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quinta-feira, 24 de outubro de 2013

RPrestigiando - Aberje promove evento ‘Marca Brasil’ para debater a imagem do País no âmbito global

Por Maíra Masiero

Atendendo ao pedido de Júlia Oliveira, assessora de imprensa da Aberje, divulgamos o release deste evento, e todos os dados disponibilizados são de responsabilidade de seus autores. Lembramos que este blog não possui nenhum vínculo de organização com o evento apresentado.

O encontro será realizado no dia 31 de outubro, em São Paulo, e contará com a presença de especialistas, professores e profissionais de comunicação

A Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje) vai realizar no próximo dia 31 de outubro, em São Paulo, evento que abordará o papel da comunicação na consolidação, construção e fortalecimento da marca Brasil no ambiente global. O objetivo da iniciativa é debater os desafios e as oportunidades da área e promover a troca de experiências por meio da apresentação de cases de sucesso.

Destaques:

Ricardo Sennes, sócio diretor da Prospectica Consultoria e GACInt – Grupo da Conjuntura Internacional da (USP);
Daniela Khauaja, professora da escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM);
Marcos Jank, diretor executivo de relações internacionais e governamentais da BRF;
Sabina Deweik, da Future Concept Lab;
Ciro Dias dos Reis, presidente da Imagem Corporativa;
Eneus Trindade, professor da escola de Comunicação e Artes (USP);

Serviço:

Data: 31/10/2013
Horário: 9h às 18h
Local: Pullman São Paulo Ibirapuera Rua Joinville, 515
E-mail: karoline@aberje.com.br
Inscrições: www.aberje.com.br/marcabrasil

Sobre a Aberje

Criada em 1967, a Aberje é uma organização profissional e científica, sem fins lucrativos, que tem como principal propósito a discussão e promoção da comunicação organizacional. Seu âmbito de atuação está centrado na informação, na comunicação e no relacionamento. Os principais campos de trabalho são o advocacy, a educação, a economia criativa, a gestão do conhecimento, a inteligência da comunicação, o networking e o reconhecimento.

Para mais informações, favor contatar:


terça-feira, 9 de julho de 2013

Derrota de Anderson Silva e estratégias de Relações Públicas: uma dupla que combina?

Por Maíra Masiero

Nos últimos tempos, os participantes de esportes individuais e coletivos se tornaram grandes ícones não somente em suas áreas, mas também no campo midiático. Por isso, a conservação da imagem dos atletas se torna vital para sua permanência em alta na mídia, como mostra Douglas Kellner (tradução de Rosemary Duarte) no texto A cultura da mídia e o triunfo do espetáculo (2004, p. 07)

"O espetáculo da mídia é, realmente, um culto à celebridade, que proporciona os principais padrões e ícones da moda, do visual e da personalidade. No mundo do espetáculo, a celebridade representa cada segmento social relevante, desde o entretenimento até a política, os esportes e os negócios. Uma indústria de relações públicas já em crescimento destaca certas personalidades, elevando-as ao status de celebridade e protege sua imagem positiva na guerra interminável das imagens e dos perigos que a celebridade será submetida pelas manipulações da imagem negativa que a farão perder o status de celebridade, e/ou se tornar uma personalidade devido a escândalos e sanções, (...)"

No último sábado, dia 06 de julho, o lutador Anderson Silva perdeu o cinturão dos pesos médios do UFC para o americano Chris Weidman, por nocaute, em Las Vegas. Este fato teve uma grande repercussão nas redes sociais e nos meios offline, não somente pela quebra da hegemonia de quase 7 anos, mas também pelo comportamento do lutador brasileiro nos dois rounds: muitos dizem que Anderson provocou e desvalorizou demais o adversário. No vídeo a seguir, pode-se ver a luta em sua íntegra.



Mas o que isso tem a ver com comunicação e com estratégias de Relações Públicas? O programa Globo Esporte da segunda-feira seguinte, na edição voltada ao Estado de São Paulo, citou a derrota, criticou o exagero nas provocações e o erro na estratégia do lutador brasileiro no combate. No final da matéria, Tiago Leifert fez uma tentativa de explicação acerca da derrota e da estratégia de Anderson nas lutas:

"Anderson Silva só chegou aonde chegou porque luta desse jeito: ousado, provocador. É uma estratégia que, quando funciona, é maravilhosa; quando dá errado, é um pesadelo de Relações Públicas. O problema dessa estratégia é que, quando a luta termina, você continua apanhando.".

Mas será que essa derrota será o começo de um "pesadelo de Relações Públicas" para o chamado Spider? A longo prazo, não se pode definir ainda o que irá acontecer, mas, até acontecer uma nova vitória, os efeitos da derrota serão nítidos na imagem do atleta, não pela situação em si, mas pela forma como o brasileiro foi derrotado.

Como exemplo, um dos patrocinadores do ex-campeão do UFC, a rede de hambúrgueres Burger King postou em sua fanpage no Facebook, quase que automaticamente à derrota de Anderson, uma foto de incentivo e que queria mostrar a imortalidade de um campeão, mesmo sem o cinturão. O efeito foi o contrário: dos mais de 2400 comentários na postagem, a grande maioria criticava o lutador por ter "entregado" o combate para o adversário e por exagerar nas provocações e brincadeiras.

Já a escola de idiomas Wizard, outra patrocinadora de Anderson Silva, não fez nenhuma postagem depois da derrota, e a única menção ao atleta, na tarde de sábado, teve poucos comentários; porém, novamente, a maioria deles foi contrária ao protagonista do dia. Isso mostra que Anderson Silva tornou-se uma personalidade reconhecida pelo seu estilo provocador e ousado mas, ao menos momentaneamente, essa estratégia é considerada um fracasso e, realmente, um "pesadelo de Relações Públicas", que pode ser solucionado a longo prazo.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Boatos e o poder da mídia na comunicação governamental - O caso do Bolsa Família

Por Maíra Masiero

A mídia constitui um espaço essencial para o recebimento e o compartilhamento de diversas informações para a sociedade. Porém, nem tudo aquilo que é divulgado pela mídia (tanto a tradicional, a digital ou a humana - o famoso "boca a boca") pode ser considerado como verdadeiro: há casos em que os fatos não passam de boatos ou rumores, conceito explicado por Reule (2008, p. 2), citado por Gabriela da Silva Zago no artigo Do boato à notícia: Considerações sobre a circulação de informações entre Twitter e mídia online de referência (2010, p. 176):

[Rumores são] um tipo de informação não confirmada que se propaga na rede e que circula com a intenção de ser tomada como verdadeira. Sendo informação, é parte de um processo de comunicação que, por sua vez, é um fenômeno por si social”.
Se não for tomadas as devidas precauções, os rumores não se esvaziam no seu sentido inverídico, mas se passam como verdadeiros e podem prejudicar muitas empresas e pessoas, nos seus aspectos econômicos, profissionais e pessoais.

Um dos grandes exemplos de como os boatos podem tomar proporções inimagináveis aconteceu neste mês de maio: os rumores de que o programa Bolsa Família, do Governo Federal, iria ser suspenso e que os beneficiários teriam até o final de semana (dias 18 e 19 de maio) para sacar o dinheiro e ainda sobre a existência de um bônus por ocasião do Dia das Mães, causaram tumulto, filas enormes e depredações em bancos e lotéricas de vários Estados brasileiros.

Já no próprio sábado, o Governo Federal publicou uma nota desmentindo o boato e, no dia seguinte, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo solicitou à Polícia Federal a abertura de inquérito para investigar a origem da informação falsa. Também no domingo à noite, a fanpage da Caixa Econômica Federal no Facebook publicou uma outra nota esclarecendo o caso e confirmando o pagamento do benefício no dia estipulado para cada pessoa (a liberação do saque no fim-de-semana foi excepcional por conta do boato, e suspensa já na segunda-feira, dia 20).

Para gerenciar essa situação, por meio de uma "voz de autoridade" (que oferece uma maior credibilidade para solucionar uma situação desta magnitude) na segunda-feira posterior ao boato, a presidente Dilma Rousseff discursou num evento em Ipojuca (PE) rebatendo a informação falsa e dizendo que o autor do boato é "desumano" e "criminoso". O vídeo na íntegra que esclarece os rumores e a reação de Dilma está a seguir.



Ainda em relação à repercussão nas mídias sociais, na segunda-feira, a ministra Maria do Rosário, da Secretaria dos Direitos Humanos, publicou em seu perfil no Twitter a seguinte frase: "Boatos sobre fim do bolsa família deve ser da central de notícias da oposição. Revela posição ou desejo de quem nunca valorizou a política.". Resultado da declaração: segundo nota do portal G1, o líder do PSDB na Câmara dos Deputados, Carlos Sampaio, afirmou que vai apresentar requerimento, convocando a ministra para dar explicações acerca da frase.

No mesmo dia, a ministra tentou se explicar em duas postagens: "Gente,sobre tweet hj pela manhã, quero dizer que não tenho nenhuma indicação formal da origem de boatos. Singela opinião. Ñ quero politizar. / O importante é que todos os esclarecimentos estão sendo realizados. Escrevi bem cedinho e nem imaginei tal repercussão... Encerro o assunto." Como foi mostrado várias vezes neste mesmo blog, é necessário saber ouvir e se expressar nas mídias sociais, com consciência e responsabilidade para que uma outra crise não seja gerada a partir da resposta a um boato, que foi muito bem esclarecido e rechaçado pelo Governo.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Comunicação e marca - Como é difícil se desvincilhar de uma imagem...

