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quinta-feira, 3 de julho de 2014

RPrestigiando - Empresas usam redes sociais para aumentar o relacionamento entre os públicos estratégicos

Por Maíra Masiero

Atendendo ao pedido de Kelly Feltrin, da Retoque Comunicação, divulgamos o release deste estudo, e todos os dados disponibilizados são de responsabilidade de seus autores. Lembramos que este blog não possui nenhum vínculo de organização com o estudo apresentado.

Estudo da Aberje mostra 52% das organizações já possuem regras definidas para a gestão das mídias

Levantamento exclusivo realizado pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje) mostra que 93% dos entrevistados se mostraram favoráveis ao uso e ao acesso a espaços corporativos nas redes sociais digitais no ambiente de trabalho. O principal motivo é a contribuição para o relacionamento da empresa com seus stakeholders.

De acordo com a pesquisa, 52% das organizações já possuem regras para o uso das mídias sociais. Os objetivos são: evitar que o uso das redes pelo colaborador durante o expediente tenha impactos negativos em sua produtividade e que conteúdos postados causem reflexos na reputação e nos negócios da empresa.

Dentre as regras mais comuns identificadas, destacam-se o nível de representação oficial da opinião da organização, a indicação da linguagem a ser utilizada e o controle sobre as postagens de opinião individual. Cerca de 50% das instituições estabeleceram políticas de proteção sobre o uso de dispositivos móveis, como celulares, tablets e notebooks.

O estudo Espaços corporativos em redes sociais digitais e processos de colaboração nas organizações: realidade no Brasil considerou uma amostra formada por 53 empresas associadas, de diversos segmentos e setores da economia, e classificadas entre as 1000 Maiores Empresas do Brasil, segundo o Valor Econômico. As informações foram obtidas por meio de questionário preenchido em sistema on-line, no período de 06 de fevereiro a 28 de março de 2014.

Para maiores informações, contatar:


quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Infeliz 2014...

Por Manoel Marcondes Neto

Por circunstâncias, muitas vezes, não saímos de casa no "réveillon". Nessas ocasiões é inevitável que alguém queira assistir, na TV, alguma contagem regressiva e imagens dos shows pirotécnicos do Rio, Sampa e Floripa. O problema é que, passados os 20 minutos da praxe jornalística, não se desliga o eletrodoméstico e este continua sintonizado num tal "show da virada" da líder de audiência. E pobres incautos acabam testemunhando - mesmo tapando olhos e ouvidos, ou indo para a sala ao lado - a "atração". Foi o meu caso, anteontem. 

E aí, quebrando a promessa de não trabalhar hoje, pergunto-me: - o que foi aquilo? Um auditório onde as pessoas se acotovelavam, de pé (deve ter sido por horas), comportando-se "amestradamente" a cada "hit" que se sucedia no palco, em um "playback" dos mais safados que já vi na vida. Lixo puro, de artistas "consagrados", outros nem tanto, e ilustres nulidades - numa escalada de vulgaridades (em letra e música), gritos de "mãos p'ro alto" e coreografias tão criativas quanto as das chacretes dos anos 1970. 

Que em 2014 a população brasileira simplesmente desligue a TV aberta, num ato de "desobediência civil" ao Big Brother que, aliás, ontem, já iniciou sua campanha diária na telinha da Globo. E a esta somar-se-á, já-já, o desfile dos "clips" de sambas-enredo dos bicheiros da "liga" do Rio, empurrados garganta a baixo de toda a silente audiência do país, acrescentando "caldo" ao entorpecimento da massa - este já "no ar" há meses -, sobre Copa do Mundo, patrocinada por mui ricos anunciantes no país de muito pobres índices de tudo o que importa; saúde, educação, segurança, justiça e mobilidade. 

Eleições gerais? Esqueçamos... Já estão eleitos os nossos "políticos profissionais" que vendem as concessões públicas de comunicação e alugam preciosos minutos de propaganda "gratuita" de seus partidos - todos "fake". Venham mais 4 anos de Dilma, Garotinho e Alckmin... e, assim, em mais pouco tempo, seremos genuinamente um país bárbaro!

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Publicidade e quebra de estereótipos - O caso Ducati

Por Maíra Masiero

Quando se trata de publicidade, muitos tópicos são considerados padrão para que se entendam os mecanismos de criação. Um deles é o estereótipo, uma construção pré-determinada de algo ou alguém e divulgada como se fosse algo comum, e os tipos femininos possuem um destaque maior com a finalidade de incentivar as vendas, como mostra Karla Coelho Grillo na dissertação A figura feminina como argumento de venda na linguagem publicitária (2006, p. 26-27):

"A mídia tem um olhar coisificado e de natureza masculina sobre a mulher o que não permite que as mesmas sejam vistas como realmente o são nestes novos tempos. Por coisificado entenda-se embutido de estereótipos criados para o feminino. (MATOS apud GIL, 2005) A publicidade na mídia vive um período de erotização abusiva dos corpos, tanto masculinos como femininos, com o objetivo de tocar no subconsciente humano. (ALVES, 2003) O erótico é banalizado, tanto na produção de bens como na comercialização destes bens, pela publicidade que para vender tem usado a fascinação do homem pelo corpo de mulher. O “pecado” converte-se de valor positivo – no objeto de desejo e finalmente numa mercadoria.(SILVA, 1999).
(...)
Na exploração da imagem da mulher com o objetivo de sedução do publico masculino, a publicidade tem recorrido principalmente para a beleza física, sensualidade e liberação sexual, passando uma idéia que deturpa e desvaloriza a mulher (PINTO, 1997) Contrariamente ao que se poderia supor, quando a publicidade mostra uma figura de mulher de corpo perfeito, as mulheres não as rejeitam, mas sim procuram nestas algo de seu para que haja identificação com o modelo utilizado."

Fonte: EXAME.com
Com esse histórico, as propagandas que tentam inovar e desafiar esse "senso comum" ganham um significativo destaque. Na semana passada, uma peça publicitária teve, mesmo que sem querer, o objetivo de desmistificar este estereótipo do uso sexual das mulheres: uma concessionária americana, para promover o lançamento da moto Ducati 1199 Panigale, publicou fotos de uma mulher em poses sensuais ao lado do veículo. Tática comum, que sempre é alvo de críticas pelo excesso de sensualidade, e não foi diferente nesse momento.

O que foi criativo e inusitado foi a resposta dada pelo gerente geral da concessionária aos questionamentos: inverteu o posicionamento e colocou homens, com trajes parecidos aos da modelo, para fazer as mesmas poses dos anúncios anteriores, gerenciando uma crise de forma inovadora e inusitada e, ao mesmo tempo, quebrando um estereótipo típico destas propagandas, que é o uso do apelo sexual para incentivar os consumidores a adquirir certo produto.

Casos como esse, ao longo dos anos, se tornam mais frequentes, devido à necessidade de inovar as ações, a fim de ganhar notoriedade, divulgar a marca (ou a ideia) e alavancar as vendas (ou a repercussão de algo ou alguém). Mesmo assim, a "exploração" da imagem da mulher continua em foco pelas propagandas, visto o caso da Ducati, em que a primeira ideia do gerente foi usar o típico estereótipo da mulher sensual vendendo motos.

Por isso, as equipes de Comunicação precisam se atentar sobre isso, e ter mais sensibilidade ao tratar do universo feminino e dos arquétipos (elementos) que o circundam. Um dos exemplos mais claros sobre a sua positiva utilização foi a premiada campanha "Retratos da Real Beleza", feita pelo sabonete Dove e que provavelmente elevou a alto-estima de muitas mulheres, não as tratando como objeto, e sim como são: apenas e simplesmente mulheres.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

RPrestigiando - 7º Congresso de Comunicação da Aberje discute o engajamento como estratégica

Por Maíra Masiero

Atendendo ao pedido de Kelly Feltrin, da Retoque Comunicação, divulgamos o release deste evento, e todos os dados disponibilizados são de responsabilidade de seus autores. Lembramos que este blog não possui nenhum vínculo de organização com o evento apresentado.

Empresas como Vale, BASF, Volkswagen e IBM participarão desse encontro, que será realizado no Rio de Janeiro

A Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje), a maior entidade do setor na América Latina, traz ao Rio de Janeiro a 7ª edição do Congresso de Comunicação Empresarial Aberje. O evento tem o objetivo de apresentar estratégias, com ênfase em comunicação interna, para o engajamento dos públicos a partir de uma comunicação eficaz.

O evento deste ano vai contar com a participação de gestores e coordenadores de grandes empresas como a Vale, BASF, Volkswagen, IBM, Boticário e Fiat. O objetivo é debater cases de sucesso e trocar experiências. 

Para conferir mais informações sobre o evento, visite: http://www.aberje.com.br/eventos/2013/7congressorio/index.asp

Serviço:

Local: Hotel Windsor Guanabara
Avenida Presidente Vargas, 392
Centro - Rio de Janeiro/RJ
Data: 29 de agosto de 2013
Horário: 9h às 18h
Contato: Barbara Cury - barbara@aberje.com.br - (11) 3662-3990 - Ramal 224

Sobre a Aberje
Criada em 1967, a Aberje é uma organização profissional e científica, sem fins lucrativos, que tem como principal propósito a discussão e promoção da comunicação organizacional. Seu âmbito de atuação está centrado na informação, na comunicação e no relacionamento. Os principais campos de trabalho são o advocacy, a educação, a economia criativa, a gestão do conhecimento, a inteligência da comunicação, o networking e o reconhecimento.

