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quarta-feira, 11 de junho de 2014

Link para a entrevista de Manoel Marcondes Neto

Por Manoel Marcondes Neto

A entrevista concedida por Marcondes Neto, do RPitacos, a Marcia Peltier, no último dia 3 de junho, foi rica em informações sobre a nossa carreira.


Nela, o autor pôde detalhar seu mais recente livro, no qual apresenta os 4 Rs das Relações Públicas Plenas, um composto didático-compreensivo voltado, principalmente, a pequenos e médios empreendimentos, além de indivíduos que precisam de divulgação e gestão de imagem.


Confira: http://www.youtube.com/watch?v=jHHheQAcpIA.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Mídia e representações acerca da "melhor idade"

Por Maíra Masiero

Em muitos países, a expectativa de vida de seus habitantes cresce a cada ano, por conta dos avanços tecnológicos e da melhoria na qualidade de vida de várias cidades. Com isso, o público idoso aumenta e, da mesma forma, há a necessidade de mostrá-lo de forma adequada - pois a "melhor idade" quer ser vista feliz e em cenários ativos - e, concomitante a isso, também não quer interromper as suas atividades (por exemplo, após a aposentadoria), sendo ainda útil para a sociedade.

Atualmente, há várias formas, destacadas pela mídia, de se mostrar e valorizar (ou não) este período da vida, como ressalta o artigo A construção e reconstrução da imagem do idoso pela mídia televisiva, de Ada Kesea Guedes Bezerra (2006, p. 4), embasado na visão de Debert sobre o "velho jovem":

"(...) presencia-se, particularmente através da mídia uma 'tentativa' de tornar intercambiável e transitável as formas de comportamento de faixas etárias diferentes.
(...)
Quanto à representação da velhice, particularmente por parte da mídia, a tendência contemporânea é, a inversão como um processo de perdas e a atribuição de novos significados aos estágios mais avançados da vida, que passam a ser tratados como momentos privilegiados para novas conquistas guiadas pela busca do prazer."

O Programa Sílvio Santos (SBT) mostra, num de seus quadros - chamado Os velhinhos se divertem -, atores veteranos passando por situações inusitadas e, de certa forma, divertidas, surpreendendo as pessoas (geralmente mais novas) que passam pela rua. Vários destes quadros mostram a busca pela sexualidade, por diversões mais radicais, por atitudes antes mostradas como exclusivas ao público jovem e adulto e por uma quebra do estereótipo de que as pessoas mais velhas são mais "indefesas" e "ingênuas", não podendo aprontar com as pessoas que passam na rua.

Somado a essa quebra de estereótipos (e à formação, a longo prazo, de outras imagens), pode-se dar o devido destaque à presença de atores veteranos (ou mesmo estreantes), que têm a oportunidade de aparecer na televisão num contexto também quase que exclusivo aos jovens, e à trilha sonora agitada, que denota ritmo às situações.

Um dos projetos sérios que se destacam em relação a valorização das atividades feitas por pessoas mais velhas é o concurso Talentos da Maturidade, idealizado pelo Banco Real (hoje, Santander) desde 1999. Segundo o site do banco, o objetivo deste prêmio é incentivar a produção cultural das pessoas com mais de 60 anos de idade. Além disso, há uma busca em "promover a criatividade, ampliar o potencial artístico e aumentar a participação desse público na sociedade.".

Composto por cinco categorias de premiação (Artes Plásticas, Literatura, Música Vocal, Fotografia e Programas Exemplares), o Talentos da Maturidade tornou-se, em 2011, um prêmio bienal (antes, era anual), com a próxima edição prevista para 2013. No vídeo a seguir, há o encontro da juventude com a experiência: os Talentos da Maturidade compareceram ao Theatro Municipal do Rio de Janeiro e acompanharam uma apresentação da Orquestra Sinfônica Brasileira Jovem.