Por Maíra Masiero

No último domingo, dia 14 de abril, os admiradores de Chaves tiveram uma tarde de despedidas: o ator Carlos Villagrán, mundialmente conhecido pelo personagem Quico (ou Kiko, depois de uma briga judicial com Roberto Bolaños, o Chaves, que reivindicou direitos autorais do personagem da série homônima) está fazendo uma turnê de despedida, de "aposentadoria", e fez o que pode ser chamado de uma despedida da fantasia no palco do programa Domingo Legal, do SBT. Um trecho do programa (ainda com a presença caracerizada de Kiko) pode ser vista a seguir.



Durante o programa, quando foi citada a despedida do personagem, muitos se entristeceram e, após a retirada da fantasia, muitas pessoas talvez não consigam ver o ator Carlos Villagrán como ele mesmo, mas sempre se recordem de Kiko. Mas o que o episódio que iniciou esse texto tem a ver com empresas, comunicação e imagem?

Vendo esse fato, pode-se, tranquilamente, realizar uma comparação com o que acontece com a imagem de certas marcas (ou de seus protagonistas publicitários), de modo positivo ou negativo, quando são relacionadas a uma pessoa ou a uma situação específicas.

No campo da publicidade, existe um conceito que auxilia na compreensão desse cenário, que é chamado de pessoa subvertida, e que se apresenta de duas formas, como mostram Eneus Trindade e Clotilde Perez, no artigo Os múltiplos sujeitos da publicidade contemporânea (2009, págs. 29-30, grifos dos autores), referenciando essa nomenclatura dada, originalmente, por Fiorin (1999):

"(...) o fenômeno da pessoa subvertida (...) dá-se por mecanismos de embreagens internos ao discurso, na categoria de pessoa. Por exemplo, a troca de um eu por um nós, entre outras possibilidades. Para a mensagem publicitária, muitos personagens ou garotos-propaganda subvertem o seu eu para a primeira pessoa do plural, o nós, quando esse nós inclui o eu que fala e o outro ele (receptor e possível consumidor), geralmente substituído pela marca dêitica contextual «a gente». Ou ainda, quando o eu que fala, sujeito do enunciado (ator, mascote...), usa o nós para se referir à soma do eu e ela, a marca anunciante, caracterizando a embreagem de terceira pessoa do singular «ela, a marca», que também é a debreagem da enunciação-enunciada do pólo da emissão (o anunciante) no enunciado. (...) 
Outra situação comum de pessoa subvertida, em mensagens publicitárias, é quando o garoto-propaganda e a marca se confundem e um passa a substituir o outro ou não se consegue desassociar um do outro. (...) Tal fenômeno remete a uma construção de efeito de subjetividade, fundamentada em aspectos da enunciação tipicamente publicitária."

Como o artigo também traz, um dos exemplos mais claros de pessoa subvertida (além do que acontece, desde já, com o personagem Kiko) é o ator Carlos Moreno, que foi garoto-propaganda da marca de lã de aço Bombril durante mais de 30 anos, inclusive tendo seu nome no Guinness Book pela longevidade nas peças publicitárias. A sua imagem tornou-se algo automático para muitas pessoas, quando se mostra a embalagem do produto. Até hoje, em alguns comentários na fanpage da marca, algumas pessoas pedem pela volta de Carlos Moreno aos comerciais.

Fonte: Jornal O Dia
Já um exemplo negativo de vínculo entre empresa e uma situação específica foi o caso da marca Ades, pertencente à Unilever, que teve, no último mês de março, um problema ocorrido em parte do lote do sabor maçã, na embalagem de 1,5 litro, que foi envasado com soda cáustica.

Desde então, a popularidade da marca despencou e as reclamações em sua fanpage aumentaram consideravelmente, mesmo com todo o trabalho de gerenciamento de crises realizado, e eram frequentes nas redes sociais piadas e zombarias com o caso. Na foto em destaque, vê-se uma comparação entre o produto e a seringa utilizada por Lívia Marini (Cláudia Raia), a vilã da novela "Salve Jorge" para matar suas rivais.

Com isso, é necessário observar o esforço feito pelos atores para tornarem esses personagens apenas mais um na galeria de seus papeis, e mais complicado ainda o trabalho de uma equipe para restabelecer a imagem de uma empresa após uma crise.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Comunicação, marketing e formação da imagem - Duelo ator x personagem

Muito se diz que "quem não é visto, não é lembrado" e ainda que algumas estruturas narrativas ficcionais refletem assuntos da realidade e que ainda outras pessoas confundem personagens da ficção com os atores de verdade, assimilando características dos personagens aos cidadãos.

Mas, no quesito mercadológico, até que ponto o entrelaçamento entre ficção e realidade, entre personagens e garotos-propaganda, pode ser benéfica para a imagem da marca e do(a) garoto(a)-propaganda?

Um exemplo desta prática pode ser visto recentemente, num comercial da operadora de telefonia Vivo. Aproveitando o sucesso da novela Avenida Brasil, da Rede Globo, o ator Murilo Benício - que interpreta Tufão no folhetim das 21h - foi chamado a protagonizar uma campanha da marca, exclusiva para a Internet. Porém, ao invés de se apresentar como o ator em si, oferecendo um testemunhal à marca, ele incorporou o personagem e acrescentou elementos da novela (situações e caracteristicas) ao anúncio publicitário.



Outro caso, porém mais preocupante, é o da participação de atores da novela Carrossel, do SBT, nos programas da emissora. Pelo sucesso que a novela está fazendo na grade de programação, é natural que a exposição dos atores seja intensa. Porém, em relação ao SBT, há um excesso na exposição dos atores, principalmente do público infantil, em programas da televisão. Segundo o colunista Flávio Ricco, há um erro muito grave nesta situação:

"É a velha e conhecida história de quem nunca comeu melado. O SBT continua esmerilhando a imagem de todo elenco infantil de “Carrossel, tornando obrigatória a presença dessas crianças nos seus melhores e piores programas. Curioso é que em alguns, eles são anunciados simples e tão somente com os nomes dos seus personagens. Erram duas vezes."

O anúncio dos atores com o nome de seus personagens é evidente em algumas atrações da emissora. Como exemplo, numa matéria inserida no site do programa Domingo Legal, o nome do ator Jean Paulo Campos, que interpreta o personagem Cirilo, só aparece no último parágrafo do texto, enquanto o nome do personagem aparece quatro vezes. No palco do programa, geralmente o público infantil aparece com as roupas do figurino da novela, reforçando a ligação ator/atriz-personagem.


Acredita-se que a metonímia entre garotos-propaganda e realidade é válida, como no caso da esponja de aço Bombril e o ator Carlos Moreno. Provavelmente este ator não consegue realizar outro trabalho com a mesma proporção que o do Bombril. Entretanto, quando esta interligação se trata de ator com personagem, se não for bem equilibrada e pecar pelos excessos, pode ser algo perigoso para a imagem da pessoa. A melhor maneira é não exagerar na exposição da imagem e não forçar uma memorização dos personagens que pode, sim, acontecer de maneira estratégica e, ao mesmo tempo, natural.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Imagem e Ação

Por Manoel Marcondes Neto

O nome do brinquedo vem à baila hoje, day after da cassação do mandato do (agora “ex”) senador-despachante-de-bicheiro-disfarçado-de-vestal Demóstenes Torres.

Segundo noticiado n’O Globo do último dia 12 de julho, “para cientista político, com cassação, Senado reduz damos à imagem”. Resta saber se tal “redução” resolve o problema da credibilidade.

Imagem

Imagem é algo percebido. Algo que se projeta na tela da mente de quem vê, ouve, lê. Não é identidade. Não é algo construído. Construída é a identidade – a partir de atributos, esforços, recursos de quem quer se fazer conhecer.

Nesse processo de cassação, devemos o “feito” (no caso, bem feito) a fatores “externos”, excepcionais. E isto é preocupante. A eles: escuta telefônica de anos – uma prática de polícia! Mídia investigativa – uma conquista da democracia e da livre iniciativa, mas não isenta da possibilidade de “linchamento” injusto (vale pesquisar o caso emblemático da Escola Base, em São Paulo – literalmente exterminada via mídia). E, por último, mas não menos importante, as satisfações públicas mínimas (falar em transparência seria um exagero, no caso do Brasil) que o parlamento brasileiro hoje tem que prestar à sociedade que o mantém.

A recentemente aprovada Lei de Acesso à Informação é um divisor de águas, mas não devemos nos contentar apenas em abrir as caixas pretas das folhas de pagamento – mesmo porque os nababescos salários não diminuirão um centavo por causa do disclosure. Trata-se de dispor praticamente “nuas” as organizações, algo impensável no tempo do papel, do rádio e da – caríssima – televisão. Em tempos de internet tornou-se possível, a quem está fora, ver o que se passa dentro das empresas. Vale uma visita ao premiado website da construtora Tecnisa. E ao blog Fatos & Dados, da Petrobras. 