Para mais informações, contatar:

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

RPrestigiando - I Simpósio de Comunicação, Liberdade de Expressão e Censura

Por Maíra Masiero

Atendendo ao pedido de Carolina Horos e do Observatório de Comunicação, Liberdade de Expressão e Censura (OBCOM – ECA/USP), divulgamos o release deste evento, e todos os dados disponibilizados são de responsabilidade de seus autores. Lembramos que este blog não possui nenhum vínculo de organização com o evento apresentado.

O I Simpósio de Comunicação, Liberdade de Expressão e Censura, organizado pelo Observatório de Comunicação, Liberdade de Expressão e Censura (OBCOM – ECA/USP), será realizado no dia 16 de agosto de 2013, sob a coordenação da Profa. Dra. Maria Cristina Costa e vice-coordenação da Profa. Dra. Mayra Rodrigues Gomes, na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.

O evento tem por objetivo o debate da situação da liberdade de expressão e da censura na atualidade. Como os fatos envolvendo o exercício da interdição hoje são radicalmente diferentes daqueles estudados num passado recente em que o Estado autoritário era o principal agente dos mecanismos, há necessidade de debatermos as formas plurais com que ela se exerce.

As palestras serão ministradas por pesquisadores renomados em suas respectivas áreas de estudo e que contribuem para a miríade de perspectivas teóricas e temáticas pretendida: Profa. Dra. Sandra Reimão (Literatura Interditada. EACH/USP), Profa. Dra. Roseli Fígaro (Mercado de Trabalho. ECA/USP), Profa. Dra. Eunice Prudente (Direito e Direitos. Direito/USP), Profa. Dra. Mayra Rodrigues Gomes (Classificação Indicativa. ECA/USP), Prof. Dr. Ferdinando Martins (Sexualidade e Oriente Médio. ECA/USP), Prof. Dr. Elias Thomé Saliba (Humor. FFLCH/USP), Profa. Dra. Cristina Costa (Censura e Opinião Pública. ECA/USP), Profa. Dra. Bárbara Heller (Gênero. UNIP), Profa. Dra. Renata Palottini (Arte e interdição. ECA/USP), Profa. Dra. Maria Luiza Marcílio (Infância. FFLCH/USP) e Profa. Dra. Cláudia Mogadouro (Cinema. ECA/USP).

Contará ainda com uma palestra internacional ministrada pela Profa. Dra. Isabel Ferin, "Mídia e Corrupção Política: Condicionantes da Liberdade de Expressão”, da Universidade de Coimbra, Portugal.

Será realizado o lançamento da obra "A Censura Prévia do Teatro Paulista", a partir das 18h30, da pesquisadora Ms. Maria Aparecida Laet (Diretora da Biblioteca da FFLCH/USP), que estará presente no local recebendo o público e autografando o livro.

As inscrições serão realizadas através do site até dia 14 de agosto de 2013. A entrada é gratuita e haverá emissão de certificado para os participantes.

O OBCOM é um Núcleo de Apoio à Pesquisa ligado à Pró-Reitoria de Pesquisa da Universidade de São Paulo. Ativo desde o início de 2013, com sede na Escola de Comunicações e Artes. É herdeiro dos estudos de mais de uma década realizados através do Núcleo de Pesquisa em Comunicação e Censura (NPCC) e do Grupo de pesquisa do Arquivo Miroel Silveira (AMS). Dedica-se ao estudo da censura, dos mecanismos de interdição e da defesa da liberdade de expressão a partir de sua presença nos meios de comunicação.

Data: 16 de agosto de 2013
Horário: 9h30min às 19h
Local: Auditório Paulo Emílio da Escola de Comunicações de Artes da USP
Avenida Professor Lúcio Martins Rodrigues, 443
Cidade Universitária – São Paulo/ SP

ENTRADA GRATUITA

Informações: (11) 3091-1607
E-mail: arquivoms@usp.br
Facebook: http://www.facebook.com/obcom.usp
Site: http://obcom.nap.usp.br/
Twitter: @obcom_eca
           
PROGRAMAÇÃO

9h30 Abertura

10h00 - 12h00 Mesa I
Profa. Dra. Sandra Reimão - Literatura
Profa. Dra. Roseli Figaro - Mundo do Trabalho
Profa. Dra. Eunice Prudente - Direito
Profa. Dra. Mayra Rodrigues Gomes - Classificação Etária
Prof. Dr. Ferdinando Martins - Sexualidade
Prof. Dr. Elias Thomé Saliba - Humor

14h00 às 16h00 Mesa II
Prof. Dr. Ferdinando Martins – Sexualidade e Oriente Médio
Profa. Dra. Cristina Costa - Liberdade de Expressão
Profa. Dra. Bárbara Heller - Gênero
Profa. Dra. Renata Palottini - Arte
Profa. Dra. Maria Luiza Marcílio - Infância
Profa. Dra. Cláudia Mogadouro - Cinema

16h30 às 17h30 Profa. Dra. Isabel Ferin, "Mídia e Corrupção Política: Condicionantes da Liberdade de Expressão".

17h30 Apresentação do OBCOM e lançamento do site

18h30 Lançamento do livro: "A Censura prévia do teatro paulista", de Maria Aparecida Laet.
Editora Annablume.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Comunicação e ritos de pronunciamento - Caso Neymar no Barcelona

Por Maíra Masiero

Em tempos remotos, quando fosse feita uma declaração importante e seria necessário um meio de comunicação totalmente acessível, o que um assessor, um comunicólogo planejaria - por exemplo, numa declaração presidencial ou ministerial? Provavelmente, o rádio e, em maior escala, a televisão seriam as opções mais viáveis para se fazer isso, como ocorreu em muitas oportunidades ao longo dos anos. Um exemplo foi no Dia do Trabalho deste ano de 2013, com as palavras da presidenta Dilma Rousseff.



Poderiam ser citados outras importantes declarações feitas em rede nacional, como a de 10 de novembro de 1937, em que o Presidente da República Getúlio Vargas instaurou o Estado Novo, com um pronunciamento transmitido nacionalmente no programa de rádio “Hora do Brasil” (hoje, "A Voz do Brasil").

Num caso mais "ameno" e menos político, quando um jogador de futebol troca de time, televisões e jornalistas esportivos disputam entre si para conseguir uma informação exclusiva das negociações e, na maioria das vezes, divulgam o desfecho do caso. Já os times e o jogador envolvido confirmavam (ou desmentiam) a informação por nota oficial ou pela própria televisão. Contudo, a contemporaneidade trouxe novos recursos para disseminar informações importantes.

Recentemente, no dia 25 de maio, para anunciar sua despedida do time do Santos, o atacante Neymar utilizou-se do Instagram em detrimento a uma nota oficial, segundo ele, por não aguentar ficar sem falar nas especulações sobre a sua ida para o time espanhol Barcelona até a segunda-feira seguinte, dia 27. A seguir, estão trechos da postagem do jogador:

"Galera !! Tô aqui reunido com amigos e familiares e eles me ajudaram a escrever algumas coisas aqui... É que não vou aguentar até segunda-feira... Minha família e meus amigos já sabem a minha decisão. Segunda-feira assino contrato com o Barcelona. Quero agradecer aos torcedores do Santos por esses 9 anos incríveis. Meu sentimento pelo clube e pela torcida nunca mudará. É eterno !! Só um clube como o Santos FC poderia me proporcionar tudo o que vivi dentro e fora de campo. Sou grato a maravilhosa torcida do peixe que me apoiou mesmo nos momentos mais difíceis. Títulos, gols, dribles, comemorações e as canções que a torcida criou pra mim estarão pra sempre em meu coração... Fiz questão de jogar a partida amanhã em Brasília. Quero ter a oportunidade de mais uma vez entrar em campo com o "manto" e ouvir a torcida gritar meu nome... como diz o hino, "é um orgulho que nem todos podem ter..." É um momento diferente pra mim, triste (despedida) e alegre (novo desafio). Que Deus me abençoe nas minhas escolhas... E estarei sempre em Santos !! #Toiss"

Esse caso mostra que as mídias sociais podem (e devem, em alguns casos) ser utilizadas para divulgar pronunciamentos importantes, seja de transferência de jogadores ou de esclarecimento sobre algum assunto pertinente (ou sobre uma crise latejante). Porém, é sempre importante ter discernimento no uso dessas ferramentas para que a informação sempre seja dada de forma coerente, confiável e de fácil acesso a todos.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Quando a marca chega de mansinho... - O uso do product placement na publicidade

Por Maíra Masiero

Com a evolução presente nos meios de comunicação, realizar uma ação de publicidade eficiente torna-se cada vez mais complexo, por conta do crescimento da exigência dos consumidores, de um maior rigor (em alguns casos) da regulamentação publicitária e dos múltiplos apelos comerciais em que as pessoas estão inseridas todos os dias, dificultando as tentativas de destacar marcas em meio à "multidão" de comerciais, virais e ações diversas. Uma via de escape usualmente praticada é misturar, sorrateiramente, publicidade num meio de entretenimento, o chamado product placement.

Mas, afinal de contas, o que é product placement e como ele pode contribuir para uma melhor eficácia na divulgação de um produto? É o que explicam Gabriela Soares Nunes e Renata Oliveira Garcez no artigo A influência do Product placement no comportamento do consumidor (2012, págs. 6 e 8):

"O product placement é a incorporação de produtos e marcas em filmes, novelas, programas de televisão e etc., em troca de patrocínio concedido pelo anunciante. Os product placement têm tido um grande aumento de uns tempos para cá, pelo fato de ter diminuído o tempo que se tem de propaganda em uma hora de programação, além de que com eles há economia nos investimentos de novas tecnologias.
[...]
Assim como a propaganda tradicional, o product placement tem o poder de associar um produto a um estilo de vida, fazendo-o de forma sutil e eficaz."

