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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

A importância do mobile marketing para as empresas

Por Maíra Masiero

Quando se observa as ruas de qualquer cidade brasileira, o que mais se vê é a quantidade de telefones celulares e smartphones, e os seus variados usos (desde fazer um simples telefonema até acessar à Internet e atualizar as redes sociais), num clima de praticidade, versatilidade e agilidade compatíveis com o mundo contemporâneo.

Parece até que estes pequenos aparelhos se multiplicam diante da população brasileira, e isso é verídico: de acordo com a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), existem, em dados coletados até o mês de julho de 2013, 266,9 milhões de linhas ativas na telefonia celular, um número maior do que a população brasileira, que chega a 200 milhões de habitantes.

Fonte da imagem: Agência RS
Com essas informações, fica evidente que realizar ações de marketing nesta forma específica de tecnologia pode ser uma estratégia eficaz para alavancar as vendas de um produto e/ou consolidar positivamente a imagem de uma marca; isto se essas ações não parecerem uma invasão de privacidade (ou de supressão de créditos) aos olhos do consumidor.

Sendo assim, o mobile marketing (uso de dispositivos móveis para atividades de negócios e mercadológicas) pode se destacar no cenário brasileiro, em que há um grande mercado consumidor em formação, como afirma, em entrevista publicada no site da Exame, Donald Fitzmaurice, fundador da companhia irlandesa Brandtone, uma das principais desse setor do país.

Para que se tenha uma ideia da influência da correta realização de ações de mobile marketing, aqui estão alguns cases considerados os melhores deste segmento pela revista Proxxima, e que demonstram a versatilidade e a criatividade que são incumbidas nestas práticas. Um deles é uma parceria entre duas empresas mundialmente conhecidas: a de telefonia celular Nokia e o grupo anglo-holandês Unilever, mais precisamente envolvendo a marca de cosméticos Seda.

Em 2008, houve o lançamento de um celular totalmente voltado ao público adolescente, o Nokia 5200 Pink, cujo conteúdo, embalagem e forma eram diretamente relacionados ao produto Seda Teens e ao seu público-alvo (meninas entre 12 e 17 anos), desde o tema do celular, ícones, papéis de parede, animações, até mesmo um mobile game exclusivo.

Além disso, houve outras ações relacionadas ao uso do celular, como a trívia SMS em algumas salas de cinema (antes da exibição dos filmes), uma espécie de jogo da memória com produtos Seda Teens que valia prêmios para quem mandasse mais rapidamente uma mensagem de texto, com a opção correta do jogo.



Outro exemplo prático do mobile marketing aconteceu com a marca Nivea, em 2010, que lançou o Nivea Sun, um aplicativo gratuito para IPhone que orientava os usuários sobre a escolha de qual filtro solar usar, dependendo do clima e do perfil do usuário, e em quanto tempo a pessoa deveria reaplicar o produto.

Neste ano de 2013, a marca relançou o aplicativo, com novas funções, como "Despertador do Sol", (programação do melhor horário para despertar, tendo, como referência, a previsão do tempo), "Alerta de Trânsito" (programação da viagem de acordo com as condições do trânsito) e a identificação do protetor solar adequado para cada tipo de pele.



Outra interação que envolvia o uso de celulares, talvez mais divulgada, foi o anúncio "carregador solar", publicado na revista Veja Rio, que utiliza material que capta energia solar para carregar os telefones celulares. E é com esse vídeo que se encerra este post, demonstrando que o mobile marketing possui um campo muito vasto no Brasil, e que depende da criatividade e proatividade dos responsáveis para poder ser eficiente e auxiliar os usuários, sem importuná-los com ações desnecessárias.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Adeus Ano Velho, Feliz... o que mesmo?

Por Maíra Masiero

Mais um ano que começa e, com ele, acontece a formulação de novos sonhos e planos para os 365 dias de um novo ciclo. Fazer listas com propósitos é costume entre o final de um ano e o começo de outro, mas, em relação a cumprir as promessas (ou, ao menos, lembrá-las), já é algo menos comum.



Como foi dito no vídeo anterior, muitas pessoas não conseguem cumprir as promessas feitas na passagem de ano porque não possuem uma cobrança em relação aos novos planos e acabam desistindo das ideias. O esquecimento pode acontecer também, devido à correria, à falta de organização e, numa justificativa mais recente, da capacidade do cérebro em se adaptar facilmente às circunstâncias.

