Muito se fala em relação à cidadania como forma de integração dos indivíduos em diferentes esferas, sociais, econômicas ou políticas, apenas para citar alguns exemplos. Mas o que significa, de fato, ser cidadão, e como pode-se observar o termo "cidadania" nestas esferas? Dentre vários olhares existentes sobre este tema, foca-se, para este post, a perspectiva rousseauriana, descrita por Cicilia M. Krohling Peruzzo no artigo Comunicação comunitária e educação para a cidadania (2002):
"(...) a cidadania é vista como um direito coletivo, que, favorecendo o desenvolvimento da individualidade, pressupõe a ação política e sua socialização. Tendo como suporte uma legislação que procura levar em conta os princípios de igualdade e de liberdade, ela implica não só direitos do indivíduo, mas também seus deveres na sociedade."
Um dos exemplos, ainda tratado com polêmica, de como promover a socialização das ações, não só políticas, mas também sociais, foi divulgada no último sábado, dia 14 de maio. O programa "Caldeirão do Huck" da Rede Globo destacou o "Desafio da Paz", uma corrida de 4km e 850m que seria realizada no dia seguinte ao programa, no conjunto de favelas do Alemão, no Rio de Janeiro, e cujo trajeto é o mesmo utilizado por bandidos e traficantes que tentaram fugir da polícia no final do ano passado.
No meio desta pauta, Luciano Huck descobre a história de vários policiais, ex-traficantes e ex-presidiários que participariam desta corrida e ainda mostra Lulinha, um ex-detento que hoje trabalha num estacionamento de carros, graças a um projeto do grupo AfroReggae no Rio de Janeiro, chamado Empregabilidade, iniciado em fevereiro de 2008 e que já ajudou 1695 pessoas a terem sua carteira assinada e seus direitos assegurados, segundo matéria publicada no site oficial do grupo. Destas, 853 tiveram alguma ligação com a criminalidade, incluindo o próprio gestor do projeto, Norton Guimarães.
Lulinha participou das provas do quadro Agora ou Nunca 5 Estrelas e ganhou 50 mil reais para ajudar a sua família neste recomeço de vida. Além desse programa de alcance nacional e internacional ceder um grande espaço para esta discussão (segundo declarações do apresentador durante a veiculação do quadro, já se tinha uma vontade antiga, por parte dele mesmo, de mostrar esta questão delicada para o grande público), a Globo ainda lançou uma campanha sobre este projeto com depoimentos do próprio ex-detento, de Norton e de outros indivíduos que saíram do sistema penitenciário e não voltaram para o mundo do crime.
O interessante é que os filmes começam mostrando as pessoas como se não pudessem/quisessem ser identificadas (voz modificada, imagem distorcida) e, à medida em que contam as suas histórias de superação e abandono do crime, o rosto e a voz são mostradas com nitidez.
Outro exemplo de como este tema foi tratado, só que agora por um órgão público, é o projeto Começar de Novo, promovido pelo Conselho Nacional de Justiça e que visa sensibilizar as pessoas físicas e os órgãos públicos para incentivar cursos e oficinas para presos e egressos dos presídios. Além da criação do Portal de Oportunidades, com vagas de trabalho disponíveis para este público, foram veiculadas campanhas de conscientização no rádio e na televisão nos anos de 2008 e 2009. As peças comparam, de forma metafórica, a situação de ex-detentos e a visão de pessoas externas a este contexto com a versão imagética de expressões, como "Quem não tem pecado, que atire a primeira pedra", e com situações específicas, como a tradicional "Malhação do Judas".
Assuntos referentes às questões carceárias no Brasil são polêmicos, pois ainda são envolvidos de pré-julgamentos, preconceitos, opiniões controversas e estereótipos em relação ao sistema penitenciário brasileiro e aos próprios detentos, como pode-se ver nos comentários dos vídeos da campanha do CNJ. De fato, é difícil generalizar uma concepção a respeito desta situação, porque existem pessoas e pessoas, detentos e detentos, cada um com seus valores e traumas, com suas ideologias e histórias de vida. A discussão está em aberto.
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segunda-feira, 16 de maio de 2011
Comunicação para a cidadania - Incentivo à reintegração de ex-presidiários no convívio social
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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Porque já é dezembro... (II) - Comunicação e solidariedade às vésperas do Natal
Em continuação à série de posts especiais sobre o Natal, iniciada ontem, é necessário refletir sobre as ações solidárias e comunitárias presentes durante este período de final de ano. É até clichê falar que o ser humano, quando se aproxima o Natal, começa a ficar mais sensibilizado com certas situações e está mais propenso a ajudar os seus semelhantes a celebrar dignamente os festejos natalinos.
