Mostrando postagens com marcador Comportamento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Comportamento. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Valores e ética na publicidade - Hyundai e a tentativa de suicídio que quase matou sua imagem

Por Maíra Masiero

Nesta época contemporânea, os padrões éticos de propaganda e publicidade são cotidianamente discutidos, e não se torna raro observar casos de comerciais polêmicos neste sentido. Um dos grandes dilemas para os profissionais da área é como levar em consideração o Código de Ética da profissão, em conjunto com os seus valores e os da empresa, como mostram Maria Cecília Coutinho de Arruda, Adriana Uono e Juliano Allegrini no artigo Os padrões éticos da propaganda na América Latina (1996, p. 22):

"Tendo em vista a liberdade de que é dotado, por natureza, o ser humano, os códigos de ética, embora necessários para todas as carreiras, parecem não ser suficientes por si sós para orientar um publicitário na totalidade das circunstâncias e áreas com que se defronta. É imprescindível que ele domine o conhecimento de princípios básicos de ética sobre a natureza humana e sobre a vida comercial, constantemente refletindo sobre eles. Desta forma, reduzir-se-ão grandes incertezas na seleção de alternativas e serão discernidas com propriedade as decisões a seguir nos negócios.
(...)
Em face da frivolidade que permeia muitos ambientes onde se desenvolve a atividade publicitária, profissionais desta área já se propuseram a elaborar códigos de ética específicos para nortear seu comportamento. No entanto, por assumir o relativismo filosófico como base de seus conceitos fundamentais, não conseguiram atingir um consenso em um mínimo de princípios necessários.".

Utilizar a publicidade para mostrar situações polêmicas que podem afetar diretamente, e de modo negativo, muitas pessoas é um risco que precisa ser evitado, na medida do possível, pelas marcas e agências de comunicação.

Quem não teve este cuidado foi a Hyundai que, neste mês de abril, veiculou um comercial em que seu protagonista tentava tirar sua própria vida, com o auxílio da emissão de monóxido de carbono por uma mangueira entre o escapamento e a janela do carro, como seria numa tentativa de suicídio desta natureza. No final do comercial, é mostrada a tecnologia especial do carro, que emite apenas água na atmosfera e que deixa o homem sobreviver à tentativa de suicídio.

A seguir, está o vídeo da publicidade, que pode ser retirado a qualquer momento, pois, como será visto posteriormente, a repercussão foi tão negativa que a Hyundai pediu desculpas e afirmou que o vídeo seria removido, não sendo utilizado em nenhuma publicidade ou marketing da companhia.



Para que se tenha ideia da gravidade de se colocar um comercial desses no ar, a publicitária britânica Holly Brockwell escreveu, pelo seu blog pessoal, uma carta à agência que criou o filme para contar como se sentiu ao vê-lo, sendo que o pai dela se suicidou nas mesmas condições que o comercial mostra. Durante a carta, Holly lembra-se de momentos marcantes que viveria juntamente ao pai se não ocorresse o suicídio e ainda mostrou sua indignação para com o tratamento da marca àqueles que passam por situação semelhante: (trechos da carta com tradução nossa):

"(...) Lembrei-me de olhar para fora da janela para ver a polícia e ambulância, perguntando o que estava acontecendo. Lembro-me mãe me sentar para explicar que o papai tinha ido dormir e não seria acordar, e não, ele não seria capaz de me levar para a festa de aniversário do meu amigo na próxima semana. Não, ele não poderia voltar do céu apenas para aquele dia, mas ele gostaria, se pudesse. Lembro-me de descobrir que ele tinha morrido segurando o coelho de brinquedo macio da minha irmã no colo.
Surpreendentemente, quando cheguei à conclusão de seu vídeo, onde vemos que o homem, na verdade não morreu, graças a emissões limpas da Hyundai, eu não parava de chorar. Eu não repente sinto que minhas lágrimas foram justificados pela sua mensagem divertida. Eu me senti vazia. E doente. E eu queria meu pai.
(...) Por que eu tinha que ser lembrado do terrível momento... eu sabia que nunca ia ver meu pai novamente, e os momentos que ele não estava lá. Essa festa de aniversário. Dia de resultados. Graduação.
(...)
Então eu gostaria de pedir que da próxima vez que você quer dizer ao mundo sobre uma nova inovação no design do carro, você pensa nisso um pouco mais. Pense em mim. Pense sobre o meu pai. E os outros milhares de vítimas de suicídio e as famílias que deixaram para trás.
Meu pai nunca dirigiu um Hyundai. Graças a você, nem eu."


Com isso, pode-se perguntar: até que ponto pode uma publicidade explicitar situações constrangedoras ou delicadas, sem afetar diretamente o público-alvo? Será que, no caso da explicação das inovações do carro, teria outra forma menos polêmica de se expressar? E esse caso teve uma extrapolação no que diz respeito à ética? O debate está aberto.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Eu acho que vi um Cabrito... - Boatos nas redes sociais II

Por Maíra Masiero

Com a exigência cada vez maior de uma agilidade no processamento e divulgação de informações pela mídia e pelas empresas, boatos, notícias falsas e brincadeiras internas podem se transformar em fatos considerados verdadeiros, graças à facilidade de se obter e se transmitir informações, principalmente pelas mídias sociais.

