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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Relações Públicas e normas de vestimenta - Visual do jornalismo da Rede Globo

Por Maíra Masiero

Muito se diz que os gestos podem valer mais do que muitas palavras. Em alguns casos, na comunicação, isso se mostra evidente, pois a comunicação não-verbal contribui para se deixar bem claras as intenções e o conteúdo a ser passado depois pela forma verbal da comunicação, como mostra Adriana Maria Canto Piron Donadon no artigo A Comunicação Não-Verbal no complexo da Comunicação Organizacional (2012, p. 3):

"A forma de comunicação não-verbal é a menos estudada, no âmbito das organizações. Não só são raras as citações desta nos estudos de comunicação organizacional, como as citações existentes são bastante superficiais. Esta comunicação se dá por um conjunto de linguagens paralelas à linguagem verbal, que acrescentam significados ao que se declara, de forma sutil e implícita, sem ser, no entanto, menos presentes ou evidentes (...). 
A comunicação não-verbal pode estar ligada diretamente ao corpo, dando-se através dos olhares, dos gestos, da entonação da voz, da posição e qualidade corporais. É sensível aos humores, aos estados de espírito, às intenções não declaradas e, mesmo que de forma inconsciente, agregam sentido ao que se comunica (...)"

Na última semana, a Rede Globo editou uma nova norma, padronizando o visual dos seus jornalistas em todas as afiliadas e limitando as inovações que, desde o final dos anos 2000, acontecem na vestimenta dos âncoras e repórteres da emissora. Por exemplo, alguém imaginaria, neste século XXI, um jornalista apresentar o Globo Esporte de um jeito formal, sentado e de terno? Em 1978, isso acontecia na voz de Léo Batista, que apresenta, até hoje, o noticiário, aos sábados, para as emissoras da rede (não contando as edições regionais do noticiário).



Atualmente, as roupas mais utilizadas em alguns telejornais, principalmente os dedicados à cobertura esportiva, são mais maleáveis, com homens podendo utilizar camisas sociais ou polo e mulheres podendo utilizar vestidos e combinações blusa-saia, desde que sejam adequados ao contexto. Telejornais mais tradicionais, como o Jornal Nacional, Jornal Hoje e Jornal da Globo, ainda exigem maior formalidade nas roupas.

Como foi falado no decorrer do post, a Globo lançou uma nova norma de vestimenta, que vai ajudar a comunicação não-verbal a ser mais eficiente, não abrindo brechas para mal-entendidos e para um(a) apresentador(a) se destacar mais do que a notícia em si. Segundo matéria publicada no site Notícias da TV, algumas das exigências desta nova norma são:

"Cabelos: devem ser curtos ou médios, no máximo na altura dos ombros. Cabelos compridos chamam muita atenção. Franjas estão proibidas. Deixam a jornalista com cara de adolescente.
Acessórios: brincos, colares, pulseiras e relógios devem ser pequenos, discretos, sem pedras. Proibido usar mais de um anel na mesma mão.
Unhas: Até cinco anos atrás, esmaltes coloridos eram proibidos. Tons beges e vinhos agora são permitidos, mas unhas pretas, azuis, verdes e roxas estão vetadas.
Mangas: estão proibidas as mangas muito curtas, tipo baby look, as bufantes e as muito volumosas. As primeiras não ficam bem para mulheres com braços gordos. As bufantes infantilizam.
Estampas: roupas xadrezes, estampadas e de listras fortemente contrastadas continuam proibidas porque chamam muita atenção e porque podem causar "batimento" no vídeo, gerando uma distorção na imagem.
Brilho: roupas com brilho ou decotadas não podem ser usadas no vídeo. Babados e tecidos que amassam muito, como o linho, também não. Transparências são permitidas, desde que com uma outra roupa por baixo.
Calças: nem pensar em ir para a rua com calças capri (aquelas que batem na canela), muito justas (skinnies), sarouels e leggings. São casuais demais e, no caso das sarouels, no vídeo parecem fraldões. Recomenda-se calças de alfaiataria para os homens. Jeans pode, desde que de corte reto e tradicional. Nada de calças rasgadas ou com lavagens que descolorem o brim.
Tamanho: é proibido usar roupa justa. Jornalistas devem preferir peças mais soltas no corpo, porque marcam menos. Mulheres devem tomar cuidado com malhas e tecidos de elastano, evitando mostrar sutiãs e "pneus"."