Essa última hipótese é mostrada numa análise de pesquisadores do Instituto de Neurociência da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, que identificaram algumas formas que fazem o cérebro assimilar informações às metas já estabelecidas anteriormente – o que obriga as pessoas a refazerem e planejarem novamente suas metas. Com isso, segundo esse estudo, para cumprir as promessas de Ano Novo, o cérebro não pode identificar novos objetivos.

Aproveitando-se desta época do ano (e dessa facilidade das pessoas em esquecerem as suas resoluções de Ano Novo), a empresa Google lançou, em 2012, um mapa na qual as pessoas podem colocar seus planos e projetos para o ano que se inicia, e esses ficam armazenados e disponíveis publicamente a todos que acessarem a plataforma. As postagens em outras idiomas são automaticamente traduzidas e as mensagens podem ser divididas em várias categorias: Amor, Saúde, Carreira, Finanças, Família, Formação, Fazer o Bem e Outras.


Com a ajuda da tecnologia, de uma boa comunicação, ou ainda com o conhecimento científico sobre o cérebro humano, o fato é que memória, organização e planejamento são necessários para que os propósitos para 2013 não fiquem esquecidos já nos primeiros meses do ano.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Relação tecnologia x ser humano - E se a vida fosse movida a "like"?

A influência da tecnologia na vida das pessoas é muito evidente nos últimos tempos. Basta entender o processo de contato que se tem atualmente e compará-lo a algumas décadas atrás: antigamente, uma reação acerca de alguma atitude demorava dias para ser notada, ao passo que, hoje, a reação é imediata, como mostra o artigo A influência da tecnologia com suas novas formas de comunicação nos processos comunicacionais em ambientes domésticos e no modo de vida das pessoas, escrito por Luiz Phillipe Duarte Souto e Maurício Caleiro (2011, p. 06):

"O [...] fenômeno engloba, entre outros fatores, os modos como passam a ser agregadas, por exemplo, novas formas de comunicação à esfera da vida social na nova conjuntura pós-globalização. Exemplo novamente disso pode ser o uso de computadores, bem como também dos celulares que se tornaram quase que indispensáveis dada a tendência de um imediatismo que muitas vezes demanda o contato imediato com a pessoa esteja esta onde estiver. Tal imediatismo revela uma situação típica que mostra um hábito relativamente novo (prática de se carregar o celular para todos os lugares) que está intimamente atrelado a evolução da tecnologia que atualmente permite a utilização destes aparelhos até mesmo nos mais distantes grotões."

Nesta época de Carnaval, pode ser citado um exemplo de como atitudes específicas do ser humano estão relacionadas com o uso da tecnologia. Desde o dia 14 de fevereiro, a página do Guaraná Antártica no Facebook lançou uma ação chamada Carona que Contagia, em que um carro criado pela marca irá se locomover de São Paulo a Salvador de acordo com a quantidade de "likes" e de comentários recebidos até sexta-feira, quase no início do Carnaval.

Na condução do automóvel, estão três pessoas escolhidas por um concurso cultural e que, no final da viagem, quando o trajeto se completar, serão convidados para o camarote da cantora Claudia Leitte, ao lado dos jogadores Neymar e Lucas.

Pode-se, então, fazer um paralelo com a vida de muitas pessoas, no âmbito profissional: e se a vida fosse movida pelo número de "curtidas" e compartilhadas no Facebook, ou de retweets no Twitter? Muitas vezes, as pessoas esperam grandes repercussões de palavras ditas e links compartilhados nestas redes sociais. Outras pessoas, por profissão, ficam dias envolvidos em análises de menções de marcas e/ou pessoas e em relatórios sobre a atuação das empresas nas mídias sociais.