O artigo Do boato à notícia: considerações sobre a circulação de informações entre Twitter e mídia online de referência, de Gabriela da Silva Zago (2010, p. 182) - que integra os anais do Intercom Sul 2010 - mostra a dinâmica dos boatos virtuais e sua inesperada amplitude, com base nos boatos sobre a morte do cantor Dinho Ouro Preto, vocalista do Capital Inicial, ocorridos em novembro de 2009. Numa de suas declarações, a autora justifica a circulação tão rápida de boatos nas redes, o que pode também ser identificado no breve estudo de caso que o RPitacos trará a seguir.

"A facilidade e velocidade para a circulação de informações no Twitter também gera discussão quanto à credibilidade das informações. Em geral a credibilidade no Twitter está associada à credibilidade construída junto a outros meios (como no caso de celebridades e jornalistas tradicionais), mas também pode ser construída no próprio Twitter, a partir das interações que os indivíduos desenvolvem na rede social."

No começo do mês de fevereiro de 2013, alguns internautas "contrataram", pelo Twitter, um novo jogador de futebol para o Grêmio, o lateral esquerdo argentino (ou uruguaio) Enrico Cabrito. Na realidade, foi uma brincadeira interna entre três perfis de torcedores gremistas no Twitter, amigos que queriam ironizar com o nome de um outro amigo, segundo o perfil de Fabiano Estrela, um dos criadores de Enrico:

"A brincadeira era interna, jamais foi feito propositalmente para denegrir a imagem de quem quer q seja. Um jornalista leu um tuite meu totalmente fora de contexto e anunciou a negociação com enrico cabrito. O resto nós já sabemos o q aconteceu. Aliás, o q torna o fato inacreditável e extremamente engraçado é a falta de premeditação. Foi totalmente involuntário. Brincadeira interna."

Porém, isso extrapolou a esfera da gozação e se tornou notícia verídica em perfis de jornalistas gaúchos no Twitter. Segundo matéria publicada no portal UOL, o jornalista da Rádio GreNal Farid Germano Filho usou sua página para anunciar a notícia e, posteriormente, afirmou que sua conta foi invadida por hackers e que ele iria tomar providências sobre esse caso.

A "nova contratação" do time comandado por Wanderley Luxemburgo virou notícia até mesmo no Jornal do Almoço, telejornal da RBS TV, afiliada da TV Globo no Sul do Brasil, no dia 05 de fevereiro, apresentado por Paulo Brito, depois de passar a madrugada entre os assuntos mais comentados do país no microblog. Ao contrário do colega de profissão, o jornalista global assumiu o erro cometido, desculpando-se em seu perfil na rede social e, publicamente, na edição de hoje (06 de fevereiro) no mesmo Jornal do Almoço.



No vídeo, Paulo Brito parabenizou os que fizeram a brincadeira e ressaltou outros "furos de reportagem" - só que verdadeiros - que ele anunciou no programa, como a vinda de Dunga e de Rafael Moura para o futebol do Rio Grande do Sul. De acordo com pesquisas feitas no Twitter, pode-se dizer que Brito teve a sua imagem fortalecida, uma vez que assumiu publicamente o erro de informação cometido.

Portanto, é necessário ter cuidado e, na medida do possível, calma para checar informações importantes, vindas de fontes online, a fim de que muitos erros não sejam cometidos.

domingo, 4 de março de 2012

Comunicação e comportamento do consumidor - A importância da prática do Shopper Marketing

Não faz muito tempo em que as lojas estavam mais cheias, por conta dos festejos natalinos. Com tanta variedade de produtos expostos nas vitrines, nos standes e nas prateleiras, como realizar uma campanha diferenciada para que os consumidores possam enxergar o produto com um diferencial a mais e, assim, poder comprá-lo e recomendá-lo a outras pessoas?

De acordo com o artigo Trade Marketing Mix: um estudo no âmbito das Empresas de Produtos de Consumo no Brasil, de Luciano Augusto Toledo et. al. (2010, p. 09), o termo Shopper designa um dos papeis em que o consumidor atua, o de escolher onde comprar o produto desejado. E a Praça, um dos famosos 4 P's do Marketing, possui um papel decisivo para a obtenção de lucro por empresários e comerciantes.
Mas como fazer com que o consumidor seja atraído no ponto de venda, para que o processo de compra se concretize? Um das estratégias é valorizar uma prática chamada Shopper Marketing. Rique Nitzsche, em seu artigo Por que Shopper Marketing? (jan. 2010), explica o surgimento desta nova variante do marketing e de como se torna importante (e eficaz, se for bem concretizada) esta prática para as empresas:

"Paco Underhill, um geógrafo urbano, começou a fazer pesquisas em ambientes de varejo e ficou surpreso com suas descobertas. Dirigiu sua atenção à psicologia ambiental, um campo disciplinar que estuda a reação humana ao seu ambiente, (...) Ele lançou alguns pensamentos que ficaram para sempre na prática do varejo. Criou a idéia da "experiência de compra" e apresentou-nos um novo consumidor ainda meio desconhecido, aquele que está dentro de uma loja e se transforma em um shopper (comprador). Ele descobriu que o consumidor imagina uma compra, entra em uma loja e se comporta de uma forma diferente da programada, então ele reuniu uma equipe de profissionais de ciências sociais, psicologia, antropologia, semiótica, marketing, comunicação e estatística para estudar como eles pensam e agem quando estão momentaneamente em um estado psicológico modificado."