Ação

E o prefeito do Rio de Janeiro está sendo questionado pelo PSOL por fazer proselitismo político-eleitoral nos contracheques do mês de julho dos servidores municipais, com a seguinte mensagem: – Só essa prefeitura podia começar o ano com notícias tão boas para você! Primeiro, a prefeitura antecipou o pagamento do Acordo de Resultados, superando as metas que você ajudou a conquistar. Um reconhecimento que pode chegar ao 14º ou 15º salário...

O que disse o alcaide, que ilegalmente já desfilou com Dilma, com Lula e com o boleiro Seedorf?

– A mensagem citada refere-se à “comunicação institucional” enviada ao contracheque referente a janeiro de 2012, portanto, anterior à campanha e ao período sob a égide da legislação eleitoral.

Comunicação Institucional? Que bonitinho! Eduardo Paes, agora é, também, relações-públicas. O prefeito do Rio alegar em sua defesa que o abuso de poder político foi cometido a titulo de “comunicação institucional”...

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Irreverência ou indecência? - Os limites do humor das fanpages mercadológicas

Há um ditado popular que diz que "um dia sem rir é um dia perdido". Realmente o bom humor ajuda as pessoas a viver de forma mais saudável e leve, e até ajuda a prevenir doenças. Quando se fala em mídias sociais, um dos conteúdos mais repassados são os de humor, e as empresas que possuem páginas e perfis oficiais começam a se utilizar de ações humorísticas para se aproximar dos seus públicos-alvo, geralmente jovens. Porém, é necessário que as empresas reflitam quais são os seus limites neste humor, justamente para não afastar pessoas que seriam adeptas à marca.

A marca de chocolates Bis, pertencente à Lacta, promove, em sua fanpage oficial no Facebook, uma série de figuras intituladas #TiposDeBis, que mostram alguns adjetivos e substantivos (reais ou neologismos criados pela ação) relacionados com a sílaba que forma o nome do produto e, assim, o personifica como agente das palavras que o representam, como "Zumbis", "Cobisçado", "Bislionário", "Sambista", "Cubista", "Bis Universo", entre outros.

Porém, nenhum destes atributos gerou maior repercussão como o da última quinta-feira, dia 26 de abril. Segundo matéria publicada no Portal Exame, a imagem desta vez mostra uma boneca em forma de Bis (a representação da personificação, como já foi dito), com uma saia bem justa, brincos de argola e apresentando cabelos bem lisos. Antes da foto, estava a frase: "Taí um #TipoDeBis que você vê em toda parte... Se você viu uma hoje, COMPARTILHE!". Acima, a hashtag da ação: #TiposDeBis e, abaixo, a palavra "biscate".



Houve uma grande repercussão nas mídias sociais e opiniões divididas entre os que gostaram da ação, por ser polêmica e ousada, e os que não gostaram, por conta de ser ofensiva. Ainda havia quem acreditasse que isto fosse um sinal de invasão da página por hackers. Na mesma matéria, a Lacta se pronunciou oficialmente sobre o caso:

"A campanha de Bis no Facebook, entitulada "Tipos de Bis", tem a intenção de ser irreverente e bem-humorada, alinhada com o público-alvo da marca, formado por jovens de 18 a 24 anos. Pedimos desculpas caso algum de nossos posts tenha soado ofensivo."

Este episódio pode gerar a seguinte discussão: até que ponto a irreverência numa página oficial de um produto (seja no Twitter, Facebook ou em outras redes sociais) pode ajudar ou prejudicar a formação da imagem da marca? Qual seria um possível limite para o humor nos contatos oficiais entre empresas e consumidores?

Outro exemplo recente deste exagero (ou ousadia) foi visto no perfil oficial brasileiro do Halls, em que uma foto, customizada com a marca da empresa, traz a seguinte sugestão: "Pegaria muito a namorada do meu amigo". A maioria dos comentários na foto criticam a ação, causando uma repercussão negativa para a marca, que é difícil de ser apagada, pois já há centenas de compartilhamentos das fotos.

Com esses dois episódios, as marcas precisam entender o comportamento e os valores dos públicos interessados e ter jogo de cintura para tentar não ofender a nenhum de seus consumidores e, se isso acontecer, se explicar de maneira rápida, eficiente e convincente.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Marcas e webcelebridades - O preço de um viral para atuar nas marcas comerciais

Ouve-se falar muito, atualmente, em vídeos disponibilizados na rede mundial de computadores que alcançam uma certa projeção no cenário on-line (muitas vezes, também atravessando a "correnteza" e chegando à esfera das mídias tradicionais, como a televisão). Há, em muitas pessoas, este desejo de buscar a fama repentina, o reconhecimento e a diferenciação para com o outro, como relatam Heloisa Prates Pereira e Lígia Isis Pinto Bernar no artigo A superexposição de si como tendência no ciberespaço (2011, p. 04):

"Essa forma de destaque é o desejo de se diferenciar, de chamar a atenção no ciberespaço, porém a recorrência pela diferenciação pode redundar em um comportamento modelizado, padronizado que tem como prerrogativa a exposição cada vez maior da sua própria intimidade (feita por grande parte dos usuários da rede) em busca do foco mediático.
A sociedade do espetáculo (DEBORD, 1997) se expande e intensifica nos contextos interativos, com cada pluridivíduo produzindo o espetáculo de si mesmo, extrapolando a relação entre privado e público que se construiu na modernidade. Há uma dissolução, uma hibridação, que se faz ver na voracidade com que experiências íntimas são publicadas e consumidas na web. As relações sociais no ciberespaço tornam indivíduos desconhecidos em reconhecidos (...)"


Ultimamente, as marcas de diversos segmentos começam a reparar nestes virais como uma forma de se aproximar do público jovem, da geração Y. É muito difícil encontrar uma pessoa que não tenha assistido ao vídeo de uma família cantando a música Galhos Secos, de Paulo Cesar Baruk, que ficou mais conhecida como a canção do "Para nossa alegria". Com mais de 15 milhões de visualizações e muitas paródias espalhadas pela Internet, o vídeo se tornou um grande viral, tornando-se lucrativo graças a uma atuação que envolveu mídias sociais com a perpetuação de um emissor de viral, o que geralmente não acontece.

A Pepsi fez uma parceria com o trio de protagonistas do viral "Para nossa alegria" para que eles pudessem divulgar uma nova música na rede mundial de computadores. A única condição para que isto aconteça é que a marca consiga alcançar 500 mil fãs no Facebook. Uma das formas para divulgar a ação foi a veiculação de um vídeo na página oficial da Pepsi nessa rede social.



O fato é que muitos vídeos que tornam-se conhecidos pela Internet, de forma (muitas vezes) inesperada, costumam oferecer aos seus autores os chamados "15 minutos/segundos de fama" e ainda algum retorno financeiro (ou imagético).

Um outro caso que envolve, especificamente, webcelebridades já consagradas com marcas que também atuam no universo off-line, é o banco Itaú, que teve como protagonista de um de seus comerciais uma criança chamada Micah, que ficou conhecida mundialmente porque se divertia ao ver papeis sendo rasgados (eis o vídeo original).

O banco, por sua vez, pegou o vídeo e o transformou em um comercial para incentivar os clientes a cancelaram o recebimento dos extratos via correio. Sem contar as polêmicas envolvendo o lençol que cobria a almofada da sala, o Itaú conseguiu seu objetivo de conscientizar os consumidores da importância de se economizar o uso de papeis.


Como se pode ver, a utilização de webcelebridades para alavancar a imagem e as vendas da marca será algo mais comum nos próximos anos, e os 15 segundos de fama podem se tornar um pouco mais eternos para estes emissores/receptores.

domingo, 25 de março de 2012

Celebridades x marcas - A imagem metonímica da publicidade

Muito se ouve dizer sobre imagem empresarial, sobre como administrar as crises e os momentos de expansão, sobre como zelar para que a marca seja cada vez mais lembrada pelas pessoas. Também muito se fala de assessoria de imagem de pessoas públicas, de como construir uma carreira bem sucedida (e de reconstruir quando acontece um escândalo de qualquer natureza). E com estas duas imagens juntas, como lidar? Será que elas conseguem não se misturar totalmente ou acontece, de uma forma alegórica, uma metonímia entre elas?

Segundo matéria publicada no site InfoEscola, a metonímia é uma figura de linguagem que consiste em usar uma palavra no lugar de outra, mantendo uma relação de implicação (substituição). Existem vários exemplos que são utilizados, mas o que será mais visado neste post é a troca do produto pela marca, como "Comprei um BomBril / uma Assolan" (esponja de aço) ou “Comprei uma caixa de Gilette” (lâmina de barbear).

Porém, há uma nova mentonímia no campo da publicidade e do gerenciamento de marcas: a disputa entre celebridades e produtos, e destes - juntos - com outras pessoas públicas que se somam a outras marcas. Utilizando ainda o exemplo do BomBril, mesmo com a substituição do comercial em alguns momentos (como, por exemplo, na campanha "Mulheres Evoluídas"), não se pode negar a ligação quase que imediata do produto com o ator Carlos Moreno.