O debate de como representar corretamente os indivíduos de maior idade talvez não tenha ainda uma resposta definitiva. Porém, valorizar essa etapa importante da vida se torna um objetivo chave para quem deseja retratá-la de forma coerente.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Da televisão para a Internet - Convergências de mídias na transmissão da Copa América

Este post começa com uma pergunta: seria possível um computador ser colocado no interior de uma televisão, ou poderia ocorrer o processo inverso? Logicamente, no contexto físico, seria impossível abrir uma televisão para inserir um monitor, um CPU e outros hardwares presentes nesta máquina. Porém, dos pontos de vista tecnológico e midiático, a junção daqueles dois componentes é possível e se tornou uma ferramenta importante nestes primeiros anos do Século XXI.
Uma das grandes vantagens da convergência de mídias é a possibilidade de interrelacionar vários contextos e provocar uma maior interação entre eles. Como exemplo, Pierre Lévy (1999), citado por Eduardo Campos Pellanda no artigo Convergência de mídias potencializada pela mobilidade e um novo processo de pensamento (2003, p. 02), relaciona e diferencia os contextos midiáticos e orais, em relação a participação dos receptores e ao alcance de sua mensagem:

"A principal diferença entre o contexto midiático e o contexto oral é que os telespectadores, quando estão implicados emocionalmente na esfera do espetáculo, nunca podem estar implicados praticamente. Por construção, no plano de existência midiática, jamais são atores. A verdadeira ruptura com a pragmática da comunicação instaurada pela escrita não pode estar em cena com o rádio ou a televisão, já que estes instrumentos de difusão em massa não permitem nem uma verdadeira reciprocidade nem interações transversais entre participantes. O contexto global instaurado pelas mídias, em vez de emergir das interações vivas de uma ou mais comunidades, fica fora do alcance daqueles que dele consomem apenas a recepção passiva, isolada.”

A convergência de mídias, assim, pode contribuir para que o contexto oral possa se aproximar do midiático no que diz respeito ao espírito colaborativo que pode ser aflorado nos telespectadores, principalmente nestes últimos anos com a relativa popularização das mídias sociais e do acesso da grande parte da população à Internet.

Um exemplo bem sucedido desta convergência acontece desde a última quarta-feira, dia 06 de julho, quando o portal GloboEsporte.com começou a fazer a transmissão da Copa América pelo site de maneira mais irreverente e dinâmica, sem deixar de transmitir informações releveantes sobre as partidas e as seleções e utilizando-se das mídias sociais para atrair o público. Segundo matéria publicada no próprio portal, a equipe de jornalistas do site, que participam destas transmissões, é formada por José Ilan, Marcelo Russio, Cássio Barco, Zé Gonzalez e Cintia Barlem.

Porém, não é só este elenco que compõe os comentários e as análises das partidas, e é neste ponto que a convergência de mídias se faz presente: os apresentadores do Globo Esporte São Paulo e Rio de Janeiro, respectivamente, Tiago Leifert e Alex Escobar, além do humorista Felipe Neto, também se fazem presente em alguns jogos, com seus comentários e intervenções irreverentes, mostrando uma interação constante entre profissionais e programas de televisão e quadros especialmente feitos para a Internet, que se avolumou nos últimos anos.

Portanto, a convergência de mídias é um processo que já se tornou realidade e que necessita do trabalho eficiente dos comunicólogos para se concretizar, seja num ambiente de redação jornalística, seja numa empresa ou numa instituição pública ou privada. Para encerrar este post, a seguir está o vídeo de uma entrevista do autor do livro A Biblia do Marketing Digital, o consultor e palestrante Claudio Torres, ao jornalista Heródoto Barbeiro, no programa Mundo Corporativo da CBN, falando um pouco sobre convergência no modo de atendimento ao cliente, que pode ser comparado, metaforicamente, ao "atendimento jornalístico" dado ao público que quer ser bem informado e participar da construção da notícia.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Da Internet para a televisão - Webcelebridades e seus (mais de) 15 minutos de fama

Nos últimos anos, o predomínio da televisão no quesito audiência foi, de uma certa maneira, reduzido, dando lugar a um maior tempo de conectividade a Internet. Para evitar um possível "êxodo televisivo" e desenvolver uma nova maneira de interligar estas duas mídias, sem detrimento de nenhuma dessas, processos de convergência são idealizados, como mostra o artigo A convergência de mídias potencializada pela mobilidade e um novo processo de pensamento, escrito por Eduardo Campos Pellanda (2003, p. 05):

"Torna-se importante ressaltar que embora a mídia que trasmita o vídeo não seja a TV e o áudio não seja o rádio, a linguagem destes meios estará presente nos ambientes convergentes. Foram estes meios que esgotaram as possibilidades de uso de suas formas de transmissão. Para se transmitir um evento em rádio os profissionais deste meio sempre souberam usar artifícios e desenvolveram formas de o ouvinte imaginar o que esta acontecendo. Em um ambiente de convergência digital cada uma das linguagens desenvolvidas ao longo dos últimos anos pela TV, rádio e jornal estão presentes para proporcionar ao receptor uma experiência rica em detalhes e interações. Seguindo um caminho natural é possível vislumbrar o nascimento de uma nova linguagem resultante desta fusão de mídias tradicionais."