Tendo em vista esta observação, o blog traz, hoje, dois exemplos de ações solidárias, uma mais pontual e até mesmo inédita, e outra mais tradicional e duradoura. Os casos analisados serão a vinheta de fim de ano da Rede Globo do ano de 2010-2011, com o mote "Realizar sonhos é mais simples do que você imagina", e a campanha Natal sem Fome dos Sonhos.
Primeiramente, vendo a tradicional vinheta de fim de ano da emissora carioca, ela traz uma interação direta com o telespectador, assim como no ano de 2008, em que vídeos de pessoas anônimas cantando a música tema foram utilizados pela emissora. Segundo o release divulgado pela emissora em vários sites e blogs, foram pedidas cartas com “sonhos de Natal” em Espaços Criança Esperança, comunidades e hospitais pelo país, sem que se contasse que era uma iniciativa da Globo. A escolha foi feita de forma aleatória e os escolhidos só descobriram do que se tratava com a chegada de surpresa das equipes.
São 10 vídeos ao todo, com a presença de duplas de atores e apresentadores da Globo, escolhidos talvez por sua empatia com as crianças (como Renato Aragão e Xuxa; Marcius Melhem e Leandro Hassum), por estarem em grande fase no jornalismo esportivo (Glenda Kozlowski e Tiago Leifert) ou como uma estratégia para mostrar simpatia com o público a fim de recuperar a audiência do Fantástico (Patrícia Poeta e Zeca Camargo), mas sempre mostrando o lado de Papais e Mamães Noéis presente nos artistas e nos cidadãos, principalmente diante do Natal, como no vídeo a seguir, com a participação do casal Tarcísio Meira e Glória Menezes entregando uma câmera digital à Pâmela, uma menina residente na capital paulista.
Outro projeto solidário que completa seus 18 anos em 2010 é a Ação da Cidadania, fundada em 24 de abril de 1993 pelo sociológo Hebert de Souza, o Betinho e a justificativa para a implantação deste comitê e da campanha Natal Sem Fome, a mais famosa ação do grupo e que foi lançada naquele mesmo ano, é explicada pelo próprio fundador: "a motivação fundamental da Ação da Cidadania era a certeza de que democracia e miséria eram incompatíveis. A indigência havia alcançado níveis alarmantes, agravando ainda mais o quadro de pobreza que sempre caracterizou a realidade brasileira".
Em 2006, houve uma mudança de foco na campanha, que passou a ser chamada de Natal Sem Fome dos Sonhos e a arrecadar brinquedos e livros infanto-juvenis, alertando a sociedade para as mazelas ainda existentes na educação brasileira. Simbolizando esta nova etapa, a nova logomarca da campanha foi criada pelo cartunista Ziraldo, autor, dentre outras obras, de O Menino Maluquinho. Como o próprio site relata, a campanha saiu do emergencial (recolhimento de alimentos) e passou a tratar o estrutural (combate ao analfabetismo e incentivo a uma educação de qualidade).
Neste ano, a arrecadação de brinquedos no Rio de Janeiro foi menor do que em 2009: apenas 59 mil brinquedos foram recebidos pela equipe, quase um terço do total arrecadado no ano passado e, na última quarta-feira, ocorreu uma vígilia para a montagem das cestas que serão entregues às famílias carentes. Abaixo, uma matéria do Jornal Nacional sobre a arrecadação de brinquedos em plena Rua 25 de Março, em São Paulo.
Com esses exemplos, podemos entender que as ações solidárias durante a época natalina são importantes, mas precisam ser desenroladas também durante o resto do ano, e nisso entra o profissional de Relações Públicas, no planejamento de ações de curto, médio ou longo prazo, para que a solidariedade esteja presente nos 365 dias do ano.
Tendo em vista esta observação, o blog traz, hoje, dois exemplos de ações solidárias, uma mais pontual e até mesmo inédita, e outra mais tradicional e duradoura. Os casos analisados serão a vinheta de fim de ano da Rede Globo do ano de 2010-2011, com o mote "Realizar sonhos é mais simples do que você imagina", e a campanha Natal sem Fome dos Sonhos.