Mas não é só nas mídias eletrônicas que acontece esta metonímia em relação à imagem dos produtos versus celebridades. Os pontos de venda e os mostuários de marcas não tão famosas à nível nacional são espaços em que se desenvolve esta relação. Ou seja, muitas pessoas acabam comprando certo produto por conta do artista que estampa sua propaganda, e não pela qualidade da marca em si.

Um exemplo é visto numa ação feita pela marca do segmento de carnes Friboi, os Miniastros Friboi (exclusivamente para o Estado de São Paulo). Segundo matéria do Meio & Mensagem, o objetivo é fazer com que o brasileiro passe a pedir carne pelo nome da marca, com o apoio de cinco cantores da música sertaneja: Zezé Di Camargo e Luciano, Victor e Léo e Luan Santana.

A primeira fase conta com a veiculação de um filme protagonizado pelos cinco cantores e por um açougueiro, explicando os mecanismos da promoção pois, para levar os miniastros, tem que falar com o último, que dirá se a carne é ou não Friboi. Porém, o que acontece ao longo do vídeo (e, principalmente, nos comentários, todos direcionados aos cantores) é uma valorização maior dos artistas do que da própria qualidade do produto.

     

Segundo declaração publicada numa matéria do Portal Exame, Maurício Tavares, da agência Tass (que gerencia a imagem de celebridades como Eliana e Adriane Galisteu) mostra que a exposição exagerada de seu cliente não é algo vantajoso.

“Escolhemos não sair licenciando produtos sem parâmetros, poderíamos ter mais 30 itens no mercado, no entanto, temos que pensar na imagem do artista. Este tipo de trabalho numeroso perde a identidade e a veracidade do negócio. Muitas vezes, a proposta é boa, mas os agenciados recusam porque não combina.”

Por isso, é necessário haver um cuidado, tanto da parte do artista como da empresa, para que a imagem de ambos não seja prejudicada. Os profissionais de comunicação da marca precisam entender o seu posicionamento, visão e expectativas, para planejar a inserção de novos produtos no mercado e de figuras públicas em seus rótulos.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

15 minutos de "anonimato" - Mutação de celebridades em pessoas comuns na publicidade

Muitas pessoas querem ter os seus "15 minutos de fama", das mais diversas formas, seja com um vídeo engraçado na Internet, seja mostrando um talento artístico num programa de calouros ou promovendo ideias e personagens nas mídias sociais. Um dos grandes riscos desta busca pelo reconhecimento, segundo Heloisa Prates Pereira e Lígia Isis Pinto Bernar no texto
A superexposição de si como tendência no ciberespaço (2011, p. 03), é a falha que existe nas fronteiras entre o ambiente público e o privado:

"Com a web surgiram novas formas de interação pessoal instantânea, que hoje pode acontecer em ambientes presenciais ou ciberespaciais. Assim como as fronteiras entre público e privado são hoje indefiníveis, também não há separação entre as interações presenciais e virtuais: ambas são experiências que referenciam a vida social e cultural dos indivíduos.
Tais indivíduos podem ser vistos como inquietos e ansiosos, pressionados para saber e compartilhar as novidades antes de todos (...)"

Porém, o outro lado desta moeda também está se manifestando, pelo menos no cenário da publicidade: pessoas famosas são mostradas, mesmo que alegoricamente, como pessoas comuns com profissões não-artísticas, para oferecer aos receptores uma mensagem específica. É o caso da nova vinheta de fim de ano da Rede Globo, em que alguns artistas da emissora são vistos num cenário de festa de Ano Novo, porém desempenhando funções completamente diferentes da vida real, caso do taxista Luciano Huck, do sorveteiro Serginho Groisman, da cozinheira Ana Maria Braga e do carteiro William Bonner, dentre outros artistas.

Após esta breve cena, todos os artistas se reúnem e cantam, juntamente com Roberto Carlos, a tradicional música de fim de ano da emissora. Este comercial tenta mostrar ao receptor uma maior proximidade das celebridades ao cotidiano dos telespectadores ou, como se diz popularmente, para convencer os receptores de que os artistas são "gente como a gente".


Um outro exemplo da utilização de pessoas famosas como simples anônimos, porém, com a finalidade de serem descobertos no decorrer da ação, aconteceu com o jogador santista Neymar. Ele atuou como taxista para divulgar o programa de relacionamento Sócio Rei, exclusivo do Santos Futebol Clube, que permite vários benefícios (viagem com o time, produtos exclusivos do Santos, chat com os jogadores, jogar bola com os amigos na Vila Belmiro) com o acúmulo de pontos em compras de produtos e em idas aos jogos com mando do Santos.

O mote da publicidade é que o Sócio Rei, que será lançado oficialmente em 2012 em comemoração ao centenário do time, pode proporcionar experiências únicas ao torcedor, como, por exemplo, ele pedir um táxi que tem, como motorista, o badalado atacante da Vila Belmiro.


Esta situação é análoga ao quadro Vou de Táxi, inserido no programa Caldeirão do Huck, em que o apresentador dirige um táxi em várias cidades do Brasil e do mundo, encontrando histórias divertidas, interessantes e dramáticas. A diferença deste para o táxi de Neymar é que o último possui apenas 30 segundos de exibição, e tem o seu foco mais voltado à surpresa do passageiro em encontrar o jogador na direção do veículo.

Enfim, transformar, nem que seja por alguns minutos, celebridades em pessoas mais acessíveis ao público em geral pode ser uma boa estratégia para as empresas envolvidas, desde que se pense em que contextos inserir as pessoas famosas para que estas não se prejudiquem na sua imagem.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Relações Públicas e imagem corporativa - Um casamento que precisa dar certo

Geralmente, quando se fala em definir a imagem no aspecto individual, há a comparação com alguém que se olha num espelho para observar a sua face, ora de maneira correta, ora distorcida, ora de forma oposta à visão que outra pessoa tem acerca da mesma imagem. Com as empresas, a história não é diferente. Nem toda imagem refletida da organização para fora possui as mesmas características do que esta mesma visualização feita por alguém de dentro da área.

Mas, afinal de contas, qual seria realmente o significado de imagem corporativa, e no que contribui para o bom desenvolvimento de uma empresa? Lígia Fascioni, em seu artigo
Gestão Integrada da Identidade Corporativa®: uma ferramenta (2005, p. 1) faz uma distinção importante entre dois termos muito utilizados nas empresas: identidade e imagem corporativa.
"Gray e Balmer (1997) afirmam que a identidade é a realidade da corporação, e mais, que a gestão da identidade corporativa possui como objetivos principais criar uma imagem intencional e uma reputação favorável na mente de seus stakeholders (...)
Ao contrário da identidade, a imagem não é o que a empresa é, mas o que as pessoas vêem. Ou, em outras palavras, imagem não é o que se diz, mas o que o outro entende. Cabe ao interessado em transmitir a identidade o cuidado para que ela seja bem entendida.
(...)
Em resumo, a imagem corporativa é constituída por retalhos do que a empresa é, o que a empresa faz e o que a empresa diz."

E como o profissional de Relações Públicas pode contribuir para o fortalecimento de uma imagem corporativa? Um dos objetivos que se deseja alcançar neste quesito é juntar esses "retalhos", ou seja, os variados "entendimentos" do público em relação ao objeto envolvido (seja uma empresa, uma organização, uma pessoa e até mesmo de um país), para transformá-los num tecido consistente e que agrade, senão a todos - algo quase impossível -, mas aos públicos-alvo e de interesse.

Uma tentativa de se fazer esse processo está acontecendo com o Brasil. Segundo matéria publicada no último dia 24 de outubro no Portal Exame, o país ocupa a 21ª posição (de 31 países pesquisados) no Anholt Nation Brands Index, um estudo que mede a força das marcas nacionais por meio de seis fatores: pessoas, cultura, imigração/turismo, turismo, exportação e governança.

E por que o Brasil não consegue melhorar sua posição neste ranking? O que falta ao país para que sua imagem corporativa seja mais respeitada? Com a palavra, o economista Tamer Cavusgil, pesquisador da Georgia State University (EUA), ouvido nessa matéria anteriormente citada:

“O Brasil tem uma imagem muito favorável no ambiente externo, mas largamente devido a suas tradições culturais e belezas naturais. É hora de mostrar os empresários brasileiros, os cientistas, engenheiros e companhias nacionais. Não apenas jogadores de futebol de renome mundial (...) 
Por que o mundo conhece mais a escalação da Seleção Brasileira que as companhias do país? (...) 
O consumidor, antes de comprar um produto, primeiro considera a imagem do país de origem, onde ele é fabricado”.

Portanto, uma das tarefas do relações-públicas nesta missão de aperfeiçoar a imagem corporativa, seja do Brasil, seja de uma pequena empresa, está justamente em formular políticas de valorização dos profissionais e fazê-los compreender sobre a importância de se aperfeiçoar continuamente para, assim, conseguir tecer esta "colcha de retalhos", citada anteriormente, de forma coesa, limpa e agradável, e que os públicos da empresa ou da instituição possam olhar para o seu espelho e enxergar nitidamente as escolhas, as mudanças e, principalmente, as intenções e o real valor da organização.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Publicidade e questões de gênero - Hope bateu o carro no estereótipo?

