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quinta-feira, 8 de março de 2012

Dia Internacional da Mulher - Estereótipos e avanços da imagem feminina na publicidade

O dia 08 de março tornou-se uma data especial, marcado pelo Dia Internacional da Mulher. Muitas pessoas ainda não conhecem o porquê desta comemoração, e a marcação desta para o dia 08 de março. Desde o começo do século XX, houve várias lutas feministas para protestar contra as jornadas de trabalho de 15 horas diárias, os baixos salários e o trabalho infantil. Uma matéria no site da Revista Nova Escola, escrita por Paula Nadal, mostra como a data foi definitivamente implantada em todo o mundo:

"Com a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) eclodiram ainda mais protestos em todo o mundo. Mas foi em 8 de março de 1917 (23 de fevereiro no calendário Juliano, adotado pela Rússia até então), quando aproximadamente 90 mil operárias manifestaram-se contra o Czar Nicolau II, as más condições de trabalho, a fome e a participação russa na guerra - em um protesto conhecido como "Pão e Paz" - que a data consagrou-se, embora tenha sido oficializada como Dia Internacional da Mulher, apenas em 1921.
Somente mais de 20 anos depois, em 1945, a Organização das Nações Unidas (ONU) assinou o primeiro acordo internacional que afirmava princípios de igualdade entre homens e mulheres. Nos anos 1960, o movimento feminista ganhou corpo, em 1975 comemorou-se oficialmente o Ano Internacional da Mulher e em 1977 o "8 de março" foi reconhecido oficialmente pelas Nações Unidas."


Como não poderia deixar de ser, a publicidade aproveita-se desta data para realizar ações e comerciais exaltando a figura feminina e mostrando os avanços em relação à igualdade entre homens e mulheres em vários aspectos, como no trabalho, na política, nas ciências e nas artes. Porém, os estereótipos atrelados às mulheres ainda soam fortes nas propagandas.

Um exemplo disso está na campanha "Mulheres Evoluídas", produzida pela marca BomBril em 2011, em que humoristas como Marisa Orth (Rede Globo), Dani Calabresa (MTV) e Monica Iozzi (TV Bandeirantes) discutem o comportamento masculino e tentam valorizar o papel das mulheres que, de certa maneira, são responsáveis pela consolidação da empresa.



Apesar de todo o comercial mostrado anteriormente ser desenvolvido como uma forma de se valorizar a parcela feminina do público da empresa, há algumas ressalvas a serem feitas:
- no diálogo, não é dito que as mulheres resolvem os problemas domésticos, e sim o produto BomBril é que lava louças (daí a humanização do objeto);
- os trajes das protagonistas podem ser interpretados de duas formas: ou sendo uma homenagem a Carlos Moreno, considerado um ícone da marca pelos muitos anos de atuação nos comerciais, ou ainda como uma maneira de "masculinizar" a mulher, para se colocar superior ao homem.

Uma outra iniciativa feita no começo do mês de março foi idealizada pela empresa Wilson: lançar uma bola de basquete num modelo rosa, para ser usada somente nas quartas-de-final, semifinal e final da Liga de Basquete Feminino (LBF), a partir do dia 10 de março. Mais uma vez, mesmo com uma intenção positiva, o estereótipo da coloração rosa para o universo feminino se manteve.

Por estes exemplos, pode-se ver que, mesmo demonstrando avanços em relação à valorização das mulheres nos mais diversos cenários, alguns estereótipos continuam vigorando, positiva e/ou negativamente. Mesmo assim, é necessário comemorar este dia especial para todos os Homens (homens e mulheres), não somente com presentes e flores, mas também com amor, respeito e verdadeira valorização das mulheres, não como superiores, mas como companheiras lado a lado com os homens. Feliz Dia Internacional das Mulheres!

quarta-feira, 16 de março de 2011

O poder das mídias sociais e a reclamação 2.0 dos consumidores (II) - Caso Renault

Para começar este post, é necessário entender que a arte do consumir é quase que inerente ao ser humano. A toda hora, os Homens compram e/ou apenas usufruem gratuitamente produtos e serviços dos mais variados tipos, desde um simples café da manhã na padaria, passando pelos materiais de escritório ou da escola, as refeições diárias, os serviços oferecidos pelo Governo: enfim, a vida humana é um consumir diário. Porém, quando algum serviço não é realizado da maneira ideal, é preciso que cada indivíduo possa se conscientizar de que a sua reclamação é importante e pode ajudar a várias pessoas que estão em situações semelhantes.