Pode-se dizer que o conceito de product placement difere, em alguns pontos de vista, um pouco da definição de merchandising, principalmente no que se refere à sutileza (ou a falta dela) em mostrar a presença do produto no contexto da cena. Quando se fala de merchandising, deve-se lembrar sempre de ações no ponto de venda

O fato do placement parecer uma exibição despretensiosa do produto e estar relacionado com o fetichismo (tornando-se produto de mercado, desejado por se relacionar com os personagens e com a repercussão da série/programa) contribui para sua eficácia junto aos públicos.

Dentre as várias formas de classificar as ações de placement, João Paulo de Oliveira e Daniel Bellei Leite, no artigo Product Placement: a convergência entre a publicidade e o entretenimento (2009, p. 7), mostram dois tipos: os discretos, em que os produtos ficam em lugares estratégicos - sem contracenar com os personagens - e os chamativos, que participam das cenas e são mais claramente visíveis.

Um exemplo recente do placement aconteceu nesse mês de maio com a Cachaça 51, que apareceu no episódio “The Closure Alternative” (A Alternativa de Encerramento) da série The Big Bang Theory, um dos maiores sucessos mundiais da atualidade. É um placement discreto, porque a garrafa fica num lugar estratégico da cozinha da personagem, porém não é vista interação entre o objeto e os atores.



Para encerrar este post, as novelas brasileiras trazem vários exemplos de placement chamativos, em que os protagonistas fazem questão de mostrar a marca e interagir com ela de muitas formas. E o caso a seguir é um deles: a personagem Marina (Paola Oliveira), da novela Insensato Coração (Rede Globo, 2011), era dona de um escritório de design que "comprou" a conta da Lukscolor para repaginar o logotipo e as embalagens de seus produtos. Na realidade, era apenas uma ação de placement, pois foi uma agência real que fez as mudanças na marca de tintas, e a novela apenas "refletiu" o resultado.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Mídia e representações acerca da "melhor idade"

Por Maíra Masiero

Em muitos países, a expectativa de vida de seus habitantes cresce a cada ano, por conta dos avanços tecnológicos e da melhoria na qualidade de vida de várias cidades. Com isso, o público idoso aumenta e, da mesma forma, há a necessidade de mostrá-lo de forma adequada - pois a "melhor idade" quer ser vista feliz e em cenários ativos - e, concomitante a isso, também não quer interromper as suas atividades (por exemplo, após a aposentadoria), sendo ainda útil para a sociedade.

Atualmente, há várias formas, destacadas pela mídia, de se mostrar e valorizar (ou não) este período da vida, como ressalta o artigo A construção e reconstrução da imagem do idoso pela mídia televisiva, de Ada Kesea Guedes Bezerra (2006, p. 4), embasado na visão de Debert sobre o "velho jovem":

"(...) presencia-se, particularmente através da mídia uma 'tentativa' de tornar intercambiável e transitável as formas de comportamento de faixas etárias diferentes.
(...)
Quanto à representação da velhice, particularmente por parte da mídia, a tendência contemporânea é, a inversão como um processo de perdas e a atribuição de novos significados aos estágios mais avançados da vida, que passam a ser tratados como momentos privilegiados para novas conquistas guiadas pela busca do prazer."

O Programa Sílvio Santos (SBT) mostra, num de seus quadros - chamado Os velhinhos se divertem -, atores veteranos passando por situações inusitadas e, de certa forma, divertidas, surpreendendo as pessoas (geralmente mais novas) que passam pela rua. Vários destes quadros mostram a busca pela sexualidade, por diversões mais radicais, por atitudes antes mostradas como exclusivas ao público jovem e adulto e por uma quebra do estereótipo de que as pessoas mais velhas são mais "indefesas" e "ingênuas", não podendo aprontar com as pessoas que passam na rua.

Somado a essa quebra de estereótipos (e à formação, a longo prazo, de outras imagens), pode-se dar o devido destaque à presença de atores veteranos (ou mesmo estreantes), que têm a oportunidade de aparecer na televisão num contexto também quase que exclusivo aos jovens, e à trilha sonora agitada, que denota ritmo às situações.

Um dos projetos sérios que se destacam em relação a valorização das atividades feitas por pessoas mais velhas é o concurso Talentos da Maturidade, idealizado pelo Banco Real (hoje, Santander) desde 1999. Segundo o site do banco, o objetivo deste prêmio é incentivar a produção cultural das pessoas com mais de 60 anos de idade. Além disso, há uma busca em "promover a criatividade, ampliar o potencial artístico e aumentar a participação desse público na sociedade.".

Composto por cinco categorias de premiação (Artes Plásticas, Literatura, Música Vocal, Fotografia e Programas Exemplares), o Talentos da Maturidade tornou-se, em 2011, um prêmio bienal (antes, era anual), com a próxima edição prevista para 2013. No vídeo a seguir, há o encontro da juventude com a experiência: os Talentos da Maturidade compareceram ao Theatro Municipal do Rio de Janeiro e acompanharam uma apresentação da Orquestra Sinfônica Brasileira Jovem.



O debate de como representar corretamente os indivíduos de maior idade talvez não tenha ainda uma resposta definitiva. Porém, valorizar essa etapa importante da vida se torna um objetivo chave para quem deseja retratá-la de forma coerente.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Em pleno século XXI, Carrefour abandona e-commerce

Por Manoel Marcondes Neto



Um informe de 1/4 de página de jornal intitulado "Grupo Carrefour comunica" deu conta de que o Carrefour "suspendeu, em 7 de dezembro, suas atividades de e-commerce".

Um espanto!

Alegando que a medida seria consequência de um plano de reestruturação adotado dois anos antes, o informe acrescentava o seguinte bla'-bla'-bla': "o posicionamento estratégico do Carrefour perante o crescimento da nova classe média; além do desenvolvimento de novos formatos para atender o mercado local...", para encerrar, melancolicamente, prometendo que honraria "todas as entregas de produtos referentes às compras realizadas no site, bem como demais suportes que seus clientes venham a precisar".

Bem, eu estou mesmo precisando de um suporte para TV de plasma de 70 polegadas...

Como é que é?

Então, segundo o Carrefour, a "crescente" nova classe média não usa internet para comprar. Entendi certo? E "novos formatos", nesse caso, são quais? Caderneta de anotações como as da velha mercearia de bairro? Fio do bigode? Tambores para "atender o mercado local"? Sinais de fumaça? Come on, Carrefour, conta outra!

De volta para o... passado.

Abandonar a plataforma digital de vendas em pleno século XXI, quando crianças de 2 anos manipulam tablets, a padaria da esquina tem call center e compra-se flores - vivas - para entrega noutro continente, parece - e é - uma derrota.

E parece também, até, que a operação brasileira do Carrefour confiou nos planos de fusão com o rival Casino via proposta amalucada do ex-controlador do Pão de Açucar. Deu nisso.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Mídia e educação: caminhos que se cruzam

Por Maíra Masiero

Quando se fala nas funções da mídia, uma delas é disseminar conhecimento a todas as pessoas, especialmente àquelas que não possuem condições de realizar cursos pagos, de comprar recursos para se informar, dentre outras impossibilidades. Mas como a mídia pode contribuir para que a educação seja valorizada, praticada e assimilada pelas pessoas?

Antes de tudo, é necessário entender o que é, de fato, educação, e como este conceito pode dialogar com as mais variadas mídias. Há muitas explicações, dadas por vários autores, sobre o que seria "educação", por conta das abordagens e da formação de cada pesquisador, educador ou especialista na área. Como exemplo, Hegel tem uma visão didática e filosófica acerca da educação, como mostra Pedro Geraldo Novelli no artigo O conceito de Educação em Hegel (2001, p. 67):

"Nesse sentido faz-se necessário cogitar sobre a dialetização da educação segundo Hegel, visto que, para ele, a totalidade do real engloba a educação. Hegel lança desafios contundentes sobre a compreensão do real e, de igual modo, tais desafios podem afetar a prática pedagógica assim como sua conceituação.
(...)
A prática pedagógica é motivada em Hegel por uma visão específica de homem que se vincula à época do filósofo, mas que possui traduções que lhe são particulares. O espírito universal é traduzido pelo espírito particular. A particularização do universal é sempre uma degradação, um empobrecimento do absoluto, mas não é senão assim que o particular pode existir."


Outro pensador, o brasileiro Paulo Freire, via a educação como um passo para a construção de uma consciência crítica na população, para que esta pudesse ver as situações não da maneira padrão, mas com um olhar diferenciado, principalmente para os mais oprimidos. É o que descreve Alexandre Becker na tese A concepção de educação de Paulo Freire e o desenvolvimento sustentável (2008, pp. 56-57):

"Freire, desde seus primeiros escritos, estava comprometido com a construção da consciência crítica, com uma nova maneira de educar, que contribuísse para que as pessoas pudessem analisar melhor a realidade vivida e fossem capazes de agir sobre essa realidade,  transformando-a (...)
Este comprometimento de Paulo Freire direciona-se em elaborar uma pedagogia comprometida com a melhoraria  das condições de existência das populações oprimidas. E essa pedagogia  não seria construída ignorando a realidade em que estavam inseridos os  educandos a quem ela se dirigia e tão pouco ignorando a consciência que dela eles faziam."