Sabe-se que há uma grande variedade de peças pubilcitárias espalhadas por quase todos os ambientes, sejam eles materiais ou midiáticos. Um dos grandes públicos, para quem estas ações publicitárias se dirigem, são as mulheres, e a tônica do discurso e da imagem referidos a este gênero são praticamente predominantes em várias décadas, como mostra o artigo Gênero no Texto Visual: a (re)produção de significados nas imagens técnicas (fotografia, televisão e cinema), escrito por Monique Vidal Pires (2006, págs. 06-07):

"Em todas as décadas analisadas, apesar das mudanças sociais acontecidas no Brasil, o discurso que vigora é o essencializante - de que as mulheres são essencialmente sedutoras, naturalmente preparadas para a maternidade e socializadas para o casamento. (...)
Assim, percebe-se que a publicidade reforçou a representação social dos papéis próprios às mulheres, que apesar de toda a luta, as mulheres continuam interiorizando – assujeitadas - os esteriótipos de 50 anos atrás, mas agora carregam também a sexualidade exacerbada, um dos fardos da sociedade pós-revolução sexual, que libertou as correntes que prendiam os desejos femininos, mas trouxe o corpo feminino à berlinda, na publicidade e na mídia em geral. (...) Entretanto transformaram-se em um ser explorado sexualmente pelos meios de comunicação, que limitam as mulheres à nádegas, vaginas e seios, disponíveis para todos."

No último dia 20 de setembro, foi divulgado o novo comercial da marca de lingeries Hope, tendo como protagonista a modelo Gisele Bündchen. De acordo com uma matéria publicada no Portal Examea campanha “ensina” como a sensualidade da mulher, com o auxílio do poder de sedução das lingeries, pode impressionar os homens e convencê-los de maneira mais fácil a aceitar situações complicadas, como a mudança da mãe da mulher para a casa do casal, o estouro do cartão de crédito ou que ocorreu uma batida no carro do homem (vídeo incorporado a seguir).


Mas o que era pra ser apenas mais um comercial de lingerie, estrelado pela modelo brasileira, acabou transfornando-se numa grande polêmica. A Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) da Presidência da República recebeu várias críticas e indignações a respeito deste comercial. Com essas reclamações, foram mandados dois ofícios pela Secretaria: um ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar), para pedir a suspensão da propaganda, e um à empresa Hope. 

Segundo matéria publicada no portal G1 em 29 de setembro, a nota divulgada pela SPM à empresa diz: “‘Hope Ensina’ é a campanha da empresa que ‘ensina’ como a sensualidade pode deixar qualquer homem ‘derretido’. Nela, a modelo Gisele Bundchen estimula as mulheres brasileiras a fazerem uso de seu 'charme' (exposição do corpo e insinuações) para amenizar possíveis reações de seus companheiros frente a incidentes do cotidiano”.

Esta discussão se a propaganda mostra realmente o estereótipo de mulher como objeto sexual ou não possui muitas interrelações às discussões de gênero, a começar pela própria constituição do comercial. Nos três vídeos, Gisele aparece, primeiramente, com roupas discretas, aparentando ser mais baixa e, ideologicamente, mais medrosa e submissa a uma possível reclamação do homem. Já na segunda parte do comercial, o ângulo da filmagem, aliado ao uso da lingerie e do salto alto, mostra uma mulher mais decidida e que se utiliza de insinuações para evitar uma bronca do seu parceiro.

A pergunta que fica é: a publicidade pode se utilizar destes estereótipos, montados ou não, atribuidos às mulheres para poderem promover suas marcas, muitas destinadas justamente a esse público feminino? E, se sim, qual seria o limite para estas intervenções?

segunda-feira, 14 de março de 2011

Formadores de opinião e repercussão midiática - Caso Rachel Sheherazade

Ter uma opinião sobre o que acontece no mundo é algo importante para quem deseja se destacar nos âmbitos profissional e pessoal. Com o passar dos tempos, algumas pessoas que emitem suas opiniões em cenários midiáticos como, por exemplo, a televisão, o rádio e a Internet, começam a ter um reconhecimento público e passam a, de certa maneira, influenciar muitas pessoas, extrapolando até mesmo os "limites territoriais" das transmissões de seus prounciamentos. São os chamados formadores de opinião.

Um exemplo foi o que aconteceu com a jornalista Rachel Sheherazade, apresentadora do Tambaú Notícias, jornal veiculado pela TV Tambaú (afiliada do SBT em João Pessoa, capital da Paraíba, com site em manutenção) de segunda a sexta às 13h00. A apresentadora articula, dentro do jornal, comentários há cerca de um ano, duas vezes por semana, sobre os mais diversos assuntos.

No dia 03 de março de 2011, uma quinta feira, Rachel teceu comentários críticos acerca do feriado de Carnaval, que começaria, para algumas pessoas, no dia seguinte. A jornalista mostrou o chamado "lado B" da festa, ressaltando que a sua origem não é brasileira, mas sim européia (na Era Vitoriana, como ela mesma completa) e que a festa não é tão popular como se pensa, pois, nas palavras dela, "O Carnaval virou negócio, e dos ricos. Que os digam os camarotes VIPs"

Além disso, Rachel questiona o grande número de ambulâncias e de policiais nos locais onde as festas de Carnaval acontecem, em comparação ao dia-a-dia da população, e encerra declarando que o carnaval não é mais tão interessante e bom como nos tempos de outrora. O que era para ter uma repercussão local (no máximo, estadual) tornou-se fonte de discussão e polêmica por todo o Brasil e até destacado em páginas internacionais. O vídeo postado pelo canal da emissora no Youtube com a íntegra do comentário pode ser visto a seguir. Somando quase todas as reproduções do comentário, houve mais de 1 milhão de visualizações e mais de 6 mil comentários.



O comentário foi, para muitas pessoas, inesperado por se tratar de uma emissora que transmitiu os festejos carnavalescos em Salvador, investindo milhões de reais e trazendo os apresentadores Celso Portiolli e Eliana como protagonistas da cobertura. Além desta razão, o meio televisivo quase sempre mostra com maior ênfase os desfiles das escolas de samba e as festas em blocos e trios elétricos, em detrimento, muitas vezes, de outras atividades que podem ser realizadas durante estes dias de feriado, como retiros religiosos, viagens para lugares distantes da folia, entre outras programações alternativas.

Quando se percebe este contexto em relação a como o Carnaval é veiculado pelas mídias, é possível entender que a repercussão do comentário, com o intermédio das mídias sociais, foi imediata: além do grande número de acessos aos vídeos (e ao número também significativo de outras gravações apoiando e/ou criticando a jornalista), os nomes "Raquel", "Rachel" e "Sheherazade" permaneceram, não simultaneamente, 4 dias consecutivos entre os assuntos mais comentados da rede de microblogs Twitter. 

As declarações de Rachel também foram discutidas em matérias nos portais de notícias Comunique-seUOL e no blog Em Cartaz na Web, de OGlobo (destacando este último site, pelo tom de sarcasmo com que o autor do post apresenta o vídeo), além de ser destaque dos blogs de Ricardo Noblat e Luís Nassif. No âmbito internacional, os sites GlobalPost e RioGringa destacaram, impressionados, as críticas de Rachel, tão incomuns num país que valoriza demasiadamente esta festa. No dia seguinte ao comentário, Sheherazade comentou sobre a inesperada divulgação maciça de suas críticas e agradeceu à emissora pela liberdade de, segundo ela, "opinar livremente sobre qualquer assunto, sem censuras prévia ou posterior".




Segundo reportagem já citada do UOL, Rachel disse estar surpresa com a repercussão de seu comentário e revelou os motivos para criticar o Carnaval: “Na Paraíba se vive o Carnaval mais nas praias, sobretudo nas prévias carnavalescas --tanto que a ‘quarta-feira de fogo’, quando fiz o comentário, é nessas prévias. E a cidade, com comércio e repartições públicas, para; são muitos contratempos” (...) “Eu moro nas proximidades dos desfiles. Simplesmente você não consegue chegar em casa porque o trânsito congestiona, fora que é muito barulho. E não são queixas apenas minhas”. Além disso, segundo palavras da apresentadora, a intenção não era destruir o carnaval, tanto que ela cita os desfiles que acontecem no Sambródomo do Rio como um bom exemplo de organização.
 
Para marcar a repercussão do comentário como algo positivo para a emissora, a equipe de marketing da afiliada produziu uma propaganda ressaltando, em seu título, que "Jornalismo de verdade está ficando tão raro na Paraíba que vira notícia internacional", mostrando a repercussão de um comentário de praticamente 3 minutos e meio. Já na sexta feira pós-Carnaval, no dia 11 de março, a edição vespertina do jornal promoveu uma discussão sobre redes sociais (link disponível está dividido em Parte 1 e Parte 2), ainda motivada pelo vídeo de Rachel, com a presença da pesquisadora e professora de Comunicação Cândida Nobre e do gerente de Marketing da TV e FM Tambaú e também professor de Marketing Fábio Albuquerque.