Primeiramente, vendo a tradicional vinheta de fim de ano da emissora carioca, ela traz uma interação direta com o telespectador, assim como no ano de 2008, em que vídeos de pessoas anônimas cantando a música tema foram utilizados pela emissora. Segundo o release divulgado pela emissora em vários sites e blogs, foram pedidas cartas com “sonhos de Natal” em Espaços Criança Esperança, comunidades e hospitais pelo país, sem que se contasse que era uma iniciativa da Globo. A escolha foi feita de forma aleatória e os escolhidos só descobriram do que se tratava com a chegada de surpresa das equipes.
São 10 vídeos ao todo, com a presença de duplas de atores e apresentadores da Globo, escolhidos talvez por sua empatia com as crianças (como Renato Aragão e Xuxa; Marcius Melhem e Leandro Hassum), por estarem em grande fase no jornalismo esportivo (Glenda Kozlowski e Tiago Leifert) ou como uma estratégia para mostrar simpatia com o público a fim de recuperar a audiência do Fantástico (Patrícia Poeta e Zeca Camargo), mas sempre mostrando o lado de Papais e Mamães Noéis presente nos artistas e nos cidadãos, principalmente diante do Natal, como no vídeo a seguir, com a participação do casal Tarcísio Meira e Glória Menezes entregando uma câmera digital à Pâmela, uma menina residente na capital paulista.
Outro projeto solidário que completa seus 18 anos em 2010 é a Ação da Cidadania, fundada em 24 de abril de 1993 pelo sociológo Hebert de Souza, o Betinho e a justificativa para a implantação deste comitê e da campanha Natal Sem Fome, a mais famosa ação do grupo e que foi lançada naquele mesmo ano, é explicada pelo próprio fundador: "a motivação fundamental da Ação da Cidadania era a certeza de que democracia e miséria eram incompatíveis. A indigência havia alcançado níveis alarmantes, agravando ainda mais o quadro de pobreza que sempre caracterizou a realidade brasileira".
Em 2006, houve uma mudança de foco na campanha, que passou a ser chamada de Natal Sem Fome dos Sonhos e a arrecadar brinquedos e livros infanto-juvenis, alertando a sociedade para as mazelas ainda existentes na educação brasileira. Simbolizando esta nova etapa, a nova logomarca da campanha foi criada pelo cartunista Ziraldo, autor, dentre outras obras, de O Menino Maluquinho. Como o próprio site relata, a campanha saiu do emergencial (recolhimento de alimentos) e passou a tratar o estrutural (combate ao analfabetismo e incentivo a uma educação de qualidade).
Neste ano, a arrecadação de brinquedos no Rio de Janeiro foi menor do que em 2009: apenas 59 mil brinquedos foram recebidos pela equipe, quase um terço do total arrecadado no ano passado e, na última quarta-feira, ocorreu uma vígilia para a montagem das cestas que serão entregues às famílias carentes. Abaixo, uma matéria do Jornal Nacional sobre a arrecadação de brinquedos em plena Rua 25 de Março, em São Paulo.
Com esses exemplos, podemos entender que as ações solidárias durante a época natalina são importantes, mas precisam ser desenroladas também durante o resto do ano, e nisso entra o profissional de Relações Públicas, no planejamento de ações de curto, médio ou longo prazo, para que a solidariedade esteja presente nos 365 dias do ano.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Comunicação comunitária salva vidas! - Concurso "Para Doar é só Falar"
Como já foi discutido neste blog, a comunicação comunitária é muito importante para que ideais e ideias possam ser discutidas, assimiladas e repassadas a mais pessoas, ainda mais quando se trata de assuntos delicados e abordados com menor intensidade pela mídia, como o incentivo à doação de órgãos.
Até mesmo quem não é da área da comunicação ressalta a importância de uma maior divulgação destas causas, como vê-se no artigo A recusa familiar para a doação de órgãos e tecidos para transplante, de Edvaldo Leal de Moraes e Maria Cristina Komatsu Braga Massarollo:
"O esclarecimento sobre o tema é necessário para que as pessoas possam decidir conscientemente, porque tem gente que gostaria de doar, mas a falta de esclarecimento gera dúvidas e medo. A divulgação é de fundamental importância para que a população possa criar uma opinião sobre a questão da doação de órgãos, e os meios de comunicação têm um papel relevante nesse processo de formação de consciência. Além disso, o assunto deveria ser abordado nas escolas para que a pessoa cresça sabendo se vai ser ou não um doador de órgãos, pois há falta de conhecimento das pessoas sobre a morte encefálica e mesmo quem conhece não aceita."