Se essas normas irão ser úteis e funcionarão, só o tempo dirá. Mas essas mudanças demonstram que o trabalho de Relações Públicas, dentre outras vertentes, preza pela excelência e pelo cuidado não só com a comunicação verbal, mas também com o que se vê, principalmente nas telas da televisão.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Quando o jornal é protagonista da notícia - Infotenimento e as despedidas de bancada

Com a prática do infotenimento, já várias vezes discutido e exemplificado neste blog, se torna frequente nos noticiários, pois incorpora um tom mais leve e menos "engessado" ao jornalismo e, em doses equilibradas, se constitui numa grande ferramenta para o melhor entendimento de uma matéria ou para dar uma maior emoção a um fato justificado. Sean Hagen mostra no artigo A emoção como agente da cognição jornalística (2008, p. 7), apresentado no VI Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo, algumas das características que exprimem a emoção no jornalismo, principalmente o televisivo: 

"A imagem do apresentador de telejornal, frente ao complexo mundo que se instaura instantaneamente na tela da TV, atua como um vetor emocional de cognição. É pelos olhos, voz, expressão do rosto, corpo e pela roupa que muitos sentidos não lineares do saber se instauram. (...) O apresentador funciona como um reforço emocional às noticias, sinalizando quais são mais importantes e como reagir frente a elas. Assim, um olhar terno, um sorriso espontâneo, um rosto credível remetem o público a uma biblioteca pessoal de situações e emoções que podem reafirmar a crença no outro.".

E quando a emoção no jornalismo não se deve a uma notícia em específico, mas à despedida de um âncora da bancada depois de muitos anos e "boas noites" (ou "bons dias")? Será que é possível, ou necessário, dedicar um bloco de um programa telejornalístico para realizar alguma homenagem de despedida, em substituição a outras matérias?

Foi o que ocorreu na última segunda-feira, dia 05 de dezembro, durante a exibição do Jornal Nacional (Rede Globo), em que Fátima Bernardes, após 14 anos dividindo a bancada com o marido William Bonner, passou o posto para a sucessora Patrícia Poeta, antes apresentadora do Fantástico. No dia 1º, o noticiário já havia cedido aproximadamente quatro minutos para que os âncoras, e uma matéria previamente gravada, comentassem sobre as novidades da grade da emissora, já que Fátima assumirá um projeto próprio nos próximos anos, e que cobrirá a parte das manhãs da programação da Rede Globo.

Já quatro dias depois, um bloco inteiro do jornal foi dedicado a esta transição, com Patrícia Poeta sendo entrevistada por Bonner com um tom de informalidade e com a exibição de duas matérias, que mostraram acontecimentos marcantes das carreiras de Fátima e Patrícia.


Pode-se dizer, mesmo com a excessiva quantidade de tempo dedicado a essa despedida, que o uso do infotenimento não foi tão prejudicial ao objetivo do jornal, pois não houve emoção excessiva (apenas na entrevista coletiva, numa matéria exterior ao estúdio do jornal), ao contrário do que aconteceu na despedida de Rachel Sheherazade do Tambaú Notícias, antes de assumir a apresentação do SBT Brasil devido à repercussão de um comentário da apresentadora sobre o Carnaval, que também foi discutido no RPitacos.