A prática do Shopper Marketing se consolidou no Brasil em 2007 (mesmo sem o desenvolvimento pleno dos processos) e algumas marcas já se preocupam em manter equipes exclusivamente voltadas para esta função, como a Coca-Cola. O Portal Exame, no último dia 1º de março, mostrou algumas estratégias de empresas para que o consumidor se sinta atraído a consumir certo produto como, por exemplo, nas lojas que revendem brinquedos da marca Lego:

"Itens com preços mais baixos e valor agregado menor são postos ao alcance de crianças menores, para que tenham acesso aos brinquedos, estimulando os pais a adquiri-los. Já os produtos com preços mais caros são colocados na altura da visão dos pais, pois dependem de uma decisão de compra mais demorada."

Enfim, a prática do shopper marketing é ainda recente no Brasil, porém se torna necessária em vista a tantos tipos de produtos, de empresas concorrentes, que precisam ter uma diferenciação, e uma eficiente idealização e aplicação do ponto de venda pode fazer a diferença.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Comportamento e comunicação - Como lidar com o "novo" da universidade

Dizem que um ano realmente começa depois dos festejos carnavalescos, pois uma rotina já se é programada para isso. Verdade ou não, o segundo mês de 2012 se encerra e muitas novidades já se fazem presentes na vida das pessoas: novos projetos, planejamentos, colegas de trabalho, amigos... Neste (ainda) início de ano, como se adaptar aos novos acontecimentos que, dia após dia, se apresentam para cada ser humano, seja no campo pessoal ou profissional?

Utilizando um exemplo bem próximo a este início de ano, esta é a época em que muitos universitários começam suas jornadas de estudo, sejam em faculdades públicas ou privadas. Para aqueles que ingressam nesta rotina, tudo se torna um desafio e um aprendizado, principalmente a quem deixa o conforto e a comodidade da casa dos pais para se inserir num contexto totalmente diferente, com maior independência e responsabilidade, como mostram Marco Antônio Pereira Teixeira et. al., no artigo Adaptação à universidade em jovens calouros (2008, p. 02):

"O modo como os alunos se integram ao contexto do ensino superior faz com que eles possam aproveitar melhor (ou não) as oportunidades oferecidas pela universidade, tanto para sua formação profissional quanto para seu desenvolvimento psicossocial. Estudantes que se integram acadêmica e socialmente desde o início de seus cursos têm possivelmente mais chances de crescerem intelectual e pessoalmente do que aqueles que enfrentam mais dificuldades na transição à universidade."

Recém chegada ao campus da Unesp em Bauru, a estudante do 1º ano de Relações Públicas, Rebeca do Vale Placa, conta ao blog sobre sua apreensão ao se deparar com essa nova fase de sua vida e de como as pessoas que já estão adaptadas ao ambiente (tanto da faculdade, como neste caso, ou de um trabalho ou novo projeto) podem contribuir positivamente para a recepção dos chamados "calouros" ou "bixos":

"Vida de estudante não é facil. Depois de toda a angústia pré vestibular, você finalmente se depara com seu nome na lista de aprovados, e quando acha que os tempos de angústia chegaram ao fim começa um novo dilema: como vai ser daqui pra frente? Será que vou fazer amizades? E se eu me perder? E se ninguém gostar de mim? São muitas novas interrogações pra uma cabeça que antes só tinha que pensar em passar no vestibular.
Porém, todo esse medo enorme da faculdade, do novo ambiente e da galera pareceram se tornar pequenininhos logo nas primeiras horas de "aula", que por sinal superaram todas as expectativas. Levar um pouco de tinta no cabelo e pelo corpo todo não foi nada demais, comparada a recepção dos meus veteranos, que, ao contrario do que eu - e garanto que a maioria dos bixos - achavam, não são monstros horríveis, mas pessoas que estão lá pra ajudar esses bixos perdidos pelo câmpus. É claro que eles me fizeram passar uma hora no banho depois de tanta tinta jogada em meu cabelo, mas esse vai ser um dia que com certeza - ao contrário da tinta que saiu toda em uma hora - jamais vai sair da memória de nenhum bixo ou bixete.
A adaptação ainda está só começando, ainda tenho muito o que aprender como bixete, mas acredito que estou construindo um caminho certo, e que com certeza constará como alguns dos melhores anos de minha vida."


Como Placa fez questão de ressaltar, a adaptação a algo novo não acontece da noite para o dia, e exige tempo, disposição e planejamento dos dois lados, seja de quem irá receber um novo projeto ou um novo colaborador, seja de quem será a pessoa "estranha no ninho", como se diz popularmente. Adaptar-se é algo rotineiro para a vida dos seres humanos, mas se faz necessário adaptar-se a adaptar-se, ou seja, construir um caminho e não desistir na primeira dificuldade que houver, seja na comunicação ou na vida mesmo.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Conexão humana 24 Horas online: é viável? - Comercial Claro

Nesta primeira década do Século XXI, uma das mudanças mais significativas em relação à comunicação foi o aumento exponencial da velocidade de compartilhamento das informações, principalmente com a popularização do uso da rede mundial de computadores (Internet) e das mídias e redes sociais, como Orkut, Facebook, Twitter, entre outras.