Um exemplo desta convergência cada vez mais frequente entre a Internet e outros meios de comunicação, mais especificamente a televisão, é o quadro Famosos da Internet, pertencente ao programa Eliana, veiculado pelo SBT. O objetivo da atração é mostrar, no palco do programa, os protagonistas (pode-se chamar de webcelebridades) dos vídeos mais acessados no canal Youtube explicando como aconteceram as gravações e como reagiram à repercussão obtida na Web.

Por falar na repercussão, pode-se dizer, numa primeira vertente, que existem gravações colocadas despretenciosamente na Internet, apenas para serem vistas, na teoria, por amigos e familiares; porém, em algumas situações, o número de acessos e o resultado final da "webexposição" daquelas cenas extrapolam todas as intenções dos autores dos vídeos em questão. Como exemplo, retirado do quadro do programa exibido no dia 22 de maio de 2011, tem-se o video intitulado "Tá Lokona", gravado na cidade de Jaú/SP; um susto idealizado por Danielle que vitimou seu namorado Rogério, e que obteve mais de 3 milhões de acessos, um resultado inesperado na visão do casal.



Outros vídeos são, mesmo que de maneira não estratégica, postados com a intenção de contabilizar milhares de acessos. Este caso que será retratado a seguir é especialmente interessante porque realiza dois caminhos de ida e volta entre televisão e Internet. Em outubro de 2010, o programa Comédia MTV mostrou a música Forró do Twitter, interpretada pelo humorista Marcelo Adnet, que obteve grande sucesso devido à criativa utilização de inferências desta rede social destacadas num gênero musical tipicamente brasileiro, que é o forró.

No Carnaval de 2011, o cearense Bruno Costta se utilizou desta música para gravar um clipe menos profissional mas, na visão de mais de 18000 visualizações, sem perder tanto a criatividade. E o segundo caminho entre Internet e televisão se cumpriu com a aparição do internauta no encerramento do programa Eliana, também do dia 22 de maio.



Pode-se concluir, através deste case, que a convergência entre Internet e televisão é uma grande alternativa para que nenhuma das partes, principalmente a televisão, seja prejudicada em se tratando de audiência. As duas mídias saem ganhando: a Internet, por conta da repercussão maior de seus conteúdos pela televisão a muitas pessoas que ainda não possuem acesso a ela, e a televisão, que se utiliza da Web como aliada, não como adversária.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Mobilização social na telinha e na prática - O Teleton ao redor do mundo

Quase todos os dias, ao redor do mundo, surgem muitos e variados projetos e movimentos que se posicionam acerca de determinadas causas e que convidam a sociedade para tomar partido diante das situações apresentadas, querendo, assim mobilizar as pessoas para a ação concreta, com objetivos bem definidos, realizando, assim, a chamada mobilização social.

Pode-se dizer que os profissionais de comunicação, dentre outras funções, auxiliam na divulgação destas ações e, mais ainda do que isso, o próprio ato de "tornar comum" constitui a base para que uma mobilização seja bem sucedida e bem participada, como relata Rennan Mafra no artigo Relações Públicas e Mobilização Social: a construção estratégica de dimensões comunicativas (2007, p. 4):

"(...) a mobilização pode ser reconhecida como um ato de comunicação, porque envolve o compartilhamento de discursos, visões e informações e, por isso, exige ações de comunicação em seu sentido mais amplo. “Convocar vontades”, e compartilhar “sentimentos, conhecimentos e responsabilidades” pressupõe conversa, troca, partilha intersubjetiva, interação, comunicação."

Ainda neste artigo, Mafra mostra três dimensões que a mobilização social pode ter: dimensão espetacular, dimensão festiva e dimensão argumentativa. Estes tipos serão mostrados através de um breve estudo de caso sobre os programas Teleton ao redor do mundo.

O projeto tem o mote de angariar fundos para ajudar no tratamento e na reabilitação de crianças que possuem deficiência física. Segundo a comunidade do Ning da AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente), entidade detentora há 25 anos dos direitos da marca Teleton no Brasil, e que promove há 13 anos, em parceria com o SBT, a maratona homônima, este projeto "nasceu na década de 1950 nos Estados Unidos por iniciativa do ator e comediante Jerry Lewis que era pai de uma criança com deficiência".