A promoção consiste em mandar um vídeo de, no máxinmo, 30 segundos mostrando como é fácil tornar-se um doador de órgãos, pois no Brasil não é necessário deixar documentos escritos para esse intuito. A avaliação dos vídeos será feita em duas etapas; o voto popular indicará os dez finalistas, que serão julgados posteriormente por um comitê especializado.
Os três melhores vídeos, além de promoverem a causa, ganharão prêmios em dinheiro para fazer compras na Fnac (R$ 4.000,00 ; R$ 6.000,00 e R$10.000,00, respectivamente). O grande ganhador também terá seu vídeo adaptado por uma produtora profissional e exibido em diversos meios de comunicação, sendo um embaixador da doação de órgãos.
Até o fechamento deste post, mais de 1500 pessoas já participaram e 29 vídeos estão disponíveis para a votação. O prazo máximo para o envio dos vídeos é dia 07 de janeiro, à meia-noite. Cinco dias depois, serão revelados os nomes dos finalistas. O regulamento completo da promoção está disponível neste site.
Ah, e nessas visitas da agência, há o sorteio de um pendrive de 4GB com a imagem da campanha, através de uma pergunta. Eu tive a alegria de ganhar este mimo desta ação, com caixinha personalizada e tudo o mais.
Até mesmo quem não é da área da comunicação ressalta a importância de uma maior divulgação destas causas, como vê-se no artigo A recusa familiar para a doação de órgãos e tecidos para transplante, de Edvaldo Leal de Moraes e Maria Cristina Komatsu Braga Massarollo:
"O esclarecimento sobre o tema é necessário para que as pessoas possam decidir conscientemente, porque tem gente que gostaria de doar, mas a falta de esclarecimento gera dúvidas e medo. A divulgação é de fundamental importância para que a população possa criar uma opinião sobre a questão da doação de órgãos, e os meios de comunicação têm um papel relevante nesse processo de formação de consciência. Além disso, o assunto deveria ser abordado nas escolas para que a pessoa cresça sabendo se vai ser ou não um doador de órgãos, pois há falta de conhecimento das pessoas sobre a morte encefálica e mesmo quem conhece não aceita."
No dia 04 de novembro, as salas da UNESP/Bauru foram visitadas pela agência Garage Interactive Marketing que trouxe, além de alguns cases comunicacionais de sucesso como a ação feita para a Antártica Sub Zero, propôs um desafio aos que estavam presentes: o concurso "Para Doar é só Falar", que possui o objetivo de estimular o engajamento jovem à doação de tecidos e órgãos, em parceira com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos e com a empresa Novartis.
A promoção consiste em mandar um vídeo de, no máxinmo, 30 segundos mostrando como é fácil tornar-se um doador de órgãos, pois no Brasil não é necessário deixar documentos escritos para esse intuito. A avaliação dos vídeos será feita em duas etapas; o voto popular indicará os dez finalistas, que serão julgados posteriormente por um comitê especializado.
Os três melhores vídeos, além de promoverem a causa, ganharão prêmios em dinheiro para fazer compras na Fnac (R$ 4.000,00 ; R$ 6.000,00 e R$10.000,00, respectivamente). O grande ganhador também terá seu vídeo adaptado por uma produtora profissional e exibido em diversos meios de comunicação, sendo um embaixador da doação de órgãos.
Até o fechamento deste post, mais de 1500 pessoas já participaram e 29 vídeos estão disponíveis para a votação. O prazo máximo para o envio dos vídeos é dia 07 de janeiro, à meia-noite. Cinco dias depois, serão revelados os nomes dos finalistas. O regulamento completo da promoção está disponível neste site.
Ah, e nessas visitas da agência, há o sorteio de um pendrive de 4GB com a imagem da campanha, através de uma pergunta. Eu tive a alegria de ganhar este mimo desta ação, com caixinha personalizada e tudo o mais.
O mais importante, contudo, não é ganhar este pendrive, é o fato de poder testemunhar esta ação de comunicação visando, não somente o lucro da empresa participante, mas tendo um objetivo maior, que é o da conscientização das pessoas, marcando-as por muito tempo.