As atualizações de programas, notícias, sites e até mesmo do status das pessoas, muitas vezes, obrigam os indivíduos a se conectar em tempo quase que integral às mídias para não ser "passado para trás", principalmente quando se trata da Internet, como expressa Ildemar Egger Júnior, em seu artigo Da necessidade da utilização da Internet no mundo moderno:

"Ou você é alguém@algum_lugar.com ou você não é ninguém. Não nos cansamos de repetir esta afirmação feita pelo executivo da Novell para expressar a real e notória necessidade das pessoas estarem conectadas com este mundo virtual, aparentemente complicado, porém com um enorme potencial que nos parece difícil ser explicado."

Sabe-se que a Internet é muito importante para o desenvolvimento de indivíduos e grupos durante estas últimas décadas. Mas até que ponto se faz necessária a conexão ininterrupta (que pode se tornar viciante) em sites e plataformas online, em detrimento, na maioria das vezes, dos relacionamentos interpessoais e da comunicação offline? Qual é o verdadeiro grau de importância destas duas vertentes?

Um comercial a ser discutido, baseado nas discussões acima, se chama Backgrounds, criado pela agência Ogilvy&Mather para a operadora de telefonia celular Claro, que estreou no último dia 30 de setembro.



Neste comercial, o produto a ser vendido é um pacote de acesso a Internet que daria acesso grátis e ilimitado pelo prazo de um ano às redes sociais e mostra as vantagens em estar conectado em tempo integral através dos personagens Paulo, Camila e Ana: saber que certa pessoa vai jantar (no caso da Camila sobre Paulo), ter uma repercussão e respostas sobre quem vai a este encontro, utilizando o Twitter (como Paulo, que recebeu "um monte de reply"), receber um aviso do chefe para comparecer a uma reunão na mesma hora do encontro (como Ana) e postar em tempo real as fotos do jantar.

O objetivo deste comercial é mostrar as vantagens em se estar conectado em tempo integral às mídias. Porém, esta comunicação é feita de maneira solitária em quase todo o vídeo, à exceção do encerramento, em que os amigos estão juntos no jantar; mesmo assim, a personagem segura o celular e, ao mesmo tempo em que interage com as pessoas, continua conectada ao mundo exterior. Esta busca pela perpétua conexão é discutida no artigo Internet e Cultura: um novo olhar, veloz e voraz, escrito por Wilson de Oliveira Souza:

" (...) a informação pode provocar dependência. Essa busca desesperada pode estar gerando uma crise desencadeada por excesso de informação. (...). É a saturação comunicacional, que é tão perigoso quanto a carência de informação. Nos Estados Unidos já estão surgindo estudos par tratar do caso, que já fez nascer o profissional do conhecimento, cuja tarefa é ajudar no manuseio e tratamento da enxurrada de dados disponíveis (...)."

Com isso, pode-se refletir acerca de como se pode balancear os relacionamentos on e off, que estão e estarão sempre presentes na vida de muitos indivíduos, para que não haja uma dependência crônica em relação ao tempo gasto com as mídias, principalmente com o computador. Para ilustrar este encerramento, um vídeo feito por alunos da IESB falando sobre os efeitos positivos e negativos da Internet.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Não contavam com minha astúcia! - Como usar o Twitter segundo Chapolin Colorado

Nos últimos dias, no microblog Twitter, viu-se a invasão do termo Chapolin Colorado nos Trending Topics Brasil, a lista dos assuntos mais comentados na rede. Entre os resultados da busca, há poucas frases interessantes retuitadas muitas vezes e outros comentários a respeito desta ilustre presença na lista.

Para começar esta análise, é preciso se fazer um breve histórico da série, segundo o site Turma do Chaves. O personagem Chapolin (interpretado por Roberto Goméz Bolaños, mesmo intérprete do Chaves) foi criado em 1970, um ano antes do humorístico Chaves ("El Chavo del Ocho" era o nome original mexicano), e seu nome era proveniente de uma espécie de gafanhoto. O programa de Chapolin foi gravado de 1973 a 1979 na TV Televisa (México), voltando a ativa na década de 1980, dentro do programa "Chesperito", permanecendo em atividades de gravação até 1993. Sua exibição no Brasil começou em 1984, no SBT. Quando o seriado saiu do ar por conta do Horário Político, em 2000, os fãs fizeram um movimento na Internet intitulado: "Volta, Chapolin", que surtiu efeito. Entre 2001 e 2008, Chapolin alternava momentos de baixa e alta audiência (derrotando o Jornal Hoje em algumas oportunidades), até que saiu definitivamente do ar em maio de 2009.


Mas o que este personagem mexicano tem a ver com a utilização do microblog por pessoas e empresas? Para isto, é necessário analisar alguns bordões do Chapolin (retirados do blog Chapolin World) e contrastá-los com a gestão que é feita nas mídias sociais:

Sigam-me os bons! É necessário ter muito cuidado para "atrair" bons seguidores de suas ideias e propostas e para discernir a intenção das pessoas que seguem estes perfis (se ela é uma concorrente disfarçada, como um exemplo disso no âmbito empresarial).