Portanto, é importante refletir, visto este exemplo, a uma importante questão: até que ponto a vida pode ser/será controlada por reações de mídias sociais? Até que ponto um "like" ou um RT pode influenciar uma situação específica da vida da pessoa? Qual é o limite da influência da tecnologia na vida dos seres humanos? É para refletir.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Dia do Blogueiro - A importância do diário eletrônico para o processo de comunicação

No último dia 20 de março, foi comemorado, em praticamente todo o mundo, o Dia Internacional do Blogueiro, com milhares de postagens ao redor do mundo entre domingo (dia 20) e segunda (dia 21). Porém, também há o chamado BlogDay, comemorado há 5 anos no dia 31 de agosto, data esta escolhida por seus números se parecerem com a palavra blog. Segundo o site divulgador da comemoração já citado (tradução e edição nossas), este dia tem o intuito de que outros bloggers dediquem um dia para indicar e conhecer outras páginas de outros países e áreas de interesse.

Independente deste desencontro de datas, não se pode negar a grande importância deste diário eletrônico para que haja o compartilhamento das mais variadas importâncias, desde fotos, poesias e relatos do dia-a-dia das pessoas, até ideias, teorias, divulgação de produtos, de serviços e de conteúdo acadêmico, entre tantas outras finalidades.

Mas, afinal de contas, o que pode ser considerado como um blog, formato existente desde 1997 na rede mundial de computadores? É o que explica Allysson Viana Martins no texto Blogs, Blogueiros, Blogosfera. Uma Caracterização dos Blogs e dos seus Interagentes, um artigo apresentado no Intercom Junior, na Divisão Temática de Jornalismo, do XI Congresso de Ciências da Comunicação na Região Nordeste (2009, p. 02):

"Em meio à enorme variedade de definições acerca do blog, utilizaremos uma que englobe as conceituações principais, sem esquecer o sentido de completude e precisão. Após cuidadosas revisões conceituais, optamos por designar o blog como uma página de hipertexto pré-moldada na internet, em que os textos, ou postagens, possivelmente aparecem em ordem cronológica reversa, apresentando ainda um espaço para discussão.
Este definição, ainda genérica, demonstra quão livre de amarras pode ser este dispositivo, logo, quão difícil é de conceituá-lo.
"

Sabe-se que os blogs são classificados como integrantes importantes das estratégias comunicacionais (seja estas "autônomas", não pertencentes a uma organização específica, ou de "carteira assinada", vinculadas a uma empresa ou instituição), por trazerem, de maneira mais fluente e simplificada, notícias, artigos e comentários sobre determinados assuntos. Além disso, os diários eletrônicos precisam conduzir seus diálogos através de uma via de duas mãos: ao mesmo tempo que o emissor envia suas mensagens, o receptor, através de um sistema de comentários, possui a oportunidade de elogiar, criticar, opinar e/ou complementar o assunto discutido. É quase inadimissível um blog não possuir um espaço destinado à discussão do conteúdo apresentado.

Um dos vários exemplos da utilização de um blog está nas corporações que, percebendo a grande quantidade de informações compartilhadas por indivíduos nem sempre satisfeitos com as marcas ou com a prestação de serviços feita pela empresa, decidem criar um espaço de apresentação de ideias e de discussão saudável com os internautas. Para isso, é necessário um comprometimento com o que se escreve para poder desfrutar das vantagens de se ter um blog corporativo, como afirma Carolina Frazon Terra em seu artigo Blogs corporativos como estratégia de comunicação (2006, p. 12):

"A criação de um blog pressupõe comprometimentos por parte da empresa e passam pela definição de que departamento ou área será responsável pela publicação e manutenção do veículo. Uma vez determinada a área responsável pela ferramenta, é importante lembrar que o conhecimento da organização, de seus valores, princípios e políticas é essencial para o gerenciamento do instrumento, além de ciência da dinâmica da blogosfera e do dia-a-dia de um blog, primando pela transparência e ética nos tópicos postados. As possibilidades de aproximação com os públicos de interesse, a postura de transparência, a riqueza das informações obtidas, o efeito viral são vantagens e diferenciais competitivos para as organizações que optam pelos blogs corporativos."