É necessário entender, diante do caso exposto, que quase nenhuma declaração feita acerca de assuntos quaisquer fica imune a uma repercussão midiática, ainda mais se exprimida pelos formadores de opinião, e a opinião pública, na maioria das vezes, reage aos comentários e/ou atitudes. Pode-se dizer que, ao contrário do caso Prates (já analisado aqui mesmo no RPitacos), Rachel teve uma aceitação mais positiva do que negativa de seus comentários. Porém, ambos repercutiram suas opiniões e transcederam os limites territoriais, respectivamente, do Sul e do Nordeste brasileiros.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Quebra de estereótipos = aceitação do consumidor? - O outro lado de Sandy Leah

Para começar este post, é necessário entender que cada indivíduo possui três imagens perante a sociedade: uma própria (vista pela pessoa quase que exclusiva, com suas qualidades e defeitos, com seus segredos e intenções), uma caracterizada pelas pessoas mais próximas, as que convivem com ela (provavelmente sabem um pouco mais da personalidade, dos valores, das intenções e das ações do indivíduo) e outra vista pela sociedade em geral (mais baseada na aparência física, nas expressões faciais e gestuais, além da própria reputação da pessoa). Estas três facetas podem se coincidir ou não, dependendo de cada indivíduo.

O que acontece em algumas situações é o fato de muitas pessoas (conhecidas ou não) assimilarem características, valores e atitudes (verdadeiros ou não) a outras, construindo concepções de perfis a partir de pré-saberes. Essa construção é chamada, por muitos, de estereótipo, por uma comparação com um certo instrumento antigo de impressão, e é considerada pejorativa por um provável distanciamento da realidade, como afirma Dylia Lysardo-Dias no artigo A Construção e a desconstrução de estereótipos pela publicidade brasileira, pertencente à revista Passando dos limites? Mídia e transgressão – Casos brasileiros (nov. 2007, p. 27):

"O termo “estereótipo” denomina, inicialmente, a placa gravada sobre o metal para a impressão de imagens e textos por meio de prensa tipográfica. Se até o início do século XX a composição era feita através de caracteres móveis, a partir dessa data surge um novo processo de reprodução em massa no qual o clichê ou estereótipo utiliza um modelo fixo.
Etimologicamente, a palavra vem do stereos que, em greco, quer dizer “sólido”. Portanto, o termo comporta em si uma referência ao que foi pré-determinado e encontra-se fixado, cristalizado. O fato de ele ser tomado como uma idéia que foi se solidificando ao longo do tempo e, por isso, possa ter se distanciado da “realidade”, fez com que fosse entendido como elemento falseador e pernicioso para as relações sociais. Assim, o termo estereótipo assume uma conotação pejorativa já que remete a um conceito falso (na origem inclusive de preconceitos sociais), uma crença desprovida de qualquer senso crítico que encerrava uma simplificação ou uma generalização sem fundamento.
"

Na última terça-feira, foi anunciada a nova garota-propaganda e musa do camarote carnavalesco da marca de cervejas Devassa, pertencente ao grupo Schincariol. A grande maioria do público se recorda que, no ano de 2010, esta bebida foi lançada no Brasil com a presença da socialite Paris HIlton, o que gerou muitos comentários pela sensualidade explícita do comercial e por algumas polêmicas, como o excessivo consumo de bebidas alcoólicas feito pela Paris e a retirada de circulação das propagandas da cerveja na televisão, no rádio, na mídia impressa e na Internet, determinada pelo Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária).

Em 2011, a celebridade escolhida para propagar a cerveja nos comerciais e no Carnaval é a cantora Sandy, que possui uma imagem, muitas vezes estereotipada por grande parte da mídia, de uma mulher mais recatada e reservada, além de ter uma forte ligação com o público infantil, muito por conta do começo precoce de sua carreira artística (juntamente com seu irmão Júnior). O primeiro comercial desta nova fase da cerveja pode ser visto a seguir.



Com isso, pode-se dizer que o novo tema de campanha da Devassa para este ano é muito sugestivo para esta "quebra de estereótipos": "Todo mundo tem um lado Devassa". É necessário notar que a expressão "todo mundo" significa que qualquer pessoa, na visão da marca, pode ter este lado mais desencanado, mais divertido, até mesmo, sob uma visão estereotipada, uma cantora como a Sandy. Segundo o Jornal O Dia, a cantora diz ter sido pega de surpresa com o convite, porém se identificou com a campanha apresentada e falou sobre a importância de buscar novas experiências profissionais:

"Enfrentei muitos desafios e muitas coisas novas. Ninguém sabe o que é trocar o certo pelo duvidoso. Antigamente tinha um público mais infantil. Agora posso fazer uma campanha como essa. Fui muito devassa nessa nas gravações. Eu me diverti muito".

A repercussão desta nova campanha da Devassa foi imediata. Na tarde de 1º de março e na manhã do dia seguinte, a tag #devassa permaneceu entre os assuntos mais comentados do Brasil no Twitter. Entre perfis indignados com a escolha da cantora e fãs comemorando o novo trabalho de Sandy, algumas piadas sobre este fato se espalham pela rede, como uma das versões de uma famosa sequência de fatos que pode (ou não) remeter a 2012: "@fabionovoa Sandy #devassa, homem na capa da Playboy, flamengo campeão.. Os sinais de 2012 se multiplicam..."

Enfim, a propaganda da Devassa pode ter contribuído para esta quebra de estereótipos relacionados à Sandy e também à própria imagem da cerveja, que muda seu foco quase que radicalmente, trazendo uma artista mais conhecida por seus trabalhos musicais do que pelas polêmicas e discussões. Do ponto de vista mercadológico, com elogios ou críticas, a empresa conseguiu divulgar suas ações de marketing, gerar polêmica e ainda fazer com que esta campanha será lembrada por todo o ano. 

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A descaracterização do "nada se cria, tudo se copia" no campo acadêmico

Há uma velha expressão que afirma: "nada se cria, tudo se copia". Porém, em vários cenários da sociedade, esta frase não pode ser aceita em sua integridade. Sabe-se que a grande maioria dos conteúdos apresentados nas mais variadas mídias sofre muitas influências de outros conteúdos, contemporâneos ou não. Porém, copiar integralmente ideias de outrem, e sem colocar a fonte, pode ser muito mais do que influência. E pode ser perigoso.

E quando o campo acadêmico se depara com uma notícia de que um professor foi afastado de suas funções por se usufruir de ideias e conceitos, sem dar o devido crédito aos seus autores? Como fica a imagem, não só da instituição envolvida, mas do próprio cenário acadêmico do Brasil que, como já foi dito neste blog, é um dos principais países do mundo na divulgação de conhecimento científico?

Sem julgar especificamente quaisquer situação (inclusive, o caso posto em questão nesta última semana), é necessário entender, primeiramente, o que significa a palavra plágio e como este pode ser caracterizado, sobretudo no contexto educacional.

Segundo o dicionário on-line da Michaelis, disponível no Portal UOL, plagiar é "Cometer furto literário, apresentando como sua uma idéia ou obra, literária ou científica, de outrem (...) Usar obra de outrem como fonte sem mencioná-la. (...) Imitar, servil ou fraudulentamente.". Vendo esta definição, pode-se dizer que a prática do plágio, infelizmente, ocorre em vários setores da sociedade: musical, científico, literário, entre outros.

Um exemplo de acusação recente de plágio no cenário musical ocorreu com a banda de rock NX Zero, em janeiro de 2009. Segundo o site da G1, na ocasião, a banda norte-americana Taking Back Sunday acusou os brasileiros de plagiar a canção “MakeDamnSure”, do disco “Louder now”, de 2006, em “Daqui pra frente”, do disco “Agora”, lançado em 2008 pela banda brasileira, tirando o refrão original e colocando uma música em português com a mesma melodia. 

Os cantores americanos não ficaram bravos com essa história, descoberta através de um fã brasileiro, mas mostraram-se surpresos com a postura do grupo musical brasileiro. O plágio foi desmentido veementemente pelos produtores do álbum e pelo próprio NX Zero, que atribuiam à semelhança uma mera coincidência, nada de mais grave foi constatado e o caso foi arquivado.


No contexo acadêmico, plagiar trabalhos e/ou ideias de outros pesquisadores é um crime imperdoável e há um regime de "tolerância zero" que rege a comunidade científica, como afirma Sonia M. R. Vasconcelos em seu artigo O plágio na comunidade científica: questões culturais e linguísticas (arquivo online, Jul/Set 2007), pertencente à Revista Ciência e Cultura, volume 59, nº 3:

"Atualmente, há uma política de "tolerância zero" ao plágio, que vem se estabelecendo através de periódicos internacionais. Recentemente, a Elsevier estabeleceu orientações bastante detalhadas sobre questões éticas relacionadas ao artigo científico. Na definição sobre o plágio, até mesmo algumas nuances foram abordadas: 'a cópia pode ocorrer mesmo sem a reprodução exata das palavras do texto original. Este tipo de cópia é conhecido como paráfrase e pode ser o tipo de plágio mais difícil de ser detectado.' Para autores acusados de plagiar idéias ou trechos de publicações anteriores, a punição é, muitas vezes, o bloqueio de nova submissão de manuscritos pelos envolvidos nesse tipo de 'fraude'.".

De maneira geral, utilizar ideias de outras pessoas, sem citar a fonte, é uma atitude que desvaloriza o trabalho do pesquisador afetado e que pode até trazer um prazer e um status imediatos, porém o peso na consciência (e, em algumas vezes, no bolso) e os malefícios atrelados à imagem pessoal são, de forma geral, irreversíveis. Um vídeo educacional muito interessante e ilustrativo para encerrar o post é do Movimento Criança Mais Segura na Internet, em que aborda os problemas de plágio e de pirataria. 