E como conciliar estes dois conceitos com o uso das mídias para fins educacionais? Primeiramente, como mostra a definição de Hegel, é preciso incentivar as pessoas a pensar por sua própria conta, sem muitos intermediários, e ser crítico acerca do mundo ao redor. É uma tarefa difícil, pois não se consegue chegar a neutralidade de pensamento, porém é uma possibilidade que se assinala.

Para o conceito de Freire, a formação de uma consciência crítica, principalmente aos mais jovens, se mostra primordial para o desenvolvimento de uma sociedade mais pensativa e mais comprometida com as ações sociais, políticas e intelectuais. Com isso, a mídia tem um papel fundamental nesta formação.

Um exemplo é o projeto Mídia Jovem, realizado em Aracaju/SE numa parceria entre o Governo local, o Instituto Recriando e a Oi Futuro. Segundo o site oficial do projeto, ele atende a algumas comunidades populares de Sergipe, "como instrumento de estímulo à criatividade, participação social e protagonismo de adolescentes e jovens, contribuindo para a redução do índice de evasão escolar, melhoria da aprendizagem, promoção da (re)integração social, valorização da cultura regional e promoção da cultura de paz."

Um dos objetivos deste projeto é o protagonismo juvenil na mídia, em que os próprios adolescentes, com uma câmera na mão, façam suas próprias reportagens (em áudio e vídeo), denunciando problemas em seus bairros e contribuindo para o crescimento da cidade e de sua própria consciência crítica acerca do mundo. O projeto ganhou destaque e uma matéria na TV Brasil, em 2011, cujo vídeo encerra este post, mostrando um dos caminhos possíveis para conciliar mídia e educação.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Emoção exagerada ou brasilidade? - Identidade, cobertura (e torcida) nas Olimpíadas 2012

Por Maíra Masiero

Bandeiras no pódio, voltas ao redor das quadras, dos campos, dos tatames; festas nas chegadas dos campeões. Decepções de atletas com chances reais de vitória que são surpreendidos pelas "zebras". E o torcedor vibra, torce, festeja, reclama, xinga e lamenta. Por seu time favorito, pela seleção do seu país.

No Brasil, esse cenário não é diferente: o resultado de algumas competições e as surpresas positivas com resultados trazem o orgulho de ser brasileiro de volta, ao menos por alguns momentos, quando é devolvida por uma provável decepção. É o tal "espírito patriótico" que está no auge, também em terras tupiniquins...

E essa brasilidade se agiganta principalmente quando se aproximam eventos esportivos importantes, como a Copa do Mundo de futebol e os Jogos Olímpicos. Neste último, mesmo que o Brasil não tenha uma tradição tão grande em ganhar medalhas como se espera em uma Copa do Mundo, a mídia, em muitos casos, colabora para aflorar as emoções nestas competições, como mostra Vanessa Scalei de Mello no artigo Jogos Olímpicos de 2004: as narrativas televisivas e a valorização da identidade brasileira (2006, p. 06):

"(...) as narrativas dos meios de comunicação sobre o esporte utilizam recursos que suscitam o sentimento de identificação coletiva em torno da Nação. [...] o recurso jornalístico de utilizar histórias de vitórias ou derrotas coloca o presente em continuidade com o passado e funciona como defesa diante a imprevisibilidade das disputas esportivas. [...] Os jornais maximizam ou reforçam o imaginário sobre o esporte e a memória serve como um elo identitário.
[...]
As narrativas produzidas sobre o esporte, em muitos momentos, apropriam-se de elementos constitutivos das identidades para descrever qualidades dos atletas e das equipes, que são consideradas especiais e que dessa forma as distinguiriam dos demais atletas e das demais seleções."

É necessário entender também que o jornalismo desportivo, nestes eventos, costuma deixar um pouco a imparcialidade de lado para mostrar um lado mais patriótico, com uma linguagem mais próxima a do torcedor, tanto nas vitórias, com uma alegria contagiante, quanto nas derrotas, em que a decepção é um tom forte nas narrações. A seguir, o vídeo do ouro olímpico do nadador Cesar Cielo nas Olimpíadas de Pequim, em 2008, narrado por Galvão Bueno.


Para poder analisar os comportamentos dos torcedores e de parte da mídia eletrônica acerca das emoções afloradas pelas vitórias e derrotas do esporte brasileiro, foi escolhida a rede social Facebook, pois esta se tornou um dos endereços mais acessados em todo o mundo, em que pessoas e organizações se comunicam o tempo todo entre si. Sabe-se que um grande desafio para as empresas é a maneira de se comunicar com o público em potencial, seja na utilização da linguagem adequada, da imagem mais significativa ou do posicionamento da fanpage em relação a assuntos que são muito discutidos num determinado tempo e contexto.

Delimitando o ambiente digital de pesquisa, foram escolhidas duas fanpages relacionadas a emissoras de televisão brasileira: (1) a Globo Esporte, relacionada com as Organizações Globo, com mais de 2 milhões de seguidores, e (2) o Portal R7, pertencente à Record, com mais de 538 mil "curtidas". A página do Portal G1 (da globo.com) não foi objeto de análise porque simplesmente não possui nenhuma notícia a respeito de Olimpíada ou de outros esportes.

Como objetos diretos de análises, têm-se duas situações distintas e que fazem parte do esporte: a vitória e a derrota. Nesse caso, os dois assuntos a serem vistos são: a derrota do time de basquete masculino para a Argentina por 82 a 77 nas quartas de final (no último dia 08 de agosto) e a vitória do time de vôlei masculino para a própria Argentina também no dia 08 e também nas quartas de final, por 3 sets a 0. Lembrando: os dados das postagens foram verificados até o dia 10 de agosto, dois dias depois desses resultados, a fim de tentar mostrar um cenário fechado, sem muita oportunidade de novos comentários.

Iniciando a análise pelo jogo de vôlei, que foi o primeiro dentre os dois eventos, as fotos dos dois posts das fanpages (R7 e Globo Esporte) são semelhantes em seu sentido principal: despedir (ou despachar de forma soberana, mesclando as chamadas dos dois textos) a seleção rival sul-americana com um "Adiós" ou um "Tchau" mesmo aos hermanos.

O número de curtidas e de compartilhamentos foi muito grande nos dois posts, na proporção do alcance destas fanpages (R7: 860 curtidas e 713 compartilhamentos; Globo Esporte: 6220 curtidas e 2058 compartilhamentos). Dos 43 comentários que a postagem do R7 recebeu, a grande maioria (39) elogiaram e incentivaram a seleção brasileira e, dentre estes, 15 debocharam dos rivais argentinos. Dois comentários foram aleatórios (um perguntando do próximo jogo e o outro divulgando uma fanpage), um criticou o nacionalismo presente somente nas competições esportivas e outro xingou a Record sem nenhum argumento.

Já no Globo Esporte, foram 204 comentários. Dentre esses, há uma maioria de deboche à Argentina (98 comentários), outros 44 parabenizando o Brasil pela vitória e esperando o basquete entrar em quadra e, além das 23 respostas aleatórias, dos outros 13 comentários, alguns alertavam sobre a presença dos Estados Unidos (atuais campeões olímpicos) e outros pareciam prever a derrota do país no jogo seguinte entre as duas seleções.

No outro evento analisado - a derrota do basquete masculino -, o número de pessoas que curtiram e compartilharam foi muito menor (R7: 115 curtidas e 58 compartilhamentos; Globo Esporte: 3501 curtidas e 902 compartilhamentos). Entretanto, o inverso aconteceu com os comentários: foram 118 no post do R7 e 556 no do Globo Esporte.

Na primeira fanpage, foi mostrada uma manchete "seca", apenas informando a eliminação da seleção brasileira e a foto da comemoração argentina. Nos comentários, 63 deles reforçam a superioridade dos rivais no basquete, criticaram o Brasil pela falta de garra e empenho e o técnico da seleção (o argentino Rubén Magnano) pelas alterações no time e pelo mau aproveitamento dos lances livres. Outros 25 comentários elogiaram o Brasil por ter chegado até a essa fase e torcem para uma melhor sorte em 2016. Apenas um comentário citou a falta de incentivo ao esporte a longo prazo.

Já na postagem feita pelo Globo Esporte, há uma certa compensação na apresentação da notícia - "Brasil lutou... mas no confronto entre os estreantes em Olimpíadas contra os ex-campeões olímpicos, deu Argentina. (...) Clica curtir quem vibrou com o retorno do basquete brasileiro às Olimpíadas!" - e na foto, com a legenda "Lutamos até o fim!". Dos muitos comentários feitos a esta notícia, 238 comentários criticaram de maneira geral a seleção, outros 16 direcionaram suas declarações contrárias ao técnico e 44, a jogador(es) em específico, como Thiago Splitter e Nenê. Já 149 pessoas apoiaram  seleção, enaltecendo a retomada às competições de basquete depois de 16 anos de ausência em Olimpíada.

O que se pode observar nesta sintética análise é que estes brasileiros se manifestam mais na hora de uma derrota do que quando há uma vitória importante, porém, a brasilidade e a defesa da pátria - no quesito esportivo - mostram-se presentes, principalmente quando há uma disputa entre Brasil e Argentina, historicamente rivais nos desportos.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Memória histórica e influência da mídia - Análise do programa "O Maior Brasileiro"

Há uma expressão muito conhecida que afirma que "quem vive de passado é museu". Porém, todas as pessoas, ao longo do tempo, acumulam uma história que, se não se pode voltar, ao menos contribui para que se viva melhor e com mais responsabilidade o presente, além de se decidir melhor sobre o futuro.