Com um ar mais emotivo, com direito a um mini "Arquivo Confidencial" sobre a vida da profissional e a uma invasão ao estúdio da equipe do telejornal, o vídeo com a mesma duração do da despedida da Fátima teve maiores críticas, como a do blog Te Dou um Dado? Enfim, com o vídeo a seguir, pode-se ver uma grande diferença entre a despedida de Fátima e a de Rachel.


E então, com estes casos, é possível estabelecer um limite de até que ponto vale utilizar a emoção no jornalismo, ainda mais em assuntos da própria emissora que atingem os âncoras do jornal?


segunda-feira, 25 de abril de 2011

Evolução dos relacionamentos e reposicionamento das marcas - Análise do novo slogan da Rede Globo

Há um ditado popular que diz: "manda quem pode, obedece quem tem juízo". Pois esta frase foi seguida (e, em algumas empresas, até hoje funciona assim) por muito tempo nas plataformas de comunicação entre as empresas e os seus públicos, com a utilização de modelos radicalmente assimétricos

Com o passar dos tempos, especialmente após a popularização do acesso à Internet e às mídias sociais, algumas empresas de vários segmentos, inclusive os meios de comunicação, começaram a entender a importância de uma maior proximidade com os receptores de suas ideias, conteúdos e valores, e, por consequência, compreenderam que esses públicos poderiam se tornar valiosos emissores para as organizações. 

Seria, portanto, uma tentativa de um modelo de comunicação altamente simétrico de duas mãos, que pode se iniciar através da reformulação de um slogan, demonstrando um reposicionamento da marca/empresa em relação aos clientes/públicos desejados e, com o auxílio das Relações Públicas, inserindo efetivamente a organização/empresa/meio de comunicação na sociedade, como mostra Grunig no artigo A função das relações públicas na administração e sua contribuição para a efetividade organizacional e societal. (Tradução de John Franklin Arce), pertencente à revista Comunicação e Sociedade (a. 24, n. 39, p. 67-92), publicada pela Umesp (2003, p. 88):

"(...) o modelo simétrico de duas mãos é a abordagem mais ética de relações públicas e que o modelo é eficaz quando aplicado à realização dos objetivos da organização.
(...)
O princípio de simetria significa que os valores e problemas das organizações e dos públicos são ambos relevantes. O diálogo de duas mãos faz com que as relações públicas sejam inerentemente éticas e faz com que a organização seja mais responsável para com a sociedade."

Um exemplo recente da modificação de uma assinatura para que estas ideias comecem a tomar forma na consciência dos públicos ocorreu no último domingo, dia 24 de abril. Neste dia, a Rede Globo de Televisão apresentou oficialmente seu novo slogan, substituindo a assinatura A gente se vê por aqui que, por sete anos, identificou a linha de comunicação da emissora com o público. De acordo com Luis Erlanger, diretor geral da Central Globo de Comunicação, em declaração divulgada pelo site Meio & Mensagem, o slogan A gente se liga em você foi idealizado a partir da realização de pesquisas qualitativas e quantitativas, a fim de identificar uma linha coerente de comunicação com os seus públicos.

O lançamento da nova campanha institucional da emissora, com a locução do jornalista e apresentador Pedro Bial, ocorreu no intervalo do Fantástico e mostrou alguns dos principais programas, novelas e apresentadores do canal, além de imagens de várias coberturas jornalísticas feitas pela emissora durante o último ano, como o resgate dos mineradores chilenos, as enchentes que destruíram a serra fluminense e a ocupação do Complexo do Alemão pelos militares, mostrando a responsabilidade da emissora com a sociedade no âmbito de transmitir informações.



O que é importante ressaltar acerca desta mudança de assinatura, ainda em relação à evolução dos relacionamentos entre os públicos, é o caráter mais pessoal, individual, que foi atribuído ao novo slogan com o uso da palavra você, e de união entre emissora e telespectador, com a inserção, no final do vídeo, de vários entrelaçamentos de mãos, representando a unidade entre estes dois elementos da comunicação.