Era exatamente (isso) o que eu iria dizer! (quando alguém tem uma idéia melhor que a dele ou quando ele simplesmente não pensaria nada muito útil) O recurso RT do Twitter expressa exatamente isto e, por este motivo, ele deve ser utilizado com cuidado, não em demasia, e só quando for necessário. Afinal, quem vive por causa de cópias é a Xerox.

"Suspeitei desde o princípio.", quando faz algo errado e se envergonha de admitir o erro, ou simplesmente quando alguém lhe indica um detalhe óbvio que ele não tenha percebido. Essa sarcasidade mostrada por Chapolin neste caso é algo que as empresas NÃO podem fazer. Deve-se fazer o possível para que não haja erros e, se houver, pedir desculpas o mais rápido e eficiente possível.

"Já diz o velho e conhecido ditado popular/provérbio/refrão…", e assim ele cita algum provérbio popular de forma totalmente errada, geralmnete misturando dois ou mais ditados e após se enrolar ele completa dizendo tortamente "Bom, a idéia é essa!" ou "É por aí, assim!". Já é do conhecimento de muitas pessoas que quem confunde ditados populares (ou até mesmo letras de canções) pode ter sua imagem arranhada (vide o exemplo da cantora Vanusa, discutido aqui mesmo neste blog).

Enfim, Chapolin, além de ser um personagem engraçado, pode ensinar muito a respeito de como se comportar nas redes sociais, principalmente no Twitter.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Comportamento empresarial - Aprendendo com os vendedores "porta a porta"

A revista Veja que estará em circulação nesta semana (edição 2174, ano 43, nº 29, 21 jul. 2010, págs. 114 a 121) traz uma matéria interessante a respeito da evolução da atividade de venda direta (o popular "porta a porta"), que permite a milhares dos 2,5 milhões de trabalhadores empregados neste ramo uma grande alavanca social. Algumas destas pessoas largaram bons empregos para se arriscarem num setor empresarial diferente, outros encontraram na venda direta uma tábua de salvação após uma demissão.

Com isso, é interessante observar que o "porta a porta" pode também abrir suas próprias portas para que outros profissionais, como os relações-públicas, aprendam com eles os segredos para poder não só vender produtos, mas também como se relacionar com os colegas de trabalho.

Na página 117, está descrito o "kit básico do bom vendedor", uma lista de sete itens para que se possa começar a trabalhar com vendas diretas; porém, esta sequência pode ser muito bem transladada para a realidade de muitos profissionais. Os itens do kit são:

1 - Ser sociável - principalmente nas áreas de Comunicação, pessoas muitos tímidas e que não conversam muito, na maioria das vezes, têm a sua carreira prejudicada pela falta de sociabilidade.

2 - Filiar-se a uma empresa conhecida - o status de se estar numa empresa famosa traz vantagens interessantes, mais ainda em questão de preenchimento de currículos, mas há grandes responsabilidades e um esforço maior de crescimento dentro da própria organização.

3 - Gostar de ouvir os outros - saber ouvir as necessidades da empresa na área específica de conhecimento é importante para bons planejamentos e execuções das atividades. Como a sabedoria popular diz, não é a toa que todos os homens possuem dois ouvidos e somente uma boca...

4 - Aceitar a rejeição - na busca pelo tão desejado emprego (ou por aquele super-desejado estágio), pode acontecer de vários "nãos" aparecerem. É necessário ter perseverança e não desistir diante das primeiras dificuldades.

5 - Ter iniciativa - Criatividade e inovação são palavras que não sairão tão cedo da moda organizacional, e serão diferenciais para quem deseja alçar voos mais altos na carreira, tanto fazer as atividades rotineiras de forma diferente quanto criar maneiras totalmente novas de se relacionar com o público em questão.

6 - Ser persistente - da mesma maneira que o item 4 se apresenta, a persistência em conseguir um emprego, em se manter nele, e também em fechar algum patrocínio ou negócio é essencial neste contexto mundial dos dias de hoje.

7 - Ser bom planejador - o planejamento é relevante em qualquer área da vida, ainda mais nas relações profissionais. Sem este item, qualquer negócio é como um barco sem bússola: não se sabe aonde vai.

Como se pode ver, os profissionais de venda direta deram "de brinde" uma grande aula de como se comportar profissionalmente numa organização. Mais uma vez recorrendo à sabedoria popular, nunca é tarde para se aprender e, na escola da vida, todos aprendem e ensinam.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Twitter na vitória ou na derrota - Vibração espanhola e decepção holandesa

Continuando na mesma tônica do post anterior, ontem foi conhecida a grande seleção campeã da Copa do Mundo de futebol, disputada na África do Sul. Num jogo sofrido, decidido apenas no 2º tempo da prorrogação, os espanhóis venceram a Holanda por 1 a 0, gol marcado por Iniesta, e conquistaram a taça de maneira inédita, enquanto a Laranja Mecânica teve que se contentar, pela terceira vez, com o vice-campeonato. Como os jogadores destas duas seleções que se utilizam do microblog Twitter repassaram seus sentimentos aos seguidores?

Como já fora noticiado aqui neste link, os jogadores espanhóis foram proibidos de acessar as redes sociais, como Twitter e Facebook, durante o período de concentração e a realização do torneio. Os jogadores espanhóis que mais se utilizam do microblog são: o goleiro Iker Casillas, o zagueiro / lateral Sergio Ramos, os zagueiros Puyol e Arbeloa, além do meia Andres Iniesta.