Muito se discute sobre a permanência destes diários eletrônicos num cenário preenchido por outras mídias sociais, como, por exemplo, o Twitter com seus 140 caracteres. É necessário entender que uma das vantagens de um blog é, além da já citada riqueza de informações obtidas e compartilhadas, exatamente a quase ilimitada quantidade de caracteres disponíveis para uso, o que possibilita uma liberdade ampliada de expressão e de compartilhamento dessas informações. Resumindo: o blog não morrerá com a disseminação de outras mídias, mas fará parte de uma junção de plataformas para poder ser melhor utilizado, tanto por empresas, quanto por indivíduos.

sexta-feira, 18 de março de 2011

A importância da atividade comunicacional na inclusão digital

Muito se fala em várias redomas do cotidiano, nas empresas e nas aulas de ensino fundamental, médio e superior sobre a importância de se ter conhecimentos na área da Informática, como, por exemplo, aprender a editar textos, fazer apresentações de slides, configurar tabelas e navegar pela rede mundial de computadores. Para alguns setores da sociedade, realizar estas tarefas se tornou algo comum, quase que inerente à rotina diária de muitas pessoas.

Porém, mesmo com a popularização deste assunto através das mídias tradicionais (os programas jornalísticos e de variedades mostram, com frequência, matérias sobre informática e sua utilização pela sociedade), nem todas as residências brasileiras possuem o seu próprio computador. 

Segundo a Síntese de Indicadores Sociais divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 17 de setembro de 2010 em matéria do Portal R7, a utilização de computadores e o acesso à internet dobraram no Brasil entre 2004 e 2009, mas o desempenho não é o mesmo quando o assunto é tecnologia. Ainda de acordo com a matéria, "Seis anos atrás [em 2004], só 14,2% das casas tinham acesso à rede. Esse número passou para 31,5% no ano passado. A posse de computador também seguiu o mesmo caminho da web, alcançando 39,3% dos lares urbanos. Na Coreia do Sul, Japão e em boa parte dos países europeus, a média de domicílios com PCs é superior a 75%."

Com isso (e com mais um recente estudo, divulgado hoje, que mostra que metade dos domicílios brasileiros tem internet, sendo 38% da classe C e com banda larga), pode-se dizer que o processo de uma total digitalização do povo brasileiro (em meios domésticos) ainda precisa ultrapassar várias etapas para que isso aconteça. Porém, em relação ao mecanismo de acesso da população à Internet, como pode-se ver, houve um aumento considerável, graças aos programas de inclusão digital oferecidos pelas iniciativas pública e privada. Para entender o que é, de fato, este processo e qual é a sua contribuição para a sociedade, o subeditor do Websinder Paulo Rêbelo fez uma reportagem intitulada: Inclusão digital: o que é e a quem se destina? (2005, p. 01):


"(...) inclusão digital significa, antes de tudo, melhorar as condições de vida de uma determinada região ou comunidade com ajuda da tecnologia. A expressão nasceu do termo “digital divide”, que em inglês significa algo como “divisória digital”. Hoje, a depender do contexto, é comum ler expressões similares como democratização da informação, universalização da tecnologia e outras variantes parecidas e politicamente corretas.
Em termos concretos, incluir digitalmente não é apenas “alfabetizar” a pessoa em informática, mas também melhorar os quadros sociais a partir do manuseio dos computadores. Como fazer isso? Não apenas ensinando o bê–á–bá do informatiquês, mas mostrando como ela pode ganhar dinheiro e melhorar de vida com ajuda daquele monstrengo de bits e bytes que de vez em quando trava."




Com esta contextualização, pode-se afirmar que o processo de inclusão digital não é algo apenas técnico, e sim humano e, para auxiliar os públicos-alvo desta integração com os meios digitais, um plano de comunicação é necessário, como analisa Ana Valéria Machado Mendonça no livro Informação e Comunicação para Inclusão Digital – Análise do Programa GESAC: Governo Eletrônico Serviço de Atendimento ao Cidadão (2008, p. 59):


"Precisamos fortalecer a produção de conteúdos entre os usuários da rede info-comunicacional, a fim de que a prosperidade do indivíduo na sociedade da informação, da comunicação e do conhecimento seja plena; pelo menos no que diz respeito ao elemento cultural necessário à sobrevivência da humanidade (...)."

Esta produção de conteúdos precisa ser pensada, necessariamente, através da comunicação de mão dupla, ou seja, ao mesmo tempo em que os profissionais executam apostilas, cursos, interfaces e atividades diversas para estimular a inclusão digital, estes também devem propor aos participantes que opinem sobre o curso (pesquisas de opinião quantitativa e qualitativa) e apliquem os conceitos apreendidos, por meio de concursos, exposições, entre outras atividades para, assim, serem multiplicadores de conteúdo.

