Começa-se este post com uma pergunta: quem, em toda a sua vida, já contou alguma história para alguém? Seja esta verdadeira ou não, a cada momento do dia, milhões de histórias, famosas ou anônimas, felizes ou tristes, sonhadoras ou pessimistas, se constróem e reconstróem, e são repassadas aos públicos de várias maneiras.
Este ato de contar histórias, na comunicação, tem um nome específico: o storytelling, tema de variados artigos e dissertações, como a de Juliana dos Santos Padilha que, para obter o título de Mestre em Comunicação pela UNESP Bauru, escreveu a dissertação Storytelling do Blog Me Leva Brasil: Desdobramento de Conteúdo Midiático da TV, Interação com o Telespectador e Propaganda, em que ela relata, no começo, o conceito de storytelling (2010, p. 30) que será utilizado neste post:
"Storytelling é o ato de contar histórias como tradicionalmente é conhecido. Até há pouco tempo, um indivíduo narrador contava, com suas palavras e gestos, uma certa história para uma ou mais pessoas, em geral presentes no ato de produção da narrativa. A narrativa podia se dar de forma natural ou ensaiada. Atualmente, essa prática vem sendo resgatada em escolas, universidades e associações de contadores de histórias."
E esta prática do "contar histórias" é muito importante quando se pensa no ato de resgatar a memória, não só organizacional, mas pessoal também, pois há a valorização daquelas histórias que talvez não foram taxadas de importantes pela mídia, mas que relatam passagens importantes da história brasileira com um olhar diferenciado. Há uma expressão popular famosa que diz: "minha vida daria um filme/um livro". E se a história de vida de muitas pessoas pudesse ser exposta num museu, assim como as obras de arte mais famosas dos mais renomados artistas?
Esta é a intenção do projeto Museu da Pessoa, criado em 1991 na cidade de São Paulo, que possui, como missão, a valorização da história de cada indivíduo por toda a sociedade. Uma equipe de 22 colaboradores e 5 voluntários contribui para o êxito deste museu on-line, que desenvolve três programas de comunicação: Conte Sua História (responsável pela política de captação do acervo do Museu - qualquer pessoa tem a oportunidade de contar a sua história de vida), Memória Institucional (preservação, organização e divulgação da memória das instituições brasileiras de qualquer natureza) e Formação (capacitação de educadores, mediadores de diferentes instituições e integrantes do Museu da Pessoa para o desenvolvimento e implantação de projetos e ações de registro, preservação e divulgação da memória).
Entrando na era digital, o Museu está também na rede de microblogs Twitter, incentivando seus seguidores a participar de seus projetos, seja patrocinando um deles ou escrevendo suas histórias, além de trazer frases para reflexão, histórias em destaque, artigos sobre a instituição e sobre storytelling, promoção de eventos, entre outras ações.
No canal do projeto no Youtube, pode-se encontrar várias histórias de pessoas comuns e o vídeo promocional para as comemorações do Dia Internacional de Histórias de Vida, comemorado no dia 16 de maio. Entre os vários projetos realizados pelo Museu, houve o Memórias da Literatura Infantil e Juvenil, em que escritores, ilustradores, críticos literários e editores contaram algumas histórias de suas vidas. O vídeo a seguir mostra um depoimento do autor Pedro Bandeira ao Museu da Pessoa.
P.S.: Lembram-se do concurso cultural "Para Doar é só Falar", analisado neste blog? Pois é, há um vídeo de quatro amigos meus da UNESP que está concorrendo! O projeto deles chama-se Complete Vidas e o vídeo concorrente do concurso já esta no site! Vale a pena ver e, se quiser, votar, pois ficou muito expressivo e mostra realmente a arte de contar, mesmo que resumidamente, as histórias de famosos e anônimos que doaram a sua vida para os outros.
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segunda-feira, 29 de novembro de 2010
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Comunicação comunitária salva vidas! - Concurso "Para Doar é só Falar"
Como já foi discutido neste blog, a comunicação comunitária é muito importante para que ideais e ideias possam ser discutidas, assimiladas e repassadas a mais pessoas, ainda mais quando se trata de assuntos delicados e abordados com menor intensidade pela mídia, como o incentivo à doação de órgãos.
Até mesmo quem não é da área da comunicação ressalta a importância de uma maior divulgação destas causas, como vê-se no artigo A recusa familiar para a doação de órgãos e tecidos para transplante, de Edvaldo Leal de Moraes e Maria Cristina Komatsu Braga Massarollo:
"O esclarecimento sobre o tema é necessário para que as pessoas possam decidir conscientemente, porque tem gente que gostaria de doar, mas a falta de esclarecimento gera dúvidas e medo. A divulgação é de fundamental importância para que a população possa criar uma opinião sobre a questão da doação de órgãos, e os meios de comunicação têm um papel relevante nesse processo de formação de consciência. Além disso, o assunto deveria ser abordado nas escolas para que a pessoa cresça sabendo se vai ser ou não um doador de órgãos, pois há falta de conhecimento das pessoas sobre a morte encefálica e mesmo quem conhece não aceita."