Já a Holanda também proibiu seus jogadores de utilizarem o Twitter por conta de confusões referentes a acusações de racismo, como pode-se ver nesta matéria. Esta seleção possui quatro jogadores de sua seleção integrados ao Twitter: o lateral Gregory van der Wiel, o meia Sneijder e os atacantes Klaas-Jan Huntelaar e Ryan Babel.

Do lado perdedor da decisão, o atacante Klass continua sem postar no Twitter desde 8 de maio. Já Sneijder postou em 1º de julho (abrindo parênteses: como foi que ele conseguiu postar pelo fato da proibição estar em vigor ao time?), véspera da vitória sobre o Brasil nas quartas-de-final:

"Não temos nenhum problema dentro da equipe. Estamos prontos para lutar pela semi-final!"

Já o lateral Gregory repassou uma mensagem dita há 17 horas atrás pelo seu companheiro de seleção, o atacante Ryan (como na sexta, a mensagem será posta na ordem do discurso!):

First of all I wanna thank EVERYBODY who supported me & the team ... !!!
Second: It was a great experience to have the World Cup in South Africa .. I think SA did a great job !!!!
"Primeiro de tudo quero agradecer a todos que me apoiaram e à equipe ... !
Segundo: Foi uma grande experiência de ter a Copa do Mundo na África do Sul. .. Acho que o país fez um ótimo trabalho!!"


Já Ryan aproveita o espaço no Twitter para falar sobre o jogador brasileiro Kaká e a alegria de encontrá-lo depois de um ano de 'seguimento" no microblog, inclusive trocando camisas depois do jogo.

Do lado vencedor e campeão do mundo, o zagueiro Arbeloa teve seu único post anotado no dia 22 de junho, provavelmente por sua assessoria por conta da proibição. Sergio Ramos teve seu último post registrado em 6 de maio e Iniesta, o jogador que decidiu o jogo e o destino da taça, ainda não postou desde 26 de maio, quando falou acerca da proibição do acesso a redes sociais. O goleiro Casillas postou há 10 horas atrás a foto em que ele levanta a taça de campeão do mundo. Até agora, 382 pessoas comentaram, a maioria parabenizando a Espanha pela conquista do título.

Já o zagueiro Puyol já escreveu duas vezes depois da Copa. Há 21 horas atrás, o jogador demonstrou sua alegria com o título e uma foto dele com a taça, que gerou até agora 747 comentários:

"Campeões do Mundo! Obrigado a todos por suas mensagens de incentivo durante este tempo!"

Há 1 hora atrás, Puyol postou outra foto, mostrando a festa armada em Madri para a comemoração do título e demonstrou orgulho em ver tanta gente feliz com a vitória de sua seleção. Com isso, podemos ver a importância do Twitter, não só no âmbito profissional, mas para visualizarmos o comportamento das pessoas em meio a situações opostas: para que todo o mundo possa saber e sentir com os jogadores o que é ser campeão e o que é perder com dignidade, sem precisar ser rude com a imprensa e, principalmente, com a torcida.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Gestão de crises na seleção brasileira (II) - Twitter dos jogadores

Este post é uma continuação do de sábado, ainda repercutindo sobre a eliminação da seleção brasileira na Copa do Mundo e sobre o comportamento dos jogadores após a derrota de 2 a 1 para a Holanda.

Mesmo com toda a operação de isolamento imposta pelo então técnico Dunga, houve algumas brechas para que os jogadores postassem suas impressões através do microblog Twitter, logicamente com uma série de assuntos proibidos de se falar ao público do site. Falavam praticamente de suas alegrias ao vencer jogos importantes e a expectativa para as próximas fases da competição.


Após a eliminação na Copa, alguns jogadores, até o fechamento deste post, ainda não voltaram a postar no Twitter, como o goleiro Júlio Cesar e os atacantes Luís Fabiano, Grafitte, Nilmar e Robinho. Outros atletas postaram agradecimentos aos internautas que mandaram posts de incentivo e de tristeza pela derrota sobre a Holanda, como o volante Gilberto Silva.


Os dois jogadores mais polêmicos desta Copa, em se tratando de Twitter, são o volante Felipe Melo e o meio-campista Kaká. O primeiro foi considerado, pra muitos, o "vilão" da eliminação, como já dito aqui no sábado. No Twitter, ele se manifestou no dia 5 de julho, nesta sequência de quatro posts (colocada na ordem do discurso, não na ordem de postagem):

Gente, obrigado pelas mensagens de apoio e carinho. Pessoas desejando força, agradecendo pelo empenho e isso é muito importante nesse momento de superação. Estou muito triste por nossa eliminação.

Vou conversar com todos no momento certo. Me ouçam antes de julgar. Por enquanto quero descansar com a minha família.
É impossível, mas Deus pode!
 
Este "pré-julgamento" citado pelo jogador é devido à falta violenta que cometeu sobre o colega holandês e que causou sua expulsão do jogo. Como se pode ver, Felipe não mostra arrependimento pela entrada cometida e ainda pede que as pessoas o ouçam antes de julgar, sendo que a própria imagem do lance mostra o pisão do brasileiro.