Em consequência disso, as organizações nas quais essas pessoas trabalham também possuem uma história, que precisa ser resgatada para que os colaboradores entendam a importância da empresa num certo segmento ou período de tempo e para que o passado sirva (ou não) de exemplo para as futuras atitudes da empresa, como mostra Paulo Roberto Nassar de Oliveira, na sua tese de doutorado em Ciências da Comunicação pela USP Relações públicas e história empresarial no Brasil: estudo de uma nova abrangência para o campo das relações públicas (2006, p. 106-107):

"(...) os comportamentos, os símbolos, a identidade e a comunicação, o conjunto de elementos que formam a personalidade e a imagem de uma empresa ou instituição, são os grandes pilares da memória. E a memória é seletiva: ela selecionará as experiências (boas e ruins) que os inúmeros públicos têm com a organização, seus gestores, empregados, produtos e serviços. Este aspecto seletivo da memória tem uma conexão direta com o presente organizacional, que é expresso em questões bastante objetivas, colocadas diante e pelos inúmeros públicos e pela sociedade: como a organização lidou com as adversidades, com as pedras em seu caminho; como ela tratou os seus funcionários em tempos de “vacas magras”; como ela se relacionou com a comunidade; como a ela se comportou em relação ao desenvolvimento do país. A infinidade de perguntas possíveis sobre uma organização e os seus dirigentes expressa as realidades relacionais ou, ainda, a memória relacional da organização, sendo-nos possível afirmar que, em última instância, a história empresarial é a história de suas relações públicas."

Com a História de um país, o processo não é muito diferente pois, para que esta geração tivesse os mecanismos, as facilidades, as dificuldades e as conquistas que são vistas dia a dia, várias pessoas (do passado e do presente) contribuíram para o cenário brasileiro e algumas levaram o nome do Brasil para o mundo, pelos seus méritos.

Uma iniciativa para promover (ou, pelo menos, tentar resgatar) esta memória nacional, enumerando as personalidades que marcaram a história do país em seus mais de 500 anos de História, foi realizada pelo Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), com base num formato de programa criado pela emissora britânica BBC e que já teve vencedores como: Winston Churchill na Inglaterra, Leonardo da Vinci na Itália, Nelson Mandela na África do Sul, Salvador Allende no Chile e Charles de Gaulle na França.

Titulado no Brasil com o nome de O Maior Brasileiro de Todos os Tempos, o programa tinha o objetivo de mobilizar o país para eleger os nomes que foram (e são, em alguns casos) importantes para a História brasileira, por seus feitos, invenções, atitudes e caráter.

Segundo o próprio site da atração, houve uma primeira fase, em que internautas participaram de forma democrática, indicando o seu favorito livremente, sem nenhuma sugestão prévia. Era apenas colocar o nome completo, o CPF e a indicação da personalidade, que deveria ser brasileira nata ou naturalizada e que não podia ser ficcional nem pertencente ao elenco do SBT.

Ainda segundo o site, a resposta para a pergunta deveria ser algo pensado, não imediatista, e que abarcasse todo o período histórico do Brasil, e não somente os dias atuais. Quando se olha para esta afirmação, pode-se dizer que era uma previsão dos resultados que viriam ao final da primeira fase, em que foram listados os 100 maiores brasileiros de todos os tempos (pelo menos, na teoria).

Na lista de notáveis, produzida por mais de 1 milhão e 200 mil votos, ao menos 40% dos nomes aparecem na mídia tradicional*, ao menos, uma vez por semana (seja apresentando programas ou músicas, sendo notícia ou lembrados em algum veículo de comunicação).

Além disso, 49% dos escolhidos ainda estão vivos (o que contribui para uma maior mobilização de pessoas para votação), 34% pertencem à classe artística e 13% são atletas, sendo que somente dois nomes (Ayrton Senna - finalista sem posição definida ainda - e Anderson Silva, 90º colocado) não são jogadores de futebol.

Com a lista quase completa dos 100 indivíduos considerados os maiores brasileiros de todos os tempos (quase, porque uma pessoa escolhida está disputando as eleições deste ano e o seu nome só será divulgado depois de outubro), pode-se dizer que a memória de parte dos brasileiros que votaram foi influenciada pela mídia e por campanhas de fãs-clubes que se mobilizaram para inserir seus ídolos nesta lista, sem talvez entender que o objetivo maior deste programa era resgatar os nomes que fizeram história no Brasil por feitos relevantes para o país e, alguns, para o mundo.

E essa indignação por conta de alguns nomes na lista fica evidente quando se vê a fanpage oficial do programa no Facebook. Dentre os milhares de comentários deixados na página, muitos criticam a posição privilegiada de alguns atletas (como o jogador Neymar, que ficou à frente de Zico e Garrincha) políticos (como Fernando Collor de Melo) e cantores (como Joelma e Luan Santana), em detrimento de outras personalidades com mais referências históricas.

Em outras mídias, a lista dos 100 maiores brasileiros causou indignação e polêmica, retratadas em vários vídeos feitos por internautas. Talvez um dos de maior repercussão está no canal do ator e vlogueiro Felipe Neto, com mais de um milhão de acessos e mais de 26 mil comentários, a maioria deles elogiando o autor e também expressando a sua opinião acerca da lista.



O fato é que uma grande parte da população brasileira precisa se conscientizar acerca de nomes que realmente foram marcantes na história nacional e, assim como uma empresa precisa analisar vários fatores para inserir um dado histórico relevante em seus arquivos de memória, o brasileiro necessita votar, nesta e em qualquer outra eleição, não por imediatismo mas com clareza e responsabilidade com a memória e o patrimônio do país.

*Essa ressalva da mídia tradicional foi feita pois, na Internet, o nome de todos os finalistas é bem pesquisado e divulgado, por conta dos nichos aos quais pertencem/pertenciam.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Você é da geração “Y” ou é um “Millennial”? Uma bem-humorada tese para o social

Por Manoel Marcondes Neto

Geração X Y Z - Imagem por Géssica Hellmann
Geração X Y Z - Imagem por Géssica Hellmann

Tenho me aplicado, até por força do ofício de professor, em entender o comportamento dos jovens, lendo tudo o que me cai nas mãos sobre "gerações", inclusive péssimos textos – como o da Veja de semanas atrás, que propunha, após o fim do alfabeto, começar tudo de novo, e já classificava pessoas em geração "A", "B", "C"...

Aos números!

Tal tema me atraiu quando se precisou entender porque o poder – nas empresas, principalmente – passou de cinquentões (a época era o início dos anos 2000) aos "trintinhas" de então (ou seja, pessoas nascidas por volta de 1970), passando direto pela (minha) geração, a qual, justamente por "não dizer a que veio", ficou taxada de geração enigma, incógnita, ou seja, geração "X"... o resto é estória. E muita ciência inexata, que não é Sociologia (assim, com "s" maiúsculo). É o tal do jornalismo cultural querendo fazer história melhor que os historiadores.

Minha tese (já que cada um pode ter a sua)

A geração que ficou consagrada como baby boomers – assim chamada por ter sido gerada logo após a Segunda Grande Guerra Mundial e seu apoteótico ’boom’ atômico – é aquela que estava com 18 anos em maio de 1968 – se queremos rigor de calendário. E em Paris – se queremos precisão geográfica. Foram movimentos de libertação dos filhos em relação aos padrões anteriores, de seus pais. Woodstock, em 1969, sediou o “grito” estadunidense nesse sentido de quebra de paradigmas culturais.

É claro que há uma "faixa etária", a qual podemos situar entre os que teriam de 16 anos a 25 anos em 1968. E é claro, também, que teremos "limítrofes" – ou seja – indivíduos que vieram ao mundo nos intervalos entre uma "geração" e outra.

Bem entendido que em minha adolescência, na escola, geração era algo que durava 25 anos... Hoje fala-se em menos... depende do próximo "i" que a Apple lançar...

Vamos dividir à metade esses 25 anos e propor um gap de 12 anos para cada “geração”. E tentar entender, a partir de alguns prosaicos hábitos de consumo e pensamentos do senso comum o que “move” esses diferentes extratos sociais.

Fazendo contas

Na minha hipótese: baby boomers seriam, então, aqueles nascidos entre 1945 e 1957, contando doze anos a partir do ano em que a guerra terminou, quando, então, pôde-se considerar saudável, esperável, "concebível" que casais resolvessem "investir" num futuro – qualquer futuro. (Não se pode subestimar o fato de que o advento do artefato nuclear colocou em xeque a sobrexistência humana no planeta).

Com isto, temos, então, que a geração imediatamente posterior aos baby boomers seria formada por aqueles que nasceram entre 1958 e 1970 – a chamada geração "X". E a geração "Y", por conseguinte, seria a dos nascidos a partir do ano de 1971 – os "trintinhas" de 2000, anteriormente mencionados. E dando continuidade à “série” temos os chamados millennials, aqueles que estavam completando a maioridade por volta da virada do segundo para o terceiro milênio.

Qual “geração” virá depois? Dizem que é a “Z” – a geração dessas crianças absolutamente nerds que nasceram de 1998 até 2010. O que a caracteriza? Está aí um desafio que você pode ajudar a desvendar a partir de agora, até porque deve ser para esse público que você irá estar trabalhando quando estiver nos seus 30 anos.