Algo também para ser lembrado é a rápida citação dos esportes no começo do vídeo instituicional, com maior destaque ao futebol, à Fórmula 1 e à natação (sem destacar um atleta específico), sem mostrar nenhum jornalista ou programa esportivo em específico, o que pode significar uma certa unicidade entre a equipe esportiva da Globo, sem elevar ou rejeitar quaisquer pessoas.

Por fim, a própria expressão "se liga" do slogan denota, além de, novamente, a união entre os públicos, que os acontecimentos vividos pelas pessoas, as sugestões de quadros e programas oferecidos pelos telespectadores, as críticas e elogios vindos das mídias sociais; enfim, o que o receptor-emissor comenta possui importância para a emissora. A expressão também apresenta uma passividade bem menor do que a do slogan anterior ("A gente se vê"): ou seja, não é apenas espiar, observar o que acontece no mundo, mas tentar, de alguma forma, modificar e transformar as realidades com a ajuda do público. E é desta forma, portanto, que, com a evolução dos relacionamentos entre emissores-receptores e receptores-emissores, as marcas se reinventam e buscam o equilíbrio entre o observar, o ouvir, o falar e o agir.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Divertir e informar combinam? - O uso do infotenimento no Globo Esporte Paulista

Com o início do século XXI, muitas mudanças ocorreram em várias áreas da comunicação, desde o grande desenvolvimento da Internet e suas ferramentas sociais, passando pela concepção de uma televisão mais interativa e por uma maior integração entre as mídias para fins mercadológicos, de divertimento e de informação, ou os dois últimos quesitos juntos.

Mas esta afirmação é possível de ser feita? Afinal de contas, o entretenimento pode ser aliado à informação sem se sobressair a esta? Existe uma linha jornalística recente (desde a década de 1980) que tenta conciliar os, até antes, antagônicos conceitos: o chamado jornalismo de infotenimento, que é explicado por Fabia Angélica Dejavite, em seu artigo A Notícia light e o jornalismo de infotenimento, apresentado durante o Intercom 2007 (p. 2):

 "(...) é o espaço destinado às matérias que visam informar e entreter, como, por exemplo, os assuntos sobre estilo de vida, as fofocas e as notícias de interesse humano – os quais atraem, sim, o público. Esse termo sintetiza, de maneira clara e objetiva, a intenção editorial do papel de entreter no jornalismo, pois segue seus princípios básicos que atende às necessidades de informação do receptor de hoje. Enfim, manifesta aquele conteúdo que informa com diversão."

O infotenimento, quando bem utilizado, causa grande aceitação do público, acarreta num aumento da audiência e, indiretamente, num conhecimento maior dos anunciantes daquele horário do telejornal, resultando em mais vendas ao mercado. Porém, quando se esquece a informação e passa-se a valorizar mais o lado lúdico, o telejornal perde a sua credibilidade em relação à crítica especializada e ao próprio telespectador.

Os dois lados desta moeda podem ser vistos na edição paulista do programa jornalístico Globo Esporte, apresentado por Tiago Leifert, que promoveu uma revolução no chamado "padrão Globo de jornalismo", abolindo o teleprompter e inserindo matérias mais longas e com temas poucos relacionados ao esporte, voltados mais ao humor.

Com essa modificação feita a partir do início de 2009, o jornal voltou a ser líder de audiência em seu horário e conquistou um público mais jovem e pessoas que geralmente não costumam assistir ao Globo Esporte, mas que o fazem graças a espontaniedade do apresentador, como neste comentário feito depois do jogo entre Santos e Corinthians, válido pelo Campeonato Paulista de 2010.



Porém, em algumas situações, o entretenimento foi demasiadamente superior à informação, como em maio de 2010, quando Leifert fez uma participação especial de menos de 2 segundos na novela Passione e se tornou um "insuportável", passando a apresentação das notícias para o Ivan Moré e se vangloriando de seu mais novo status de celebridade. Como pode-se ver, o vídeo dura oito minutos, sendo que menos de um é preenchido por notícias, refletindo, assim, o mau uso do infotenimento.