Já Kaká ocasionou uma polêmica no "mundo do Twitter" graças a sua esposa Carol Celico, que relativizou a eliminação do Brasil, apoiando uma mensagem que dizia: "Mãe e filho caem da ambulância, morrem os dois, e tem gente chorando por 22 milionários" (por que não seriam 23) e até fez piada com a célebre música da Branca de Neve: "Eu vou, eu vou, pra casa agora eu vou". Vendo as críticas pelas declarações, Celico desabafou no dia 2 de julho, às 4h02 e às 7h18 da manhã:

4h02: Acho mto importante vermos o que as pessoas estao pensando!! Abra sua cabeca e seu coracao! Com certeza e melhor encarar td c bom humor!
7h18: Perdao se ofendi alguem! Nao fiz para escandalizar. Torci, sofri junto, acreditei ate o final! Agora continuamos vivendo! Bjos no coracao!

Quem quiser ver mais detalhes sobre esta confusão no Twitter, é só clicar aqui ou aqui também! É necessário, portanto, tomar cuidado quando se posta algo no Twitter ou quando se faz alguma coisa na frente de um grande público: as consequências podem ser desastrosas!!

- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

Por conta do feriado de 09 de julho, o blog voltará às suas atividades na segunda-feira, dia 12 de julho!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

A mentira tem perna curta? - Boatos nas redes sociais

A maioria das pessoas já ouviu falar na história de Pinóquio e sua "honorável fama" que se espalhou pelo mundo. Para quem não se lembra, aqui vai um resumo deste conto, com fonte do site Contando História:

Certa vez um velho carpinteiro chamado Gepeto fez um boneco de madeira. Deu-lhe o nome de Pinóquio. De repente aparece a fada madrinha de Pinóquio e o transforma em um menino de verdade, o boneco criou vida. Gepeto ficou muito feliz, agora tinha um filho.
Gepeto queria fazer de Pinóquio um menino educado. Colocou-o na escola. Mas Pinóquio fugiu e foi divertir-se no teatro de bonecos. O dono do teatro queria ficar com Pinóquio. Mas ele chorou tanto que o homem deu-lhe umas moedas e o deixou partir.
Na volta para casa encontrou dois ladrões. Apesar dos conselhos do grilo falante, eleito sua consciência pela fada madrinha, seguiu com eles e foi roubado. Pinóquio, triste, resolveu voltar para casa e obedecer Gepeto.
No caminho, um passarinho avisou que Gepeto foi procurá-lo no mar. Ele ia ao encontro de Gepeto, quando viu umas crianças que se dirigiam ao país da alegria. Pinóquio foi com eles. Estava brincando quando percebeu que estava se transformando em um burro. E o nariz de Pinóquio começou a crescer...crescer....e...crescer!
Chorou arrependido. Uma fada apareceu e desfez o encanto. Mas avisou: - Toda a vez que mentir, seu nariz vai crescer.
Pinóquio então foi ao encontro de Gepeto. Chegando no mar, Pinóquio e o Grilo foram procurar Gepeto. Apareceu uma baleia e os engoliu. Lá dentro encontraram Gepeto. Quando a baleia abriu a boca de novo, eles fugiram.
Chegando em casa, a fada recompensou a coragem de Pinóquio, transformando-o num menino de verdade. Pinóquio e Gepeto foram muito felizes.



Vimos muitas brincadeiras e mentiras (mais sérias do que as do Pinóquio) circulando pela Internet, principalmente pelas mídias sociais como Orkut e Twitter. Assim como o personagem, quando não se "obedece" a normas sociais da Internet, quando se inventa qualquer história num site de relacionamentos, ela pode se disseminar por todo o mundo, fazendo o nariz crescer e se alongar por toda a rede.

A "fada" da Internet fez com que as redes sociais ganhassem vida e força. As redes sociais e seus conteúdos deveriam ser como aquele menino educado do começo da historinha, mas acabam, por algumas vezes, fugindo e tomando proporções quase que incontroláveis, como a fuga de Pinóquio do seu criador Gepeto. E os profissionais de Relações Públicas são as "fadas madrinhas" responsáveis por gerir esta suposta crise, por desfazer este encanto.

Um exemplo destes boatos ocorreu no sábado, em que um post infeliz no Twitter de um diretor de agência de relações públicas acabou crescendo e virando um boato sério de que o jogador inglês David Beckham estaria pondo fim ao seu casamento, como se pode ver nesta reportagem. O boato correu o mundo, e a "fada madrinha" do jogador (seu assessor pessoal Simon Oliveira), pelo mesmo Twitter, teve que desfazer o (des)encanto, atribuindo ao rumor a palavra "nonsense".

Que a "fada" da Internet possa recompensar a cada pessoa que dissemina verdades nas redes sociais e que a baleia (não só a da história, mas também a do Twitter - por que não?) não engula os defensores de causas mais nobres do que um CALA BOCA GALVAO, por exemplo.

sábado, 5 de junho de 2010

A Copa das lesões - comportamento dos torcedores

Nas várias mídias, sejam sociais, impressas, televisivas, radiofônicas ou virtuais, o grande assunto do momento é, sem sombra de dúvidas, a Copa do Mundo, que será realizada na África do Sul. Até aí, muito óbvio. A grande questão que se acende com mais força nesta edição do Mundial se refere a algo que está dentro e fora do campo ao mesmo tempo: as lesões de jogadores.
Ferdinand, Beckham, Rooney (todos da Inglaterra), Ballack (Alemanha), Drogba (Costa do Marfim), Pirlo (Itália), Michel Bastos e Júlio Cesar (Brasil), Harry Kewell (Austrália). Quase um time inteiro de craques mundiais que sofreram lesões nos últimos meses e que tiveram risco (descartado ou confirmado) de ficar fora da Copa ou dos primeiros jogos de suas seleções. Talvez nunca na história das Copas tantos jogadores foram cortados de seus países por conta destas infelicidades.