A maratona televisiva de mais de 24 horas ininterruptas alcançou mais de 20 países ao redor do mundo, como Austrália, Canadá, Chipre, Bélgica, Brasil (primeira edição em 1998), Peru, Colômbia, Costa Rica, Honduras, Paraguai, México, Nicaragua, Panamá, Guatemala, El Salvador, Uruguai e Chile, primeiro país sul-americano a produzir um Teleton, em 1978.

É interessante notar que essas maratonas, tanto no Brasil como em outros países, se utilizam das três dimensões da mobilização social para promover a participação popular. Através dos três próximos vídeos, pode-se perceber características de cada uma delas.

Inicialmente, como mostra da dimensão espetacular, ou seja, daquilo que desperta "na sociedade o interesse público pelas tematizações, com a função de capturar a atenção dos sujeitos para essas questões" (MAFRA, 2007, p. 8), pode-se ver o acender de milhares de telefones celulares no Estádio Nacional do Chile durante o Teleton 2007 daquele país.



A dimensão festiva, ou seja, a participação lúdica e in loco dos indivíduos, está presente em praticamente todas as maratonas, através de apresentações artísticas de cantores, apresentadores e dançarinos famosos que se unem para que se alcance a meta. O vídeo abaixo mostra a apresentação do grupo Black Eyed Peas no Teleton mexicano de 2009.



Já a dimensão argumentativa é mostrada no Teleton como sinal de "prestação de contas" das instituições e do que elas têm feito com o dinheiro arrecadado nas maratonas, como pode-se ver no vídeo institucional feito para o Teleton Brasil 2010.



Concluíndo, a mobilização social é quase impossível de se ocorrer sem que haja uma eficiente comunicação e uma articulação coerente destas três dimensões, utilizando-se de todos os meios possíveis para que a causa a ser defendida seja assimilada pela população em geral.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O grande voo da amiguinha (Parte I) - Palmirinha Onofre e o público jovem

*Este post terá duas partes. Hoje será mostrada a relação de Palmirinha com o público jovem e como isto impulsionou a já consolidada carreira da apresentadora. Na quarta (15/09), será analisada a sua despedida da Rede Gazeta e os erros que a emissora cometeu neste momento. 

Em muitas emissoras brasileiras de televisão, é comum inserir nas grades de programação no período diurno (das 9h às 13h, aproximadamente) quadros e/ou programas dedicados à culinária, com receitas "práticas" para serem feitas pelas pessoas neste horário de almoço (ou para o período do jantar, dependendo de cada indivíduo e de seu tempo disponível para o preparo da receita divulgada). Os mais antigos provavelmente se lembram de Ofélia Anunciato (1924-1998) que, desde 1958, atuava como culinarista na televisão, tendo uma passagem marcante na TV Bandeirantes, com a sua Cozinha Maravilhosa da Ofélia, sendo muito querida pelo público e pelos colegas de trabalho e trabalhando até o fim de sua vida.



Outra culinarista muito lembrada por seu público e que ainda está em atividade é Palmira Nery da Silva Onofre, mais conhecida como Palmirinha Onofre. Esta bauruense (sim, ela nasceu em Bauru em 1931) se separou do marido e começou a vender salgados e bolos para sustentar seus três filhos. Após participar do programa da Sílvia Popovic, mostrando sua história e distribuindo salgadinhos para a apresentadora, ela foi chamada pelo programa Note e Anote (na época apresentado por Ana Maria Braga), em que ficou cinco anos como colaboradora até se transferir para a Rede Gazeta em 1999 e, em 2005, estreou seu programa-solo na emissora: o TV Culinária. Ao lado de um boneco chamado Huguinho, Palmirinha tirava dúvidas dos telespectadores no ar sobre as receitas e mostrava o passo-a-passo de cada uma. Em agosto deste ano, Palmirinha decidiu deixar o programa por motivos pessoais, mas a maneira com que a Gazeta lidou com este fato foi infeliz, como será visto no próximo post.