Como já foi visto em outro post aqui mesmo do RPitacos, para estas situações, a técnica da Reclamação 2.0 se torna cada vez mais eficiente, porque utiliza a "força indubitável das mídias e redes sociais como meios de expandir a indignação de um consumidor para milhões de pessoas ao redor do mundo, tendo, assim, uma possível identificação de algumas pessoas que tiveram um defeito ou uma quebra semelhantes (...)". Essa identificação gera repercussão que, por sua vez, exige uma resposta coerente e justa da empresa envolvida.

O caso Brastemp, analisado no post supracitado, remete estas quatro fases da Reclamação 2.0 de forma sucinta e, até mesmo, didática. Em fevereiro de 2011, uma outra consumidora se espelhou no exemplo obtido neste case e da iniciativa de Oswaldo Borelli, e decidiu expor no vitral 2.0 sua indignação com o mau funcionamento de um produto, desta vez, de um carro.

Daniely Argenton comprou um carro Renault Megane Sedan 2.0 em 2007. Segundo o site que ela mesma criou para mostrar os seus problemas, o Meu Carro Falha, o carro começou a apresentar falhas já nos primeiros dias de uso e foi levado, por muitas vezes, à assistência técnica da marca, sem, no entanto, ter uma solução definitiva para o caso.

Argenton deixou de utilizar o carro por conta dos problemas que, frequentemente, apareciam e recorreu à Justiça por várias vezes, sendo que, em 2008, nas palavras dela, "O carro foi periciado, conforme determinação judicial (...), sendo que o laudo da perícia foi categórico em afirmar que "existe defeito de fabricação” e que é “clara a falta de segurança para a condução deste veículo”."

Mesmo com esta constatação do perito e com a garantia de dois anos ainda em vigor, segundo a consumidora, a Renault não substituiu o veículo nem a indenizou por prejuízos decorrentes da não utilização do carro. Além disso, o processo judicial poderá se estender, segundo os advogados de Daniely, por mais 5 ou 6 anos.

Para poder ampliar a repercussão de seu problema e para alertar outras pessoas sobre os possíveis riscos de se comprar um carro desta marca (gerando, assim, uma imagem negativa da empresa), a consumidora criou um perfil no Twitter e no Youtube, além do próprio site já citado no início deste post, que mostra um histórico do caso, além de fotos e vídeos mostrando as condições atuais do carro. O objetivo da usuária foi alcançado em termos: o site foi visto por mais de meio milhão de pessoas, as declarações de Daniely foram vistas por mais de 90 mil vezes no Youtube, e vários sites divulgaram a reclamação, como o Info Online e o Mundo do Marketing, por exemplo. Abaixo, um dos vídeos produzidos pela consumidora.



Diferentemente do caso Brastemp, em que a empresa se desculpou publicamente do erro cometido e ofereceu a Oswaldo Borelli uma geladeira nova, a Renault tomou uma atitude completamente oposta: no dia 13 de março, acionou a Justiça por conta da divulgação massiva do caso e, segundo reportagem já citada da Info Online, o juiz da 1º Vara Civil de Concórdia, Santa Catarina, Renato Maurício Basso afirmou que "Daniely cometeu abuso do seu direito de liberdade de expressão, podendo causar danos à imagem da empresa. O juiz também determinou que ela retire do ar o site e outras mídias sociais, como o vídeo no YouTube e conta no Twitter, no prazo de 48 horas. A multa para o descumprimento da decisão é de 100 reais ao dia."