Foto: Reuters (apud Terra)


















Drogba, atacante da Costa do Marfim, lesionado após amistoso contra o Japão

Além do jogador, que vê seu sonho de disputar uma Copa do Mundo (seja para representar bem seu país ou para conseguir uma projeção maior no cenário mundial e em times de maior poderio, ou estas duas intenções juntas) ir por água abaixo, a população do país "prejudicado" também sofre com a ausência de suas maiores estrelas e, quase que consequentemente, com o risco de não conseguir uma boa classificação no Mundial.

Porém, para os países rivais (seja historicamente ou no próprio contexto de disputa da Copa 2010), a contusão de um jogador de outra seleção gera outros comportamentos dos torcedores. O caso específico desta análise está em três notícias do Portal Terra, acessadas no dia de hoje (05/06), no período da manhã. Todas se referiam à fratura no braço do jogador Dider Drogba, atacante e principal nome da seleção da Costa do Marfim:

- Às vésperas da Copa, lesões marcam sexta-feira: http://esportes.terra.com.br/futebol/copa/2010/fotos/0,,OI125031-EI14416,00-As+vesperas+da+Copa+lesoes+marcam+sextafeira.html
- Drogba leva entrada de brasileiro e teria dado adeus à Copa: http://esportes.terra.com.br/futebol/copa/2010/noticias/0,,OI4470371-EI15725,00-Drogba+leva+entrada+de+brasileiro+e+teria+dado+adeus+a+Copa.html

Deve-se lembrar, antes da análise de cada notícia, que a política de comentários do Portal Terra é bem simples: não se deve fazer comentários contra a lei e a moral e sobre assuntos que não tenham nada a ver com a notícia veiculada. O único problema é que, para comentar, só é necessário o nome e a mensagem. Detalhe: não precisa ser o nome verdadeiro. Há comentários em que o nome é uma frase ou parodiam o de uma celebridade.

Na primeira notícia, há 14 comentários. Alguns deles mostram uma preocupação com a falta de craques na Copa, brincam com o fato de ser uma sexta-feira ("Será que hoje é sexta-feira 13?", comenta uma pessoa de nome Uma pergunta:), fazem trocadilhos (a Copa dos que não foram) e até ficam felizes com a lesão do atacante: "mais assim ta bom demais este dae q para mim é um dos melhores atacantes do mundo, ficando de fora um passo a mais pro brasil trazer este hexa.valeu drogba" (comentário do Hugo) e "hehehehehehe quero mais e que todos quebrem a perna... brasil rumo a final dinovo" (comentário do Peterson).

Já na segunda, há 188 comentários, por ser uma notícia mais completa à respeito da lesão do jogador. Há comentários dos mais variados tipos: desde os que lamentam a lesão de Drogba, comparando à de Pelé na Copa de 1966, inclusive falando que o Dunga tem sorte pelas lesões dos melhores jogadores das outras seleções, até os que torcem para que Josué e Kléberson se machuquem no próximo amistoso para que Ronaldinho Gaúcho e Ganso possam ser chamados. Alguns também ressaltam o fato de que o jogador japonês Tanaka que se chocou com Drogba é nascido no Brasil, e isso gera várias interpretações, desde um suposto dinheiro para tirar o craque marfinês da Copa, protestos contra o jogo violento do japonês (comparado ao karatê) até pedidos para que ele seja convocado no lugar do Juan. Além de alguns comentários comemorando a fratura no braço e criticando o amistoso entre Brasil e Zimbábue.

O que se pode perceber após esta rápida lida nos comentários é que a liberdade de expressão é extrema, a começar pelos nomes que aparecem (fakes do Dunga, Drogba, Messi, Maradona, Luxemburgo) e dos assuntos falados que não possuem tanta relação com a notícia (como uma suposta armação para que o Brasil ganhe a Copa de 2014 em seu próprio território). Também se ressalta a grande sarcarsidade (intencional ou não) dos autores de alguns comentários, enquanto outros prezam pela ética e primam em destacar o possível fim do sonho de Drogba em disputar a Copa.

Enfim, muitos brasileiros, na época de Copa, tornam-se, inconsientemente, insensíveis ao sonho de um semelhante deste ou de outro país, e pensam mais em poder comemorar um tíulo que, talvez, não mudará diretamente a sua vida, o seu cotidiano. Pode mudar o horário de trabalho por um mês mas, depois do dia 11 de julho, o trabalho será o mesmo, quiçá, dobrado pelas horas em que o Brasil jogou.

---------

Agradeço a todos que estão vistando este blog e aproveito para informar que, a partir da semana que vem, os posts serão publicados de segunda, quarta e sexta!
Abraços!