O alcance da emissora paulista não é grande, mas o programa de Palmirinha tinha uma das maiores audiências da casa. E a culinarista se aposenta num momento em que ela conseguiu o que muitas empresas grandes ainda tentam: agradar e fidelizar novos públicos para a sua imagem. Além das "fiéis donas de casa" que anotam as suas receitas, o público mais jovem começou a reconhecer Palmirinha através de suas "participações" no quadro Top Five, do programa Custe o que Custar, da Bandeirantes, em que foi escolhida a "musa" do quadro. Neste vídeo de 06 de setembro de 2010, o repórter e humorista Danilo Gentili entrevista a apresentadora, depois da coletiva de imprensa dada aos jornalistas, e mostra um Top Five especial, com as cinco aparições de Palmirinha no quadro. Além disso, a apresentadora foi até os estúdios do CQC para conduzi-lo durante o Top Five e levando guloseimas para a bancada.



Com esta simplicidade e levando as brincadeiras na esportiva, Palmirinha foi convidada para participar de vários programas, além do próprio CQC, como Eliana (SBT), Hebe (SBT) e o IT MTV. Até mesmo no Twitter a culinarista está presente, como afirma esta matéria. Com apenas 29 mensagens, Palmirinha já tem quase 6000 seguidores. Isto mostra o grande carisma que a apresentadora passa aos que a assistem e que o grande voo da amiguinha das donas de casa durará por muito tempo.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Saber falar e saber ouvir (II) - Caso Rita Lee x Fantástico

Dando uma certa continuidade no post da empresa "Velha Surda", é necessário ao ser humano (seja ele célebre ou não) discernir sobre o momento exato de exprimir uma opinião acerca de um assunto específico e/ou chamar outro indíviduo para comentá-la (causando, assim, a tendenciosidade). Em algumas vezes, esta atitude, quando se completa com um comentário ou expressão infeliz, se transforma num mal-entendido ou até mesmo numa polêmica desnecessária.

Foi o que aconteceu na noite do último domingo (dia 05 de setembro) durante o programa jornalístico Fantástico, da Rede Globo. Neste programa, há o quadro Repórter por um Dia, em que famosos comandam matérias sobre assuntos variados, e o convidado do dia era o atacante do Corinthians Dentinho, que mostrou a região de Itaquera em que, futuramente, será construído o estádio do Corinthians, candidato a sediar a abertura da Copa do Mundo de 2014.

Na segunda-feira anterior (dia 30 de agosto), dia do anúncio do estádio, a cantora Rita Lee brincou a respeito do fato em seu Twitter, famoso por expressar o que a cantora pensa e sente com originalidade e sinceridade, sem muitos filtros, como se pode ver nas reportagens da Blitz e da Veja Online. Em uma postagem, define o estádio como um "presente de grego" e depreciando a imagem de Itaquera como um lugar por onde saem as fezes do cavalo (para ver a postagem dela em tons menos suaves, é só clicar aqui, aqui ou aqui).

Na matéria veiculada no programa dominical, Dentinho mostrou a região e "cutucou" a cantora por suas declarações e, após a sua fala, houve uma declaração de uma moradora falando que era "dor de cotovelo".



Segundo a reportagem do UOL, Rita Lee, que tinha recusado a gravar este mesmo quadro, com o mesmo tema, foi ameaçada por torcedores do Corinthians, impulsionados pela fala de autoridade do jogador famoso do time, acreditou ser vitima de "má-fé" e desabafou no microblog:

Mais uma vez a produção do 'cansástico' age d má fé comigo. da primeira vez q dei uma entrevista fui processada pelos organizadores d barretos. ganhei nas duas instancias. agora botaram gasolina no fogo sobre uma declaração q dei no tuitz sobre as roubalheiras do novo estádio do corinthians q será p/ a abertura da copa 2014 e q deu muito tititi. me convidaram p/ gravar "reporter p/ um dia" e eu recusei. ninguém recusa nada da globo, ela tem o poder d um cesar q decide jogar escravos numa arena c/ leões. diante das ameaças sérias q tenho recebido. digo ao povo q me retiro do tuíter após 2 meses d divertimento. meu amor a todos vcs q entenderam minhas loucuras e pau no cu dos babacas. (sic)

Depois desta declaração, o nome da cantora alcançou a lista dos Trending Topics Brazil, com a maioria dos posts elogiando-a pela coragem e pedindo para que ela volte a ativa no microblog. Não querendo opinar sobre quem estaria mais errado nesta história, o importante é observar o desrespeito à liberdade de expressão que está ocorrendo nesta ocasião (tanto em relação ao Dentinho, que "defende" o novo estádio do time, quanto à Rita Lee, que advoga contra, através de uma edição infeliz da Rede Globo) e a falta de cuidado no saber falar (declarações feitas pela cantora e pelo jogador) e no saber ouvir (caso dos torcedores que a ameaçaram), o que culminou neste mal-entendido que confronta Rita Lee e Rede Globo e que precisará de intervenções de Relações Públicas para que tudo possa ser resolvido da melhor maneira possível para os dois lados.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Juntos somos mais - Integrações entre TV e mídias sociais