Pelo visto, o prazo de dois dias se excedeu e Daniely decidiu manter os canais de comunicação ativos até o resultado de um recurso contra esta decisão judicial. A Renault, em seu perfil no Twitter, só se pronunciou sobre o caso em 15 de março, alguns dias depois do momento de maior repercussão do problema. Seguem abaixo os posts referentes:

"A Renault do Brasil já estava e continua em contato com a cliente em busca de uma solução conciliadora para o caso @ (11:18 AM 15th Mar).
A Renault do Brasil encontrará pessoalmente a cliente o mais breve possível, quando um representante da Renault comparecerá em Concórdia/SC. (11:19 AM 15th Mar)"

Vendo este caso em comparação ao da Brastemp, pode-se dizer que passa a ser inegável a força e a influência que o consumidor tem em relação às marcas, principalmente no vitral 2.0 ao qual todos estão sujeitos a aparecer, seja positiva ou negativamente. A Renault perdeu uma grande oportunidade de agir imediatamente para o benefício de sua cliente ou, parafraseando Maquiavel, para "manter a estabilidade do Estado [da empresa, no caso]" sem prejudicar ainda mais os clientes.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Novas mídias: janelas abertas para o futuro das empresas

Este foi o artigo que escrevi para a Revista A Bordo da Comunicação, edição nº 2, publicada em junho deste ano! Espero que vocês gostem e agradeço a equipe do site pela confiança e por divulgar cada vez mais o trabalho e os escritos acadêmicos e críticos dos profissionais de Comunicação, especialmente os de Relações Públicas!

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Passou-se o tempo em que analisar o grau de aceitação de um produto ou de um evento passava apenas por um simples questionário. Tornou-se ultrapassado utilizar
somente os indicativos de pesquisa para examinar como anda a popularidade de um candidato à Presidência, por exemplo.

O advento e a popularização do uso dos computadores e de seus aplicativos torna possível aos profissionais de comunicação, especialmente aos Relações Públicas,
conferir a aceitação das imagens atribuídas a um determinado objeto de estudo e monitorar a opinião do público-alvo a seu respeito. Resumindo: a Internet se tornou uma “janela” aberta para o crescimento (ou decadência) da imagem de um produto ou a da própria empresa.

Um tipo de ferramenta utilizado com frequência pelos internautas são as chamadas redes sociais. O Brasil possui uma grande participação porcentual de usuários no Orkut, Facebook, Twitter (aproximadamente 20 milhões de pessoas), e muitos usufruem destes instrumentos quase que todos os dias. Estes sites que, a princípio
seriam usados apenas para fins de entretenimento, transformaram-se em uma “carta na manga” estratégica para empresas – 17% das existentes no Brasil já têm áreas para perfis em mídias sociais - poderem divulgar seus produtos e, em contrapartida, observarem como seus possíveis usuários os “anunciam” para o mundo inteiro.

Em matéria veiculada no telejornal Jornal das Dez, da GloboNews, no dia 14 de abril de 2010, foram mostrados dados referentes a uma pesquisa feita por uma consultoria que monitora as mídias digitais. Eles mostraram a influência das mídias para a mediação das relações entre empresas e consumidores: 90,1% dos entrevistados utilizam as mídias sociais para pesquisar sobre um produto ou serviço antes de comprar; já 42,9% recomendam empresas ou serviços, e 28% fazem reclamações. Pode-se, então, destacar uma importância das redes sociais para o campo empresarial: estas novas estratégias de mercado aumentam a influência do consumidor no desenvolvimento dos produtos (desde o pré-lançamento até o consumo em si) e das empresas (desde o lançamento até uma possível crise ou falência). Segundo o especialista em marketing Miguel Feyo, na mesma matéria citada acima, com o avanço das redes de relacionamento, as empresas deixaram de fazer monólogos para poderem dialogar com seus consumidores, ouvindo suas reclamações, sugestões, elogios e críticas.

Outro detalhe primordial nestas novas ferramentas sociais é o fato da transmissão, quase que instantânea, das informações veiculadas. Um exemplo recente aconteceu no dia 29 de abril de 2010, quando o editor-chefe e apresentador do Jornal Nacional (Rede Globo) William Bonner decidiu se retirar da esfera de microblogs Twitter, por conta da
demanda gerada pela ferramenta, que lhe resultava dores terríveis nas costas. A partir disto, milhares de “sobrinhos”, como Bonner gostava de chamar seus seguidores, mandavam mensagens mencionando o nome do jornalista e lamentando seu “twittercídio”, ou seja, a sua saída da rede social. Além disto, muitos sites e blogs relacionados à comunicação registraram o fato e o analisaram. Assim como no caso deste jornalista, muitas empresas acabam repercutindo sua imagem, de modo positivo ou não, nas mídias sociais e necessitam ter um cuidado maior na hora de responder “o que você está fazendo?” (pergunta originária do Twitter), ou de inserir algum texto no site de relacionamentos Orkut, por exemplo.