Os profissionais de Comunicação, portanto, podem e devem utilizar seus conhecimentos para incentivar e divulgar a inclusão digital nos mais variados ambientes, seja nas empresas onde se trabalha, seja nos órgãos públicos ou em projetos específicos, além de promover projetos que possam estimular as pessoas a conhecerem este ramo da Informática, pois de nada adianta novas ferramentas serem desenvolvidas a cada ano se estas não forem acessíveis à população.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Comunicação e novas tecnologias - Até que ponto elas são insubstituíveis?

Atualmente, é muito difiícil se deparar com algum jovem que não tenha nem sequer ouvido falar de redes sociais, seja pela televisão, seja pelo convívio com os colegas, seja pela própria adesão ao Orkut, ao Facebook ou ao Twitter (só para citar alguns dos mais conhecidos). Estes sites, juntamente aos comunicadores instantâneos, podem ser comparados aos videogames e às televisões de outrora: quando muitas crianças retornavam da escola, estas tecnologias eram quase que automaticamente usadas. Hoje, na maioria das casas, as crianças chegam em casa e, muitas vezes, ligam seus computadores para conferirem seus e-mails, seus perfis nas redes sociais. Muitos jovens e adultos ligam seus aparelhos eletrônicos para, de uma certa forma, continuarem seus trabalhos em casa, lerem alguns livros pela ferramenta dos e-books, conversar com amigos e colegas de trabalho via Skype, atualizar seus currículos, verificar suas contas bancárias, entre outras atividades.

Observando este cenário, é possível dizer que as novas tecnologias são insubstituíveis para a vida das pessoas neste século XXI? E, se não, a partir de que ponto elas são dispensáveis? Como exemplo, houve muitas notícias nestes últimos anos que mostram jornais impressos deixando de circular nas ruas e nas bancas de jornas, mantendo apenas as suas versões impressas. Um exemplo muito comentado foi o fim da versão impressa do Jornal do Brasil, em 1º de setembro de 2010, por conta de uma crise financeira e, segundo os diretores, para "entrar para a modernidade", mantendo apenas a versão digital da publicação por uma assinatura de R$ 9,90 por mês.

Outro questão muito discutida no ramo acadêmico é se os livros impressos irão desaparecer totalmente ou se este mercado será compartilhado com os e-books (livros eletrônicos). Existem várias opiniões sobre o assunto e, talvez, só o passar do tempo mostrará quem está correto. As autoras Christine Dantas Benício e Alzira Karla Araújo da Silva mostram essas correntes de pensamento no artigo DO LIVRO IMPRESSO AO E-BOOK: o paradigma do suporte na Biblioteca Eletrônica (2005, p. 5):

"Analisando essa dualidade entre a convivência do livro impresso com o eletrônico ou o aniquilamento do primeiro pelo segundo, há diversas opiniões a respeito dos e-books e se estes poderiam ser os responsáveis pela morte do livro impresso. Muitos dizem que está próximo o dia em que não iremos mais a livrarias, e sim, buscaremos nossas leituras através de distribuidores eletrônicos. Em contrapartida, os defensores do livro impresso afirmam que está longe de ocorrer uma crise no ramo, afirmando que a comercialização dos livros está em constante crescimento e expansão. Há ainda uma terceira corrente que sustenta a idéia de que os e-books vieram para completar o livro tradicional. Esta segue o pensamento de que assim como foi afirmado que o surgimento da televisão acabaria com a era do rádio, os e-books e os livros sobreviverão na mais harmoniosa paz. (...)"

Talvez a última situação descrita pelas autoras seja a mais provável de acontecer, se forem levados em conta alguns dados importantes. Segundo Sandra Rosalen, num artigo escrito para a revista Tecnologia Gráfica em dezembro de 2010, "o consumo de livros no Brasil está em ascensão, com uma média de títulos lidos por ano de 1,3 por habitante e 4,7 se contabilizadas as obras didáticas, mas ain­da um índice bem abai­xo da média eu­ro­peia de oito livros por habitante. Em tempo dedicado à lei­tu­ra, estamos também longe do ­ideal. O líder do ranking divulgado em 2009 pela BBC é a Índia, com 10,2 horas por semana, enquanto o bra­si­lei­ro dedica 5,2 horas, número in­fe­rior à média mun­dial de 6,5 horas."