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Indivíduo Não Governamental - Um novo campo de ação para as Relações Públicas
"Os meios de comunicação comunitários/populares (...) têm assim o potencial de ser, ao mesmo tempo, parte de um processo de organização popular e canais carregados de conteúdos informacionais e culturais, além de possibilitarem a prática da participação direta nos mecanismos de planejamento, produção e gestão. Contribuem, portanto, duplamente para a construção da cidadania. Oferecem um potencial educativo enquanto processo e também pelo conteúdo das mensagens que transmitem. Por seus conteúdos podem dar vazão à socialização do legado histórico do conhecimento, facilitar a compreensão das relações sociais, dos mecanismos da estrutura do poder (...), dos assuntos públicos do país, esclarecer sobre os direitos da pessoa humana e discutir os problemas locais.".
E quando há a vontade de se mobilizar por certa causa social, porém não se encontrando recursos financeiros, ou se debatendo com a burocracia que existe para se montar a estrutura de uma ONG? Uma saída encontrada por várias pessoas, inclusive profissionais de Relações Públicas, é partir para a ação direta, promovendo ações concretas para o desenvolvimento da sociedade; é ser, portanto, um ING (Indivíduo Não Governamental).
Averaldo Nunes Rocha e Márcio Mitio Konno, do Centro Universitário Radial (SP), realizaram um trabalho chamado ING's - Indivíduos Não Governamentais - Reciclando a Cultura do Lixo, em que relatam dois casos em que a cultura do lixo foi retomada: o primeiro é de um catador de papel que, apaixonado por cinema, criou o Mini Cine Tupi, que exibe filmes e distribui pipocas gratuitamente à comunidade carente de Taboão da Serra (foto no começo do post). Já o segundo é um casal que montou uma biblioteca comunitária a partir de livros e revistas encontradas durante os seus trabalhos no processo de reciclagem de lixo. Já são mais de 16000 exemplares disponíveis no subsolo do Edifício Prestes Maia, em São Paulo (foto abaixo).
Nos dois casos, os gastos são custeados pelos próprios idealizadores e há a ajuda de doadores, sem retorno financeiro para os ING's. O maior retorno, porém, para cada um deles é a recuperação da dignidade, da educação e da alegria em ser um membro desta comunidade. Talvez o maior desafio destes profissionais é a retirada de certos comentários maldosos, como se os ING's tivessem uma certa "vontade de se aparecer nas mídias", estereótipos que precisam ser retirados urgentemente, pois não é qualquer profissional que consegue se dispor abertamente ao trabalho voluntário e que precisa, algumas vezes, ter sensatez para discutir com as empresas e com os poderes públicos a fim de melhorar a vida da comunidade.
Por isso, deve-se dar muita importância a esta atuação e pensar na possibilidade do Relações Públicas ter estas iniciativas e se tornar um ING. As disciplinas de Comunicação Comunitária (ou nomes semelhantes) na graduação auxiliam os alunos a perceber as dificuldades e as carências existentes nas comunidades assistidas e, por consequência, a formar cidadãos mais conscientes e motivados a fazer o bem comum, mesmo quando a sociedade não participa. Para encerrar, um pouco mais da história do Mini Cine Tupi, através da reportagem do programa Ressoar, da Rede Record, exibido em abril de 2009.
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Estratégia de coração - Comunicação comunitária no Movimento Saúde
Uma das vertentes em que os profissionais de comunicação, incluindo os Relações Públicas, podem atuar é servindo à comunidade em que se vive, ou seja, gerindo e efetivando a chamada comunicação comunitária.
Quando se observa o artigo Comunicação comunitária: Uma revisão dos conceitos fundamentais, de Antonio Carvalhal, apresentado no INTERCOM de 2007 (p. 4), pode-se perceber que "a mídia convencional (...) continua exercendo suas atividades de modo com que se crie uma diferença entre o mundo retratado pela mídia e o mundo que as pessoas vivem, criando então uma cultura da mídia". Ou seja, é necessário, na visão do autor, que a comunidade (e, por consequência, a mídia) possa mostrar, de maneira menos fantasiosa e mais realista, as realidades presentes na vida da população.
Dois grandes exemplos de como esta forma de comunicação é realizada são os programas Movimento Saúde (logo está embaixo) e Dia de Alerta sobre o uso excessivo do álcool, ambos feitos pela PROEX (Pró-Reitoria de Extensão Universitária) - UNESP no mês de outubro, que possuem o objetivo de conscientizar a comunidade para que se tenha uma maior qualidade de vida, com a prática de exercícios e a moderação em relação ao consumo de bebidas alcoólicas.

Os programas são feitos desde 2006, e surgiram devido a uma necessidade do público. Segundo a pró-reitora Maria Amélia Máximo de Araújo, em matéria veiculada na época, no ano de 2005 os casos de doenças cardiovasculares, como hipertensão, e de pessoas obesas e com sobrepeso aumentaram em torno da comunidade. “Formamos, então, uma comissão que elaborou atividades e informações para reverter esse quadro”, disse a reitora.