Este exagero de entretenimento no jornal pode ser facilmente evitado através de pesquisas de opinião destinadas aos telespectadores e amantes do "jeito Leifert" de conduzir o Globo Esporte, para que se realmente veja os erros e os acertos desta nova fase do programa. Pode-se concluir que o equilíbrio entre o jornalismo e o humor precisa ocorrer no infotenimento para que o primeiro possa continuar a ser valorizado e, mais do que isso, para que o telespectador se divirta, sem ser manipulado pela falta de informações úteis. 

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Saber falar e saber ouvir (II) - Caso Rita Lee x Fantástico

Dando uma certa continuidade no post da empresa "Velha Surda", é necessário ao ser humano (seja ele célebre ou não) discernir sobre o momento exato de exprimir uma opinião acerca de um assunto específico e/ou chamar outro indíviduo para comentá-la (causando, assim, a tendenciosidade). Em algumas vezes, esta atitude, quando se completa com um comentário ou expressão infeliz, se transforma num mal-entendido ou até mesmo numa polêmica desnecessária.

Foi o que aconteceu na noite do último domingo (dia 05 de setembro) durante o programa jornalístico Fantástico, da Rede Globo. Neste programa, há o quadro Repórter por um Dia, em que famosos comandam matérias sobre assuntos variados, e o convidado do dia era o atacante do Corinthians Dentinho, que mostrou a região de Itaquera em que, futuramente, será construído o estádio do Corinthians, candidato a sediar a abertura da Copa do Mundo de 2014.

Na segunda-feira anterior (dia 30 de agosto), dia do anúncio do estádio, a cantora Rita Lee brincou a respeito do fato em seu Twitter, famoso por expressar o que a cantora pensa e sente com originalidade e sinceridade, sem muitos filtros, como se pode ver nas reportagens da Blitz e da Veja Online. Em uma postagem, define o estádio como um "presente de grego" e depreciando a imagem de Itaquera como um lugar por onde saem as fezes do cavalo (para ver a postagem dela em tons menos suaves, é só clicar aqui, aqui ou aqui).

Na matéria veiculada no programa dominical, Dentinho mostrou a região e "cutucou" a cantora por suas declarações e, após a sua fala, houve uma declaração de uma moradora falando que era "dor de cotovelo".



Segundo a reportagem do UOL, Rita Lee, que tinha recusado a gravar este mesmo quadro, com o mesmo tema, foi ameaçada por torcedores do Corinthians, impulsionados pela fala de autoridade do jogador famoso do time, acreditou ser vitima de "má-fé" e desabafou no microblog:

Mais uma vez a produção do 'cansástico' age d má fé comigo. da primeira vez q dei uma entrevista fui processada pelos organizadores d barretos. ganhei nas duas instancias. agora botaram gasolina no fogo sobre uma declaração q dei no tuitz sobre as roubalheiras do novo estádio do corinthians q será p/ a abertura da copa 2014 e q deu muito tititi. me convidaram p/ gravar "reporter p/ um dia" e eu recusei. ninguém recusa nada da globo, ela tem o poder d um cesar q decide jogar escravos numa arena c/ leões. diante das ameaças sérias q tenho recebido. digo ao povo q me retiro do tuíter após 2 meses d divertimento. meu amor a todos vcs q entenderam minhas loucuras e pau no cu dos babacas. (sic)