Logicamente, a disponibilidade dos livros eletrônicos contribui para esses dados que, se não são ainda os ideais, ao menos vivem numa crescente que precisa continuar, pois as novas tecnologias não são, por enquanto, totalmente insubstituíveis. As "mídias clássicas" continuarão a existir (ao menos, por algum tempo) e interagirão com a tecnologia de maneira, quase sempre, pacífica e conciliadora. Para confirmar essa visão e encerrar este post, a seguir está um vídeo humorístico em espanhol (legendado em Português) que mostra um novo produto revolucionário, uma tecnologia que mudará o mundo. Um produto que tem, como nome comercial, BOOK.



Lembramos que não teremos post no RPitacos na segunda-feira de Carnaval. Porém, na quarta-feira de Cinzas, teremos post inédito! Para quem gosta de Carnaval, boa e responsável folia; para quem não gosta muito, bom descanso e bom feriado!

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

É hora da comunicação animada! - Uso de charges como reflexos da sociedade

Todos os dias, milhares de informações (relevantes ou não) são passadas e repassadas em e para todo o mundo através, principalmente, da televisão e da Internet. A repercussão dos fatos se dá, muitas vezes, de maneira quase que imediata, graças ao advento das mídias e redes sociais, e pode ser traduzido de muitas formas e para muitos modelos. No post de hoje, será abordado uma destas formas de se repercutir uma notícia, uma expressão ou uma pessoa marcante (tanto positiva quanto negativamente): o uso das charges.

Antes de se ver alguns casos interpretados sob a ótica dos desenhos, é necessário entender como foi o surgimento desta prática. Desde antes de 1865, com a fundação do Diabo Coxo (primeiro jornal brasileiro de caricaturas), estas charges (antes denominadas de caricaturas) serviam para mostrar a realidade de maneira às vezes engraçada, às vezes reflexiva, mas sempre mostrando fatos atuais e relevantes para o contexto da época.

Esta repercussão pode ser melhor explicada tomando como referência o artigo As Manifestações Polifônicas e Intertextuais da Charge Jornalística e Sua Atuação Sobre a Vida do Brasileiro - Uma Análise da República Velha e do Lulismo, escrito por Mariane Frascareli Lelis, apresentado no XXI Congresso de Iniciação Científica da UNESP (2009, p. 1):

"Também é importante a repercussão desses fatos vista através das charges, uma vez que o enunciador/chargista leva o enunciatário/leitor a ter uma visão crítica a respeito do acontecimento; mediante a sátira, cuja finalidade, ao provocar o riso, é a de obter a adesão do enunciatário."

As charges, que antes eram exibidas somente em jornais impressos e na televisão, começaram a ter o seu espaço ampliado na Internet, através de vários sites especializados, dentre eles o Charges.com.br. Segundo o release disponível no site, o trabalho do cartunista Maurício Ricardo começou em fevereiro de 2000, com o objetivo de juntar a "agilidade da charge impressa de jornais, os recursos de multimídia e interatividade da Internet, num resultado pioneiro no Brasil.".

Desde então, o site mostra, todos os dias, os fatos mais recorrentes do notíciário de forma crítica e divertida, seja com charges comuns ou com as "Charges-Okê", em que personalidades nacionais e internacionais cantam paródias de músicas conhecidas. Uma das mais votadas no site mostra o humorista Tiririca, recém-eleito para a Câmara dos Deputados com a maior votação do Brasil, cantando uma paródia de sua própria música Florentina e explicando o tal do quociente eleitoral, que beneficiou outros parlamentares de seu partido nas eleições.



Este site conseguiu também ultrapassar a fronteira da Internet e chegar à televisão, com a atuação do cartunista satirizando as edições do Big Brother Brasil e produzindo charges para o programa Esporte Espetacular, ambos da Rede Globo.

Outro site especializado em charges é o AnimaTunes, nascido em 2007 de uma brincadeira entre dois amigos: Baltazar Paprocki e Mike Mattos. Segundo o espaço dentro do site para a imprensa, "Os dois irrequietos sócios já trabalhavam com humor no rádio, na publicidade e na Internet e iniciaram, sem nenhuma expectativa, um projeto web para veicular os trabalhos desenvolvidos em parceria."