Para uma leitura bem-humorada dos “conflitos geracionais”, vá para o link e veja minha “proposta sociológica” - Costumes x gerações

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Sobre a leitura crítica da mídia

Por Manoel Marcondes Neto

E sobre nós, relações-públicas, eis que recai – em minha ainda solitária opinião – mais uma grande responsabilidade. E essa não é empresarial, somente. Mas, social. Inteiramente. Explico: a “mídia”, termo técnico da área da comunicação que está na boca do povo, exerce grande poder social nos dias de hoje. Há 30 anos, quando saí da faculdade, discutir mídia, falar de mídia, entender de mídia era algo para poucos. Hoje, não. Na roda de bar se fala de mídia. No Congresso Nacional se discute mídia. Nos telefonemas grampeados cita-se a mídia. Só não se fala de mídia na própria mídia. E esse é um dos grandes desafios de quem estuda e pensa comunicação com a finalidade de atuar sobre o público, ensinar, fazer passar imagens e discursos e lutar pela “compreensão mútua” – como consta na definição da nossa profissão.

Com esse mutismo da mídia sobre si mesma, salvo a exceção honrosa do “Observatório da Imprensa”, fica mais difícil chamar a atenção da audiência quanto a riscos corriqueiros de mau entendimento, propaganda enganosa, mensagens subliminares, comunicação feita pela metade e a inescapável parcialidade devida a acertos comerciais. Ora, se as Casas Bahia são o maior anunciante do veículo “X”, não se vai encontrar o escandaloso caso da morte por engano (o indivíduo baleado pelo segurança quando flanava pela loja paulista era cliente e não assaltante) na sua primeira página.

Vai longe o tempo em que alguns estudiosos apontavam riscos de manipulação, sacavam máximas contra a massificação ou se derretiam de admiração pela figura do Chacrinha – aquela personagem que repetia o bordão “quem não se comunica se trumbica”. (Aliás, vale a pena ver o documentário “Alô Alô Terezinha” de Nelson Hoineff sobre o Velho Guerreiro).

Porém, é preciso lembrar-se que a educação fundamental e média dos brasileiros anda pelas últimas posições mundiais, enquanto que a nossa mídia é, talvez, a mais sofisticada do planeta (além de ser a mais cara, em dólar, para se anunciar). Tal desequilíbrio “pró-mídia” faz da telinha da TV o veículo que mais educa e influencia o comportamento do indivíduo. A mídia homogeiniza, sim. É hábito e forma hábitos. Em um recente evento da indústria da mídia, o diretor da TV Globo “ensinava” em palestra: - é preciso conhecer as pessoas que estão assistindo. Depois conhecer todos os gostos delas. E aí conhecer seus hábitos de consumo...

É uma operação mercadológica perfeita – quem vai discutir a competência comercial da TV Globo? Mas em termos humanísticos, de formação cultural – que é, aliás, um dos mandamentos da Constituição Federal para as áreas da Comunicação e da Cultura (Dê uma olhadinha no link abaixo) – é nota zero.

Assim, seguindo uma trilha aberta por Ismar Soares, pesquisador e professor da USP, um batalhador das causas da educomunicação e da leitura crítica dos meios de comunicação no ensino fundamental e médio, postulo para os errepês essa função, seja no meio acadêmico, quando professor, seja no âmbito organizacional – privado, governamental ou terceiro setor. É preciso “sofisticar o olho e o ouvido” do cidadão e do executivo – inclusive para que compreenda a sutileza do trabalho de relações públicas, um arsenal de táticas avançadas de divulgação.

Assim como é rotina do errepê fazer o “issue management” – gerenciamento de questões sensíveis à empresa-cliente” – sugiro a inclusão de uma outra vertente em nosso trabalho interno junto à base da pirâmide e mesmo à gerência: a discussão das pautas de jornais e emissoras de rádio, análise de telejornais e da internet, visando uma discussão crítica do que normalmente está por trás daquilo que sai publicado.

O jornalista não tem tempo para fazer isso. E não tem perfil também. Seu trabalho é buscar a notícia – no máximo “agendar a pauta” (agenda setting). E trabalha pressionado pelos fatos, pelo chefe de redação, pela concorrência e pelas péssimas condições de trabalho.

O publicitário, no final das contas, é quem paga “toda essa festa que já vem malhada antes d’eu nascer” (Cazuza et al.). Não será este o perfil profissional a julgar a mídia. Este é seu sustentáculo. Precisa vender Melissinhas para a novela e para o feirante. Precisa faturar para a agência e para o veículo. Leitura crítica? Esquece!

Resta ao relações-públicas, por sua visão geral, comprometida com valores institucionais e o longo prazo, a missão de abrir olhos e ouvidos de seu cliente para o que acontece na mídia com potencial para afetá-lo, fazendo a tão necessária leitura crítica dos meios que sua educação fundamental, média – ou mesmo a superior – não ensinou.

Link:
Textos da Constituição Federal para as áreas da Comunicação e da Cultura

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Mobilização social ou jogada de marketing? - As (possíveis) facetas da Dança da Galera

Num contexto em que, por muitas vezes, os interesses individuais acabam se sobressaindo em relação à coletividade, algumas ações são feitas para tentar mudar esta realidade, provocando um envolvimento mais eficiente das pessoas, assim como uma participação mais efetiva da comunidade em assuntos relevantes para a sua manutenção. São as chamadas mobilizações sociais.

Mafra, Henriques & Braga (2004), citados por Rennan Mafra no artigo Relações Públicas e Mobilização Social: a construção estratégica de dimensões comunicativas (2007, p. 4), mostram uma das definições de mobilização social:

"a mobilização social é a reunião de sujeitos que definem objetivos e compartilham sentimentos, conhecimentos e responsabilidades para a transformação de uma dada realidade, movidos por um acordo em relação a determinada causa de interesse público."

Este mesmo artigo alerta para que não se confunda os significados de mobilização e de manifestação social, já que esse último visa somente à reunião de pessoas num certo local, realizando uma passeata ou concentradas, por exemplo, numa praça para uma ação específica. O estudo de caso a seguir é polêmico, no sentido de misturar (e até mesmo, confundir) estes dois conceitos num programa de televisão consolidado e vinculado, geralmente, às classes menos favorecidas, num horário de grande audiência, como o domingo à noite.

No domingo, dia 15 de abril, foi lançado um novo quadro no programa Domingão do Faustão, na Rede Globo. Com o nome de Dança da Galera, o quadro - que possui três episódios na primeira temporada - tem o objetivo de mostrar a mobilização de uma cidade (de até 100 mil habitantes) para ajudar projetos coordenados pelas Pastorais da Criança locais, por meio da apresentação de grandes coreografias feitas por milhares de voluntários locais, auxiliados por coreógrafos especializados e por duas celebridades (Daniele Suzuki e Joaquim Lopes) que ajudam na mobilização.

A cada programa, duas cidades se enfrentam e, pela votação da platéia presente no estúdio e dos telespectadores (através do telefone, SMS e Internet), a vencedora ganha R$ 100 mil para aplicar nos projetos e o segundo lugar, R$ 25 mil.

No primeiro dia, as cidades de Aracati (Ceará) e Diamantina (Minas Gerais) foram as escolhidas para participar, e o município nordestino venceu a votação popular, apresentando uma coreografia para a música "Pedras que Cantam", interpretada por Fagner, como visto a seguir. Segundo matéria no site do programa, foram 1.350 pessoas que representaram os 69.159 habitantes da cidade.



Além de toda a repercussão do quadro no Twitter, em que palavras relacionadas com o programa ficaram entre os assuntos mais comentados no microblog, a produção do Faustão investiu em iniciativas para a Internet, em sintonia com as mídias sociais. É de se notar que a página oficial do programa no Facebook foi criada no dia 14 de março deste ano, com um certo atraso em relação a outras atrações.

Um exemplo está num aplicativo criado para o Facebook, em que se simula a formação de palavras formadas por milhares de pessoas juntas. Iniciando a interação, a pessoa arrasta as letras e os acentos que desejar para um espaço vazio e, quando terminar, pode salvar a imagem e compartilhar com os amigos na rede social.

O que fica nesta descrição é tentar entender qual seria a intenção genuína do quadro: (1) mostrar verdadeiramente a mobilização social de uma cidade em prol de um projeto específico, (2) promover uma "jogada de marketing" para as marcas envolvidas no patrocínio do quadro, (3) demonstrar uma espécie de manifestação social ou, até mesmo, (4) ter uma ligação com a realização da Copa do Mundo no Brasil em 2014 - em relação á integração nacional, ao protagonismo do cidadão?

O colunista do UOL Maurício Stycer, em artigo publicado em seu blog sobre o quadro, tem uma sugestão de como classificar o Dança da Galera: "Competição? Entretenimento? “Dança da Galera” se mostrou, sem muita sutileza, um esforço de relações públicas [grifo nosso] da Globo. Só faltou Faustão dizer: “Estamos juntos, galera!”" Com isso, fica outra pergunta a ser respondida: esta ação do Domingão do Faustão pode ser realmente considerada como uma ação de Relações Públicas?

Para tentar responder à primeira questão, um dado interessante está num comentário dado ao vídeo posto neste estudo de caso, que mostra, de forma alegórica, a diferença entre se fazer uma manifestação e mobilizar a sociedade para um objetivo comum. Ele diz o seguinte:

"Sabado dia 21 haverá mais uma audiencia pública na casa da camara, organizado pela OAB para tentar resolver o prblema dafalta de juizes de direito em Aracati, já vamos para quase um ano e sabemos o tamanho do estrago pela falta de uma justiça justa, quanto mais morosa. Queria ver se pelo menos 10 % da população que se 'engajou' na dança justificada pelo premio de R$ 100.000,00 "tudo pelo social" se estarão presentes no próximo encontro"

De fato, é necessário se precaver com estas situações, pois o programa passa, o grande acontecimento da cidade passa, mas permanecem os problemas sociais, as dificuldades financeiras, os contratempos políticos. Por isso,  Márcio Simeone Henriques, no artigo Comunicação, comunidades e os desafios da mobilização social (2005, p. 12) mostra que a mobilização social, de fato, precisa ter uma

"contínua formulação estratégica de ações de comunicação que sejam capazes de sustentar uma legitimidade pública (...), como também de sustentar os vínculos de confiança que mantêm a cooperação, que depende de uma capacidade de realimentar continuamente o debate público e reforçar os laços de identificação e de pertencimento dos sujeitos mobilizados."