Portanto, o profissional de Relações Públicas precisa se atentar para que a imagem da organização seja transparente e sólida, principalmente nesta primeira década do século XX, pois as mídias sociais garantem a liberdade de opinião por parte dos consumidores/clientes, de certa maneira superior àquela dada pela comunicação midiática (“de massa”).

Enfim, atentar-se para que a “nova janela” aberta pela rede mundial de computadores não se quebre e se, de algum modo, “quebrar” que não se coloquem os cacos debaixo de um tapete, mas que se reconstrua a imagem empresarial o mais rápido e seguro possível.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Revista A Bordo e Prêmio RP do Brasil - valorização dos profissionais de Relações Públicas em ação

Muito se falou a respeito da polêmica e inadequada admissão do vilão Fred (Reynaldo Gianecchini), da novela Passione (TV Globo), como relações-públicas da metalúrgica Gouveia, e das consequências do protesto de alunos, professores e profissionais aos órgãos representantes da profissão (CONRERP e CONFERP).

Os protestos são válidos, mas, mais do que lamentar somente, é necessário valorizar a profissão e os profissionais de Relações Públicas, que tanto contribuem para que isto aconteça, através da divulgação de suas atividades, de seus artigos e de suas conquistas no âmbito profissional. Para tanto, se destacam duas iniciativas primorosas: a revista A Bordo da Comunicação, realizada pelo site homônimo e que já possui duas edições, e o Prêmio Relações Públicas do Brasil, que está na sua quinta edição.

A Revista A Bordo, disponível na esfera online, promove a discussão, a cada número, de um tema específico e pertinente para a atuação do profissional de Comunicação, especialmente a de Relações Públicas. A primeira edição trouxe o tema Web 2.0 como estratégia corporativa e a segunda, Imagem e opinião pública nas novas mídias. A publicação contém, além de artigos escritos por professores e profissionais da área, entrevistas, indicação de blogs, sites, cobertura de eventos e agenda. Além disso, há um espaço para que o graduando possa escrever um artigo tendo como base o tema da edição subsequente da revista.

Já o Prêmio RP do Brasil foi instituído em 2006 e, desde então, a cerimônia de premiação faz parte da programação oficial do Congresso da INTERCOM (Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação). Segundo o site oficial do prêmio, este "não se propõe a avaliar atividades profissionais ou distinguir os profissionais pela sua atuação no mercado ou academia, mas reconhecer o mérito daqueles que dedicam as suas vidas à função de valorizar a profissão de relações públicas, difundindo-a na sociedade."

As categorias premiadas a cada ano no Prêmio RP do Brasil são: Profissional de Mercado, Professor(a) Pesquisador(a), In Memoriam e Profissional Revelação. No ano de 2010, foi aberta uma categoria especial para estudantes de graduação que puderam, através dos 140 caracteres do microblog Twitter, demonstrar sua paixão por Relações Públicas. As 10 melhores frases, escolhidas por uma comissão, foram classificadas para a fase final e estão submetidas, assim como as outras quatro categorias, a júri popular. A premiação de 2010 está prevista para acontecer no dia 2 de setembro, durante o Congresso da INTERCOM, na cidade de Caxias do Sul/RS.

Estas atitudes contribuem e muito para que a profissão de Relações Públicas possa ser mais bem entendida e, acima de tudo, mais respeitada e valorizada. No âmbito pessoal, tenho a honra de contribuir para estas duas campanhas: tenho um artigo na segunda edição da A Bordo, que logo postarei aqui, e estou na final do Prêmio RP do Brasil, na categoria estudantil, com mais 9 colegas de graduação de todo o Brasil.

Mais do que um apenas receber o troféu de 1º colocado, quem está ganhando com o Prêmio e também com a divulgação da revista somos todos nós, profissionais de Relações Públicas, pois temos a oportunidade de reconhecimento de nossas atividades e produções acadêmicas e podemos, assim, fazer com que mais pessoas possam conhecer o que é, de fato, Relações Públicas.