A promoção consiste em mandar um vídeo de, no máxinmo, 30 segundos mostrando como é fácil tornar-se um doador de órgãos, pois no Brasil não é necessário deixar documentos escritos para esse intuito. A avaliação dos vídeos será feita em duas etapas; o voto popular indicará os dez finalistas, que serão julgados posteriormente por um comitê especializado.
Os três melhores vídeos, além de promoverem a causa, ganharão prêmios em dinheiro para fazer compras na Fnac (R$ 4.000,00 ; R$ 6.000,00 e R$10.000,00, respectivamente). O grande ganhador também terá seu vídeo adaptado por uma produtora profissional e exibido em diversos meios de comunicação, sendo um embaixador da doação de órgãos.
Até o fechamento deste post, mais de 1500 pessoas já participaram e 29 vídeos estão disponíveis para a votação. O prazo máximo para o envio dos vídeos é dia 07 de janeiro, à meia-noite. Cinco dias depois, serão revelados os nomes dos finalistas. O regulamento completo da promoção está disponível neste site.
Ah, e nessas visitas da agência, há o sorteio de um pendrive de 4GB com a imagem da campanha, através de uma pergunta. Eu tive a alegria de ganhar este mimo desta ação, com caixinha personalizada e tudo o mais.
Até mesmo quem não é da área da comunicação ressalta a importância de uma maior divulgação destas causas, como vê-se no artigo A recusa familiar para a doação de órgãos e tecidos para transplante, de Edvaldo Leal de Moraes e Maria Cristina Komatsu Braga Massarollo:
"O esclarecimento sobre o tema é necessário para que as pessoas possam decidir conscientemente, porque tem gente que gostaria de doar, mas a falta de esclarecimento gera dúvidas e medo. A divulgação é de fundamental importância para que a população possa criar uma opinião sobre a questão da doação de órgãos, e os meios de comunicação têm um papel relevante nesse processo de formação de consciência. Além disso, o assunto deveria ser abordado nas escolas para que a pessoa cresça sabendo se vai ser ou não um doador de órgãos, pois há falta de conhecimento das pessoas sobre a morte encefálica e mesmo quem conhece não aceita."
No dia 04 de novembro, as salas da UNESP/Bauru foram visitadas pela agência Garage Interactive Marketing que trouxe, além de alguns cases comunicacionais de sucesso como a ação feita para a Antártica Sub Zero, propôs um desafio aos que estavam presentes: o concurso "Para Doar é só Falar", que possui o objetivo de estimular o engajamento jovem à doação de tecidos e órgãos, em parceira com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos e com a empresa Novartis.
A promoção consiste em mandar um vídeo de, no máxinmo, 30 segundos mostrando como é fácil tornar-se um doador de órgãos, pois no Brasil não é necessário deixar documentos escritos para esse intuito. A avaliação dos vídeos será feita em duas etapas; o voto popular indicará os dez finalistas, que serão julgados posteriormente por um comitê especializado.
Os três melhores vídeos, além de promoverem a causa, ganharão prêmios em dinheiro para fazer compras na Fnac (R$ 4.000,00 ; R$ 6.000,00 e R$10.000,00, respectivamente). O grande ganhador também terá seu vídeo adaptado por uma produtora profissional e exibido em diversos meios de comunicação, sendo um embaixador da doação de órgãos.
Até o fechamento deste post, mais de 1500 pessoas já participaram e 29 vídeos estão disponíveis para a votação. O prazo máximo para o envio dos vídeos é dia 07 de janeiro, à meia-noite. Cinco dias depois, serão revelados os nomes dos finalistas. O regulamento completo da promoção está disponível neste site.
Ah, e nessas visitas da agência, há o sorteio de um pendrive de 4GB com a imagem da campanha, através de uma pergunta. Eu tive a alegria de ganhar este mimo desta ação, com caixinha personalizada e tudo o mais.
O mais importante, contudo, não é ganhar este pendrive, é o fato de poder testemunhar esta ação de comunicação visando, não somente o lucro da empresa participante, mas tendo um objetivo maior, que é o da conscientização das pessoas, marcando-as por muito tempo.
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Perder vale a pena? - Seleção Brasileira de Vôlei
O anseio de muitas empresas e de muitos times esportivos nos dias de hoje está numa simples palavra: GANHAR, seja prêmios importantes, seja novos clientes ou fornecedores, seja uma inserção maior na mídia ou uma parceria essencial para o crescimento das ações. Como relatam M. Lucia Silva e Katia Rubio, no artigo Superação no Esporte: limites individuais ou sociais? (2003, p. 6), "a autoconfiança em ganhar influencia favoravelmente no esforço realizado, sendo que o contrário também é verdade, quando a pessoa mantém expectativas de perder.".