Em relação à segunda pergunta, no artigo já citado de Mafra, o autor define que o trabalho de Relações Públicas oferece a esta prática de mobilização "um olhar para os sujeitos, vislumbrando-os não como grande massa, mas como públicos diferentes, compreendidos a partir de características e demandas próprias, grupos real e potencialmente capazes de estabelecer, junto a uma bandeira coletiva, processos de pertencimento a uma causa mobilizadora." (2007, p. 3).

Será que a visão da produção foi realmente buscar a diferenciação dos públicos, a história de cada um, ou foi só relacionada a dança artística ao número total de integrantes? Que o debate possa continuar.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Eficiência no relacionamento cliente-empresa - Para não deixar o cliente falando sozinho...

Uma das grandes dificuldades das empresas, principalmente neste mundo contemporâneo e com uma grande variedade de produtos e/ou serviços semelhantes, é manter os clientes fieis à organização. Uma das receitas para que isso aconteça é o atributo da satisfação, como mostram Geraldo Luciano Toledo, Thelma Rocha e Paulo Nucci no artigo O marketing de relacionamento e a construção da
"A manutenção e retenção dos clientes relacionam-se com a satisfação com o produto/serviço ou com seus atributos; a percepção de valor em relacionar-se com a empresa é o fator decisivo. Para isso, é essencial atender às necessidades, desejos e valores, pois constantemente a comunicação deve reforçar a percepção positiva, com mensagens certas, nos momentos adequados e pela mídia correta."

Uma das formas de atender a essa necessidade de satisfazer o cliente é não deixá-lo falando sozinho, ou seja, sem uma resposta específica diante dos problemas que, eventualmente, possam ocorrer em produtos ou serviços. A seguir, será mostrado um exemplo recente, que serve como analogia para que se possa comparar à importância de um bom relacionamento entre cliente-empresa, mesmo nas horas de desacerto.

No final da edição de 18 de março do programa jornalístico Fantástico, da Rede Globo, o apresentador Zeca Camargo protagonizou uma situação que pode ser comparada à sofrida por muitos clientes de empresas: quando foi chamada uma matéria sobre a coreógrafa Deborah Colker, houve um problema técnico e a reportagem não foi ao ar.

Para piorar a situação, além de todo nervosismo e apreensão do apresentador, quando ele iria se despedir dos telespectadores, encerrando o programa, os créditos sobem, a música incidental aumenta e ele fica "falando sozinho" no estúdio, como se pode ver neste vídeo.


O que muitas vezes acontece nas relações entre empresas e clientes é exatamente isso: há um erro técnico por parte das primeiras (no caso do programa, da produção que não colocou a matéria no ar) e, após um momento de desconcentração por parte do apresentador - confuso por conta de uma situação quase que inédita - há o segundo erro da produção em entender que o programa já havia acabado, diferente do apresentador, que iria ainda encerrar o programa de uma outra forma.

No caso de uma relação cliente-empresa, quando há um problema por parte do emissor da mercadoria ou serviço, e os dois lados da questão não se entendem em relação a encontrar uma solução para o caso, a imagem da empresa é arranhada quase que imediatamente, devido à disseminação rápida de conteúdos promovida pelo avanço do acesso ao mundo digital e às mídias sociais.

No caso de Zeca Camargo (o "cliente", no caso), em razão do incidente com o vídeo (não exibido pela produção, a "empresa" nesta analogia), o seu nome figurou entre os assuntos mais comentados do microblog Twitter durante a noite do domingo (dia 18) e na manhã da segunda-feira. Portanto, é necessário que haja sintonia entre clientes e empresa para que a comunicação externa seja eficiente e precisa, e que não fuja do controle, como ocorreu com os caracteres do programa Fantástico.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Comunicação empresarial e as estratégias de (mais de) uma noite de verão

O Brasil vive, em todo começo de ano, a época do verão que coincide, em muitos casos, com o período de férias de estudantes e profissionais. Também há, neste período do ano, uma incidência maior de pessoas que saem de suas casas para viajar e que, muitas vezes, não levam meios eletrônicos para se comunicar e, se levam, não utilizam com a mesma frequência do que em outros dias. Um dos veículos que mais é atingido por esta "migração" é a televisão, que sofre, todos os anos, redução nos índices de audiência.

Por esse motivo, dentre outros, que as empresas investem muito, no verão, em várias estratégias de comunicação mais externas, interativas e interpessoais, para surpreender os turistas que estão na praia e para chamá-los a atenção para a marca em questão.

Hoje, o blog mostra dois exemplos de marcas que aproveitam a estação mais quente do ano para executarem planos de comunicação, interpessoal e/ou externa, com seus clientes (fieis e/ou em potencial) e, desta forma, proporcionarem ao público diferentes experiências com a marca, a fim de fixar a mensagem desejada e, por fim, suscitar o desejo de compra do produto.

O primeiro projeto em destaque é o da marca de batatas Ruffles que, em meio às polêmicas sobre a quantidade de batatas dentro da embalagem, lançou uma Casa de Praia - por conta do lançamento do sabor Milho na Manteiga - em que os jovens de 13 a 17 anos possam se divertir no Guarujá, praia da Enseada.

O ponto de encontro dos adolescentes possui tobogâ, ducha, máquina de dança e um bar, onde são servidas bebidas não alcoólicas e lanches, além de shows com celebridades teen, como Manú Gavassi. Como pode-se ver no vídeo a seguir, de uma rede de televisão local, o projeto ainda contém ações online, como um concurso de cantadas pelo Facebook e cobertura em tempo real das ações off-line.



Outra iniciativa de propaganda, que se destaca pela criatividade e pelo impacto que sugere, é a da empresa Nivea. Para promover o protetor solar, foi posto na cidade do Rio de Janeiro um outdoor formado por um milhão de miçangas brancas que, expostas ao Sol, formam a ilustração. Segundo o vídeo que explica a montagem desta peça pubilcitária, o trabalho foi intenso, já que foi necessário colar miçanga por miçanga no mosaico, e o protetor solar foi utilizado para conceder mais tons ao desenho.

Enfim, a época do verão é uma grande oportunidade para as empresas intensificarem o contato mais direto com o público e aproveitarem o gancho - clichê, mas real - do "ano novo, vida nova, produto novo" para oferecerem novidades aos seus consumidores, sendo estas passíveis ou não de uma continuidade nas outras estações do ano.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Sensacionalismo x conscientização - Campanhas de trânsito ao redor do mundo

Todo o mundo vive, nestes últimos dias, em clima de festa e de feriados (acompanhados ou não de férias ou recesso de trabalho). Mas, infelizmente, nesta época também se ouve falar muito em acidentes de trânsito, que matam centenas de pessoas a cada ano. O Ministério da Justiça e dos Transportes, neste período do ano e na chamada Semana Nacional do Trânsito, leva à mídia comerciais para prevenir a ocorrência de acidentes. A seguir, um exemplo da campanha de 2011.



Uma das críticas feitas às campanhas de trânsito brasileiras, inclusive até explícita num comentário feito ao vídeo anterior, é da necessidade se mostrar a realidade, sem medo das indústrias de bebidas alcoólicas, e de levar as pessoas a refletir sobre suas ações. Para algumas pessoas, portanto, a sutileza (choque implícito) e o fator apenas sugestivo das campanhas brasileiras não são suficientes para conduzir o motorista a uma reflexão e ao choque, como acontece em outros países.

"Alguns especialistas defendem a idéia de que esse é o tipo de campanha que funcionaria no
Brasil e outros que defendem a não utilização desse tipo de campanha, por não surtir efeito. O
fato é que ainda não existem estudos que comprovem essas afirmações, ou se existem, ainda são escassos." (LIMA, R. T. Classificação de Campanhas Educativas de Trânsito. 2009, p. 48).

A edição de número 2248 da Revista Veja (21 de dezembro de 2011) mostrou uma reportagem intitulada Uma campanha exemplar (págs. 90-94), que mostrou a maneira pela qual países, como Austrália e País de Gales, reduziram expressivamente o número de mortes no trânsito, utilizando-se de propagandas que explicitam os riscos de se dirigir, por exemplo, depois de ingerir uma taça de vinho ou de se acelerar um pouco mais para chegar a tempo num compromisso.

Uma característica destas campanhas, produzidas pela TAC (Transport Accident Comission - Comissão de Acidentes no Transporte) é polarizar, de forma súbita, os momentos: de uma confraternização ao acidente e ao desespero dos familiares e amigos com o ocorrido, são apenas poucos segundos de edição. Além disso, há a expectativa de uma identificação do público com os protagonistas, pois as histórias envolvem pessoas comuns, não estereotipadas como loucas ou descontroladas.

Houve resultados? Segundo a matéria, em 21 anos, o número de mortos nas ruas australianas caiu 52%, considerando também o aumento da circulação de automóveis no país. Além disso, muitas propagandas foram exportadas para a Irlanda, África do Sul, Nova Zelândia e Vietnã. O blog tentou selecionar a campanha "menos explícita" para compartilhar aqui, porém, numa rápida pesquisa pelo Youtube, pode-se ver vários vídeos com um conteúdo mais pesado e mais "chocante".



