidade e, em seis dias, Glenda recebeu o prêmio em sua casa e mostrou toda a sua alegria pelo microblog e em matéria publicada no dia seguinte.


Não se pode esquecer também da interatividade proposta pelo site da novela Passione, inserindo cenas exclusivas para a Internet, postadas diariamente (a exceção do domingo) sempre em harmonia com aquilo que é passado na televisão, além de cenas dos próximos capítulos. São as novas experiências transmidias que podem "selar a paz" entre a televisão e a Internet e estreitar as relações entre o telespectador e o programa de TV favorito (seja um telejornal esportivo, um seriado ou uma novela).