O ponto forte do site, mesmo com atualizações a cada dois dias, é a interatividade com os internautas e a participação da dupla na concepção de charges para o programa esportivo Jogo Aberto, da Rede Bandeirantes de Televisão, como a sátira da troca constante de treinadores no Campeonato Brasileiro, utilizando aspectos do filme Tropa de Elite, e que foi exibida em 13 de outubro de 2010.



Pode-se afirmar, com estes dados, a importância de se comunicar uma ideia ou uma visão de mundo através das charges e o uso destes desenhos pode ajudar a reforçar o senso crítico de muitos indivíduos através de vários elementos discursivos, como intertextualidade e polifonia, e ainda mostrar uma imagem mais lúdica dos principais fatos ocorridos no Brasil e no mundo.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Conexão humana 24 Horas online: é viável? - Comercial Claro

Nesta primeira década do Século XXI, uma das mudanças mais significativas em relação à comunicação foi o aumento exponencial da velocidade de compartilhamento das informações, principalmente com a popularização do uso da rede mundial de computadores (Internet) e das mídias e redes sociais, como Orkut, Facebook, Twitter, entre outras.

As atualizações de programas, notícias, sites e até mesmo do status das pessoas, muitas vezes, obrigam os indivíduos a se conectar em tempo quase que integral às mídias para não ser "passado para trás", principalmente quando se trata da Internet, como expressa Ildemar Egger Júnior, em seu artigo Da necessidade da utilização da Internet no mundo moderno:

"Ou você é alguém@algum_lugar.com ou você não é ninguém. Não nos cansamos de repetir esta afirmação feita pelo executivo da Novell para expressar a real e notória necessidade das pessoas estarem conectadas com este mundo virtual, aparentemente complicado, porém com um enorme potencial que nos parece difícil ser explicado."

Sabe-se que a Internet é muito importante para o desenvolvimento de indivíduos e grupos durante estas últimas décadas. Mas até que ponto se faz necessária a conexão ininterrupta (que pode se tornar viciante) em sites e plataformas online, em detrimento, na maioria das vezes, dos relacionamentos interpessoais e da comunicação offline? Qual é o verdadeiro grau de importância destas duas vertentes?

Um comercial a ser discutido, baseado nas discussões acima, se chama Backgrounds, criado pela agência Ogilvy&Mather para a operadora de telefonia celular Claro, que estreou no último dia 30 de setembro.



Neste comercial, o produto a ser vendido é um pacote de acesso a Internet que daria acesso grátis e ilimitado pelo prazo de um ano às redes sociais e mostra as vantagens em estar conectado em tempo integral através dos personagens Paulo, Camila e Ana: saber que certa pessoa vai jantar (no caso da Camila sobre Paulo), ter uma repercussão e respostas sobre quem vai a este encontro, utilizando o Twitter (como Paulo, que recebeu "um monte de reply"), receber um aviso do chefe para comparecer a uma reunão na mesma hora do encontro (como Ana) e postar em tempo real as fotos do jantar.

O objetivo deste comercial é mostrar as vantagens em se estar conectado em tempo integral às mídias. Porém, esta comunicação é feita de maneira solitária em quase todo o vídeo, à exceção do encerramento, em que os amigos estão juntos no jantar; mesmo assim, a personagem segura o celular e, ao mesmo tempo em que interage com as pessoas, continua conectada ao mundo exterior. Esta busca pela perpétua conexão é discutida no artigo Internet e Cultura: um novo olhar, veloz e voraz, escrito por Wilson de Oliveira Souza:

" (...) a informação pode provocar dependência. Essa busca desesperada pode estar gerando uma crise desencadeada por excesso de informação. (...). É a saturação comunicacional, que é tão perigoso quanto a carência de informação. Nos Estados Unidos já estão surgindo estudos par tratar do caso, que já fez nascer o profissional do conhecimento, cuja tarefa é ajudar no manuseio e tratamento da enxurrada de dados disponíveis (...)."

Com isso, pode-se refletir acerca de como se pode balancear os relacionamentos on e off, que estão e estarão sempre presentes na vida de muitos indivíduos, para que não haja uma dependência crônica em relação ao tempo gasto com as mídias, principalmente com o computador. Para ilustrar este encerramento, um vídeo feito por alunos da IESB falando sobre os efeitos positivos e negativos da Internet.