A grande questão que fica, mostradas as duas formas de campanha, é: retratar a realidade e as dores das pessoas de maneira explícita, a fim de não provocar mais acidentes, é sensacionalismo ou leva a uma conscientização? No Brasil, estas propagandas mais radicais fariam sucesso, ou seja, diminuiriam de fato os números da violência no trânsito? Qual seria a estratégia de comunicação ideal para que o objetivo seja atingido, partindo do estudo de cada público-alvo? Fica a reflexão para este final de ano.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Valorização de datas especiais - Aprendendo com um Caldeirão de criatividade

Natal, Ano Novo, Carnaval, Páscoa, Dia dos Pais, das Mães, das Crianças, dos Avôs, aniversários natalícios de funcionários, de fundação da empresa... são muitas datas importantes que circundam a vida de todas as pessoas, e a de muitas empresas também. E é necessário, para uma empresa, dar valor a cada uma delas, porque isso reflete uma vinculação emocional maior entre os colaboradores. 

E esta valorização de datas é tratada e utilizada de forma singular por várias óticas do conhecimento. Um exemplo seria em relação à valorização das datas como inspiração para se estudar as etapas da vida, como mostram Adriana Simões Marino e Marisa Todescan Dias da Silva Baptista no artigo

"A valorização das datas, no seio das famílias, em diários, móveis, obras-de-arte etc. fez com que a questão das idades da vida passasse a ser valorizada pela sociedade. Assim, as “etapas da vida” começaram a ser estudadas em relação à vida cotidiana. Posteriormente, diferentes autores, dentro da ciência, começaram a estudá-las. No início havia uma forte influência mística advinda da astrologia e dos signos zodiacais. Posteriormente, foi dada maior ênfase aos aspectos biológicos humanos."

Assim, pensando em destacar as datas comemorativas como marcos de etapas da vida, como valorizar as datas especiais para a vida de uma empresa ou de um programa específico? É necessário ter muita criatividade, planejamento e ousadia para que estes momentos sejam inesquecíveis para a pessoa (ou para a data em si) a ser lembrada. É o caso do programa semanal Caldeirão Huck, veiculado aos sábados à tarde na Rede Globo de Televisão.

A produção do programa não deixa também que o aniversário do próprio apresentador seja esquecido. A cada ano, a equipe se reúne e executa um projeto especial para celebrar mais um ano de vida de Huck, desde realizar uma grande festa de aniversário disfarçada de gravação de um quadro do programa, deixar o apresentador constrangido com uma brincadeira realizada por sua própria esposa, a também animadora Angélica, até conseguir trazer amigos de outra emissora para participar no palco do Caldeirão.
Em 2008, a produção se utilizou do quadro "Orelhão Surpresa" e fez uma brincadeira com o apresentador: Angélica começa a falar com Luciano e se fingir de louca no telefone, com uma voz diferente da habitual, enquanto uma atriz atende, fisicamente, o orelhão localizado em São Paulo. O mais interessante é que nem a plateia sabia desta armação (ela pode ser vista em 2 partes no Youtube). Depois de alguns minutos de conversa, o plano é revelado, Angélica vai ao palco do programa e o casal vê, juntos, um clipe concebido pela produção chamado Projaquistão Huck, parafraseando a conhecida música "We are the World", composta por Michael Jackson e Lionel Richie.


No último sábado, dia 3 de setembro, a exibição do programa coincidiu com a data do aniversário de Huck. Com o nome especial de Huck in Rio, uma intertextualidade relacionada ao Rock in Rio, grande evento de música que acontecerá no Rio de Janeiro entre 23 de setembro e 3 de outubro e que trará nomes como Elton John, Rihanna, Metallica e Shakira, o programa foi marcado pelas participações especiais dos cantores Thiaguinho, Ivete Santgalo, Cláudia Leite e da banda NX Zero, além de depoimentos de pessoas beneficiadas pelos quadros do programa, de outros famosos e familiares.

Porém, considerada por muitos uma grande surpresa, foi a participação no programa de Emílio Surita e Marcos Chiesa, humoristas do Pânico na TV e devidamente liberados pela Rede TV! Os comediantes chegaram numa caixa gigantesca e causaram surpresa até mesmo na platéia que acompanhava a gravação, e ainda comandaram uma rodada do "Soletrando", em que o candidato era o próprio Huck, devidamente ajudado pelo professor Sérgio Nogueira para não errar as palavras "circuncidar" e 'orizicultura".


O fato de artistas de outras emissoras participarem de um programa da Rede Globo - algo incomum para quem assiste há mais tempo a emissora - já mostra a ousadia da produção do programa e o grande planejamento por sobre esta surpresa, desde a liberação dos artistas pela Rede TV! e do espaço de 8 minutos, aproximadamente, pela Rede Globo, até toda a elaboração da caixa, pela cenografia, em que os humoristas ficaram escondidos. Enfim, a prática da valorização de datas especiais requer ousadia, planejamento, inspiração e muita transpiração por parte dos profissionais de comunicação.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Look for me, please! - Comunicação e Economia da atenção

Este post começa com uma pergunta pessoal: você já precisou chamar a atenção de alguma pessoa por um motivo específico? Ela te respondeu da maneira que você queria, de uma forma grosseira ou não te respondeu, não demonstrou a atenção esperada? Assim também acontece com a relação entre empresas e consumidores, e existe até um termo específico para medir como acontece esta atenção: a chamada economia da atenção.

Um dos conceitos disponíveis para se explicar o que é economia da atenção é explicado por Vinícius Andrade Pereira e Andréa Dantas Hecksher no artigo Economia da Atenção e Mensagens Publicitárias na Cultura Digital Trash (2008, p. 02), apresentado no VIII Nupecom – Encontro dos Núcleos de Pesquisa em Comunicação, evento componente do XXXI Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, realizado em Natal/RN.
 

"A economia da atenção deve ser entendida como o modo como um espectador dedica sua atenção para acompanhar a uma narrativa qualquer (filme, novela, desenho animado etc) em um veículo de comunicação e, conseqüentemente, o modo como pode estar disponível para ser afetado por uma mensagem publicitária.
Dentro do modelo dos veículos de comunicação de massa, como a televisão, o processo de economia da atenção se dava, basicamente, através de um modo de funcionamento que se caracterizava por uma certa passividade por parte do telespectador em relação à interrupção da narrativa que acompanhava, aceitando resignadamente as mensagens publicitárias que se apresentavam de modo intrusivo durante esses intervalos — a ressalva estaria, quase que exclusivamente, restrita ao controle remoto, que permitia a mudança de canal neste momento."

Porém, é sabido que o consumidor não reage mais desta forma passiva e sem prestar atenção à publicidade que o cerca. Os anúncios invasivos e sem pró-atividade praticamente deixam de existir e, quando isto não ocorre, há uma certa rejeição do público. Então como valorizar a economia de atenção nestas mídias mais tradicionais?

Um exemplo utilizado, principalmente, por empresas de renome para aproveitar o foco da atenção dos indivíduos numa situação específica é utilizar o chamado merchandising (ou seja, inserir propositalmente e estrategicamente um produto de uma marca numa cena) em telenovelas/séries de grande repercussão.

Esta prática é considerada positiva, por aumentar a exibição de um determinado produto na mídia tradicional e num horário considerado nobre pelo mercado; porém, pode ter um viés negativo quando se abusa das inserções publicitárias num momento de entretenimento do telespectador e que este, teoricamente, está passivo a esta propaganda justamente pelo fato de que, se ele quiser trocar de canal naquele momento, tem a possibilidade de perder uma cena importante para a sua observãção do folhetim. Isto, se o merchandising não for controlado, pode gerar um desgate da imagem da marca e uma diminuição nas vendas, o que seria algo ineseperado para os executivos da empresa.

No vídeo a seguir, feito por alunos da Mackenzie, são mostrados exemplos de abusos no merchandising e a influência deste no ato de compra de alguns consumidores.



E a Internet, qual o papel desta rede mundial de computadores para a economia da atenção? Para responder a esta pergunta, o diretor executivo da E-brand e consultor de inovação da InBate Gilber Machado escreveu em setembro de 2003 para o site Webinsider um artigo chamado O papel da internet na Economia da Atenção. Nele, o autor relaciona este conceito ao gerenciamento de marcas, processo impulsionado pela Internet, e ao comportamento específico do internauta-consumidor.

"Segundo o Forrester Research, a internet será, até 2005, a mais importante ferramenta para gerenciamento de marcas, o item primordial no contexto da economia da atenção, pois a marca define a identidade de um produto ou serviço (...).
Os produtos vão ganhar muito mais atenção e destaque no mercado se existir uma relação de identidade, relevância e paixão entre público alvo e marca, e a internet está cada vez mais presente no processo de construção da relação de amor entre marca e consumidores.
Outro aspecto importante a ser analisado é o comportamento on demand da internet. Ao digitar o endereço de seu web site, o consumidor está, de forma espontânea, definindo o que quer ver e por quanto tempo."

Este gerenciamento de marcas, como foi visto, é importante para que a economia da atenção possa ser vista de maneira mais ampla, pois permite que os profissionais responsáveis enxergem os gostos, costumes e valores dos públicos-alvo. Portanto, é importante estimular e conquistar o público para que ele possa ser, no sentido metafórico, um filho obediente ao chamado dos pais em realizar algo que os agrade, que os faça sentir bem.