Perder quase sempre é associado a algo negativo, prejudicial ao sujeito envolvido. Logicamente, há situações pessoais em que ter perdas é benéfico, como uma pessoa muito acima do peso emagrecer e ter a sua saúde restabelecida. Mas no campo esportivo e empresarial, perder pode valer a pena?
Foi a situação vista neste último fim-de-semana, durante a realização do Mundial Masculino de Vôlei, na Itália. Os times de Brasil e Bulgária, ambos no mesmo grupo, já estavam classificados para a próxima fase e, numa combinação incrível e inexplicável, o segundo colocado da chave teria adversários "mais fáceis" (no caso, República Tcheca e Alemanha) e o primeiro, mais dificuldades ao enfrentar Cuba e Espanha; ou seja, quem perdesse aquele jogo, em tese, seria o maior ganhador do dia e viajaria menos para continuar na competição. Os dois times se esforçaram para perder o jogo, com times cheios de reservas e jogando com menor qualidade do que o habitual. O time brasileiro acabou perdendo por 3 a 0, o que gerou protestos da torcida ao final do jogo e dos jogadores da seleção contra o regulamento do torneio.
O mais interessante é que o técnico Bernadinho é conhecido no ramo empresarial como grande palestrante motivacional, publicando até um livro em 2006 sobre sua história e trazendo dicas para se tornar um vencedor. Uma das frases atribuídas a ele neste site relata o seguinte: "Deve-se exigir mais de quem tem mais a dar. É fundamental conhecer as pessoas para motiva-las". Pode-se dizer que a seleção brasileira de volei tem muitas virtudes a dar, pois ganhou muitos títulos na primeira década do século XXI. Portanto, era motivador e menos tenso vencer a Bulgária para ter mais forças para ganhar os dois próximos jogos, mesmo contra equipes mais difíceis, até porque o retrospecto da seleção em relação a Cuba, por exemplo, é favorável, mesmo com a derrota na primeira fase.
Só o tempo dirá se a seleção fez uma boa escolha perder para a Bulgária. Mas a motivação dos brasileiros em assistir volei ficou, mesmo que por pouco tempo, manchada e comprometida, assim como nos episódios de Rubens Barrichello e Felipe Massa na Fórmula 1. Abaixo, está um video motivacional baseado em apontamentos do livro do treinador já citado; os torcedores brasileiros esperam esta motivação nos próximos jogos.
Perder quase sempre é associado a algo negativo, prejudicial ao sujeito envolvido. Logicamente, há situações pessoais em que ter perdas é benéfico, como uma pessoa muito acima do peso emagrecer e ter a sua saúde restabelecida. Mas no campo esportivo e empresarial, perder pode valer a pena?
Foi a situação vista neste último fim-de-semana, durante a realização do Mundial Masculino de Vôlei, na Itália. Os times de Brasil e Bulgária, ambos no mesmo grupo, já estavam classificados para a próxima fase e, numa combinação incrível e inexplicável, o segundo colocado da chave teria adversários "mais fáceis" (no caso, República Tcheca e Alemanha) e o primeiro, mais dificuldades ao enfrentar Cuba e Espanha; ou seja, quem perdesse aquele jogo, em tese, seria o maior ganhador do dia e viajaria menos para continuar na competição. Os dois times se esforçaram para perder o jogo, com times cheios de reservas e jogando com menor qualidade do que o habitual. O time brasileiro acabou perdendo por 3 a 0, o que gerou protestos da torcida ao final do jogo e dos jogadores da seleção contra o regulamento do torneio.
O mais interessante é que o técnico Bernadinho é conhecido no ramo empresarial como grande palestrante motivacional, publicando até um livro em 2006 sobre sua história e trazendo dicas para se tornar um vencedor. Uma das frases atribuídas a ele neste site relata o seguinte: "Deve-se exigir mais de quem tem mais a dar. É fundamental conhecer as pessoas para motiva-las". Pode-se dizer que a seleção brasileira de volei tem muitas virtudes a dar, pois ganhou muitos títulos na primeira década do século XXI. Portanto, era motivador e menos tenso vencer a Bulgária para ter mais forças para ganhar os dois próximos jogos, mesmo contra equipes mais difíceis, até porque o retrospecto da seleção em relação a Cuba, por exemplo, é favorável, mesmo com a derrota na primeira fase.
Só o tempo dirá se a seleção fez uma boa escolha perder para a Bulgária. Mas a motivação dos brasileiros em assistir volei ficou, mesmo que por pouco tempo, manchada e comprometida, assim como nos episódios de Rubens Barrichello e Felipe Massa na Fórmula 1. Abaixo, está um video motivacional baseado em apontamentos do livro do treinador já citado; os torcedores brasileiros esperam esta motivação nos próximos jogos.
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