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Relações Públicas e o cenário esportivo - Uma parceria que dá jogo

Para que se comece este post, é necessário lembrar que a parceria entre Comunicação e Esporte (termo tratado não em seu contexto lúdico, mas no de competitividade e de performance dos atletas) é antiga, desde as primeiras impressões de jornais com cadernos esportivos, passando pelas transmissões de jogos pelas rádios e televisões, pelo lançamento de revistas e tablóides especializados e pelo advento da Internet, com a quase instantânea transmissão e compartilhamento de notícias sobre clubes, atletas, resultados, jogos, carreiras e títulos, através de sites específicos e de canais de relacionamento que aproximam significativamente atletas, jornalistas e torcedores.

Com este contexto, como é que o profissional de Relações Públicas pode se inserir neste nicho de mercado tão competitivo e tão mutável como o dos Esportes? Será utilizada neste texto a "divisão" do trabalho das Relações Públicas em dois componentes, sugerida por Mullin, Hardy e Sutton no livro Marketing Esportivo (2004) e citada por Jéssica Raquel Batista Lima e Ary Rocco no artigo As Relações Públicas como Composto de Marketing Esportivo, apresentado no XXXIII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação - Intercom (2010, págs. 08-10).

Os dois componentes do trabalho de um Relações Públicas que foram citados no artigo são as Relações de Mídia e as Relações Comunitárias. O primeiro componente citado pode ter três abordagens (2010, p. 08), dependendo do seu papel na organização e do contexto em que esta se encontra:

- Reativas: "(...) captam e respondem indagações, essas solicitações podem se referir a entrevistas, autógrafos, aparições", além de englobar pedidos de declarações acerca de uma situação específica;
- Pró-ativas: "(...) a organização toma a iniciativa de oferecer informações e de criar publicidade";
- Interativas: auxiliam a mídia, pois cada parte pode iniciar a sua ação específica sabendo que a outra poderá cooperar quase que totalmente. Esta abordagem ligada diretamente ao marketing de relacionamento, "onde se prioriza a construção de relacionamentos duradouros, ao invés de realizar metas de relações públicas de curto prazo."

Um exemplo da utilização destas Relações de Mídia no campo esportivo está exatamente no uso das novas mídias por jogadores de futebol, técnicos e jornalistas especializados. Com o passar do tempo, estes canais podem se tornar benéficos ou maléficos aos seus usuários, desencadeando relações sólidas e harmoniosas ou crises incontroláveis envolvendo jornalistas, seguidores, empresas e jogadores. A ocorrência destas situações depende de vários fatores, dentre eles está o desempenho do atleta/time num torneio específico ou um incidente que aconteceu fora de seu ambiente profissional.

Um caso recente em que aparecem abordagens das Relações de Mídia de maneira simultânea está no uso do Twitter pelo presidente do Atlético Mineiro Alexandre Kalil. Em seu perfil na rede de microblogs, com mais de 76 mil seguidores, ele é reativo (costuma deixar o espaço sempre atualizado, captando os acontecimentos e respondendo, como no último sábado, em que se dirigiu à torcida rival do Cruzeiro, depois da vitória no clássico regional por 4 a 3 pelo Campeonato Mineiro) e pró-ativo (pela prática de anunciar as novas contratações do time pelo Twitter, como no caso do meio-campista Mancini, do zagueiro Leonardo Silva e do goleiro Giovanni).

Já as Relações Comunitárias, segundo o mesmo artigo citado inicialmente (2010, p. 09-10), são complementares às Relações de Mídia e o grande objetivo desses "são de elevar os níveis de consciência entre os consumidores e o público em geral, e com a visibilidade adquirida na comunidade, esses programas tentam criar clientela.". Há várias facetas de Relações Comunitárias e, dentre elas, está a parte da filantropia empresarial, com ações solidárias visando, além do benefício direto aos públicos necessitados atingidos, a uma imagem mais positiva da empresa/indivíduo em relação à sociedade, com a agregação de valores através de elementos emocionais e criativos.

Um exemplo da utilização das Relações Comunitárias no esporte está no quadro Futebol Social Clube, recém-lançado pelo programa Esporte Espetacular, veiculado pela Rede Globo. O repórter Thiago Asmar e o comentarista Caio Ribeiro mostram iniciativas sociais de jogadores e ex-jogadores, interagindo com o atleta e com os moradores da comunidade. Alguns programas já foram gravados na "Fundação Gol de Letra" dos ex-jogadores Raí e Leonardo, e no "Instituto Deco20" do meia do Fluminense Deco.

Seja assesorando a imagem de uma insituição, de um atleta ou ex-atleta, gerenciando crises que podem ocorrer ou cuidando da comunicação institucional de um projeto social, os Relações Públicas possuem um vasto campo de atuação a ser explorado no cenário esportivo. Para encerrar o post, um vídeo relacionado ao quadro Futebol Social Clube, com a presença do ex-jogador Raí.


sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

A voz de autoridade das celebridades é a voz do povo? (III) - Protagonismo popular por Regina Casé

O RPitacos encerra hoje, com este post, uma série de textos baseados numa pesquisa feita pela Data Popular e publicada no Portal Exame no começo deste ano sobre a influência de algumas celebridades na intenção de compra das classes C, D e E. A introdução para o melhor entendimento desta pesquisa e de seus desdobramentos pode ser vista neste link.

A última celebridade a ser mais destacada nesta pesquisa foi a atriz, comediante e apresentadora Regina Casé. Esta artista carioca é filha do diretor Geraldo Casé (falecido em 2008) e, desde jovem, sempre atuou em peças teatrais e fez algumas participações em novelas e séries da Rede Globo. O reconhecimento do grande público, no entanto, veio em 1986, durante a novela Cambalacho, com a personagem Tina Pepper e, dois anos depois, Casé entrou para o elenco do programa TV Pirata, protagonizando vários quadros.

Porém, a grande atuação de Regina Casé (por conta de suas marcas significativas de espontaneidade) está nos programas mais populares, no sentido de mostrar ao grande público particulariedades das grandes cidades e histórias que talvez não teriam espaço em outros programas. Alguns artigos acadêmicos correlacionam programas apresentados pela atriz com as realidades vividas e com processos comunicacionais.

De maio de 1995 a 1998, Regina Casé passou a apresentar o programa Brasil Legal (que, em 1994, já tinha ido ao ar em forma de um especial de fim de ano), que tinha o objetivo de mostrar tipos inusitados e interessantes que existiam (e ainda existem) no Brasil que, em quase todos os casos, permanecem no anonimato.

Daniela Dumaresq, em seu artigo Viagens e Encontros em Brasil Legal, apresentado no XXIV Congresso Brasileiro da Comunicação - Intercom 2001, ainda ressalta o fato de este programa não ser relacionado a um gênero já existente na classificação de programas televisivos, pois "Fez humor sem necessariamente contar piadas, entrevistas sem ser jornalístico, mostrou pessoas e lugares que não costumam ter espaço na mídia, misturou ficção e realidade." (2001, p. 02). Um exemplo deste novo gênero está no vídeo a seguir, que mostra um episódio do programa de 1997, cujo tema é telefonia.



Outro exemplo aconteceu em 1999, quando foi lançado, na Rede Globo, o programa Muvuca, que misturava talk-show e reportagens especiais, unindo pessoas de diferentes universos, celebridades e anônimos. Como o próprio nome do programa sugere, a "bagunça" era organizada e, ao mesmo tempo, imprevisível, por conta de uma dicotomia por parte da persona da apresentadora, como relata Suzana Kilpp no artigo Mundos imaginados em Muvuca (artigo on-line, p. 13):

"A persona Casé é moldurada, perceba o leitor, em termos muito diversos das personas televisivas âncoras: Regina está dentro, é parte do panorama. Ela é mal arrumada sem estar fantasiada, é grosseira e muito gentil ao mesmo tempo, é prepotente mas pode submeter-se, é triste e alegre, é plural e contraditória. Ela "é" a bagunça brasileira, a (des)ordem"

Um exemplo mais recente desta aproximação de Casé com as classes menos favorecidas está em seu mais recente programa na TV Globo, o dominical Esquenta, que substitui os programas As Aventuras do Didi e Os Caras de Pau, que estão em férias. O cenário possui cores bem vivas, como o laranja e o amarelo, remetendo exatamente ao verão brasileiro, e o programa mostra algumas antigas esquetes de humor de Regina Casé e recebe convidados famosos, valorizando sempre o talento e a música brasileiras (principalmente o samba, pela proximidade do Carnaval).  

Um dos momentos mais importantes para a curta história do Esquenta foi a participação, no dia 02 de janeiro de 2011, do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, numa conversa informal com Regina Casé. Dentre os assuntos abordados, Lula relata as dificuldades de se realizar obras no Brasil e de seus planos para o futuro. Pode-se dizer que houve a junção de duas pessoas que têm suas imagens atreladas ao povo simples (embora Regina Casé não viesse, necessariamente, de origem muito humilde) e que possuem, pelo menos nesta entrevista, carisma e espontaniedade em frente às câmeras. Para encerrar o post e esta série de textos, um trecho desta entrevista.