Várias intervenções foram e são feitas através destes projetos (mediados por alunos, professores e profissionais), como medição de glicemia, avaliações físicas e psicológicas, distribuição de panfletos informativos e preenchimento de questionários, além da distribuição de sorvetes aos que contribuem com os projetos. No ano de 2010, os eventos aconteceram no dia 05 de outubro, em vários campus da UNESP, como Bauru, Marília, Botucatu e Ourinhos, por exemplo.
O que se pode dizer destas intervenções, frutos da Comunicação Comunitária é que elas contribuem para que os olhos e a consciência comunitárias se abram a uma reflexão acerca do sedentarismo e ao consumo excessivo de álcool, tão disseminados na sociedade, muitas vezes pelos meios de comunicação, e praticar a responsabilidade social, propondo mudanças culturais e comportamentais e se relacionando com as comunidades residentes próximas a cada campus da UNESP.
P.S: Gostaria de agradecer a todos que torceram por mim e comunicar que virei bixete de novo. Calma, não abandonei o curso de Relações Públicas: eu fui chamada no processo seletivo do blog OCappuccino e serei uma das colaboradoras do blog. Aproveito para agradecer a equipe do blog, pela confiança e pela oportunidade, e prometo me empenhar para trazer sempre assuntos interessantes e pertinentes ao campo dos Relações Públicas. OBRIGADO a todos, mais uma vez!
Quando se observa o artigo Comunicação comunitária: Uma revisão dos conceitos fundamentais, de Antonio Carvalhal, apresentado no INTERCOM de 2007 (p. 4), pode-se perceber que "a mídia convencional (...) continua exercendo suas atividades de modo com que se crie uma diferença entre o mundo retratado pela mídia e o mundo que as pessoas vivem, criando então uma cultura da mídia". Ou seja, é necessário, na visão do autor, que a comunidade (e, por consequência, a mídia) possa mostrar, de maneira menos fantasiosa e mais realista, as realidades presentes na vida da população.
Dois grandes exemplos de como esta forma de comunicação é realizada são os programas Movimento Saúde (logo está embaixo) e Dia de Alerta sobre o uso excessivo do álcool, ambos feitos pela PROEX (Pró-Reitoria de Extensão Universitária) - UNESP no mês de outubro, que possuem o objetivo de conscientizar a comunidade para que se tenha uma maior qualidade de vida, com a prática de exercícios e a moderação em relação ao consumo de bebidas alcoólicas.
Os programas são feitos desde 2006, e surgiram devido a uma necessidade do público. Segundo a pró-reitora Maria Amélia Máximo de Araújo, em matéria veiculada na época, no ano de 2005 os casos de doenças cardiovasculares, como hipertensão, e de pessoas obesas e com sobrepeso aumentaram em torno da comunidade. “Formamos, então, uma comissão que elaborou atividades e informações para reverter esse quadro”, disse a reitora.
Várias intervenções foram e são feitas através destes projetos (mediados por alunos, professores e profissionais), como medição de glicemia, avaliações físicas e psicológicas, distribuição de panfletos informativos e preenchimento de questionários, além da distribuição de sorvetes aos que contribuem com os projetos. No ano de 2010, os eventos aconteceram no dia 05 de outubro, em vários campus da UNESP, como Bauru, Marília, Botucatu e Ourinhos, por exemplo.
O que se pode dizer destas intervenções, frutos da Comunicação Comunitária é que elas contribuem para que os olhos e a consciência comunitárias se abram a uma reflexão acerca do sedentarismo e ao consumo excessivo de álcool, tão disseminados na sociedade, muitas vezes pelos meios de comunicação, e praticar a responsabilidade social, propondo mudanças culturais e comportamentais e se relacionando com as comunidades residentes próximas a cada campus da UNESP.
P.S: Gostaria de agradecer a todos que torceram por mim e comunicar que virei bixete de novo. Calma, não abandonei o curso de Relações Públicas: eu fui chamada no processo seletivo do blog OCappuccino e serei uma das colaboradoras do blog. Aproveito para agradecer a equipe do blog, pela confiança e pela oportunidade, e prometo me empenhar para trazer sempre assuntos interessantes e pertinentes ao campo dos Relações Públicas. OBRIGADO a todos, mais uma vez!
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