Em tempos não tão distantes dos dias de hoje, era comum a maioria das pessoas chegarem do trabalho ou da escola e irem quase que sem escalas para a frente da televisão e assistirem, por exemplo ao Passa ou Repassa (hoje extinto) no SBT, a algum jornal sensacionalista na Record ou na Bandeirantes ou ainda a novela teen Malhação (Rede Globo) que ainda existe (ou tenta sobreviver). Com o advento dos computadores, da Internet e, mais recentemente, com o boom das mídias e redes sociais on-line, grande parcela da população incluída no universo digital possui uma maior diversidade de opções para passar o seu tempo livre em casa (não se pode esquecer também do grande crescimento do número de assinantes das TV's pagas).

E isto já se reflete nos números da audiência das emissoras de TV aberta. Segundo o colunista Marcelo Minutti, do canal Tecnozilla pertencente ao portal Ig, num texto escrito no fim do ano passado, houve uma queda na quantidade de televisores ligados entre 2008 e 2009. Segundo o autor, "no primeiro semestre de 2008 era de 44,6% (26,7 milhões de domicílios) e caiu para 42,5% (25,5 milhões de domicílios) em 2009. Isso indica uma queda de 2,1% de televisores ligados na comparação entre 2008 e 2009." Além disso, vários programas das Redes Globo e Record obtiveram queda em suas audiências graças, muitas vezes, aos pássaros azuis e aos círculos rosa.

Como diz uma velha frase, "se não se pode derrotar o inimigo, junte-se a ele". Há várias maneiras de integrar televisão com Internet e suas novas ferramentas. Um caso internacional divulgado hoje em vários portais de notícias como O Globo, G1, UOL, Terra, entre outros, é a criação de uma série de televisão americana a partir de uma conta de Twitter. Segundo a reportagem, "#*! My Dad Says" estreia na CBS em 23 de setembro e é inspirada numa conta do microblog ativada pelo escritor cômico Justin Halpern em 2003, que capturou a linguagem hostil de seu pai e suas observações. Basta saber agora se esta interação entre TV e Internet ficará ou não apenas na concepção da série.

Outro exemplo, desta vez brasileiro, mostra o engatinhar da integração entre a Rede Globo e as mídias sociais. Depois dos incidentes que "balançaram a relação" entre a emissora e os usuários do Twitter (como o histórico CALA BOCA GALVAO e um boato de intervenção da Globo no andamento dos Trending Topics, lista com os assuntos mais falados no microblog), a paz e o trabalho em conjunto começam a aparecer.

Nos últimos dias do bem-sucedido "Central da Copa", programa apresentado pelo jornalista Tiago Leifert e com comentários do ex-jogador Caio Ribeiro, foi lançado o concurso cultural #queroopufedocaio. Segundo a matéria veiculada no site da Rede Globo, os candidatos deveriam seguir o perfil da Rede Globo no microblog e postar no twitter, após a hashtag #queroopufedocaio, por que gostariam de ganhar o pufe em que Caio ficou sentado durante a Copa. O pufe foi autografado pelo comentarista, por Tiago Leifert e pelo casseta Hélio de La Peña, idealizador da campanha "Libertem o Caio!", feita pelo fato de o ex-jogador ficar mais tempo no estúdio do que no hotel em que ele ficou hospedado durante as semanas de Copa.

No dia 20 de julho, Leifert anunciou via Twitter e, posteriormente, no Globo Esporte, o nome da vencedora do concurso: a internauta @glendalaranjo, de Belo Horizonte (MG), com a frase abaixo. A emissora mostrou agilidade e, em seis dias, Glenda recebeu o prêmio em sua casa e mostrou toda a sua alegria pelo microblog e em matéria publicada no dia seguinte.


Não se pode esquecer também da interatividade proposta pelo site da novela Passione, inserindo cenas exclusivas para a Internet, postadas diariamente (a exceção do domingo) sempre em harmonia com aquilo que é passado na televisão, além de cenas dos próximos capítulos. São as novas experiências transmidias que podem "selar a paz" entre a televisão e a Internet e estreitar as relações entre o telespectador e o programa de TV favorito (seja um telejornal esportivo, um seriado ou uma novela).