Complementando: no dia de hoje (11 de fevereiro), saiu uma notícia no site Adnews dizendo que Regina Casé é protagonista do novo comercial da Caixa, mostrando os benefícios de crédito à pessoa física. Um dos requisitos para a escolha da comediante é exatamente o despojamento e a informalidade que lhe são características.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

A voz de autoridade das celebridades é a voz do povo? (II) - A influência midiática de Ivete Sangalo

O RPitacos continua hoje sua série de posts baseados numa pesquisa feita pela Data Popular e publicada no Portal Exame sobre a influência de algumas celebridades na intenção de compra das classes C, D e E. A introdução para o melhor entendimento desta pesquisa e de seus desdobramentos pode ser vista neste link.

No post de hoje desta série, o foco será à cantora Ivete Sangalo, nascida em Juazeiro (Bahia) e que começou a sua carreira cantando em barzinhos na cidade de Salvador. Em 1993, alçou o posto de vocalista da Banda Eva, que vendeu mais de cinco milhões de discos durante os cinco anos de permanência da cantora.

Na Quarta-feira de Cinzas de 1999, Ivete iniciou a sua carreira como cantora solo e já no primeiro CD conseguiu receber um Disco de Ouro pelas cem mil cópias vendidas. A trajetória de Ivete continuou nestes quase 11 anos de carreira solo com mais altos do que baixos, culminando com a gravação de seu terceiro DVD no Madison Square Garden, em Nova York, com participações de artistas como Juanes, Seu Jorge, Diego Torres e Nely Furtado.

Há muitos casos de sucesso e de identificação de músicas da cantora com acontecimentos nacionais e internacionais. Citando apenas alguns exemplos, a música Festa, lançada em 2001, tornou-se, no ano seguinte, o hino do pentacampeonato da Seleção Brasileira de Futebol na Copa do Mundo FIFA, sendo a cantora convidada para recepcionar os jogadores em seu trio elétrico durante festa em Brasília, como se pode ver no vídeo a seguir.



A imagem da cantora, midiaticamente falando, é muito expressiva quando é colocada para vender produtos que exaltam a beleza feminina, como tinturas e shampoos, ou quando se precisa mostrar as belezas materiais e imateriais da cidade de Salvador e/ou do Estado da Bahia, como mostram Pricilla de S. Andrade, Paula N. M., Fernanda M. M. de Castro e Elizabete S. Kushano no artigo Campanha publicitária do verão 2005/2006 da Bahia: a importância do investimento na imagem da marca para o fomento da atividade turística no Estado, publicado no Caderno Virtual de Turismo, volume 7, nº 2 (2007, p. 86, grifos do autor):

"A terceira mensagem é transmitida pela cantora baiana de maior popularidade midiática, Ivete Sangalo, que ressalta o convite para o telespectador: "Vem que a gente tá querendo te abraçar, nosso estado de alegria contagia". Nesse momento, se estabelece uma relação mais íntima do povo baiano que aparece em segundo plano no filme, mas convida o turista através da cantora que aparece em primeiro plano com muita expressividade."

Uma das ações mais recentes em que a cantora participou foi relacionada à companhia de viagens aéreas TAM, no segundo semestre de 2010. A estratégia era trazer Ivete como uma comissária de voo numa viagem regular para Nova York (onde ela fez um show no Madison Square Garden no dia 04 de setembro) para causar um impacto aos passageiros. Em entrevista ao Portal Exame (já referenciada acima), a diretora de Marketing da empresa Manoela Amaro explica a escolha da Ivete como garota-propaganda da marca.


"[Portal Exame] Vocês mantêm parceria com Ivete Sangalo. Como a popularidade da cantora favoreceu a estratégia da companhia?
Manoela Amaro - A Ivete é elástica. Ela fala para todas as classes sem desmerecer ninguém. Ela tem as características que a gente quer trazer para a marca. Mas os resultados das campanhas com ela nós vamos levantar depois do show do Madison (Madison Square Garden, em Nova York). Em breve teremos muitas novidade com a Ivete."

De fato, a ação gerou uma grande repercussão na época e o vídeo que continha as orientações da "comissária Ivete" teve mais de 200 mil acessos no Youtube, mostrando a popularidade da cantora em todos os níveis financeiros, o que demonstra a tese relatada no começo do post anterior: a maioria das pessoas está submetida a se influenciar por uma voz de autoridade. E é com o vídeo da ação da TAM que este post se encerra.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A voz de autoridade das celebridades é a voz do povo? (I) - Huck caiu na rede e no Peixe

Esta série de posts que se inicia hoje foi inspirada numa pesquisa feita pelo Data Popular e publicada no Portal Exame em 04 de fevereiro de 2010, que mostra que aproximadamente 33% das classes C, D e E tem suas opiniões formadas graças aos artistas que estampam os anúncios. Nas palavras da notícia, "Os preferidos são Luciano Huck, que passa uma imagem de família, Ivete Sangalo, pela alegria, e Regina Casé, por ter um perfil com que a massa se identifica."  

Um fato que deve ser considerado, para maior entendimento, é que a grande maioria das pessoas, de qualquer classe econômica, são suscetíveis a serem influenciadas por algo (ou alguém) para formarem as suas opiniões que, na realidade, não são totalmente próprias, e sim lapidadas pela Indústria Cultural. Explicado isto, o objetivo dos posts é como as três celebridades citadas na matéria conseguem ter esta influência positiva diante do público, mesmo quando enfrentam polêmicas e crises. (Sim, dos posts: nesta semana, o RPitacos tentará entender como a imagem dos três artistas se construiu, como esta influência foi conquistada e quando uma gestão de crises bem sucedida conseguiu solucionar problemas).


Hoje, o estudo de caso será baseado no filho de um jurista e de uma urbanista, no estudante de direito que se tornou jornalista, apresentador de televisão e empresário, além de ser casado com outra apresentadora famosa. Luciano Huck possui mais de dez anos de carreira, entre programas de rádio (Torpedo Pan e Mingau, na Jovem Pan) e televisão (Circulando, na TV Gazeta de São Paulo, Programa H, na Bandeirantes e, há 10 anos, apresenta o Caldeirão do Huck, nas tardes de sábado pela Rede Globo).

É interessante perceber a mudança na imagem artística de Huck ao longo dos anos. Se no final do século XX, o apresentador era mais conhecido pelas personagens femininas que lançava, como a Tiazinha e a Feiticeira, atualmente Huck possui uma imagem ainda voltada ao público jovem, porém com um ar mais amadurecido (muito por conta de seu casamento com Angélica) e mais comprometido com as causas sociais: Huck foi idealizador em 2003 do Instituto Criar de TV, Cinema e Novas Mídias, que tem, como objetivo (retirado do próprio site da organização), "proporcionar aos jovens oportunidades de trabalho em que eles realizem e conquistem sua independência".

Em relação ao campo da privacidade, Huck passou da fase de mostrar explicitamente o relacionamento com suas namoradas, como se vê nesta reportagem da Veja em 4 de agosto de 1999, e a promoção do "bom-mocismo" e do chamado casal celebridade perfeito Huck e Angélica foi reportagem de capa desta mesma revista na edição 2202, lançada em 02 de fevereiro de 2011 (disponível no acervo digital da revista) e que gerou uma certa polêmica pelo fato da Veja colocá-los na capa, em meio a outros assuntos como a crise no Egito, por exemplo.

Como se vê, a imagem de Huck quando se é atrelada a alguma marca ou empresa, é quase certeza de sucesso. Recentemente, em dezembro de 2010, houve o caso da parceria entre o apresentador da TV Globo e a empresa Peixe Urbano, fundada há oito meses e pioneira no Brasil no ramo das compras coletivas. Huck se tornou um sócio minoritário desta organização pois acredita na filosofia do site, segundo a reportagem do jornal O Globo. A seguir está o vídeo hospedado no canal oficial da empresa em que Huck confirma a parceria.



Muitas pessoas passaram a conhecer o trabalho e as promoções do Peixe Urbano a partir do Twitter do apresentador (que detêm o segundo posto em número de seguidores no Brasil, perdendo somente para o jogador de futebol Kaká) e, com isso, a utilização deste serviço de compra coletiva aumentou e ficou mais conhecido. Ainda falando em seguidores, os do "Twitter-sede" da empresa chegam quase a 47 mil, sem contar as "contas-filiais", ou seja, as que representam as principais cidades em que o Peixe está, como São Paulo, Rio de Janeiro, Campinas e Natal, entre outras.

Outro exemplo é a parceria do apresentador com o banco Itau, mais precisamente com o cartão Itaucard. Huck é o protagonista de vários comerciais, exaltando as vantagens de se ter o serviço e, segundo matéria publicada no site da ABERJE, "a proposta da campanha, elaborada pela DPZ, é divulgar que - além da possibilidade de comprar ingressos para cinema e futebol pela metade do preço - agora o desconto de 50% vale também para parques e atrações turísticas." Segundo o diretor de atendimento da DPZ Elvio Tipeppo, Huck foi escolhido por conseguir falar com todos os públicos que estão na carreira de clientes do banco. O making of de uma destas campanhas e o comercial em si estão no vídeo que encerra este post.