Depois desta declaração, o nome da cantora alcançou a lista dos Trending Topics Brazil, com a maioria dos posts elogiando-a pela coragem e pedindo para que ela volte a ativa no microblog. Não querendo opinar sobre quem estaria mais errado nesta história, o importante é observar o desrespeito à liberdade de expressão que está ocorrendo nesta ocasião (tanto em relação ao Dentinho, que "defende" o novo estádio do time, quanto à Rita Lee, que advoga contra, através de uma edição infeliz da Rede Globo) e a falta de cuidado no saber falar (declarações feitas pela cantora e pelo jogador) e no saber ouvir (caso dos torcedores que a ameaçaram), o que culminou neste mal-entendido que confronta Rita Lee e Rede Globo e que precisará de intervenções de Relações Públicas para que tudo possa ser resolvido da melhor maneira possível para os dois lados.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Valorização e desvalorização de imagens

Quando pensamos em imagem, logo percebemos uma figura de algo ou alguém, que não é definitiva, ou seja, pode sofrer alterações positivas ou negativas, pois é muito influenciável a um simples rumor ou especulação. Estas podem destruir (ou quase) um esforço feito há muitos anos, seja em relação a organizações, profissões ou pessoas físicas.

No post anterior, falou-se um pouco a respeito da polêmica admissão do vilão Fred, da novela Passione (Rede Globo), ao cargo de Relações Públicas da metalúrgica Gouveia, empresa fictícia do folhetim, apenas por ser bem apessoado, falar bem e apresentar bastante articulação. E, algumas horas atrás, saiu esta notícia de que, com a reclamação do Conselho Regional de Profissionais de Relações Públicas do Rio de Janeiro, o autor Silvio de Abreu "demitiu" o personagem do cargo de RP. Segundo ele, "Quando a Bete [Fernanda Montenegro] retornar, vai dizer que ele não pode assumir a função, pois é preciso diploma para ser um RP". Um exemplo clássico de desvalorização que foi desfeita graças à repercussão nacional.

Mas um caso de tentativa de valorização de imagem não teve tanta repercussão nacional. Existem sempre em vésperas de eleições campanhas para valorização da imagem de mesário, para tirar aquela marca de ter um "domingo perdido" para trabalhar nas zonas eleitorais. Duas campanhas chamam muito a atenção: a de 2008, em que houve eleições para Prefeitos e Vereadores, e a desse ano, em que teremos (além da Copa do Mundo) eleições presidenciais, para Governadores, Senadores, Deputados Estaduais e Federais.

Não entrando na discussão sobre se é bom ou ruim ser mesário numa eleição (até porque eu nunca fui), somente analisando o campo semântico e comunicacional dos anúncios institucionais do Justiça Eleitoral, pode-se perceber vários detalhes importantes. No de 2008, por exemplo, há a presença da atriz Lavínia Vlasak ressaltando a importância de se ter um mesário trabalhando nas eleições porque sem ele, como diz o próprio comercial, "seria impossível eleger quem vai comandar nossa cidade nos próximos 4 anos". Este anúncio ainda utiliza um argumento emotivo, que é o "agradecimento" de quem nem nasceu (Lavínia estava grávida na época).

Já neste ano, a TV Justiça se utiliza de depoimentos de mesários para convencer as pessoas de que este trabalho não é "um mico", como diz o próprio testemunho, mas que é um dia dedicado ao futuro do país! Por fim, pode-se dizer que os dois comerciais da Justiça Eleitoral, mesmo que timidamente, conseguem valorizar, através da comunicação, a imagem do mesário, não levando em conta a posição política e social de cada pessoa!

Em tempo: realmente, quando se quer utilizar do Twitter para reclamar coisas sérias, como a imagem do RP em Passione, a reclamação funciona e o rumo de uma novela pode ser modificado... agora é só torcer para que venha um depoimento de um profissional de Relações Públicas no fim de um capítulo falando sobre o verdadeiro trabalho da nossa profissão!

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Post Scriptum (23/06/2010)
ATENÇÃO! Por motivos de força maior, infelizmente não teremos novo post em RPitacos hoje (23/06)!
A atualização será feita amanhã, dia 24/06!
Grata pela compreensão! =D